#Assédio

Secretária osso duro de roer

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Na empresa, eu negociava um contrato. Ao telefone, eu anotava os novos pedidos e o cliente que já era amigo de longa data, tirava um sarro e falava que eu estava dificultando as coisas, afinal, se eu facilitasse o pedido dele, o contrato seria mais longo! Ri e falei que era impossível. Marquei com ele no boteco próximo para fecharmos tudo (assinar papelada) e bebermos um pouco.

No boteco, o amigo/cliente falou se eu não tinha como convencer a secretária da empresa para uma “festinha”. Falei que a mulher era noiva, o cara vinha todo dia pegá-la após o expediente. Falei:

- Cara, você tem quarenta e três. A mina tem vinte e cinco.

- E o quê tem isto?

Rimos. Cara safado. Alto, preto, forte, careca, ele estava de olho na loirinha branca de cabelos longos, olhos verdes e rosto comprido! O ponto final da conversa: disse que a mina era correta e nem dava margem para papo. Falou:

- Você não está precisando de sócio não?

Ri muito. Ele estava deixando claro que o negócio dele era a secretária. Quase chorando de rir, soltei:

- Não, não. A mina não dá margem. Esquece.

- Já tentou molhar a mão?

- Para com isto. É assédio.

Rimos e tomamos um gole de cerveja. O negócio dela é trabalhar, receber ao fim do mês e mais nada. O fato do noivo pintar após o expediente nem dava margem para uma cerveja em boteco. Difícil.

Conversamos um pouco mais sobre outros assuntos comerciais e pagamos a conta para sairmos dali. Despedi e entrei no carro, joguei a pasta no banco traseiro e fui para casa.

Dia seguinte, ele pintou na empresa, ela atendeu o cara, sentou na cadeira e focou no trabalho de forma fria, realmente, a mina sequer olhava ao cliente e na minha sala, eu conversei com ele para não ficar dando em cima, daria um belo processo para mim. Falei que o pedido foi encaminhado, tratei de acelerar a visita que não foi programada, saiu logo.

Uns dias depois, a campainha toca, entrega. Atendi e o entregador falou que era para a secretária. Um ramalhete de flores com uma caixa de bombom! Pensei que fosse o noivo e para a minha surpresa era o meu amigo/cliente. Gelei. Chamei a contemplada e ela ao saber quem havia mandado nem quis receber. A cena patética onde eu segurava um ramalhete de flores com caixa de bombom para não passar mais vergonha diante do entregador deixou-me irritado. Ele pediu desculpas com o olhar, sorriso amarelo e saiu fora. Fui até a parede onde tem uma porta que descarrega lixo e joguei tudo lá. Bombons de licor, rosas, tudo no lixo.

Não falei nada e liguei para o cliente na minha sala passando um esporro nele. A cara da mina era de ódio, séria, eu já pensei no pior. Ele pediu desculpas, expliquei que o problema caiu no meu colo.

Chamei a dita cuja na sala e falei que o cliente fez por educação e respeitosamente pelo profissionalismo dela. Ela entendeu como um assédio, pedi desculpas pois eu nem esperava aquilo do cliente e ela falou que queria pedir as contas.

- Foi só um presente.

- Eu não gosto. Sou noiva e ele é ciumento.

- Vai sair do emprego por causa disto?

- Eu não gostei.

- Eu preciso de você aqui.

- Não quero mais ficar.

Osso duro de roer, hein? Resumindo: tive que pagar indenização e o meu cliente ainda ficou fichado por assédio! Pergunta se eu contrato mulher na empresa ou no escritório? Não quero mais funcionário(a) e ajeitei o atendimento direto no celular mesmo que isto implicasse em duas tarefas ao mesmo tempo. Ele continua meu cliente.

Tudo isto impactou bastante. Ultimamente, só converso com mulher em situações muito específicas e procuro sair sozinho. Aos 32 anos, branco, magro e alto, falo mínimo possível com mulher e já penso em retornar para o sexo com homem como fazia antes.

Aqui é um site de conto erótico, escrevi um desabafo e relato. Acho que eu não assimilei o dano causado precisando de tempo maior. Faz três meses que paguei a indenização. Valeu.

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