Muito mais que bons amigos - Parte 23
O facho de luz amarela do abajur iluminava a sala de estar em silêncio, mas na minha cabeça o alarme não parava de tocar. A Gi já estava deitada no quarto, exausta por causa da gravidez, dormindo o sono pesado de quem finalmente tinha a alma em paz com o resultado do DNA. Mas para mim, a paz durou exatamente o tempo da travessia entre a Vila Nova Conceição e o meu apartamento.
As palavras da Emilly na calçada fria ainda ecoavam nos meus ouvidos como um tiro: O nome no topo do desvio é o seu, Vitor.
No dia seguinte, cheguei na empresa bem cedo, antes de todo mundo. O escritório estava silencioso. Não esperei o horário normal. Fui direto para a minha mesa, liguei o computador e abri os arquivos secretos do financeiro que a auditoria estava investigando desde que o Marcelo foi em cana.
Eu achava que conhecia cada centavo que passava pelo meu setor. Mas, conforme fui abrindo as pastas escondidas no sistema, o sangue foi sumindo do meu rosto.
O meu coração parou de bater por um segundo.
Na minha tela, apareceu o rastro de um roubo gigante: trinta milhões de dólares tirados das contas da empresa e mandados para o exterior. E o pior, o golpe que o Marcelo armou antes de ser preso: a assinatura usada para autorizar o roubo não era dele, nem do Felipe.
Era a minha.
O Marcelo tinha usado a minha senha de acesso, gravado o meu usuário e colocado a conta final do dinheiro em uma empresa fantasma aberta com os meus documentos. Para a diretoria e para a polícia, o chefe de todo esse esquema de roubo não era o Marcelo, que estava mofando na cadeia. Era eu. Mesmo que não fizesse sentido, pois ele tinha me sequestrado.
De repente, o som de passos firmes no corredor me tirou do susto.
Olhei rápido para a porta de vidro da minha sala. Parado lá fora, com a cara totalmente fechada, as mãos no bolso e olhando direto para mim, estava o Felipe. Ele não estava usando paletó hoje; a camisa social estava com os primeiros botões abertos, e no rosto dele não tinha nenhuma surpresa.
Era a cara de quem já sabia de tudo há muito tempo — e tinha vindo me pegar.
O Felipe deu duas batidinhas leves no vidro da minha sala, empurrou a porta e entrou sem pressa. Ele fechou a porta atrás de si, puxou a cadeira da minha frente e se sentou, cruzando os braços. O silêncio na sala estava sufocante.
— Você já achou, né? — o Felipe perguntou, com a voz baixa e séria, apontando com o queixo para a tela do meu computador.
Engoli em seco, sentindo as minhas mãos tremerem em cima da mesa.
— Trinta milhões de dólares, Felipe... O Marcelo armou para cima de mim. Ele usou a minha senha, abriu conta no meu nome, colocou tudo na minha conta. Se a polícia ou a diretoria olharem para isso sem a gente explicar, eu tô acabado. Vou preso por uma coisa que eu nunca pus a mão!
Fiquei esperando o golpe final. Esperando que ele dissesse que a empresa ia me demitir, que eu estava sozinho nessa, ou que ele já tinha chamado a segurança. Mas o Felipe fez o oposto. Ele suspirou fundo, passou a mão no rosto cansado e deu um leve sorriso de canto.
— Calma, Vitor. Respira — o Felipe falou, descruzando os braços e se inclinando para a frente na mesa. — Se eu achasse que você era o ladrão dessa história, a polícia já estaria aqui te algemando agora mesmo. Mas eu sei muito bem que você é inocente. O Marcelo jogou sujo para tentar salvar a pele dele antes de ser preso, e sobrou para você.
Olhei para ele sem acreditar no que estava ouvindo, sentindo um pingo de esperança nascer no meio daquele caos.
— Sério? Você sabe que eu não fiz isso? Mas e agora, Felipe? Como é que a gente prova para o conselho que foi o Marcelo que clonou a minha senha e armou essa arapuca?
— Exatamente por isso que eu vim aqui te procurar antes de todo mundo — o Felipe disse, estreitando os olhos com determinação. — A gente vai ter que jogar o jogo do Marcelo e ir atrás das pistas invisíveis que ele deixou no sistema da filial antiga. Eu vou te dar cobertura total aqui dentro da presidência, mas a gente vai precisar correr contra o tempo para achar a chave dessa conta fantasma antes que a diretoria descubra o rombo. Você tá comigo nessa?
Encarei o Felipe, apertei os punhos e balancei a cabeça afirmativamente.
O sol de começo de manhã ainda tentava rasgar a neblina pesada quando o carro do Felipe arrancou bruscamente da garagem subterrânea da matriz, deixando para trás o saguão lotado de funcionários, a tensão do fechamento de trimestre e os olhares curiosos do pessoal do andar financeiro. O silêncio dentro da cabine da picape era cortado apenas pelo som abafado dos pneus no asfalto molhado da rodovia sentido Osasco.
A gente não tinha tempo a perder. Se o Marcelo tinha montado aquela armadilha de trinta milhões usando o meu nome, os arquivos e os terminais legados que ele usava antes de ir parar atrás das grades precisavam estar na antiga base da filial, onde o sistema ainda guardava os backups daquela época.
Assim que o Felipe encostou o carro no estacionamento da filial de Osasco, vimos que o plano de entrar escondido tinha dado errado. O prédio estava cheio de gente; era dia de fiscalização de rotina e o movimento de gerentes e funcionários pelos corredores era grande.
Conseguimos subir direto para o setor de computadores antigos e arquivos no segundo andar, desviando de quem passava. Mas, antes de encostarmos a mão na maçaneta da sala, a porta do escritório principal se abriu com força.
— É proibido entrar nesse setor sem autorização da diretoria, seu Felipe — falou o diretor de Osasco, um homem forte de terno mal ajustado e cara desconfiada, bloqueando o caminho com o corpo. Ele olhou feio para mim e cruzou os braços. — E o Vitor não tem nada que mexer aqui. O que vocês dois acham que estão fazendo fuçando nos arquivos do Marcelo?
O clima ficou pesado no corredor. O Felipe não se intimidou nem um pouco. Ele deu um passo à frente, colou no diretor com toda a autoridade de dono da empresa inteira, e falou com a voz fria:
— Escuta aqui. Eu sou o presidente desta porra toda, e a única autorização que eu preciso para entrar em qualquer filial é a minha vontade. Você sai da frente da porta agora, ou eu te demito por justa causa antes do meio-dia por atrapalhar a auditoria.
O diretor engoliu seco, empalideceu com a pressão, mas ainda tentou falar, tremendo um pouco:
— M-mas chefe... o setor jurídico mandou lacrar tudo por causa da polícia...
— A única investigação que importa agora é a minha — o Felipe cortou seco, empurrando o braço do homem para o lado com força e abrindo a porta da sala. — Fica vigiando o corredor, Vitor. Ninguém entra aqui.
Fechei a porta rápido por dentro. A sala cheirava a mofo e poeira.
— O Marcelo era metido a esperto — o Felipe disse, abrindo uma caixa cheia de discos rígidos velhos em cima da mesa. — Ele achava que, estando preso, ninguém ia conseguir mexer nos computadores daqui. Era aqui que ele escondia os rastros do dinheiro antes de mandar para a matriz.
Eu fui direto para a máquina mais velha da sala, a mesma que o Marcelo usava antigamente. Estava desligada e empoeirada.
— Será que ainda tem alguma coisa aqui? — perguntei, tirando do bolso o pendrive que o Felipe tinha trazido.
— Tem que ter. O roubo começou a ser feito daqui. Procura os registros de quem mexeu no sistema dezoito meses atrás — o Felipe orientou, puxando uma cadeira para sentar do meu lado e olhando para a porta.
Meus dedos voaram pelo teclado. O computador antigo demorou para responder, mas logo a tela preta começou a mostrar um monte de códigos salvos na memória.
Fui abrindo as pastas escondidas, juntando os horários em que usaram a minha senha com o número de identificação da máquina do Marcelo. E foi aí que eu achei. Escondido em uma pasta secreta com senha dupla, estava o arquivo da conta no exterior e, o mais importante: o registro que provava o minuto exato em que o Marcelo invadiu o sistema usando a minha senha roubada, bem no dia em que eu estava de folga.
— Achei, Felipe! Olha isso aqui! — apontei para o monitor, sentindo o peito aliviar. — Tá tudo aqui. O número do computador dele, a hora certa da invasão e a prova de que a conta foi aberta usando documentos de um laranja que ele controlava.
O Felipe se inclinou, leu tudo na tela e deu um sorriso firme, batendo no meu ombro.
— Perfeito. Com isso, a gente enterra a mentira do Marcelo. Vamos copiar esses dados agora e levar para a auditoria antes que a diretoria descubra.
— Isso aí é ouro puro, Vitor — o Felipe falou, com um sorriso de canto a canto, enquanto olhava fixamente para a tela do computador antigo.
Sem perder tempo, ele tirou do bolso do paletó um segundo pendrive idêntico ao primeiro e o conectou na porta USB lateral da máquina.
— Vou fazer duas cópias exatas disso aqui para garantir que nenhuma falha técnica ou tentativa de apagarem os dados à distância consiga nos derrubar — explicou o Felipe, digitando alguns comandos rápidos no teclado com precisão.
Em poucos segundos, a barra de progresso na tela chegou a 100%. O Felipe ejetou os dois pequenos dispositivos pretos com cuidado, guardando um deles no bolso interno do paletó e estendendo o outro para mim, que o segurei como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.
— Uma cópia vai direto para o comitê de auditoria da nossa matriz, para calar a boca de qualquer diretor mal intencionado — disse ele, batendo levemente no próprio peito. — E a outra... bem, a outra vai voar para as mãos certas agora mesmo.
Abri a porta da sala com cautela para checar o corredor. O diretor de Osasco já tinha sumido, espantado pela bronca que levou minutos antes. Saímos do prédio pela mesma porta dos fundos, entramos no carro e o Felipe acelerou de volta para a capital, mas com um destino diferente da sede da empresa.
Paramos em frente ao prédio da Superintendência da Polícia Federal, na zona oeste de São Paulo. O movimento na entrada era intenso, com jornalistas e advogados transitando pelo saguão.
O Felipe não hesitou. Apresentou suas credenciais de executivo-chefe na recepção de segurança e exigiu falar diretamente com o delegado responsável pelo caso de corrupção e desvio de verbas corporativas liderado pelo Marcelo. Menos de vinte minutos depois, já estamos sentados na sala austera e climatizada da delegacia.
O delegado, um homem de cabelo grisalho, olhar desconfiado e olheiras fundas, cruzou os braços em cima da mesa de madeira escura e encarou nós dois.
— O senhor Marcelo já está preso e o inquérito de lavagem de dinheiro e desvio de trinta milhões está praticamente fechado, senhor Felipe. O que os senhores trazem de tão urgente para justificar essa visita sem hora marcada? — perguntou o delegado, arqueando a sobrancelha.
O Felipe manteve a postura impecável, puxou o pendrive de dentro do paletó e o colocou delicadamente sobre a mesa, empurrando-o na direção da autoridade.
— O inquérito está fechado com o culpado errado, delegado — o Felipe falou com a voz firme, séria e cortante. — O Marcelo montou uma armadilha perfeita, clonou as credenciais e usou os dados do meu melhor analista financeiro, o Vitor, que está sentado aqui do meu lado totalmente inocente. Esse dispositivo contém os registros de IP, o horário exato da invasão feita direto da máquina do Marcelo na filial de Osasco e a prova de que a conta no exterior foi aberta por um laranja dele.
O delegado olhou para o pendrive na mesa, depois fitou o meu rosto pálido de alívio e voltou os olhos para a seriedade absoluta do Felipe. Ele pegou o pequeno objeto metálico, abriu uma gaveta, conectou em um computador isolado da rede e começou a rodar os arquivos.
O silêncio na sala da delegacia durou alguns minutos, pesados como chumbo. Até que o delegado suspirou fundo, recostou na cadeira e olhou para nós com uma expressão totalmente diferente.
— Rapaz... O Marcelo foi cirúrgico nessa armação. Se vocês não tivessem trazido isso aqui com os logs de rede originais, o Vitor estaria respondendo por um crime de trinta milhões em poucas semanas — o delegado admitiu, já puxando um bloco de notas para registrar a nova evidência oficial. — Isso aqui muda tudo. Vamos anexar o material imediatamente ao processo e intimar o Marcelo na cadeia para prestar depoimento sobre essa invasão.
Saímos da delegacia com a sensação de que um prédio inteiro tinha saído de cima das nossas costas. A verdade finalmente estava blindada.
Assim que saí da delegacia, com o coração finalmente batendo no ritmo normal e o peso daquele inferno saindo das minhas costas, peguei o celular no bolso e disquei direto para a Emilly. A gente precisava respirar. O Vinicius estava ocupado com a vistoria de uma obra da filial, e a Gi estava em casa descansando.
— Emilly, deu certo. A gente provou tudo na Polícia Federal. O Marcelo se fodeu — falei de uma vez, com a voz ainda acelerada pela adrenalina.
— Caralho, Vitor! Eu sabia! Vem aqui para a minha sala na matriz agora mesmo, o expediente já deu uma acalmada e eu tô completamente sozinha na antessala — ela disparou, com a voz já pingando safadeza. — Preciso comemorar isso direito com você, vem logo.
Não pensei duas vezes. Em menos de vinte minutos, já estava estacionando e subindo direto para o andar da diretoria. Assim que empurrei a porta da sala dela e entrei, a Emilly trancou a porta com a chave por dentro e já pulou no meu pescoço, me puxando para um beijo faminto, misturando gosto de pressa e de vitória.
— Você foi foda demais, meu lindo — ela sussurrava contra a minha boca, enquanto puxava a minha camisa para fora da calça, tirando o tecido do meu corpo com uma urgência gostosa.
Ali mesmo, encostados na porta trancada da sala dela na matriz, as mãos dela apertavam a minha cintura enquanto eu a levantava, encaixando o meu corpo no dela contra a madeira. A tensão dos últimos dias virou pura combustão.
Deitei ela de bruços em cima da mesa de reuniões compacta, afastando os papéis e pastas de lado com pressa. As coxas dela abraçavam forte a minha cintura. A respiração estava picotada, cheia de gemidos abafados e mordidas no pescoço para ninguém ouvir do lado de fora.
— Eu quero comemorar do meu jeito, Vitor... Me fode gostoso aqui mesmo — ela pediu, com os olhos brilhando de tesão, empinando o corpo e puxando a minha calça para baixo de uma vez só, já me guiando para dentro dela.
A cada investida funda, o gemido da Emilly ecoava pela sala vazia, abafado apenas pelo som dos nossos corpos colados e suados bem no coração da empresa que quase me destruiu. Era uma mistura louca de alívio por ter escapado da cadeia com a safadeza crua que a gente sempre escondia nos cantos do escritório.
Gozei quente dentro dela enquanto enterrava os meus dedos nos cabelos dela, ouvindo a Emilly morder os lábios para não gritar alto, inteira tremendo de prazer até o último segundo. A gente ficou ali, jogados e sem fôlego encostados na mesa, rindo de leve no meio da bagunça, com a certeza de que, pelo menos por hoje, o mundo podia desabar que a gente tinha vencido.
O dia passou rápido. O relógio na parede da minha mesa marcava quase sete da noite. O escritório já estava praticamente vazio, com a maioria dos funcionários tendo ido embora depois do expediente pesado. Foi bem nessa hora que o meu ramal tocou. Era a voz seca e direta do Felipe do outro lado da linha:
— Vitor, sobe na minha sala agora. Preciso falar com você antes de eu descer.
O estômago deu aquela guinada clássica de quem achava que a tempestade tinha passado, mas percebia que o vento ainda soprava forte. Larguei a caneta, arrumei a gola da camisa e subi para o andar da presidência com o passo meio travado.
Bati levemente na porta de vidro fumê e entrei.
O Felipe estava recostado na ponta da mesa, sem o paletó, com a gravata frouxa. A sala estava com as luzes apagadas, iluminada apenas pela claridade amarela dos abajurs e pelos reflexos da cidade lá fora. Ele não sorriu. Apenas indicou a cadeira em frente à mesa com o queixo, pedindo para eu me sentar.
Sentei, sentindo o silêncio da sala pesar nos meus ombros.
— Pode ficar tranquilo, Vitor. O inquérito com a Polícia Federal tá andando, o Marcelo vai apodrecer na cadeia e o seu nome tá limpo de qualquer desvio de trinta milhões — o Felipe começou, com a voz baixa — A auditoria oficial acatou os logs de Osasco sem pestanejar. Oficialmente, a crise acabou.
— Então... qual é o problema, Felipe? Por que essa cara? — perguntei, franzindo a testa, sem entender o clima de velório.
— Porque eu tô saindo da presidência, Vitor. Vou deixar o cargo executivo em breve e me afastar da holding — ele soltou a bomba com uma naturalidade assustadora. — Cumpri o meu papel aqui, limpei a bagunça que o Marcelo deixou e cansei dessa rotina de terno e gravata. Mas antes de eu entregar a chave da sala e sumir do mapa corporativo, tem uma coisa pendente entre a gente que nunca foi resolvida.
Arregalei os olhos levemente, sentindo a temperatura da sala subir de repente.
— Pendente? Do que você tá falando, Felipe?
Ele se inclinou para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, estreitando os olhos para mim com um misto de desafio e uma malícia contida que me deixou sem ar.
— Eu te ajudei a escapar da cadeia, salvei a sua pele com os logs de Osasco e segurei a barra da diretoria para proteger o seu pescoço. Agora, eu quero saber uma coisa bem específica de você, e é bom me responder com a verdade — o Felipe falou, a voz engrossando e descendo um tom, carregada de uma tensão palpável. — Eu sei muito bem o que rola entre você e a Emilly nos cantos da empresa. Mas eu quero que você me diga, sem rodeios: quais são os seus fetiches comigo, Vitor? O que passa na sua cabeça toda vez que eu te fecho nessa sala?
O meu coração deu um pulo no peito e o sangue subiu inteiro para o meu rosto. A pergunta do Felipe foi tão direta, tão crua, que por alguns segundos eu fiquei sem ar, travado na cadeira de couro. Eu sabia que ele não era flor que se cheirasse, mas jogar aquilo na mesa, com aquele olhar de predador, desmontou qualquer defesa que eu ainda tentava manter.
Engoli em seco, sentindo a minha garganta seca, e decidi que não adiantava mentir. O clima ali já tinha passado de qualquer limite corporativo há muito tempo.
— Tu quer mesmo saber, Felipe? — falei, com a voz meio baixa, soltando o ar devagar para tentar disfarçar o nervosismo. — Toda vez que tu fecha essa porta e me olha desse jeito, com essa pose de mandão... a última coisa que passa pela minha cabeça é trabalho.
O Felipe não disse nada. Apenas deu um sorrisinho de canto, cruzou as pernas e esperou. Ele gostava de me ver acuado.
— Pois é... — continuei, sentindo o meu rosto queimar, mas cedendo de vez ao tesão que vinha me corroendo em segredo. — Se tu quer a verdade, eu fico imaginando como seria se render de vez para ti. De quatro em cima dessa tua mesa de mogno, tirando essa calça social e pedindo para tu me comer com força, deixando tu me usar todinho do jeito que tu quiser, dando o meu cuzinho para ti até a gente perder o fôlego. Satisfeito?
O silêncio que se formou na sala foi pesado, denso e cortante. A respiração do Felipe ficou mais forte, e os olhos dele escureceram na mesma hora, brilhando com uma mistura de poder e pura safadeza, ele se levantou calmamente.
Veio andando devagar até parar bem na minha frente, encostando a perna dele na minha cadeira. Ele inclinou o corpo para a frente, segurou o meu queixo com os dedos firmes e puxou o meu rosto para perto do dele, a boca quase colada na minha.
— Muito bem por ser sincero, Vitor... — o Felipe sussurrou bem no meu pé do ouvido, com a voz rouca e pesada de desejo. — Guarda bem essa vontade, porque quando chegar a hora certa, eu vou fazer exatamente isso com você. Mas hoje não. Agora, você vai ajeitar essa camisa, engolir esse tesão e descer para casa. A nossa hora ainda vai chegar.
Ele deu um tapinha leve e firme no meu rosto, se afastou com um sorriso satisfeito e foi direto para a janela, dando as minhas costas para mim, me deixando ali sozinho, com o corpo inteiro implorando e o pau duro, trêmulo e sem poder tocar em nada.
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Comentários (1)
Safadin: Sabia que tudo ia resolver, fico feliz com isso. Felipe é safado mesmo né?! Não perde tempo. Esse final deixa qualquer um doido.
Responder↴ • uid:4a20ataahrc