#Bissexual #Corno #Grupal #Traições

Muito mais que bons amigos - Parte 7

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Lopedrinhofm

A Gi saiu batendo os pés, e eu fui atrás como um louco.
Ela andava a passos rápidos pela calçada, abraçando o próprio corpo e chorando baixinho, enquanto eu tentava acompanhar o ritmo dela, desesperado:
— Gi, por favor, para de andar! Deixa eu te explicar, me escuta!
— Não fala nada, Vitor! Não fala porra nenhuma! — ela gritou sem nem olhar pra trás, apertando o passo na rua deserta. — Eu vi! Eu vi a sua boca na dele, eu vi a sua mão nele! Que nojo, Vitor! Que nojo!
A Gi praticamente correu o resto do quarteirão, passou pelo portão da frente e abriu a porta de casa num tranco. Eu me enfiei pra dentro logo atrás dela, trancando a porta, com o ar faltando nos meus pulmões. O clima dentro daquela sala ficou insuportável.
A Gi jogou a bolsa no sofá e desabou a chorar, me empurrando com força toda vez que eu tentava me aproximar:
— Com o Vini, Vitor?! O marido da Emilly?! A gente faz tudo junto, a gente brinca, realiza fantasia... e você me trai desse jeito pelas minhas costas?!
Antes que eu conseguisse abrir a boca pra tentar inventar qualquer desculpa, o meu celular tremeu forte na minha mão. Era o áudio do Vini. A Gi avançou no meu braço, arrancou o aparelho de mim e apertou o play, deixando a voz dele ecoar sem filtro pela sala:
"Vitor, pelo amor de Deus... A Emilly viu a Gi sair chorando e tá aqui me pressionando, perguntando o que aconteceu. Cara, eu tô apavorado, perdi o chão! Eu sei que fiz merda, que a gente passou do ponto, mas por favor, fala com a Gi... Não deixa ela contar nada pra Emilly, mano! Isso vai destruir os nossos relacionamentos e acabar com o nosso emprego. Me avisa assim que você conseguir acalmar ela, por favor!"
A Gi ouviu a voz trêmula dele e soltou uma risada amarga, cheia de nojo, jogando o celular em cima do sofá:
— Olha aí! Ele tá com o cão no couro de medo! Os dois covardes fazendo palhaçada pelas nossas costas e agora tão desesperados!
Ela marchou até o nosso quarto nos fundos da casa, puxou uma mala de cima do armário e começou a socar as roupas dela lá dentro de qualquer jeito, chorando de raiva.
— Gi, pelo amor de Deus, não faz isso! Não me deixa aqui assim! — implorei, encostado no batente da porta do quarto.
Ela fechou o zíper com um estalo violento, me encarou com um desprezo que me rasgou ao meio e soltou:
— Eu vou pra casa da minha mãe agora. E amanhã cedo, Vitor... eu mesma vou ligar pra Emilly e contar exatamente o que o maridinho dela anda aprontando com você. Quero ver o que o seu "chefe incrível" vai achar dessa pouca vergonha quando isso estourar lá na empresa!
Ela pegou a mala, atravessou o corredor, bateu a porta da frente com uma força que fez as janelas da sala tremerem e saiu caminhando pela rua no escuro.
Fiquei ali paralisado na sala, com o silêncio me engolindo e o caos montado.
A Gi andava a passos rápidos pela calçada escura, puxando a mala rodinha estalando no asfalto e chorando sem parar. Eu ia logo atrás, tentando me aproximar, quando os faróis de um carro iluminaram a rua inteira.
Um motor cantou alto e o carro do Vini manobrou com tudo, subindo um pouco no meio-fio e parando atravessado bem na frente da Gi, fechando a passagem dela.
A Gi travou na hora, assustada, e deu um passo pra trás, limpando as lágrimas do rosto com raiva.
— Mas que porra é essa?! — ela gritou, com a voz embargada.
A porta do carona se abriu e a Emilly saltou do carro. Ela não estava brava, não estava chorando; a expressão dela era de uma calma séria, quase madura demais pra situação. O Vini saiu do lado do motorista com a cara pálida, olhar baixo e visivelmente abalado.
— Gi, para. Por favor — a Emilly falou, caminhando devagar na direção da minha mulher e segurando suavemente nos braços dela.
— Emilly, sai de perto de mim! Você não sabe o que esse nojento do seu marido... — a Gi tentou se soltar, a voz falhando no choro.
— Eu sei, Gi. Eu sei de tudo — a Emilly interrompeu, num tom suave, mas firme. — O Vini me contou. Ele entrou em casa surtando, chorando, e me contou exatamente o que aconteceu na varanda.
A Gi congelou. Olhou pra Emilly com a boca aberta, sem acreditar no que estava ouvindo, e depois encarou o Vini, que continuava encostado no carro, sem conseguir encarar ninguém.
— Ele te contou... e você tá calma assim?! — a Gi perguntou, em choque. — Ele te traiu, Emilly! Ele tava beijando o meu marido!
— Calma, Gi — a Emilly puxou a minha mulher pra mais perto, tirando a mão dela da alça da mala. — A gente já brincou juntos, a gente sabe a tensão que vinha rolando entre eles e a confusão que tá a cabeça de todo mundo com esse emprego novo. O Vini errou feio em fazer isso pelas nossas costas, e a gente vai resolver isso entre nós quatro. Mas você ir embora pra casa da sua mãe agora, no meio da noite, não vai resolver nada. Só vai destruir tudo de vez.
A Emilly me olhou por um segundo, me dando um sinal discreto de cabeça pra eu me aproximar, e depois voltou a atenção pra Gi, alisando o ombro dela.
— Vamos voltar pra casa do Vitor. A gente senta na sala, toma um copo d'água, conversa como adultos e coloca a cabeça no lugar. Ninguém vai tomar nenhuma decisão de cabeça quente hoje. Vem, Gi... por favor.
A Gi olhou pra mala no chão, olhou pra mim com o rosto todo manchado de choro e soltou um suspiro pesado, o corpo inteiro desmontando pelo cansaço da briga.
— Tá... — ela murmurou, a voz quase sumindo. — Mas eu não quero o Vini encostando em mim hoje.
— Tudo bem, amiga. Eu fico do seu lado — a Emilly disse, pegando a mala da mão da Gi.
A gente caminhou de volta pra minha casa em silêncio, Vinicius dirigiu quase que no mesmo ritmo. Entramos na sala, o Vini fechou a porta da frente devagar, e o ar na sala ficou pesado, com todo mundo se acomodando pra tentar resolver a bomba que tinha acabado de explodir.
A Emilly indicou o sofá pra Gi e sentou logo ao lado dela, abraçando a minha mulher de lado. O Vini e eu ficamos de pé, meio sem jeito perto do rack, com o estômago na mão.
— Olha pra mim, Gi — a Emilly começou, num tom doce, mas cheio de firmeza. — Eu entendo o seu choque. Ver o seu marido com outro homem assusta quando é de surpresa. Mas não faz a egípcia comigo, amiga. A gente já se pegou, lembra? Eu e você já nos beijamos nessa mesma sala, com o Vitor e o Vini olhando, doidos de tesão.
A Gi piscou rápido, com o rosto corado, tentando desviar o olhar:
— Mas foi diferente, Emilly! Foi uma brincadeira, uma fantasia com todo mundo junto... Eles fizeram escondido!
— E erraram feio por ser escondido! — a Emilly concordou no ato, olhando firme pro Vini e depois pra mim, fazendo a gente se encolher. — Essa foi a molecagem deles. Mas a atração em si? Gi, pensa bem. A gente abriu essa porta faz tempo. Olha pra essa sala... Tem um tesão absurdo acumulado entre nós quatro faz meses. Eles se descontrolaram por causa do medo e da adrenalina, mas o desejo que tá rodando aqui não é só deles. É de todo mundo.
Ela virou o rosto da Gi com delicadeza e deu um selinho demorado na minha mulher, deixando a língua roçar no lábio dela. A Gi deu um suspiro fundo, os ombros caindo, a guarda desarmando por completo.
— A gente pode surtar e destruir o casamento de todo mundo, o emprego deles e a nossa amizade... ou a gente pode encarar a realidade: nós quatro temos tesão um no outro — a Emilly completou, com um sorriso de canto provocante. — Em vez de punir esses dois tontos na ignorância, a gente pode impor as nossas regras a partir de agora.
A Gi me olhou, depois olhou pro Vini e soltou um riso fraco, balançando a cabeça, ainda meio zonza com a virada de jogo:
— Você é muito manipuladora, sabia, Emilly?
— Não sou não, amiga... Só tô cuidando do que é nosso — a Emilly deu mais um beijo na Gi, dessa vez mais demorado, e olhou pra mim e pro Vini. — Agora os dois sentem aí e escutem bem como as coisas vão funcionar nessa casa.
A Emilly se levantou do sofá com uma calma dominadora. Ela foi até a porta da sala, girou a chave na fechadura pra ninguém interromper e desligou a luz principal, deixando acesa apenas a luminária amarelada no canto do ambiente.
— A regra é simples: partir de hoje, nada é escondido — a Emilly disse, olhando fixo pra mim e pro Vini. — E pra vocês aprenderem a não fazer sacanagem pelas nossas costas, vão ficar aí parados, assistindo a gente. Sem encostar em nada.
Ela voltou pro sofá, sentou de frente pra Gi e segurou o queixo da minha mulher. A Gi ainda tinha os olhos marejados, mas a respiração dela já estava completamente descontrolada. A Emilly se inclinou e puxou a Gi pra um beijo profundo, de língua, lento e cheio de desejo. As duas começaram a se acariciar ali na nossa frente, trocando gemidos abafados que ecoavam pela sala silenciosa.
A Emilly desceu as mãos, puxou a blusa da Gi de uma vez e jogou no chão, tirando o sutiã dela logo em seguida. Ela abocanhou o peito da Gi com vontade, chupando o bico com força enquanto a minha mulher jogava a cabeça pra trás, cravando as unhas nas costas da Emilly.
— Olha o que vocês quase jogaram fora... — a Emilly murmurou pra nós dois, sem parar de lamber o corpo da Gi, descendo os beijos pela barriga dela até puxar o shortinho jeans pra baixo.
A Gi já estava completamente entregue, entregando o corpo pro toque da amiga. A Emilly tirou a própria roupa com rapidez, ficando totalmente nua, e se deitou por cima da Gi no estofado do sofá. As duas começaram a se esfregar numa forma desesperada, perna com perna, enquanto a Emilly enfiava dois dedos bem fundo na bucetinha molhada da Gi, num ritmo rápido e preciso.
— Ah, Emilly... assim... mais forte! — a Gi gritava, arfando alto, segurando no cabelo da Emilly enquanto as duas se beijavam na boca com gosto, trocando saliva e gemidos.
Eu e o Vini estávamos parados no meio da sala, com as calças estufadas, os paus completamente duros e pulsando dentro da roupa. A gente se olhava de canto, sentindo o tesão estourar no peito, engolindo a vontade de avançar, mas respeitando o comando das duas.
A Emilly acelerou os dedos, lambendo o pescoço da Gi, até que a minha mulher travou as pernas ao redor do quadril dela e se desfez num orgasmo violento, gemendo alto e tremendo inteira no sofá. A Emilly aproveitou o embalo, se esfregou com mais força na coxa da Gi até gozar junto, soltando um suspiro pesado sobre o peito dela.
As duas ficaram ali por alguns segundos, arfando, coladas de suor sob a luz fraca da luminária.
A Emilly se sentou devagar, passou a mão no cabelo bagunçado, olhou pra mim e pro Vini com um olhar felino e deu um sorriso de canto:
— Agora sim a conversa tá nivelada. Podem tirar a roupa, meninos... A noite tá só começando.
O Vini e eu nem pensamos duas vezes. A ordem veio com o peso que a gente precisava pra tirar a culpa das costas, e a visão das duas nuas e suadas no sofá só acelerou as coisas. Puxamos as camisetas pela cabeça e tiramos as bermudas de uma vez, ficando de cueca com as tiras completamente estufadas, os paus pulsando sem parar.
A Emilly se ajeitou no estofado, recostou as costas com calma e puxou a Gi pra mais perto, descansando a mão na coxa de couro macio da minha mulher. As duas nos encaravam do alto, com um olhar de pura autoridade.
— No chão. Os dois — a Gi mandou, com a voz rouca do orgasmo recente, mas firme, apontando o tapete felpudo da sala.
Eu e o Vini nos ajoelhamos no chão, bem na frente do sofá, colando os joelhos no tapete. O cheiro do sexo das duas tomava conta do ar amarelado da luminária.
— Tira a cueca dele, Vitor — a Emilly ordenou pra mim, cruzando as pernas e encostando o queixo na mão. — E você, Vini, não se mexe até eu mandar.
Engoli em seco e passei os dedos pelo elástico da cueca do Vini. Puxei o tecido devagar pras pernas dele, e o pau dele saltou pra fora, ereto, duro e latejando. A Emilly deu uma risadinha gostosa ao ver o volume.
— Gi... olha aqui pra mim — a Emilly sussurrou, puxando o rosto da minha mulher pra um beijo demorado e bem molhado. Enquanto as duas se pegavam de língua na nossa frente, a Emilly estendeu o pé direito e encostou a sola macia do pé bem na cabeça do pau do Vini, prensando devagar contra a barriga dele. O Vini soltou um gemido abafado, fechando os olhos.
— Fica de olho nele, Vitor — a Gi disse, se separando da boca da Emilly e me encarando com a intenção lá no alto. — Vocês não queriam tanto brincar? Pois agora é do nosso jeito. Beija ele.
A ordem bateu direto no meu estômago. Eu olhei pro Vini ajoelhado do meu lado, o peito dele subindo e descendo rápido, os olhos fixos em mim. Aproximei o rosto e selei minha boca na dele ali mesmo, na frente delas. O Vini correspondeu na hora, enfiando a língua na minha boca com um desespero quente, a mão dele indo direto pra minha nuca.
— Sem usar as mãos, Vitor! — a Emilly estalou os dedos, cortando o movimento. — Mão pra trás das costas, os dois. Quero ver só a boca.
A gente obedeceu no ato. Travei as mãos nas minhas costas e me entreguei ao beijo do Vini, sentindo o suor dele e a respiração pesada enquanto a Gi e a Emilly assistiam tudo do sofá, dando instruções e controlando cada movimento nosso.
A gente continuou se beijando no chão com as mãos travadas nas costas, a língua do Vini quente e desesperada na minha boca, enquanto o som dos nossos suspiros preenchia a sala. O tesão era tanto que o meu pau doía de tão duro, implorando por qualquer toque.
De repente, o pé da Gi desceu do sofá e pisou com força no meu peito, me empurrando pra trás até eu deitar de costas no tapete.
— Chega de beijo — a Gi decretou, com a voz carregada de poder. — Agora vocês dois vão servir a gente.
A Emilly deu um sorriso de canto, se levantou do sofá totalmente nua e ficou de pé bem em cima do meu rosto, abrindo levemente as pernas. Ao mesmo tempo, a Gi fez o mesmo com o Vini, ficando em pé sobre a cabeça dele.
— De língua, os dois. Sem encostar as mãos em lugar nenhum — a Emilly mandou, olhando pra baixo com um olhar dominante. — Quero ver quem faz a sua mulher gozar primeiro.
Eu ergui a cabeça do tapete e enfiei a língua com vontade na bucetinha molhada da Emilly. O gosto dela inundou a minha boca, um misto do sexo recente com a Gi e do próprio suor, e ela soltou um gemido alto, segurando a minha cabeça com as pernas. Do meu lado, eu ouvia o som estalado do Vini lambendo a Gi com o mesmo desespero.
— Isso, Vitor... assim, bem no clitóris — a Emilly arfava, rebolando o quadril em cima do meu rosto.
Elas usavam as nossas bocas como queriam, ditando o ritmo, pressionando o quadril quando queriam mais força e puxando pra trás quando queriam provocar. O cheiro de sexo na sala estava insuportável de bom. A Emilly começou a tremer as coxas, segurando o meu cabelo com força até desmanchar num orgasmo longo, gemendo alto e me sujando inteiro.
Assim que ela se recuperou, olhou pra Gi, que também já tinha gozado na boca do Vini, e deu a última ordem da noite:
— Agora... vocês dois vão se pegar pra gente ver. O Vitor vai me comer de quatro aqui no sofá, e o Vini vai ficar por trás do Vitor, chupando ele enquanto ele mete em mim.
O Vini olhou pra mim com os olhos queimando de tesão e não pensou duas vezes. A Emilly se debruçou no braço do sofá, empinando a bunda pra mim, e a Gi sentou na poltrona do lado com uma taça de vinho na mão, assistindo tudo de camarote.
Eu me posicionei atrás da Emilly e me enfiei de uma vez na buceta quente dela. Ela deu um grito abafado, e no mesmo segundo o Vini se ajoelhou atrás de mim, abocanhando o meu saco e passando a língua no meu ânus de um jeito que me fez perder a cabeça. A combinação de me meter na Emilly com o Vini me chupando por trás fez o meu corpo inteiro entrar em colapso.
— Caralho, Vitor... mete fundo! — a Emilly gritava, enquanto a Gi ria e incitava a gente do lado.
Eu não aguentei nem dois minutos. O ritmo alucinante do Vini nas minhas costas e a buceta da Emilly me apertando me jogaram no limite. Soltei um urro alto e gozei forte dentro da Emilly, sentindo o Vini engolir tudo o que saía de mim logo em seguida, numa noite em que as regras do nosso jogo tinham mudado pra sempre.
Depois que o Vini e a Emilly se vestiram e se despediram com um beijo calmo na porta, o estalo do portão fechando deixou a casa em um silêncio absoluto. A sala ainda guardava o cheiro forte de sexo e a luz amarelada da luminária deixava o ambiente quase surreal depois do caos.
A Gi trancou o portão por dentro, voltou pra sala sem dizer nada e começou a recolher as roupas espalhadas pelo chão. Eu continuei sentado no tapete, só de cueca, acompanhando cada movimento dela com o peito ainda arfando e o coração desacelerado.
Ela recolheu a blusa dela, olhou pra mim por alguns segundos em silêncio e caminhou devagar até o sofá, sentando-se exatamente onde a Emilly estava há pouco. O olhar dela não tinha mais aquela raiva cega de antes, mas guardava uma mistura densa de exaustão, maturidade e uma faísca provocante que eu nunca tinha visto nela.
— Chega aqui, Vitor — ela pediu, num tom baixo, desfazendo o coque improvisado do cabelo.
Eu me aproximei engatinhando pelo tapete e apoiei os braços nas joelhos dela, olhando pra cima:
— Gi... me desculpa por ter feito as coisas escondido. De verdade.
ela passou os dedos pelo meu cabelo, num carinho lento que me fez soltar um suspiro de alívio.
— Você foi um moleque em fazer isso pelas minhas costas e arriscar seu emprego, Vitor — ela disse, com a voz séria, mas sem elevar o tom. — Mas a Emilly tem razão... A gente brincou de abrir a porta e agora não dá pra fingir que esse tesão não existe. Eu vi o jeito que você olhava pro Vini. Vi o jeito que você ficou duro quando a gente tomou o controle.
Ela se inclinou pra frente, colando a testa na minha:
— De agora em diante, você é meu. Se for pra ter o Vini, se for pra ter a Emilly, vai ser do nosso jeito, com a gente no comando. Você entendeu?
— Entendi, Gi... Totalmente — respondi, puxando ela pra um beijo demorado, lento e cheio de cumplicidade.
A Gi deu um sorriso leve contra a minha boca, levantou do sofá e me puxou pela mão em direção ao nosso quarto, deixando pra trás o fantasma da briga e selando um pacto novo e muito mais perigoso entre nós dois.
Na segunda-feira de manhã, o ar-condicionado do terceiro andar parecia trincar mais do que o normal. Entrei no prédio com o terno perfeitamente alinhado, mas com o estômago dando nós. A primeira pessoa que vi ao passar pela catraca de vidro foi o Vini, segurando dois copos de café.
A gente se olhou por dois segundos longos. Não tinha mais aquele pânico ou a cumplicidade escondida da semana anterior; tinha a certeza de que agora nós dois pertencíamos ao mesmo jogo, controlados pelas nossas mulheres. Ele me deu um aceno de cabeça discreto, estendeu um dos copos de café e sussurrou ao passar por mim:
— Tudo certo em casa?
— 100% sob controle — respondi baixo, dando um gole. — E lá?
— A Emilly tá radiante... e dando as cartas.
Antes que a gente pudesse estender a conversa, os passos firmes do Felipe ecoaram pelo piso de granito. Ele vinha pelo corredor com a pasta de couro na mão, o paletó cinza perfeitamente ajustado e a mesma postura impecável de sempre.
O Vini e eu travamos sutilmente, nos ajeitando nas baias de trabalho.
O Felipe parou exatamente entre a minha mesa e a do Vini. Ele nos encarou por cima dos óculos de armação fina com uma expressão indecifrável. A tensão subiu na hora — afinal, ele já tinha me dado um fora definitivo na sexta e sabia exatamente o rolo que existia entre mim e o Vini.
— Bom dia, rapazes — o Felipe disse, firme e sereno.
— Bom dia, Felipe — respondemos em coro.
Ele olhou diretamente pra mim, depois pro Vini, e deu um passo a mais pra dentro da baia, falando em um tom baixo, estritamente profissional:
— A reunião de alinhamento com a diretoria financeira foi antecipada pra hoje às dez. Eu preciso dos relatórios de auditoria prontos. Os dois trabalharam juntos no fim de semana?
— Não, Felipe. Quer dizer... a gente se viu socialmente, mas o relatório tá pronto — me apressei em responder, sentindo o rosto esquentar ligeiramente.
O Felipe nos observou por alguns segundos. O olhar dele não tinha julgamento moral, mas uma retidão inabalável. Ele ajeitou o relógio no pulso e me deu um aviso direto:
— Ótimo. Vitor, você apresentou um trabalho excelente na primeira semana e tem um futuro brilhante aqui. Sem olhares, sem distrações e sem conversas paralelas no horário de expediente. Fui claro?
— Perfeitamente claro, chefe — o Vini respondeu, engolindo em seco.
— Perfeito, Felipe. Pode deixar — afirmei, mantendo a postura.
Ele deu um leve aceno de cabeça, totalmente frio e inabalável em seus princípios, e seguiu caminhando em direção à sua sala de vidro.
O Vini me olhou de canto de olho, soltando o ar do peito com um sorriso irônico e contido:
— Caralho... o homem é uma rocha.
— Nem me fala — murmurei de volta, abrindo a planilha no computador. — Mas ele tá certo. Deixa o perigo pra quando a gente sair daqui.
A reunião de alinhamento com a diretoria correu sem sobressaltos, mas a tensão velada entre nós dois acabou cobrando o seu preço assim que voltamos pro andar.
O Vini, querendo quebrar a rigidez do clima depois da apresentação, passou pela minha mesa e soltou num tom baixo, mas audível o suficiente no espaço silencioso:
— Mandou bem no relatório, Vitor... Pelo visto você rende muito mais sob pressão e dominado.
Eu cheguei a congelar na cadeira. Antes que eu pudesse mandar ele calar a boca, Felipe nos olhou sério.
— Vitor. Vinicius. Na minha sala. Agora — a voz dele veio fria, cortante, sem margem pra contestação.
Entramos na sala executiva e o som do escritório sumiu no instante em que o Felipe bateu a porta e puxou a persiana de vidro. Ele caminhou até a mesa dele, apoiou as duas mãos na madeira nobre e nos encarou de cima a baixo. O olhar dele não era de raiva histérica, mas de uma decepção profissional profunda que pesava mil vezes mais.
— Vocês acham que isso aqui é uma piada? — o Felipe começou, com o tom de voz controlado, gravíssimo. — Vinicius, o que foi esse comentário idiota no meio da reunião?
O Vini engoliu em seco, a cor sumindo do rosto:
— Felipe, desculpa... Foi só uma brincadeira interna, a gente tava...
— Eu não quero saber o que vocês tavam fazendo fora daqui! — o Felipe cortou no ato, levantando um dedo e apontando direto pro Vini. — Eu fui extremamente generoso e compreensivo na sexta-feira. Deixei claro que a vida pessoal de vocês não me interessa, desde que o ambiente de trabalho seja preservado. Mas você vem pra reunião da empresa soltar piadinha de duplo sentido, expondo o seu colega e manchando a postura da minha equipe?
A sala ficou num silêncio absoluto. Eu continuei de pé, de postura ereta, sem coragem de encarar o Felipe de frente.
— Eu construí a minha carreira nessa multinacional na base do respeito absoluto e da ética — o Felipe continuou, olhando fixo nos olhos do Vini e depois nos meus. — Eu tenho um casamento sólido de anos com o meu marido e esposa e nunca, em hipótese alguma, deixei um ruído sequer atravessar a porta dessa empresa. Compliance aqui não é enfeite em PDF, é regra de sobrevivência.
Ele se ajeitou, puxou o paletó e sentou na sua cadeira de couro, entrelaçando os dedos sobre a mesa:
— Essa é a primeira e última advertência verbal que eu dou pra vocês dois. Se eu ouvir mais um comentário com conotação pessoal, um olhar atravessado ou qualquer atitude que fuja do profissionalismo estrito, eu mesmo assino a transferência do Vinicius e corto o contrato de experiência do Vitor. Fui claro?
— Perfeitamente claro, Felipe. Me desculpa, não vai se repetir — o Vini disse, abaixando a cabeça, visivelmente envergonhado.
— Não vai se repetir, chefe. Garantido — completei, com a voz firme.
— Ótimo. Volta pro trabalho, Vinicius. Vitor, fica aqui mais dois minutos pra gente repassar os números que a diretoria pediu.
O Vini saiu rápido da sala, fechando a porta com cuidado, e eu fiquei ali sozinho com o Felipe, sentindo o peso da autoridade dele no ar.

Comentários (1)

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  • PA22: Achei muita hipocrisia do Felipe, o cara fazia 20x pior e pagando de Santo, aí não da, além de que, o vini não fez nada demais, toda empresa tem conversa paralela entre amigos, brincadeiras, contanto que não ultrapasse o limite e a ética, não vejo necessidade de repreender!

    Responder↴ • uid:aych8rq