Muito mais que bons amigos - Parte 19
O portão automático do motel fechou com um estalo pesado, escondendo o carro na penumbra da garagem particular daquela suíte. Antes que eu pudesse respirar direito, o Vinicius já tinha destravado a minha porta, me puxando para fora pelo braço com uma firmeza que não aceitava discussão. Ele me empurrou levemente para dentro do quarto, trancou a porta de vidro com a chave e me prensou contra a parede fria, colando o peito dele no meu.
O rosto dele estava a centímetros do meu, com os olhos escuros de ciúme e de um tesão que parecia prestes a explodir.
— Esquece aquele tatuado do caralho, Vitor — o Vinicius falou ríspido, segurando o meu queixo com força para me obrigar a olhar só para ele. — Aqui quem manda sou eu.
Ele colou a boca na minha num beijo bruto e cheio de vontade. Não era um beijo delicado; ele metia a língua com força, chupando os meus lábios e tirando todo o meu fôlego, enquanto as mãos dele desciam sem pressa pelas minhas costas, apertando a minha bunda por cima da calça social. Eu gemi contra a boca dele, sentindo o meu corpo amolecer e ceder àquela dominação.
O Vinicius desceu os beijos pelo meu pescoço, mordiscando a minha pele de um jeito que deixava marca, descendo para a gola da minha camisa. Ele abriu os botões da minha roupa com pressa, arrancando a camisa do meu corpo e jogando no chão. Em seguida, abaixou a minha calça e a cueca de uma vez só, me deixando completamente nu na frente dele.
— Olha para mim e diz de quem é esse corpo — ele ordenou, com a voz grave e rouca.
— Seu, Vinicius... é seu — gemi, já com a pica dura e latejando, pingando pré-gozo.
Satisfeito com a resposta, o Vinicius se afastou só o suficiente para tirar a própria roupa. Quando ele tirou a calça e a cueca, o meu olhar caiu direto na rola dele, enorme, latejante e com as veias saltadas grossas cruzando toda a extensão daquela pica pesada. A cabeça da piroca dele estava roxa e brilhante de tanto tesão, balançando a cada passo que ele dava na minha direção.
Ele me empurrou para a cama grande de casal no centro do quarto. Eu caí de costas, olhando para ele com os olhos arregalados de desejo. O Vinicius subiu em cima de mim, encaixando o corpo dele pesado sobre o meu, e me deu mais um beijo profundo antes de descer a boca pelo meu peito, chupando os meus mamilos com força até me fazer arquear as costas.
Ele foi descendo os beijos pela minha barriga, lambendo a minha pele até parar bem na base da minha pica. Sem perder tempo, o Vinicius abriu a boca e engoliu o meu pau inteiro de uma vez só, batendo a garganta na cabeça da minha piroca num ritmo acelerado. As mãos dele seguravam firme nas minhas coxas, me mantendo preso na cama, enquanto a língua hábil dele rodava na ponta e ele chupava com força, tirando gemidos altos da minha boca.
— Caralho, Vinicius... assim eu não aguento...
Ele parou, limpou a boca com as costas da mão, subiu o corpo de novo e ficou de joelhos entre as minhas pernas. Pegou aquela rola grossa e pesada, encostando a cabeça bem na entrada do meu cu.
— Relaxa e recebe o meu pau — ele mandou, segurando a minha cintura com força.
Ele empurrou devagar, preenchendo cada centímetro do meu interior. Senti o meu cu esticar todinho para engolir aquela tora enorme, o calor da pica dele queimando por dentro. Quando ele entrou até o talo, parou um segundo para eu acostumar, beijando a minha testa com carinho, mostrando que mandava, mas cuidava de mim.
Depois, começou a meter. No começo foi cadenciado, fundo e gostoso, fazendo a minha visão embaçar de tanto prazer. Depois, ele acelerou o ritmo, batendo o quadril com força contra a minha bunda, fazendo o som de carne estalando ecoar pelo quarto do motel inteiro.
Eu gemia alto, chamando pelo nome dele, agarrado aos lençóis da cama, sentindo o prazer subir pela espinha e apertar a base da minha barriga. A sensação de ser preenchido por aquele pau gigante apagou qualquer lembrança do Alex ou de qualquer outro cara. Ali dentro, naquele quarto escuro, eu era inteirinho do Vinicius.
A pressão estourou em mim.
— Vou gozar, Vinicius! Vou gozar! — gritei, arqueando o corpo.
— Goza para mim, porra! Goza pensando no meu pau! — ele respondeu, dando mais três estocadas fundas e violentas.
Soltei todo o meu gozo na cama, me contorcendo de prazer, enquanto o Vinicius dava mais uma investida monstruosa e jorrava a porra quente dele bem no fundo de mim, enchendo o meu cuzinho com o sêmen dele.
Desabamos juntos em cima da cama, suados, respirando fundo, com o Vinicius me abraçando forte e provando, sem deixar nenhuma dúvida, quem era o verdadeiro dono de mim.
O quarto do motel ficou em silêncio, com a gente deitado ali na cama, respirando fundo e sentindo o suor esfriar na pele. O Vinicius estava com a cabeça apoiada no meu peito, os dedos dele traçando círculos lentos na minha pele, mas dava para ver que ele ainda estava com a cabeça a mil por hora.
Ele levantou o rosto, me olhou bem nos olhos e suspirou, a voz saindo mais calma, mas séria de verdade.
— Mano, escuta aqui o que eu vou te falar — o Vinicius começou, segurando o meu queixo de leve. — Eu não sou dono de você, mas eu não aguento ficar sabendo que outro cara te toca. Aquela vez com o Alex... aquilo me deu uma raiva que você não tem noção. A gente tem o nosso esquema, a nossa parada com a Gi e com a Emilly, mas o meu corpo é teu e o teu tem que ser meu. Fechado? Você é meu homem, Vitor. Não quero ver aquele tatuado encostando um dedo em você nunca mais.
Eu olhei para ele, vi a sinceridade e o ciúme misturados ali, e senti um aperto bom no peito. O Vinicius tinha acabado de me comer com uma força que me deixou mole, mas também estava me abrindo o coração.
— Pode deixar, mano. O Alex já era para mim — falei, passando a mão nos cabelos suados dele.
— Depois de hoje, esquece. Eu só tenho olhos para você e para a nossa bagunça.
A cara fechada dele desmanchou num sorriso torto.
— É assim que eu gosto — o Vinicius murmurou, colando a boca na minha num beijo estalado, que logo foi esquentando de novo.
A gente não aguentou ficar só na conversa. Ele subiu em cima de mim de novo, a rola dele já começando a endurecer outra vez, e a gente se beijou com vontade, com aquela urgência de quem não tem hora marcada. A pegação foi ficando pesada, as mãos apertando as coxas, a língua explorando a boca um do outro.
Depois de um bom tempo, a gente levantou, vestiu a roupa correndo, pagou a conta na portaria e pegou o carro de volta para casa.
Quando eu destranquei a porta da frente, a Gi já estava me esperando na sala, cruzada de braços, com a cara fechada e o cenho franzido. O relógio na parede já marcava horas demais para um simples "trabalho na filial".
— Dá para saber onde você tava até essa hora, Vitor?! — a Gi explodiu, vindo direto para cima de mim com os olhos faiscando de raiva.
Eu engoli em seco.
— Calma, amor, desculpa... O Vini e eu tivemos que resolver um B.O. da firma e esticou para tomar uma cerveja e esfriar a cabeça — menti na cara dura, dando um abraço nela para tentar acalmar a fera.
A Gi bufou, empurrando o meu peito de leve, mas acabou cedendo.
No dia seguinte, cheguei na empresa com o coração na mão. Era o primeiro dia oficial da Emilly na matriz lá na cidade vizinha, o que significava que o nosso porto seguro tinha ido embora e o escritório ia ficar com uma cara completamente diferente.
Subi direto para o meu andar, passei a catraca e percebi que o clima na sala de operações estava estranho, todo mundo quieto mexendo nos computadores sem olhar para os lados. Antes de eu conseguir sentar na minha cadeira, uma figura alta, com um terno azul-marinho brilhante e um copo térmico de café na mão, apareceu na minha frente.
Era o Marcelo. O novo diretor que tinha vindo de Osasco para ocupar o lugar que era da Emilly. E para piorar a minha vida, o cara tinha fama de ser o pior tipo de chefe que existe: arrogante, controlador e chato para caralho.
— Você é o Vitor, né? — o Marcelo falou, me olhando de cima a baixo com uma cara de nojo, como se eu fosse um inseto na sola do sapato dele.
— Sou eu mesmo, chefe. Bom dia — respondi, tentando manter a educação e engolindo o seco.
— Bom dia para quem tem meta batida, o que não é o seu caso — o Marcelo disparou, cruzando os braços com um sorriso irônico. — Fiquei sabendo que você estava muito acomodado nesse setor, fazendo relatórios mornos. A partir de hoje, esquece essa sua mesinha. Eu estou fazendo uma limpa na equipe.
Eu gelei na hora.
— Calma, ninguém vai te mandar embora, o seu cargo de analista continua o mesmo e o seu salário não muda — o Marcelo falou, ajustando o relógio de grife no pulso com um desdém do caralho. — Mas eu tô tirando você da equipe comercial principal. A partir de hoje, você foi transferido para a auditoria de processos lá na ala leste, no final do corredor corporativo. Vai ficar isolado numa sala cuidando só de burocracia e planilhas antigas. Trata de levar as suas coisas para lá agora mesmo.
O cara virou as costas e saiu andando, me deixando plantado no meio da sala com a minha equipe inteira desviando o olhar.
Fiquei sem acreditar na rasteira que levei logo no primeiro dia sem a Emilly. Peguei a minha caixa organizadora, joguei minhas coisas lá dentro com raiva e mandei uma mensagem escondida para o Vinicius no andar de cima: "O novo diretor me transferiu para a auditoria na ala leste. A minha vida na firma virou um inferno."
Não demorou nem dez minutos para o meu celular vibrar no bolso da calça com a resposta do Vinicius. O recado era curto, mas direto ao ponto, do jeito dele: "Relaxa a cabeça, mano. Me espera na entrada da ala leste no horário do almoço. A gente resolve isso."
Saber que o Vinicius trabalhava na mesma ala leste, só que uns andares acima me dava um alívio.
Carregando a minha caixa de papelão com os meus pertences, atravessei o corredor comprido até chegar na minha nova sala. O lugar parecia um cemitério de repartição pública: paredes cinzas, luz de LED piscando fraco e um silêncio esquisito, cortado apenas pelo barulho de impressoras antigas. Joguei as minhas coisas em cima da mesa de madeira riscada, respirei fundo e tentei focar nas planilhas infinitas que já me esperavam na tela do computador.
A manhã passou arrastada, parecendo um século de tédio e ódio mortal do Marcelo. Mas quando o relógio finalmente bateu meio-dia e meia, desliguei o monitor com pressa e fui direto para o ponto de encontro marcado.
O Vinicius já estava encostado na parede de vidro do corredor da ala leste, com o crachá pendurado no pescoço e as mãos enfiadas no bolso da calça social. Assim que ele me viu chegando com a cara fechada, deu um sorriso de canto de boca, daquele jeito tranquilo que só ele sabia ter quando queria me desmontar.
— E aí, meu xapa. Soube que o filhote de cruz-credo novo resolveu te isolar no castigo, né? — o Vinicius falou, rindo fraco e me puxando pelo braço para dentro de um corredor sem saída que dava acesso à escadaria de incêndio.
— Mano, eu tenho vontade de estrangular esse Marcelo — desabafei, encostando as costas na parede fria da escada, soltando o ar pesado. — O cara me tirou da minha equipe só para me humilhar. Se a Emilly estivesse aqui na sede principal, ela já tinha dado um esporro nele. Mas agora eu tô preso nessa sala mofada. E se ele inventar de me ferrar de vez?
O Vinicius deu um passo à frente, colando o corpo dele no meu. Ele segurou o meu queixo com firmeza, levantando o meu rosto para eu olhar bem nos olhos dele, e a expressão brincalhona sumiu, dando lugar àquele ar protetor e mandão que me deixava louco.
— Esquece esse otário do Marcelo, Vitor. Ele acha que manda em tudo só porque ganhou uma salinha com vista para a rua, mas ele não sabe de nada — o Vinicius sussurrou, a voz grossa ecoando na escadaria vazia. — O teu cargo continua o mesmo, o teu salário tá garantido para ajudar a Gi com o bebê, e se esse infeliz mexer mais um centavo com você, eu mesmo subo na diretoria e faço o inferno na vida dele. Ninguém encosta no meu homem, entendeu?
Sentir a mão firme dele na minha nuca e ouvir aquilo me deu um calor bom por dentro. O estresse do dia sumiu num segundo, substituído por aquele tesão que sempre brotava quando a gente ficava sozinho.
— É sério? Você peitaria o diretor novo por minha causa? — perguntei, abrindo um sorriso torto.
— Por você e pela nossa paz, eu viro essa empresa do avesso, mano — o Vinicius respondeu, descendo a mão devagar pela minha cintura e apertando a minha bunda por cima do tecido da calça. — E quer saber? Essa sala isolada na ala leste até que tem um ponto positivo...
— Ah é? Qual? — arqueei a sobrancelha, sentindo a pica começar a endurecer com o roçar da perna dele na minha.
— Ninguém passa por essa escadaria de incêndio no horário do almoço — o Vinicius falou, colando a boca na minha num beijo bruto e cheio de vontade, arrancando um gemido abafado da minha garganta.
Ele me empurrou de leve contra a parede de cimento, puxando a minha camisa para cima e metendo a mão direto na minha cueca, encontrando o meu pau já duro implorando por um toque. A briga com o chefe e o medo da demissão sumiram da minha cabeça num instante. No meio da escadaria escura da firma, com o crachá balançando no pescoço, a gente começou a foder com o sigilo, provando que nem o pior diretor do mundo conseguiria separar a nossa rotina de putaria.
O som abafado dos nossos passos na escadaria de cimento sumia diante da respiração pesada que escapava da boca da gente. O Vinicius não perdeu tempo com delicadeza. Ele enfiou a mão por dentro da minha calça social, achou o meu pau duro e começou a apertar e puxar num ritmo que fez a minha cabeça girar.
— Caralho, Vinicius... se alguém abrir essa porta agora a gente tá frito — sussurrei, com a voz falhada, segurando firme nos ombros largos dele.
— Fica quieto e aproveita, mano. Aqui ninguém pisa essa hora — ele rosnou no meu pé do ouvido, com a voz grave e mandona que me desarmava todinho.
O Vinicius abaixou a minha calça e a cueca de uma vez só até os Joelhos, me deixando exposto ali no meio da escada de emergência. Ele se ajoelhou no degrau de cimento gelado sem cerimônia nenhuma, puxou o meu quadril para mais perto e abriu a boca, engolindo a cabeça da minha pica de uma sugada só.
A língua quente dele rodou na base da glande enquanto ele chupava com força, fazendo um barulho molhado que ecoava nas paredes de concreto. Eu joguei a cabeça para trás, cravando os dedos nos cabelos dele, sentindo o prazer subir da sola do pé direto para a minha espinha. A cada chupada funda que ele dava, a minha pica latejava mais, pingando pré-gozo na boca dele.
— Isso... chupa bem gostoso esse pau que é só teu, mano... — gemi, rebolando de leve para acompanhar o ritmo da boca dele.
Depois de alguns minutos me chupando com vontade, o Vinicius levantou rápido, limpou a boca com as costas da mão e me empurrou de costas contra a parede fria. Ele abriu a calça dele com pressa, puxou para fora aquela rola grossa, pesada e latejante, com as veias saltadas implorando para ser usada.
Ele segurou a minha cintura com força, alinhou a cabeça da piroca dele na entrada do meu cu e empurrou de uma vez só.
Eu soltei um gemido abafado, engolindo seco enquanto o meu corpo esticava inteiro para acolher aquele monstro. A pica dele queimava de tão quente, preenchendo cada centímetro do meu interior com uma precisão que me deixava tonto. Quando ele entrou até o talo, parou um segundo, colando a testa na minha e respirando fundo para a gente se acostumar com o encaixe.
— Gostoso pra caralho... apertadinho do jeito que eu gosto — o Vinicius falou
Ele começou a meter com força, puxando o meu quadril para encontro ao dele. As estocadas eram fundas, compassadas, fazendo o som de carne batendo ecoar na caixa da escadaria. A cada investida, o meu peito batia contra o dele e a gente se beijava com desespero, misturando o suor do almoço corrido com a saliva da nossa pegação proibida.
— Vai, Vinicius... arromba esse cu todinho... me faz teu — eu implorava, perdendo o juízo com o ritmo bruto que ele imprimia.
A pressão na base da barriga começou a apertar de um jeito insuportável. Eu sabia que não ia conseguir segurar por muito tempo com aquela foda na escada da firma.
Soltei o meu gozo inteiro, me contraindo todo contra o corpo dele, enquanto o Vinicius dava a última investida monstruosa e despejava a porra quente dele bem no fundo do meu cu, preenchendo tudo.
O Vinicius ajeitou a minha roupa com calma, me deu um selinho rápido e a gente voltou para os nossos setores pela porta dos fundos, como se nada tivesse acontecido, prontos para aturar o resto daquele dia infernal.
A tarde inteira passou arrastada, com aquela planilha enorme de auditoria piscando na minha cara e o gosto do Vinicius ainda na boca para me lembrar que o dia não tinha sido totalmente perdido. Mas a paz durou pouco.
Quando faltava meia hora para o expediente acabar, o meu ramal de mesa tocou seco.
— Vitor? Sobe para a diretoria financeira agora. A Doutora Renata quer falar com você — a secretária soltou no viva-voz, com aquela voz de quem já estava anunciando a minha execução.
A Doutora Renata era a diretora financeira da matriz inteira. Uma mulher mais velha, famosa por ser implacável, usar ternos de grife que pareciam armaduras e odiar qualquer tipo de erro nas contas da empresa. Se o Marcelo, o diretor novo, já era insuportável, a Renata era o verdadeiro terror do escritório.
Subi de elevador com o estômago embrulhado, pensando em qual erro grotesco de centavos ela tinha achado naquelas planilhas velhas que me deram de castigo.
Bati duas vezes na porta de vidro fosco da sala em que ela estava, a mesma que Felipe ocupava quando era meu chefe, e entrei assim que ouvi um "entra" seco de dentro. Ela estava sentada atrás de uma mesa de vidro enorme, com os braços cruzados e uma expressão que dava medo em qualquer marmanjo.
— Senta, Vitor — ela falou, apontando para a cadeira da frente sem tirar os olhos de uma folha impressa na mão.
Me sentei na ponta da cadeira, engolindo a seco, sentindo o suor frio escorrer pelas costas.
— Você sabe por que eu te chamei aqui, né? — a Renata perguntou, levantando os olhos e me encarando por cima dos óculos de grau.
— Para ser sincero, doutora, não sei... Eu peguei a auditoria da ala leste hoje de manhã e estou conferindo tudo direitinho — respondi, tentando manter a voz firme.
— Pois é exatamente esse o problema, meu caro — ela disparou, jogando a folha na minha mesa com força. — O Marcelo te mandou para a auditoria achando que você ia ficar enterrado em papel velho, mas os relatórios que você entregou agora à tarde simplesmente escracharam uma diferença absurda de verba no setor dele. Tem milhares de reais sumidos nas contas da diretoria nova, e o seu relatório foi o único que apontou isso.
Eu pisquei duas vezes, surpreso para caralho. Sem querer, mexendo naquelas planilhas chatas do castigo, eu tinha achado um rombo que o diretor novo tentou acobertar.
— Olha, eu só fiz o meu trabalho, conferi os dados... — comecei a falar, mas ela levantou a mão, me interrompendo.
— Eu não estou te dando bronca pelo erro, Vitor. Estou te dando uma bronca porque você mexeu em um vespeiro sem me avisar antes — a Renata falou, abrindo um sorriso frio e analítico. — O Marcelo é protegido dos caras grandes lá da matriz, e cutucar o caixa dele desse jeito vai fazer o nosso setor virar alvo de guerra política aqui dentro.
Ela se recostou na cadeira, cruzando as pernas, e me olhou de um jeito que parecia estar pesando o meu valor no meio daquela bagunça corporativa toda.
— Mas sabe de uma coisa? Eu odeio gente incompetente tanto quanto odeio quem tenta me passar a perna — a Renata continuou, com um tom de voz perigoso. — Em vez de te foder, você vai fazer o seguinte: vai pegar esse rombo, vai esmiuçar cada centavo que o Marcelo desviou durante anos e me trazer o dossiê completo até amanhã cedo. Se você fizer isso direito, eu te tiro daquele buraco na ala leste e te trago direto para a minha equipe na diretoria financeira. Captou a mensagem?
Saí da sala dela dez minutos depois com a cabeça a mil por hora. O dia que tinha começado como o pior inferno da minha vida na firma agora estava me dando uma arma poderosa contra o meu chefe novo. Peguei o celular escondido no elevador e mandei uma mensagem rápida para o Vinicius: "O jogo virou. A diretora financeira me chamou de castigo, mas quer que eu destrua o Marcelo por desvio de verba. Segura essa."
Assim que saí do elevador e passei pela catraca, peguei o celular do bolso e disquei o número da Gi. O cansaço já estava batendo forte, mas a adrenalina de ter a cabeça do Marcelo na bandeja não me deixava desligar.
O celular chamou duas vezes até ela atender com aquela voz de quem já estava cochilando no sofá.
— Oi, amor? Tá voltando para casa? — a Gi perguntou, bocejando do outro lado da linha.
— Pô, Gi, vai dar ruim para eu jantar com você agora — falei, passando a mão na nuca. — Aquela reunião com a diretora financeira rendeu. Ela me deu uma missão e eu vou ter que voltar para a minha salinha na ala leste para varrer os arquivos antigos do Marcelo. Vou chegar bem tarde hoje, beleza? Não me espera acordado.
— Ah, sacanagem, Vitor... justo hoje que eu queria ficar grudadinha — ela reclamou manhosa, mas logo cedeu. — Tá bom, não inventa moda, come alguma coisa por aí e toma cuidado. Qualquer coisa me liga.
Desliguei a chamada e voltei para dentro do prédio antes que o segurança fechasse o acesso. Subi de novo para a minha sala mofada na ala leste, tranquei a porta por dentro e abri o servidor restrito que a Renata tinha liberado para mim.
Passei horas mergulhado em planilhas financeiras de dez anos atrás, desde a época em que o Marcelo tinha entrado na empresa. No começo, eram só desvios pequenos de verba de reembolso e notas fiscais frias para cobrir viagens particulares dele. Mas, conforme eu fui cavando mais fundo nos registros antigos de auditoria e nos e-mails arquivados de antigas gestões, o negócio começou a ficar muito feio.
Não era só roubo de dinheiro. Era sabotagem pura.
Encontrei uma pasta oculta com um relatório detalhado de dez anos atrás, assinado pelo próprio Marcelo, mas falsificado para parecer que o erro tinha partido de outra pessoa. Vasculhando os anexos, achei o documento original e o fio da meada: Marcelo tinha forjado provas falsas de rombo financeiro e vazado relatórios adulterados para a alta cúpula de São Paulo, tudo para jogar a culpa nas costas de ninguém menos do que o Felipe, que agora era diretor geral do financeiro.
Naquela época, Marcelo queria a vaga de executivo a todo custo e tentou queimar o Felipe de vez na matriz, quase fazendo o cara ser demitido por justa causa sob a acusação de fraude que ele mesmo armou. O plano só não deu totalmente certo porque o Felipe conseguiu provar a inocência por um triz, mas o dossiê da armação tinha ficado escondido nas pastas mortas do sistema, esperando alguém com tempo e raiva suficiente para achar.
Eu olhei para a tela do computador iluminada na sala escura, com o coração disparando no peito. Eu não tinha só descoberto um desvio de dinheiro comum. Eu tinha encontrado a prova de ouro que podia destruir a carreira do Marcelo de uma vez por todas e mostrar para o Felipe e para a Emilly exatamente quem era a cobra que eles estavam abrigando na matriz.
Joguei tudo num pen drive com pressa, apaguei os rastros da minha busca no servidor, peguei minhas coisas e saí daquela sala com um sorriso vitorioso no rosto. O Marcelo achou que ia me isolar no porão para me humilhar, mas tinha acabado de assinar a própria sentença de morte na empresa.
Cheguei em casa já era quase de madrugada. A rua estava inteirinho silenciosa, só com o barulho de um cachorro latindo longe. Tirei o tênis na porta para não fazer barulho, entrei no corredor da casa e vi a Gi dormindo toda encolhida de lado, abraçada no travesseiro, com a barriguinha de grávida dando volume no pijama. Deixei um beijo de leve na testa dela, tomei um banho gelado correndo para tirar o cheiro de escritório velho e desabei na cama, mas com o cérebro a mil por hora.
Naquele mesmo segundo, antes de deitar, eu tinha tirado o pen drive com o dossiê do bolso da calça social e jogado dentro da bolsa de couro da Emilly que ela tinha esquecido no sofá da nossa sala no dia daquela nossa bagunça toda. O pen drive estava seguro com ela na cidade vizinha.
No dia seguinte, acordei cedo, dei um beijo na Gi e saí de casa com o tempo apertado para pegar o transporte e chegar na empresa. O sol mal tinha nascido direito e a rua do bairro estava meio vazia, com pouca gente andando na calçada.
Eu estava virando a esquina para ir em direção ao ponto de ônibus, com a cabeça baixa mexendo no celular, quando uma van preta com os vidros totalmente escuros cantou o pneu e parou bruscamente na minha frente, bloqueando a calçada inteira. Antes que eu pudesse raciocinar ou correr para trás, a porta lateral correu com um estalo seco.
Dois caras fortes, com jaquetas pretas e cara de poucos amigos, saltaram de dentro de uma vez só. Um deles me deu uma rasteira rápida e o outro me pegou pelo braço, torcendo para trás com força.
— Epa, epa, relaxa e entra devagar, maluco! Sem escândalo! — um deles sibilou no meu ouvido, com uma voz grossa e ameaçadora.
— Mano, que isso? Me solta, caralho! Vocês tão doidos? — tentei gritar, me debatendo e chutando o ar, mas não adiantou nada.
Eles me empurraram com tudo para o banco de trás da van, jogando a minha cabeça para baixo. A porta bateu com um estrondo e o veículo arrancou cantando pneu, me levando às cegas. O meu coração disparou na boca, a garganta secou de desespero. Eu sabia muito bem quem tinha mandado aquilo: o Marcelo descobriu que eu mexi onde não devia e resolveu me dar um corretivo pesado.
O carro rodou por uns vinte minutos por estradas de terra e ruas desertas até frear bruscamente num galpão abandonado na periferia. Os caras me puxaram pelos braços para fora da van, com os pés tropeçando no chão de terra batida, e me jogaram de joelhos no meio de um galpão vazio, escuro e fedendo a mofo.
A porta da frente se abriu com um rangido e o Marcelo entrou caminhando devagar, ajustando o paletó impecável, com um sorrisinho cínico no rosto e as mãos nos bolsos.
— E aí, garoto prodígio... achou que ia fuçar nos arquivos da diretoria e sair andando impune, foi? — o Marcelo falou, parando bem na minha frente e olhando para mim como se eu fosse um lixo. — Onde é que tá o pen drive com as informações que você puxou ontem à noite? Desembucha logo antes que a conversa aqui fique feia de verdade.
Eu engoli o seco, com o joelho doendo no chão de cimento e o suor frio escorrendo pela testa, mas tentei manter a marra para não mostrar que estava apavorado.
— Do que você tá falando, seu maluco? Não sei de pen drive nenhum... — menti, cuspindo as palavras com raiva.
O sorriso do Marcelo sumiu na hora. Ele fez um sinal de cabeça para um dos capangas, que deu um passo à frente estalando os nós dos dedos, pronto para descer a lenha em cima de mim. Mas o que o Marcelo não fazia a menor ideia é que, enquanto ele me sequestrava achando que ia recuperar a prova do crime, o pen drive com o dossiê completo já estava bem longe dali, guardado com a Emilly na matriz.
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Comentários (1)
Safadin:: Cara que reviravolta doida foi essa?! Estou amando, que final de série rsrsrs! Estou êxtase aqui. Espero que não aconteça nada com Vitor.
Responder↴ • uid:4a20ataahrc