#Gay #Teen #Virgem

O valentão e o menino

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Fabio M.

Xicao e Maurício, mundos diferentes, um valentão e o outro que sofre bulling se encontram e surge algo especial entre eles

Maurício tinha quinze anos e aprendera cedo a medir os próprios movimentos. O jeito de sentar. O jeito de rir. O tempo que deixava os olhos parados em alguém. Tudo precisava durar pouco para não chamar atenção.
Mesmo assim, Lucas aconteceu.
Lucas era do segundo ano. Quieto, magro, cabelo claro sempre caindo nos olhos, daqueles garotos que pareciam pedir desculpas até quando passavam pelo corredor. Sentava duas fileiras à frente na aula de Matemática e tinha o hábito irritante de morder a tampa da caneta enquanto tentava resolver exercícios.
Maurício percebia tudo.
Percebia quando ele chegava atrasado e entrava na sala tentando não fazer barulho. Percebia o cheiro de sabonete quando passava perto. Percebia até o jeito como Lucas franzia a testa antes de responder à chamada.
E isso era um problema.
Porque Maurício olhava demais.
No começo ninguém notou. Ou talvez notaram e não ligaram. Mas escola é um lugar onde silêncio demais vira suspeita. Bastou uma aula de Educação Física para tudo começar.
Lucas tinha levado uma bolada no rosto durante o futebol. Nada sério. Só o nariz vermelho e os olhos lacrimejando. A turma inteira riu. Maurício não.
Ele atravessou a quadra para perguntar se Lucas estava bem.
Foi só isso.
Mas um dos meninos viu o jeito nervoso dele, a mão tocando rápido o ombro de Lucas, o rosto vermelho demais. Comentou com outro. O outro aumentou a história. Em dois dias já estavam dizendo que Maurício era apaixonado.
Na semana seguinte, virou certeza.
Os apelidos começaram pequenos, quase preguiçosos.
— Ih, olha o namorado do Lucas aí.
— Fala, Mauricinha.
— Cuidado pra ele não querer te agarrar.
Alguns falavam rindo. Outros falavam olhando direto nos olhos dele, esperando reação. Maurício nunca reagia. Só baixava a cabeça e continuava andando.
E isso piorava tudo.
Porque gente cruel adora quem não revida.
Os boatos cresceram rápido. Disseram que ele escrevia o nome do Lucas no caderno. Disseram que tinha foto dele salva no celular. Disseram até que os dois se encontravam escondidos depois da aula.
Nada era verdade.
Lucas começou a evitar olhar para ele.
Aquilo doeu mais do que os insultos.
Na aula de Matemática, Maurício percebeu quando Lucas pediu para trocar de lugar. Percebeu o desconforto no rosto dele quando os colegas começavam as piadas. Uma vez, na saída, Lucas passou reto por ele fingindo que nem conhecia seu nome.
Maurício entendeu.
Lucas estava com medo de virar alvo também.
Então Maurício fez o que sabia fazer melhor: ficou menor.
Parou de responder chamada alto. Parou de ficar no pátio. Começou a sair por corredores vazios para evitar os grupos do terceiro ano. Vivia com os ombros curvados, mochila apertada contra o peito, tentando ocupar menos espaço no mundo.
Não funcionou.
Na quinta-feira, depois da última aula, esperou o movimento diminuir antes de sair. O céu estava pesado, cinza escuro, e o ginásio já quase vazio ecoava barulho de bola quicando ao longe.
Foi ali que ouviu:
— Ô, Mauricinho.
Quatro garotos do terceiro ano encostados perto do muro.
Diego no meio.
Maurício conhecia a fama dele. Briga, suspensão, vídeo humilhando aluno mais novo. O tipo de cara que sorria antes de machucar alguém.
Maurício tentou passar reto.
Diego segurou a alça da mochila dele.
— Tá com pressa por quê?
Os outros riram.
— Deixa ele. Vai ver marcou encontro com o namoradinho.
— Qual deles? — outro perguntou. — Dizem que ele gosta de qualquer um.
Maurício puxou a mochila de volta.
— Me deixa ir embora.
A voz saiu baixa demais.
Diego empurrou ele contra a parede do ginásio.
— Ih. Ficou bravinha.
Vieram os risos outra vez.
Maurício tentou sair pelo lado, mas levou um soco no estômago tão forte que perdeu o ar. O corpo dobrou sozinho. Antes que conseguisse respirar, veio outro empurrão. Depois um tapa na nuca.
As coisas ficaram rápidas e confusas.
Chute na perna.
Mão puxando seu cabelo.
Alguém filmando.
— Fala alguma coisa aí, viadinho.
— Chora.
— Pede desculpa por nascer errado.
Maurício tentou se proteger cobrindo a cabeça. O gosto de sangue apareceu na boca. O ouvido zumbia. Sentiu terra grudando nas mãos enquanto caía de joelhos.
Então uma voz atravessou tudo:
— Que porra tá acontecendo aqui?
Silêncio.
Pesado.
Maurício levantou o rosto devagar.
Xicão vinha andando da direção da quadra.
Só o apelido já bastava para muita gente sair do caminho. Dezenove anos, repetente pela terceira vez, ombros largos, braços cobertos de tatuagem mal feita. Tinha cara de quem dormia pouco e brigava muito. A fama dizia que ele já quebrara o nariz de um cara com uma cabeçada.
Ele não parecia herói de ninguém.
Diego tentou rir.
— Nada não. Só brincadeira.
Xicão olhou para Maurício no chão, sangrando.
Depois olhou para o celular na mão do garoto.
O maxilar dele travou.
— Tu acha isso engraçado?
Ninguém respondeu.
Xicão arrancou o celular da mão do menino e jogou no chão com força. A tela explodiu.
— Cata isso aí e some.
— Qual foi, Xicão? Tá defendendo viado agora? — Diego falou, tentando sustentar a pose.
Xicão deu um passo à frente.
Só um.
Mas bastou.
— Eu falei pra sumir.
A voz dele não saiu alta. Isso era o pior.
Os quatro foram embora resmungando, rápidos demais para parecer coragem.
O silêncio voltou.
Maurício permaneceu no chão, respirando torto.
Xicão passou a mão na nuca, desconfortável. Como se não soubesse muito bem o que fazer agora que a raiva tinha passado.
— Consegue levantar?
Maurício assentiu, embora não tivesse certeza.
Quando tentou ficar de pé, as pernas falharam.
Xicão segurou ele antes da queda.
As mãos eram grandes e ásperas, mas cuidadosas.
— Devagar, porra.
Maurício apoiou parte do peso nele enquanto caminhavam até um banco atrás das árvores da quadra. Xicão sentou ao lado, tirando uma garrafa d’água da mochila.
Ficou alguns segundos encarando o próprio tênis antes de falar:
— Eles pegaram pesado.
Maurício soltou uma risada curta, dolorida.
Xicão pareceu se sentir idiota pela frase.
Molhou a barra da camiseta e começou a limpar o sangue do rosto dele sem jeito, evitando olhar muito diretamente.
— Vai arder.
Ardeu.
Maurício apertou os olhos.
— Foi mal.
— Não precisa pedir desculpa.
— Não tô pedindo.
Xicão soltou um “hm” pelo nariz.
Continuou limpando o corte do lábio em silêncio.
— Por que fizeram isso? — perguntou depois, sem encarar Maurício.
Maurício demorou para responder.
— Porque eu gosto de garoto.
Xicão ficou quieto.
Não surpreso.
Só quieto.
A mão dele parou por um instante antes de continuar limpando o sangue.
— Os caras são doentes.
Foi tudo que disse.
Mas a forma como falou fez Maurício sentir vontade de chorar de novo.
Porque parecia sincero.
Xicão jogou a camiseta suja sobre o ombro e coçou o braço tatuado, inquieto.
— Eu via os caras enchendo teu saco faz tempo.
Maurício olhou para ele.
— E nunca fez nada.
— É.
Resposta seca. Honesta.
Xicão chutou uma pedrinha no chão.
— Achei que iam parar.
Silêncio.
— Aí hoje eu vi aquilo lá.
Ele respirou fundo pelo nariz.
— Me deu raiva.
Maurício observou o perfil dele. O maxilar duro. O olhar preso em algum ponto distante.
Xicão parecia o tipo de pessoa que sabia brigar, não conversar.
Demorou bastante até voltar a falar.
— Tu fica olhando pra baixo o tempo todo.
Maurício franziu a testa.
— O quê?
— Nada.
Xicão esfregou a mão na nuca.
— Só… sei lá. Dá vontade de mandar os caras calarem a boca.
Aquilo provavelmente era o máximo de carinho que ele sabia demonstrar.
E, estranhamente, funcionava.
Maurício sentiu o peito apertar.
— Obrigado.
Xicão deu de ombros, como se agradecer deixasse tudo mais difícil.
Depois de alguns segundos, falou sem olhar pra ele:
— E tu também não ajuda.
— Como assim?
— Fica aceitando tudo quieto.
Maurício baixou os olhos.
— O que eu devia fazer?
Xicão pensou um pouco.
— Não sei.
Honesto outra vez.
Então suspirou.
— Mas ninguém devia apanhar por causa disso aí.
Ele apontou vagamente para Maurício inteiro, como se não soubesse nomear.
O vento balançou as árvores acima deles.
Xicão encarava o chão fazia tempo demais.
Quando falou de novo, a voz saiu mais baixa.
— E… eu meio que já tinha reparado em você também.
Maurício ficou imóvel.
Xicão imediatamente pareceu arrependido de ter aberto a boca.
— Esquece. Falei merda.
Tentou levantar.
Maurício segurou o braço dele.
Os dois ficaram se olhando em silêncio.
Xicão parecia muito menos assustador de perto. Só cansado. Nervoso até.
Maurício aproximou devagar.
O beijo aconteceu torto, hesitante, sem prática nenhuma.
Mas real.
Quando se afastaram, Xicão limpou a boca com o polegar, visivelmente sem saber onde enfiar a cara.
— Se contar pra alguém, eu nego.
Maurício riu pelo nariz, mesmo com o lábio machucado.
Xicão finalmente sorriu de volta.
Pequeno.
Quase invisível.
— Vamo — ele disse, levantando. — Te levo pra casa antes que tu desmaie aí.
Maurício mal conseguia andar direito. Cada passo enviava uma pontada de dor pelas costelas, mas o braço de Xicão ao redor da sua cintura era firme, sustentando a maior parte do peso dele. O grandalhão não dizia muita coisa no caminho — só resmungava “por aqui” quando precisava virar uma esquina e mantinha o olhar baixo, quase envergonhado.
Chegaram na casa de Maurício em uns vinte minutos. Os pais dele ainda estavam no trabalho, como sempre. A sala estava escura e silenciosa. Xicão ajudou ele a entrar, fechou a porta com o pé e trancou.
— Banheiro? — perguntou, voz rouca.
Maurício apontou o corredor. Xicão o levou até lá, sentou ele na borda da pia e abriu a torneira. Limpou o resto do sangue com uma toalha molhada, os movimentos ainda desajeitados, mas mais gentis do que antes. O silêncio entre eles estava carregado agora, diferente do silêncio da quadra.
Quando Xicão terminou, Maurício segurou o pulso dele.
— Fica.
Xicão olhou para ele. O valentão de quase dois metros parecia perdido.
— Tu tá machucado pra caralho…
— Eu quero — Maurício respondeu baixo, mas direto. — E você também quer.
Xicão engoliu em seco. Depois de um segundo que pareceu eterno, ele assentiu.
Foram pro quarto. Maurício trancou a porta por instinto. Xicão tirou a camiseta suja de sangue dele mesmo e jogou no chão. O corpo era forte, cheio de marcas velhas de briga, tatuagens malfeitas subindo pelos braços e peitoral. Maurício tirou a própria camisa devagar, sentindo o olhar dele queimar na pele.
Eles se beijaram de novo, agora sem pressa nenhuma. Xicão era desajeitado, mas faminto — mordia o lábio inferior de Maurício com cuidado, as mãos grandes apertando a cintura dele. Maurício desceu as mãos pela barriga dele até o cós da calça jeans.
— Deixa eu te chupar — Xicão murmurou contra a boca dele, quase como se estivesse confessando um crime.
Maurício piscou, surpreso. O grandalhão, o cara que todo mundo temia, estava pedindo pra chupar.
Ele sentou na beira da cama. Xicão se ajoelhou entre as pernas dele sem cerimônia, abriu o botão e puxou a calça junto com a cueca. O pau de Maurício já estava duro, latejando. Xicão olhou por um segundo, respirou fundo, depois lambeu da base até a cabeça devagar, como quem prova algo novo.
— Porra… — Maurício gemeu, enfiando os dedos no cabelo curto dele.
Xicão abriu a boca e engoliu. No começo foi desajeitado, engasgando um pouco, mas ele não parou. Chupava com vontade, a língua pesada deslizando por baixo, sugando a cabeça quando subia. Os sons molhados enchiam o quarto. Ele segurava as coxas de Maurício com força, como se precisasse se ancorar.
Maurício não durou muito. O dia todo de tensão, a briga, o alívio de ter alguém do lado dele… ele avisou com a voz embargada:
— Tô gozando…
Xicão não tirou. Engoliu tudo, garganta trabalhando, um filete escorrendo pelo canto da boca. Ele limpou com as costas da mão e olhou pra cima, olhos vermelhos, respiração pesada.
— Vem — Maurício disse, puxando ele pra cima.
Tiraram o resto da roupa. Xicão estava duro pra caralho, o pau grosso latejando contra a barriga, mas ele virou de costas, apoiando os cotovelos na cama.
— Vai devagar no começo — murmurou, voz rouca de vergonha e tesão.
Maurício cuspiu na mão, passou no próprio pau e no buraco apertado de Xicão. Empurrou devagar. Xicão soltou um gemido grave, rosto enterrado no colchão, punhos fechados. Quando Maurício entrou inteiro, ele tremeu inteiro.
— Caralho… tá bom — Xicão grunhiu.
Maurício começou a meter. Primeiro lento, depois mais fundo, mais forte. Xicão empinava a bunda pra trás, pedindo mais, gemendo sem vergonha agora. O valentão passivo era uma visão: costas largas suadas, tatuagens brilhando, bunda grande recebendo tudo com gosto.
— Mais forte… porra, me fode — ele pediu, voz quebrada.
Maurício segurou os quadris dele e meteu fundo, batendo pele com pele. Xicão tremia, o corpo inteiro tenso. De repente ele soltou um gemido longo, quase um soluço, e gozou sem nem tocar no próprio pau — jatos grossos sujando o lençol enquanto o cu apertava forte em volta de Maurício.
Isso foi o suficiente. Maurício gozou dentro dele, pulsando fundo, segurando a cintura de Xicão com força.
Os dois caíram na cama, suados, respirando pesado. Xicão virou de lado, puxou Maurício contra o peito e ficou quieto um tempo, passando a mão grande nas costas dele.
— Se alguém souber… — começou.
— Ninguém vai saber — Maurício respondeu, beijando o peito dele.
Xicão soltou um suspiro longo e apertou ele mais forte.
— Tá bom. Agora dorme um pouco, Mauricinho. Amanhã eu te levo pra escola de novo.
E pela primeira vez em muito tempo, Maurício dormiu sem medo.
Comentem se querem a continuação dessa história, o valentão e o menino.
Até a próxima! Valeu por ter lido!

Comentários (1)

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  • Fighter: Excelente conto

    Responder↴ • uid:41igoqglqrj