#Gay

Sociedade do Cuzinho: Alguém atrás da porta...

2.0k palavras | 0 | 4.00 | 👁️
ChubbyPsvRJ

A semana que se seguiu foi uma revolução silenciosa dentro da minha realidade antes tão monótona e dolorosa.

Segunda-feira. A campainha da casa simples de Jairo ecoou sob a tarde úmida. Quando a porta se abriu, não havia mais aquela expressão carrancuda ou o olhar de posse lasciva dos primeiros dias. Em seu lugar, havia um sorriso pequeno, quase tímido nos cantos da boca dele — um contraste fascinante com sua estatura imponente.

"E aí, branquinho," ele disse, a voz mais suave do que eu jamais ouvira. Ele puxou-me para dentro por uma das minhas mãos trêmulas, fechou a porta e... simplesmente me abraçou.

Foi um abraço forte, completo — seus braços musculosos envolvendo-me por inteiro, meu rosto enterrando-se involuntariamente no peito largo e quente dele, cheirando a sabão em pó barato e aquele aroma único dele, agora familiar. Ele não falou nada por um tempo, apenas segurou-me assim, como se estivesse aferindo minha presença real. Meu corpo, sempre tenso, começou lentamente a ceder contra o dele.

"Tava pensando em você hoje na aula," ele murmurou contra meu cabelo antes de se afastar o suficiente para olhar-me nos olhos.

Antes que eu pudesse responder — ou sequer processar a declaração — seus lábios encontraram os meus. Mas não era o beijo brutal das primeiras vezes na cama dele ou aquele beijo possessivo no vestiário após o treinador. Era um beijo lento; profundo. Exploratório. Sua língua tocou a minha num convite, não numa invasão. Suas mãos grandes seguravam meu rosto com uma delicadeza que me deixou atordoado.

Quando ele finalmente se afastou, seus olhos escuros estavam brilhando.
"Vem," ele disse, pegando minha mão e levando-me para o quarto, não com um puxão brusco, mas com um toque firme.

A transa naquela tarde foi diferente também. Havia menos pressa; menos daquela fúria inicial. Ele me despia devagar, beijando cada pedaço de pele exposta — o pescoço, os ombros redondos, os "tetos" que antes eram motivo apenas de deboche mas que agora ele tocava com uma reverência que me fazia corar — antes de me colocar na cama. A entrada dele ainda era avassaladora devido ao seu tamanho colossal, mas ele ia devagar; observava meu rosto; sussurrava coisas como "tá bom?" e "relaxa pra mim". E durante tudo isso, seus lábios nunca se afastavam muito dos meus; era como se ele precisasse do contato constante, dos beijos roucos trocados entre os gemidos.

Ao final, quando ele gozou dentro de mim com um longo gemido abafado contra meu pescoço; ele não se levantou imediatamente como antes ou falou alguma grosseria suja.
Ele ficou ali, sobre mim; dentro de mim; beijando minhas pálpebras fechadas e depois meus lábios inchados.
"Fica comigo hoje," ele pediu, não ordenou — e algo dentro de mim se partiu e se reconstruiu ao mesmo tempo.

Enquanto nos arrumávamos mais tarde para eu ir embora, já noite fechada, vi pela fresta da porta do quarto — que dava para a pequena sala de estar — uma sombra se movendo rápido atrás do vidro da porta da frente.
Um vulto alto; parado.
"Jairo," eu disse, baixinho.
"O quê?" ele perguntou, puxando uma camiseta limpa sobre a cabeça.
"Tinha alguém na porta."
Ele foi até a janela; olhou para a rua escura.
"Nada não. Devia ser o gato do vizinho, esse bicho é grandão."

Terça-feira. Desta vez ele tinha comprado duas latas do refrigerante barato que eu gostava. Sentamos lado a lado na cama dele — eu ainda vestido; ele só de calça de moletom — enquanto ele tentava explicar os movimentos táticos de basquete que tinha visto num vídeo, usando as latinhas como jogadores. Eu não entendia muito, mas adorava ouvir o som da voz dele; grave; concentrada; diferente da voz que ele usava na escola ou quando estava com raiva.
E então, no meio da explicação sobre uma cortina; ele parou; olhou para mim; e começou a desabotoar minha camisa com dedos surpreendentemente hábeis.
"Dessa vez eu quero te ver," ele sussurrou; beijando-me enquanto trabalhha nos botões. E ele fez questão de ver. De me ter deitado sob a luz fraca da lâmpada do quarto; de observar cada reação no meu rosto enquanto ele entrava em mim — dessa vez eu por cima — guiando meus quadris com suas mãos fortes mas pacientes. Seus olhos nunca se desviavam dos meus; e quando o orgasmo nos atingiu quase ao mesmo tempo; foi seu nome que saiu da minha boca num gemido rouco; não um grito de dor.

Ao sair; bem mais tarde; juro ter visto novamente a silhueta escura recuando rápido da cerca do quintal.
"Jairo..." eu chamei; inseguro.
Ele segurou minha mão.
"É só sombra; Rafa. Essa rua é esquisita à noite. Amanhã eu te busco na saída; não vem sozinho."

Quarta-feira foi o dia em que choveu. Cheguei encharcado; pingando na soleira da porta.
Ele riu — um som raro e bonito vindo dele — e me puxou para dentro; tirando minha roupa molhada com uma eficiência caseira antes de me envolver em um cobertor velho mas limpo.
"Vai ficar resfriado; seu branquelo," ele brincou; esfregando meus braços através do tecido.
Ficamos no sofá da sala vendo um filme de ação qualquer na TV ruim; enrolados juntos no cobertor.
Suas mãos; debaixo do tecido; acariciavam minha barriga redonda; depois desciam pelas minhas costas até as nádegas — não com pressa sexual; mas com posse carinhosa.
"Tu é muito macio; sabia?" ele comentou; o queixo apoiado no topo da minha cabeça.
E quando fizemos amor ali mesmo no sofá estreito; foi lento; quieto; sincronizado com o som da chuva fora.
Após; ele pegou minha cueca molhada e colocou para secar junto com as outras roupas num varal improvisado atrás da casa.
Quando voltou; estava franzindo a testa.
"A cerca do fundo tá meio arrombada. Vou ter que consertar."

Quinta-feira. A rotina já estava estabelecida: eu chegava; ele me beijava na porta como se eu fosse seu porto seguro depois de um dia difícil; levava-me para dentro; perguntava sobre meu dia (e parecia realmente ouvir); e depois nos encontrávamos na cama ou no sofá numa dança íntima que já não era apenas sobre foder; mas sobre conexão.
Aquele dia; ele mostrou-me uma música que tinha feito numa batida simples no celular.
"É sobre ter algo que é só seu;" ele disse; sem olhar nos meus olhos; um pouco envergonhado. A letra era crua; cheia de gírias da rua; mas no refrão havia uma linha sobre "um luar pálido no meio da escuridão".
Eu chorei.
Ele não falou nada; apenas beijou minhas lágrimas salgadas e depois levou-me para a cama; onde dessa vez ele pediu; em voz baixa; se podia fazer de outra forma.
"Quero te ver por inteiro;" ele explicou; e pela primeira vez desde o início; foi ele quem ficou debaixo; me guiando para sentar em cima dele; suas mãos enormes segurando minhas coxas grossas enquanto eu me afundava naquela piroca que agora parecia feita para me caber perfeitamente.
Ele me observou; fascinado; enquanto eu me movia; e sussurrava elogios sujos mas ternos: "Que lindo você assim... Toma conta de mim... Esse cuzinho foi feito pra mim".
Quando gozamos — ele dentro de mim; eu jorrando entre nossos estômagos suados — ele me puxou para baixo em um abraço tão apertado que quase não conseguia respirar.
"Meu;" ele disse; apenas uma palavra; mas carregada de um significado que ecoou em todo meu ser.

Na hora de ir embora; enquanto eu amarrava os cadarços dos tênis; vi novamente.
Desta vez não foi um vulto fugidio. A figura atrás do vidro fosco da porta da frente parou por um segundo inteiro — tempo suficiente para eu discernir uma silhueta masculina; altíssima; larga nos ombros — antes de sumir.
"Jairo;" eu disse; firme agora. "Tem alguém me vigiando. Todos os dias."
Ele ficou sério.
Olhou para a porta; depois para mim.
"É meu pai;" ele admitiu; finalmente. "Ele... dá umas voltas à noite. É meio protetor. Não liga não; tá bom? Ele sabe que você vem aqui."
"Sabe?" eu perguntei; ansioso.
"Claro que sabe;" Jairo disse; como se fosse óbvio.
"Ele só... ainda não se acostumou."
A explicação foi vaga; mas acalmou-me um pouco.
Ainda assim; nos dois dias seguintes (sexta e sábado); sempre que saía; sentia os pelos da nuca eriçarem; como se estivesse sendo observado por algo muito maior do que um gato ou uma sombra.

Domingo à tarde.
Jairo tinha ido resolver uns negócios com uns amigos do basquete; mas me pediu para passar lá mais tarde.
"Deixa eu te apresentar pro meu velho direito;" ele tinha dito; dando-me um beijo rápido e envergonhado na bochecha antes de sair.
"Ele vai gostar de você."

O coração batia forte quando cheguei à casa dele.
A rua estava estranhamente quieta.
Subi os degraus do alpendre e bati na porta.
Nenhum som vindo de dentro.
Bati novamente; mais forte.
"Não precisa bater tão forte; garoto."
A voz que veio não era a de Jairo.
Era muito mais grave; mais velha; uma voz que parecia vir do peito e ecoar nos ossos de quem ouvia.
A porta se abriu.
E lá; preenchendo completamente o vão da porta; estava ele.
O pai de Jairo.
O Senhor Paulo.
Conhecido nas ruas do bairro por um apelido que sussurravam com respeito e medo: Paulão Tripé.

Ele era... colossal.
Mais alto até que o treinador Marcelo; seus 2,15m faziam o batente da porta parecer baixo.
A largura dos ombros era quase inacreditável; preenchendo minha visão inteira.
Ele usava apenas um short velho de tactel e uma camiseta branca surrada que esticava sobre um torso que era pura massa sólida — não os músculos definidos do filho ou do treinador; mas a força bruta de décadas de trabalho pesado.
Os braços; grossos como pernas normais; eram totalmente cobertos por tatuagens antigas e desbotadas.
O rosto era como uma rocha talhada à machadadas: testa larga; nariz quebrado mais de uma vez; olhos profundos e escuros sob sobrancelhas grossas.
E aquela barba grisalha; espessa.
Mas o que realmente prendeu meu olhar — além do tamanho avassalador do homem — foi o volume obsceno esticando o tecido fino do short.
O apelido "Tripé" não era poético; era literal.
Mesmo flácido; o que estava ali era enorme; formando um terceiro "pé" impressionante.
E eu conseguia ver; nitidamente; as marcas das veias grossas sob o tecido.

Ele me olhou por cima; seus olhos escuros percorrendo meu corpo gordinho; pálido; tremendo ali na soleira.
Um olhar pesado; lento; calculista.
Não havia raiva nele.
Não havia nem mesmo curiosidade lasciva como a do diretor Willian.
Era algo diferente.
Algo... avaliador.
Como um homem olha para um pedaço de terra que ele pode ou não querer comprar.

"Então você é o Rafael;" ele disse; finalmente.
A voz não era hostil.
Era simplesmente... enorme.
Como o resto dele.
"Jairo não tá."
Ele fez uma pausa; seus olhos se fixaram nos meus por um momento que pareceu durar horas.
"Mas pode entrar."
Ele deu um passo para trás; abrindo espaço — espaço que mal parecia suficiente para sua própria massa passar — para eu entrar na casa silenciosa.
"A gente pode... conversar."

A porta fechou atrás de mim com um clique suave.
E ali eu fiquei; sozinho na sala semi-escura da casa simples; com o homem que era uma lenda viva nas ruas do bairro.
Paulão Tripé.
O pai do meu namorado.
E pela primeira vez desde aquela segunda-feira no ginásio; soube;
com certeza absoluta;
que aquela história
estava apenas começando.

Comentários (0)

Regras
- Talvez precise aguardar o comentário ser aprovado - Proibido numeros de celular, ofensas e textos repetitivos