#Bissexual #Corno #Traições #Voyeur

Muito mais que bons amigos - Parte 8

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Lopedrinhofm

O Felipe esperou os passos do Vini se afastarem e a porta de vidro se fechar completamente antes de se manifestar. Ele tirou os óculos de armação fina, colocou-os sobre a mesa e massageou o canto dos olhos, exalando um ar pesado.
Quando voltou a me encarar, a expressão dele era de uma severidade implacável, de quem não tolerava amadorismo.
— Vitor, senta — ele apontou a cadeira com um gesto seco.
Ajeitei-me no estofado de couro, sentindo o suor frio descer pelas minhas costas.
— Você acha que isso é uma brincadeira, Vitor? — o Felipe começou, com a voz pausada, cortante como uma lâmina. — O Vinicius acha que esta empresa é o quintal da casa dele, mas você acabou de entrar. Se você quer ter uma carreira neste lugar, é bom começar a usar a cabeça.
Ele se inclinou para a frente, apoiando os cotovelos na mesa de madeira nobre e cravando o olhar em mim:
— Vocês dois estão soltando piadinhas de duplo sentido no meio do corredor, no andar da diretoria. Vocês esqueceram onde estão?! Além de ser uma quebra grave do nosso código de ética, a Emilly trabalha nesta mesma empresa. Vocês acham mesmo que um ruído desse tipo não chega até ela ou a qualquer outro setor?
Por nunca ter visto a Emilly lá, me esqueci que ela trabalhava na mesma empresa que Vinicius. A estrutura daquela multinacional era gigantesca, dividida em vários prédios e andares, e eu nem fazia ideia de qual setor ela ocupava exatamente, mas o aviso do Felipe fez meu estômago despencar.
— A Emilly é uma profissional séria e transita por áreas estratégicas aqui dentro — o Felipe continuou, sem suavizar o tom. — Se um boato sobre o comportamento de vocês ganha o corredor, ela pode ser a primeira a saber por vias oficiais, e isso se torna um problema institucional gravíssimo. Sem contar o papel ridículo que vocês nos fazem passar.
Ele fez uma pausa cirúrgica, deixando o peso do alerta assentar na sala.
— Eu não admito falta de decoro na minha equipe. Se eu ouvir mais uma vírgula fora do lugar vinda de vocês, eu mesmo encaminho a conduta de vocês para o RH. Fui claro?
— Perfeitamente claro, Felipe. Não vai se repetir — respondi na hora, engolindo em seco.
— Ótimo — ele colocou os óculos de volta e virou o monitor para mim, mudando o tom no mesmo segundo. — Vamos repassar a página quatro da projeção de custos.
A autoridade e o aviso direto do Felipe deixaram evidente que o jogo na empresa era muito mais arriscado do que tínhamos imaginado.
Aproveitei o horário de almoço pra puxar o Vini até o refeitório.
Eu ainda estava travado com a bronca do Felipe, mas uma coisa em particular não saía da minha cabeça desde que saí daquela sala.
— Vini, o Felipe quase comeu a meu fígado depois que você saiu — falei baixo, inclinando o corpo sobre a mesa. — Ele mandou um papo sério sobre o compliance, disse que a Emilly trabalha na empresa e que se um boato desse rodar o corredor, ela descobre rapidinho. Cara... por nunca ter visto a Emilly por aqui, eu nem lembrava que ela trabalhava no mesmo grupo. Afinal, em que setor ela fica? Ela tá no RH ou em alguma gerência operacional?
O Vini deu uma risada curta, irônica, e encostou as costas na cadeira, balançando a cabeça como se eu tivesse acabado de fazer a pergunta mais ingênua do mundo.
— Gerência? Vitor... a Emilly não tá em gerência nenhuma — ele disse, diminuindo ainda mais o tom de voz e me encarando fixo. — Ela é a Diretora da empresa
Eu travei com a garrafa de água no meio do caminho até a boca.
— O quê?! — murmurei, chocadaço. — Mas o Felipe é o nosso chefão!
— Exatamente — o Vini deu um sorriso de canto, cheio de significado. — O Felipe é o CFO, o cara das finanças, o todo-poderoso da empresa. Mas a Emilly? A Emilly responde direto pro Conselho em Nova York. Ela é a pessoa que auditou e aprovou a nomeação do próprio Felipe no ano passado. Hierarquicamente, na linha de report de risco e ética, a minha mulher é a chefe do chefe.
O sangue sumiu do meu rosto por um segundo. A peça que faltava no quebra-cabeça acabou de encaixar com uma força brutal.
Toda aquela postura inabalável do Felipe, e a bronca feroz que ele nos deu mais cedo... não era só pela imagem dele. Ele sabia perfeitamente quem a Emilly era na cadeia alimentar da empresa. Se a Emilly quisesse, ela destruía a carreira do Felipe com uma única canetada.
— Puta que pariu... — soltei um riso nervoso, me encostando na cadeira. — O Felipe tem pavor dela.
— Ela é muito foda! — o Vini piscou pra mim, dando um gole na água.
No meio da tarde, minha cabeça ainda estava uma bagunça com tudo o que tinha descoberto. Fiquei viajando na ideia da Emilly ser a chefona da Governança e acabei errando uma conta boba de porcentagem na planilha do relatório final.
Nem vi o erro passar. Enviei o arquivo e, dez minutos depois, meu ramal tocou. Era o Felipe.
— Vitor, vem até a minha sala agora. Precisamos conferir um número aqui — ele disse, seco, e desligou.
Engoli em seco, peguei meu bloco de notas e fui até lá. Chegando na porta de vidro, dei duas batidas leves e abri.
Pra minha surpresa, a Emilly estava lá dentro.
Ela estava encostada na borda da mesa do Felipe, usando um terno feminino escuro, super elegante, com uma postura impecável. O Felipe estava sentado na cadeira dele, virado pra ela, mostrando a tela do computador. Os dois conversavam num tom baixo, muito próximos, e davam uma risadinha leve que morreu no exato segundo em que eu pisei pra dentro.
Eles não tinham pavor um do outro. Na verdade, trabalhavam super bem juntos, com uma sintonia e uma intimidade profissional que me deixou de orelha em pé.
— Entra, Vitor — o Felipe falou, voltando pra postura séria de sempre. — Você comeu um zero na margem do quarto trimestre. O número não bate com o relatório de risco que a Emilly acabou de me trazer.
— Desculpa, Felipe... me desconcentrei aqui. Vou arrumar agora mesmo — respondi, tentando manter a calma.
— Sem problemas, Vitor. Acontece — a Emilly disse, com a voz mansa. Ela olhou bem nos meus olhos e deu aquele mesmo sorriso de canto que tinha me dado na noite anterior no sofá de casa. — O Felipe me chamou pra alinhar os números antes de enviar pro Conselho. É bom ter dois pares de olhos em tudo.
— A Emilly me ajudou a pegar esse detalhe a tempo — o Felipe completou, olhando pra ela de um jeito respeitoso, mas muito cúmplice. — Corrige lá e me manda de novo.
— Pode deixar — murmurei, saindo da sala e fechando a porta.
Voltei pra minha mesa com a cabeça fervendo. A forma como eles se olhavam, a risadinha abafada antes de eu entrar e o jeito fácil como a Emilly transitava na sala dele me deixaram com uma pulga enorme atrás da orelha.
Será que toda aquela conversa do Felipe sobre ser 100% fiel ao marido e seguir as regras da empresa era só fachada? Será que ele e a Emilly tinham alguma coisa escondida?
À noite, assim que a Gi e eu deitamos, não aguentei e puxei o assunto no quarto. Contei em tom de sussurro sobre o erro na planilha, a visita da Emilly na sala do Felipe e a risadinha misteriosa dos dois antes de eu entrar.
— Gi, tô com a pulga atrás da orelha — comentei, abraçando ela por trás. — A Emilly e o Felipe têm uma sintonia estranha. Aquele papo dele de ser o certinho e fiel ao marido... sei não. Acho que eles têm alguma coisa escondida.
— A Emilly? Duvido, Vitor — a Gi respondeu no ato, se virando pra mim. — Ela ama o Vini, do jeito torto e livre deles, mas ama. Se ela tivesse pegando o seu chefe, já tinha jogado na nossa cara pra dominar o jogo de vez. Tem outra coisa aí.
Decidi tirar essa história a limpo no dia seguinte. No meio da tarde, vi quando a Emilly entrou de novo na sala do Felipe para alinhar os relatórios de fechamento. Esperei alguns minutos, peguei uma pasta qualquer de documentos e fui até o corredor lateral da diretoria. Me esgueirei pelo canto da divisória, bem perto da porta da sala de vidro, fingindo que lia uns papéis enquanto mantinha o ouvido atento.
A porta estava levemente encostada, apenas no trinco. A voz mansa da Emilly veio primeiro, num tom puramente profissional:
— ...então o risco do relatório tá zerado, Felipe. Da minha parte, a Governança aprova o envio pro Conselho.
— Excelente, Emilly. Obrigado pelo pente-fino — o Felipe respondeu. Houve um barulho de cadeira se movendo e o tom dele mudou completamente, ficando muito mais solto e rindo baixo. — Mas e aí, como foi o seu fim de semana? Sei que você e o Vini andam bem ocupados...
— Ah, movimentado... Você sabe como é — a Emilly deu uma risada abafada, provocante. — Ele tá precisando de uns castigos. E o seu com o Pedro e a Sabrina?
Congelei no lugar. Prendi a respiração, colando o ouvido quase na fresta.
— Maravilhoso — o Felipe soltou um suspiro sacana, abaixando a voz pra falar putaria sem nenhum pudor. — A gente marcou uma troca de casal com o Bruno e a Camila no sábado à noite.
— Quem diria, hein, Fe? — a Emilly debochou, rindo baixo. — O homem mais rígido do Mercado Financeiro pagando de certinho de dia e caindo na putaria de noite.
O Felipe deu uma risadinha devassa. — Mantenho a fachada impecável. Ninguém aqui dentro nem sonha.
Afastei-me da porta devagar, com a cabeça dando nós e o peito acelerado.
A Emilly não estava tendo um caso com ele. Ela era 100% fiel ao Vini, só trocava ideia sobre a vida liberal deles. Mas o Felipe... o hipócrita e moralista do meu chefe, casado com o Pedro e a Sabrina, pagava de santinho pra equipe enquanto participava de menage e troca de casal no fim de semana.
Eu tinha na mão a arma perfeita contra a autoridade do homem que vivia me ameaçando.
Voltei pra minha mesa com a cabeça fervendo, tentando disfarçar o sorriso de canto que teimava em brotar no meu rosto. A hipocrisia do Felipe era deliciosa. O cara que quase me fez suar frio na sala dele falava de regras como se fosse um santo, mas no fim de semana caía na putaria mais pesada.
Assim que deu o horário da saída, esperei o Vini na calçada do prédio. Quando vi ele se aproximando, cheio de pose de executivo, passei a mão no ombro dele e puxei pra perto.
— Vini... você não vai acreditar no que eu descobri hoje — murmurei, perto do ouvido dele.
Ele me olhou curioso, franzindo a testa:
— O que foi? O Felipe encheu seu saco de novo?
— Não... Eu ouvi a conversa dele com a Emilly na sala. O cara é um puta dum hipócrita. Pagou de certinho pra gente, mas no sábado tava fazendo troca de casal com esse tal de Bruno e a Camila. Ele, o Pedro e a Sabrina.
O Vini travou no meio da calçada. Ele olhou pra mim com os olhos arregalados, soltou uma gargalhada alta e cobriu a boca na hora, olhando pros lados pra ver se ninguém tinha ouvido.
— Puta que pariu, Vitor! O Felipe?! Não brinca... — ele rindo baixo, desacreditado. — Então o lord do compliance também curte uma sacanagem?
— Curte e não é pouca não — pisquei pra ele. — O homem tá com a vida na nossa mão e nem sabe. Mas a Emilly sabia de tudo. Ela tava lá batendo papo como se fosse a coisa mais normal do mundo.
— Lógico que sabia — o Vini deu um sorriso de canto, recuperando a postura. — A Emilly tem a chave do cofre da vida de todo mundo naquela empresa. Mas estranho ela não ter me contado.
A gente caminhou até o estacionamento trocando ideias sobre como essa informação mudava tudo. O medo da demissão tinha sumido.
Assim que a gente saiu do prédio, o Vini não engoliu a história. O clima de piada no caminho sumiu e virou uma briga feia assim que os quatro se encontraram na casa deles.
— Você sabia disso esse tempo todo, Emilly?! — o Vini gritou, jogando a chave na mesa da sala.
— O cara vive me pressionando, me ameaçando de demissão e de compliance, e você aí, amiguinha dele, sabendo que o cara é mais rodado que tudo?! Por que você não me contou?
A Emilly nem se abalou. Ela continuou sentada no sofá, girando a taça de vinho com uma calma irritante.
— Porque não é da sua conta, Vinicius — ela respondeu, fria. — O Felipe é o CFO e meu papel na Governança é manter a ordem. O que ele faz na vida privada dele com o marido e os parceiros não muda o trabalho dele. Eu não fico espalhando fofoca.
— Fofoca o caralho! — o Vini rebateu, irado. — Você vive mandando em mim e no Vitor, mas esconde as coisas de mim?
A Gi tentou acalmar os dois, mas a discussão pegou fogo no meio da sala.
Enquanto os dois batiam boca e a Gi tentava controlar a situação, uma ideia rápida surgiu na minha cabeça.
A Emilly achava que mandava em tudo e o Felipe achava que era esperto. Se eu jogasse certo, colocava os dois na minha mão.
Aproveitei o barulho da briga, peguei meu celular e fui pro corredor do banheiro. Peguei o número pessoal do Felipe e preparei a armadilha.
A ideia era simples: chamar o Felipe, o Pedro e a Sabrina pra um encontro secreto aqui em casa, uma noite de menage só comigo e com a Gi. Sem o Vini sabendo, e principalmente... sem a Emilly nem sonhar. A ideia era ter meu chefe em minhas mãos.
Escrevi a mensagem bem direta, sem frescura:
"Boa noite, Felipe. Sei que você gosta de sigilo e que o trabalho é sério. Mas sei também da sua vida livre com o Pedro e a Sabrina. Eu e a Giovana vamos fazer um encontro reservado na nossa casa esse fim de semana, só pra gente de confiança. Sem nada de trabalho, sem o Vinicius e sem a Emilly saberem. Topa um vinho aqui com a gente?"
Apertei enviar e vi a mensagem ser entregue na hora. Fiquei ali no corredor, com o coração acelerado, esperando a resposta do chefe.
O celular vibrou na minha mão no mesmo segundo. Olhei pra tela e vi a notificação da resposta do Felipe.
Do que você tá falando, Vitor? Ficou louco? De onde você tirou essas informações sobre minha vida?
Antes que eu pudesse digitar qualquer coisa pra responder, ouvi o toque de chamada alto do celular da Emilly tocar lá na sala. O silêncio caiu no ato. A briga dela com o Vini parou no meio.
Saí do corredor do banheiro bem a tempo de ver a Emilly pegando o aparelho sobre a mesa. Ela olhou o visor, franziu o cenho e me encarou com um olhar afiado, desconfiada na hora.
— É o Felipe — ela disse, mantendo a voz calma, mas com os olhos fixos em mim. — Estranho ele me ligar a esta hora.
Ela deslizou o dedo na tela, atendeu e colocou direto no viva-voz:
— Oi, Felipe. Aconteceu alguma coisa no escritório?
A voz do Felipe veio do outro lado da linha totalmente descontrolada, atropelando as palavras num tom de pânico e raiva que eu nunca tinha ouvido nele:
— Emilly! Que porra é essa?! O Vitor acabou de me mandar uma mensagem surreal no meu celular pessoal! Quem passou minhas informações pessoais pra esse moleque?! Foi você?!
A Emilly deu um passo na minha direção, me encarando com uma frieza de congelar a alma, enquanto a Gi e o Vini travavam no lugar, olhadaços pra mim.
— Calma, Felipe. Respira — a Emilly respondeu pro telefone, sem perder o tom firme. — Me explica exatamente o que ele escreveu.
A Emilly desligou o celular após a ligação, jogou o aparelho no sofá e veio pra cima de mim com os olhos faiscando de ódio.
— Você ficou maluco, Vitor?! — ela gritou, apontando o dedo na minha cara. — Você quase estragou tudo! O Felipe é o CFO dessa empresa, ele podia ter me ligado exigindo a sua demissão agora mesmo!
Eu engoli em seco, encostando as costas na parede do corredor sem ter pra onde fugir. O Vini estava de braços cruzados, só olhando com raiva de mim, mas a Gi deu um passo à frente, entrando no meio.
A Gi olhou pra mim de cima a baixo e um sorriso devasso e lento começou a nascer no rosto dela. O peito dela arfava, o tesão na cara dela era nítido.
— Calma, Emilly... respira — a Gi disse, com a voz mansa, mas cheia de desejo. — Olha o estado do Vitor... Ele errou no jeito, mas a ideia no fundo é perfeita. Imagina o Felipe aqui na nossa sala? O CFO todo certinho e durão sendo dominado por nós, totalmente na nossa mão? Porra, Emilly, só de pensar eu fico ensopada.
A Emilly soltou uma risada debochada, cruzando os braços e negando com a cabeça, mas sem tirar o olhar compenetrado de cima de mim.
— Nem pensar. Não agora — a Emilly cortou, fria e pragmática. — Ele tá surtado com a mensagem, pode ter dado briga na casa dele.
Ela deu um passo na minha direção, me encarando bem de perto:
— Sorte a sua que eu sei contornar o estrago. Em dois dias o Felipe vai viajar pra Chicago pra fechar a fusão da multinacional e vai passar uma semana fora. Eu vou usar esse tempo pra amaciar o terreno, fazer ele achar que foi só um mal-entendido.
Ela passou a mão suavemente pelo peito do Vini, olhando no fundo dos meus olhos:
— Se você não fizer nenhuma outra burrice até lá, Vitor... quando ele voltar de Chicago, a gente pensa na possibilidade de trazer ele.
O Vini e a Emilly decidiram que o melhor era encerrar a noite por ali para deixar os ânimos baixarem de vez. Gi e eu fomos pra casa.
Sem falar uma única palavra, a Gi me pegou pela mão e me puxou corredor adentro direto para o nosso quarto. Ela trancou a porta, virou de costas e tirou o vestido de uma vez só, ficando apenas de calcinha renda preta na luz fraca do abajur.
Quando me aproximei, ela se virou e me empurrou na cama com força. Subiu por cima de mim, com o olhar completamente nublado de desejo, a respiração pesada e os lábios entreabertos.
— Tirou a roupa toda, Vitor. Agora — ela ordenou num tom rouco
Ela não queria carinho ou conversa longa; queria o sexo bruto e carregado pela tensão do que tinha acontecido na sala. A Gi se sentou de uma vez sobre o meu pau já duro, soltando um gemido alto que ecoou pelo quarto. O ritmo dela era rápido, desesperado, cravando as unhas nas minhas costas e me puxando pelo pescoço a cada estocada profunda.
— Meu Deus, Gi... — sussurrei, segurando a cintura dela com força.
Ela colou a boca no meu ouvido, totalmente entregue ao transe daquela fantasia, e começou a sussurrar sem nenhum pudor:
— Imagina ele aqui, Vitor... Imagina o Felipe assistindo a gente do pé da cama... O seu chefe certinho vendo você me foder desse jeito...
As palavras dela me deixaram ainda mais descontrolado. Aumentei o ritmo por baixo, erguendo o quadril e batendo forte contra ela, ouvindo os gemidos dela ficarem cada vez mais altos e descompassados.
— Eu quero o pau do Felipe, amor... Quero ele e o Pedro aqui na nossa cama quando ele voltar de Chicago... Me fode pensando nisso!
A imagem da minha mulher chamando pelo CFO no meio da nossa madrugada fez o meu peito queimar de tesão. Segurei as coxas dela com firmeza, cravando os dedos na pele quente, e gozei fundo dentro dela, enquanto ela se contorcia por cima de mim num orgasmo longo, ruidoso e violento.
Ela caiu exausta sobre o meu peito, arfando pesado, com o suor colando nossos corpos na cama. Ficamos ali no escuro, abraçados e respirando fundo, sabendo que a viagem de dois dias para Chicago seria a contagem regressiva para o momento em que a nossa casa poderia receber o homem mais poderoso do meu trabalho.
No dia seguinte, o clima no escritório estava pesado. Cheguei cedo e fui direto pra minha mesa. Pouco depois, o Felipe me chamou na sala dele pelo ramal.
Peguei minhas coisas e fui. Não estava com medo. O peso da noite anterior só tinha me deixado com mais vontade de ir até o fim.
Entrei e fechei a porta de vidro. O Felipe estava de pé, olhando a rua pela janela. Ele virou devagar, sério como sempre, tirou os óculos e me encarou de cima a baixo.
— Vitor... o que foi aquela mensagem de ontem à noite? — ele perguntou, com a voz baixa e calma, mas bem firme. — Você tem noções dos limites? Sabe que eu posso mandar você embora agora mesmo por causa disso?
Olhei bem nos olhos dele. Não tremi em nenhum segundo.
— Pode mandar, Felipe. Mas você sabe que tudo o que eu escrevi é verdade — falei direto, sem enrolar. — Eu não quero chantagem e nem me meter na sua vida no trabalho. O que eu quero é simples: quero você e o seu pessoal na minha casa, fodendo a minha esposa e comigo.
O Felipe ficou parado, olhando pra mim em silêncio. A sala ficou num silêncio total por uns dez segundos. Ele não me xingou, não gritou e nem ameaçou chamar o RH.
Ele só deu um passo até a mesa dele, colocou os óculos de volta no rosto e ajeitou a gola do terno. A expressão dele continuou séria, mas o olhar dele mudou um pouco, como se estivesse pensando na ideia.
— Eu viajo pra Chicago daqui a pouco e volto no fim de semana — ele disse, com a voz totalmente profissional, sem confirmar e nem negar nada. — Quando eu voltar, a gente conversa sobre os relatórios. Pode voltar pra sua mesa.
Saí da sala com a certeza de que ele tinha engolido a ideia. Ele não disse "sim", mas também não disse "não".
O fim de semana passou voando e, na segunda-feira de manhã, a bomba estourou.
O Felipe voltou de Chicago antes do horário e nem pisou na sala dele. Ele foi direto para a sala da Governança. Da minha mesa, vi pela divisória de vidro o rosto dele totalmente fechado enquanto fechava a porta e puxava as persianas.
Dez minutos depois, o meu celular corporativo apitou. Não era o Felipe. Era a Emilly.
"Vitor. Sala da Governança. Agora."
Levantei da cadeira sentindo um frio estranho na barriga. Quando abri a porta da sala da Emilly, o Felipe estava encostado no canto, de braços cruzados, sem nem olhar na minha cara. Ele parecia um bloco de gelo.
A Emilly estava sentada na mesa dela, com uma pasta preta aberta na frente. A expressão dela era séria, sem nenhum traço daquela mulher provocante dos fins de semana.
— Senta, Vitor — ela disse, com a voz reta e profissional.
Eu sentei. O silêncio na sala era pesado.
— O Felipe me chamou aqui assim que chegou do aeroporto — a Emilly começou, olhando bem nos meus olhos. — Ele me apresentou um pedido formal de demissão do seu contrato de experiência. A justificativa é quebra de decoro e conduta inadequada fora do ambiente de trabalho. Sua mensagem trouxe discussões pro casamento dele.
Olhei pro Felipe na hora, chocado. Ele continuou encarando a parede, de queixo erguido, como se eu nem estivesse ali.
— Mas antes de eu assinar o desligamento — a Emilly continuou, batendo a caneta na mesa —, o Felipe fez uma exigência. Ele disse que só aceita reavaliar essa demissão e manter você no cargo se você pedir desculpas pessoalmente a ele, ao marido dele e à parceira dele... na casa deles, este fim de semana.
Ela deu um sorrisinho mínimo, tão rápido que o Felipe nem percebeu, e fechou a pasta.
— Ou seja, Vitor... cabe a você decidir se quer ser demitido hoje ou se vai lá se retratar com o seu chefe. O que você me diz?

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