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Felipe e o baterista

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Felipe nem gosta tanto de café... Mas o novo funcionário o fez mudar de ideia.

Felipe nunca tinha gostado de rotina.
Os dias pareciam todos iguais: acordar, trabalhar, voltar para casa, assistir alguma coisa sem prestar muita atenção e dormir.
Por isso estranhou quando percebeu que havia criado um hábito novo.
Todos os dias, às oito da manhã, passava na mesma cafeteria.
Não era pelo café.
Nem pelo pão de queijo.
Era por Hélio.
A primeira vez que o viu foi numa terça-feira.
A cafeteria tinha contratado um funcionário novo. Um rapaz loiro, alto, de corpo magro mas definido, daqueles que pareciam estar sempre em movimento. Os cabelos claros viviam caindo sobre a testa e ele tinha um sorriso que surgia com facilidade demais.
— Bom dia. O que vai ser? — perguntou.
— Um café preto.
— Sem açúcar?
— Sem.
— Corajoso.
— Corajoso?
— Café sem açúcar é coisa de quem já desistiu de ser feliz.
Felipe acabou rindo.
Foi a primeira conversa.
No dia seguinte voltou.
— Café preto de novo? — perguntou Hélio.
— Sim.
— Você realmente odeia a felicidade.
E entregou o copo.
No outro dia:
— Café preto.
— Eu já estava fazendo antes de você pedir.
— Como sabia?
— Você tem cara de quem não muda de ideia.
— Isso foi um elogio?
— Ainda estou decidindo.
Aos poucos, aqueles poucos minutos passaram a ser a melhor parte da manhã de Felipe.
Hélio era impossível de ignorar.
Falava com todo mundo.
Brincava com os clientes.
Decorava nomes.
Inventava apelidos.
Fazia piadas ruins.
Principalmente piadas ruins.
— Bom dia, Felipe.
— Bom dia.
— Hoje você parece cansado.
— Dormi pouco.
— Sonhando comigo?
— Claro que não.
— Resposta rápida demais.
— Você é insuportável.
— Mas você voltou.
E aquele sorriso aparecia de novo.
Depois de algumas semanas, Felipe já não precisava fazer o pedido.
Hélio começava a prepará-lo assim que o via entrando.
— Isso é atendimento personalizado?
— Isso é evitar que você fale a palavra "café" pela centésima vez.
— Muito gentil.
— Eu sei.
— Humilde também.
— Uma das minhas maiores qualidades.
— E a modéstia?
— Essa é a principal.
Felipe balançou a cabeça.
— Você treina essas respostas?
— Não. Elas nascem naturalmente porque sou especial.
Foi numa manhã chuvosa que Felipe descobriu a bateria.
Hélio estava organizando algumas caixas perto do balcão quando a manga da camisa subiu um pouco.
No antebraço havia uma pequena tatuagem de baquetas cruzadas.
— Você toca bateria?
Hélio abriu um sorriso.
— Toco.
— Sério?
— Desde adolescente.
— Tem banda?
— Tenho.
— Banda de verdade?
— O que seria uma banda de mentira?
— Sei lá.
— Então.
Felipe riu.
— Que tipo de música?
— Rock nacional, pop, umas versões de músicas antigas...
— E vocês tocam onde?
— Barzinhos daqui da região. Às vezes em eventos. Nada muito chique.
— Então você é praticamente uma celebridade local.
— Exatamente.
— Quantos fãs?
— Minha mãe. Às vezes meu tio.
A partir daí, as conversas ficaram ainda mais longas.
Felipe passou a chegar mais cedo.
Às vezes sentava perto do balcão quando a cafeteria estava vazia.
Falavam sobre filmes.
Sobre música.
Sobre professores horríveis que tiveram na escola.
Sobre clientes estranhos.
Sobre tudo.
Hélio contava histórias com uma facilidade impressionante.
E fazia Felipe rir mesmo quando ele tentava manter uma postura séria.
— Você sabe qual é seu problema?
— Qual?
— Você sorri muito pouco.
— Não sorrio.
— Sorri sim.
— Não.
— Quando eu faço piadas ruins.
— Ninguém sorri das suas piadas.
— Você sorri.
— Por pena.
— Aceito.
Numa sexta-feira, Hélio colocou um pequeno panfleto sobre o balcão.
— Toma.
Felipe pegou.
Era o anúncio de uma apresentação.
— Show?
— Barzinho.
— Parece um show.
— O dono do lugar chama tudo de show.
— E é bom?
— A comida é ótima.
— E a banda?
— A banda depende de quantas cervejas você tomar antes.
— Convencente.
— Você vai?
— Talvez.
— Vai sim.
— Está insistindo muito.
— Porque quero alguém para me defender quando o vocalista começar a falar besteira no microfone.
— Ele faz isso?
— O tempo todo.
No sábado à noite Felipe apareceu.
O bar estava cheio.
Nada enorme.
Nada sofisticado.
Mesas espalhadas.
Luzes baixas.
Gente conversando.
Casais.
Amigos.
Música ao vivo.
Um típico bar da cidade.
Quando a banda começou a tocar, Felipe encontrou uma mesa ao fundo.
E então viu Hélio atrás da bateria.
Foi estranho.
Porque parecia familiar e diferente ao mesmo tempo.
O rapaz brincalhão da cafeteria continuava lá.
Mas agora existia outra energia.
Mais confiança.
Mais presença.
Mais intensidade.
Hélio tocava sorrindo.
Interagia com os outros músicos.
Ria das besteiras ditas pelo vocalista.
Parecia completamente feliz.
Felipe não conseguiu tirar os olhos dele.
No intervalo, alguém sentou na cadeira ao lado dele.
— Então você é o Felipe.
Felipe virou o rosto.
Era o vocalista.
— Sou.
— Finalmente.
— Finalmente?
— O Hélio fala de você.
O coração de Felipe acelerou.
— Fala?
— Bastante.
O vocalista sorriu.
— Acho perigoso.
— Perigoso?
— Muito.
— Por quê?
— Porque ele deveria estar ajudando a banda e passa metade do tempo esperando você aparecer para tomar café.
Felipe não soube responder.
— Estou brincando — disse o vocalista.
Mas claramente não estava completamente brincando.
Durante o segundo intervalo a situação ficou ainda mais evidente.
Hélio finalmente conseguiu sentar alguns minutos com Felipe.
Mal havia começado a conversa quando o vocalista apareceu.
— Hélio.
— O quê?
— Precisamos falar.
— Agora?
— Agora.
— Não precisamos.
— Precisamos sim.
— Mentira.
— Verdade.
— Você está inventando.
— Talvez.
Hélio revirou os olhos.
— Vai embora.
— Estou tentando salvar a banda.
— De quê?
— De você.
— Some daqui.
O vocalista riu e saiu.
Felipe observou a cena.
— Ele faz isso sempre?
— Ultimamente.
— Por quê?
— Porque ele acha engraçado.
— E acha?
— Infelizmente, sim.
O show terminou perto da meia-noite.
As pessoas começaram a ir embora.
Os músicos desmontavam os equipamentos.
Felipe já estava pensando em se despedir quando ouviu uma voz atrás dele.
— Não vai fugir, vai?
Era Hélio.
— Fugir?
— Sim.
— Eu estava indo embora.
— Muito cedo.
— É meia-noite.
— A noite ainda é jovem.
— Você fala igual um tio tentando parecer moderno.
— E você parece um senhor de setenta anos.
— Tenho dezenove.
— Exatamente.
Os dois riram.
Ao longe, o vocalista apareceu carregando um pedestal de microfone.
Olhou para os dois.
Parou.
Apontou.
— Vocês dois são um problema.
— Vai embora! — respondeu Hélio.
— Estou só observando.
— Ninguém pediu.
— Um dia vocês vão me agradecer.
— Nunca.
— Provavelmente.
Ele saiu rindo novamente.
Felipe balançou a cabeça.
— Acho que ele realmente quer separar a gente.
— Não.
— Não?
— Acho que ele está fazendo exatamente o contrário.
Felipe ficou em silêncio.
Hélio também.
Por alguns segundos o barulho do bar pareceu desaparecer.
Então Hélio sorriu daquele jeito despreocupado que Felipe já conhecia tão bem.
Hélio pediu para ele esperar enquanto guardavam os instrumentos, depois veio, levemente suado.
—Vem comigo.
Ele o seguiu até ficarem sozinhos num canto escondido.
Felipe sentiu o ar do corredor ficar mais pesado, quase elétrico. O som distante da música ainda pulsava nas paredes, mas ali, naquele espaço estreito e mal iluminado, só existiam os dois. Hélio deu meio passo à frente. Seus olhos azuis, ainda brilhando com a adrenalina do show, desceram para os lábios de Felipe por um segundo que pareceu eterno. O coração de Felipe martelava tão forte que ele tinha certeza de que Hélio conseguia ouvir.
Hélio inclinou a cabeça devagar, quase com medo de quebrar o momento. Seus narizes se esbarraram primeiro, desajeitados. Felipe soltou uma risadinha nervosa. Então os lábios se tocaram — quentes, secos no início, um pouco trêmulos. O primeiro beijo foi desastrado, incerto: bocas se pressionando sem ritmo, um dente batendo de leve no outro. Felipe sentiu o gosto leve de cerveja e sal do suor do show nos lábios de Hélio. Mas nenhum dos dois se afastou. Aos poucos o beijo se ajustou. Hélio abriu mais a boca, a língua tocando timidamente a de Felipe, e o mundo pareceu encolher até caber apenas naqueles centímetros entre eles.
Felipe subiu a mão pelo peito de Hélio, sentindo o tecido da camiseta úmida grudada na pele quente. O cheiro dele era inebriante: suor limpo de esforço, um toque de sabonete barato do camarim, e algo mais profundo, masculino, que fazia o corpo de Felipe reagir instantaneamente. Quando se separaram, os dois estavam ofegantes.
— Caralho... — murmurou Hélio, a voz rouca, quase um riso. Seus lábios estavam vermelhos, inchados.
— É... — Felipe respondeu, sorrindo, o rosto queimando. — Eu queria fazer isso desde a segunda semana.
Hélio riu baixo e encostou a testa na dele.
— Eu também.
Saíram pelos fundos do salão, evitando a multidão de fãs que ainda esperava Hélio. A noite de sábado estava fresca, com uma brisa que contrastava com o calor que os dois carregavam. Caminharam lado a lado pela calçada mal iluminada, ombros se roçando de propósito. Depois de dois quarteirões, Hélio parou de repente, puxou Felipe pelo braço para um canto mais escuro entre dois prédios e o prensou contra a parede.
O segundo beijo foi completamente diferente. Não havia mais hesitação. Hélio tomou sua boca com fome, língua entrando fundo, explorando, dominando. Felipe gemeu contra os lábios dele, as mãos descendo pelas costas de Hélio até apertar a cintura fina e definida. Conseguia sentir a ereção de Hélio pressionando sua coxa através da calça jeans. Os quadris de ambos se moveram instintivamente, roçando, buscando fricção. O beijo ficou molhado, barulhento, cheio de respirações pesadas e pequenos gemidos abafados.
— Tem um motel... duas quadras daqui — sussurrou Hélio contra a boca dele, mordiscando seu lábio inferior. A voz estava carregada de desejo. — Se você quiser parar por aqui... ainda dá tempo de eu te deixar em casa e fingir que nada aconteceu.
Felipe segurou o rosto dele com as duas mãos, olhando direto nos olhos.
— Eu quero. Quero tudo.
O quarto do motel era simples, mas limpo: cama grande com lençóis brancos, luz indireta amarelada, ar-condicionado gelado. Assim que a porta se fechou, a urgência voltou. Hélio puxou Felipe pela camisa e o beijou novamente, agora com as mãos descendo para puxar a peça para cima. Roupas foram tiradas devagar, com pausas para tocar e olhar.
Felipe tirou a camiseta de Hélio primeiro, revelando o torso magro, mas bem definido — ombros largos de quem tocava bateria, abdômen marcado, pele clara ligeiramente avermelhada pelo calor do show. Desceu as mãos pelo peito dele, sentindo os mamilos endurecidos, traçando as linhas dos músculos. Hélio fez o mesmo, tirando a camisa de Felipe e admirando o corpo dele com olhos escuros.
Quando as calças caíram, os dois paus estavam completamente duros, apontando para cima, latejando. Felipe empurrou Hélio até ele sentar na beira da cama. Ajoelhou-se entre as pernas abertas dele.
O pau de Hélio era bonito — comprido, com uma leve curva para cima, cabeça rosada e brilhante de pré-gozo. Mas o cheiro... o cheiro era o que mais enlouqueceu Felipe. Forte, salgado, suor acumulado do show inteiro, almíscar masculino puro. Ele encostou o nariz na base, inalando profundamente, e Hélio soltou um gemido rouco.
— Porra, você vai mesmo...
Felipe lambeu devagar, da base até a ponta, sentindo o gosto salgado intenso na língua. O suor do dia inteiro tornava tudo mais cru, mais real. Ele girou a língua na glande, recolhendo o pré-gozo viscoso, depois desceu e chupou uma bola, depois a outra, sentindo o peso delas na boca. Hélio jogou a cabeça para trás, os dedos loiros se enroscando forte nos cabelos de Felipe.
Felipe o tomou inteiro na boca. Desceu devagar, sentindo a cabeça tocar o fundo da garganta. Sugou com força, subindo e descendo, saliva escorrendo pelo pau de Hélio, fazendo barulhos molhados obscenos. Usava uma mão para masturbar a base enquanto a boca trabalhava na cabeça, língua pressionando a fenda. Hélio gemia alto, quadris subindo involuntariamente, fodendo a boca de Felipe com estocadas curtas.
— Felipe... caralho... sua boca é quente pra porra...
Depois de longos minutos, Hélio puxou Felipe para cima, beijando-o com gosto do próprio pau. Virou-o de bruços na cama, abrindo suas pernas. Cuspiu na mão, passou nos dois, e posicionou a cabeça do pau na entrada de Felipe.
— Relaxa pra mim... — sussurrou Hélio, beijando suas costas.
Entrou devagar. Centímetro por centímetro. Felipe sentiu a ardência inicial, depois o prazer profundo quando Hélio passou da resistência. Quando estava todo dentro, os dois gemeram juntos. Hélio deitou o corpo sobre o dele, pele suada contra pele suada, e começou a mover os quadris. As estocadas eram profundas, ritmadas, o som de pele batendo preenchendo o quarto. Cada vez que Hélio entrava completamente, Felipe sentia a cabeça do pau dele roçando sua próstata, enviando choques de prazer pelo corpo inteiro.
Hélio aumentou o ritmo, segurando os quadris de Felipe com força, metendo mais rápido, mais forte. O suor dos dois se misturava. Felipe gemia contra o travesseiro, o pau dele vazando sem parar nos lençóis.
Depois de um tempo, Hélio saiu, virou Felipe de frente e desceu a boca nele. Chupou com a mesma fome que Felipe tinha mostrado antes — boca quente, molhada, sugando fundo, garganta relaxando para tomar quase tudo. Uma mão massageava as bolas de Felipe enquanto a outra apertava a base. Felipe segurava a cabeça loira dele, fodendo sua boca com movimentos controlados, sentindo a língua trabalhar em cada veia.
— Quero te foder agora — pediu Felipe, voz rouca de tesão.
Hélio se posicionou de quatro, olhando por cima do ombro com um sorriso safado e vulnerável ao mesmo tempo. Felipe cuspiu bastante, abriu Hélio com dois dedos primeiro, sentindo o anel quente e apertado relaxar. Quando posicionou o pau e empurrou, Hélio soltou um gemido longo, quase um soluço.
— Isso... me fode...
Felipe entrou devagar, saboreando cada centímetro do calor apertado ao redor do seu pau. Quando estava todo dentro, parou, sentindo as paredes internas de Hélio pulsarem. Então começou a meter. Primeiro devagar, depois com força crescente. Segurava a cintura fina de Hélio, puxando-o contra si a cada estocada. O som era molhado, obsceno. Hélio empinava a bunda, pedindo mais, gemendo o nome de Felipe a cada vez que era preenchido fundo.
Felipe se inclinou sobre ele, uma mão descendo para masturbar Hélio enquanto metia. Os dois estavam suados, respirando pesado, corpos batendo em ritmo perfeito. O cheiro de sexo — suor, saliva, pré-gozo — dominava o quarto inteiro.
Mudaram de posição. Felipe deitou Hélio de lado, levantou uma perna dele e entrou novamente, agora olhando nos olhos dele. O ângulo permitia beijos desajeitados entre gemidos. Hélio se tocava rápido, olhos semicerrados de prazer.
— Vou gozar... — avisou Felipe, estocadas ficando erráticas.
— Goza dentro... por favor...
Felipe enterrou fundo e gozou forte, pulsando jatos quentes dentro de Hélio. O orgasmo pareceu durar uma eternidade. Hélio gozou logo depois, jatos brancos grossos acertando o próprio peito e abdômen enquanto o corpo tremia violentamente.
Ficaram abraçados por longos minutos, beijos preguiçosos, carícias suadas, respirações se acalmando. O quarto cheirava a sexo e felicidade.
— Vem — disse Felipe, puxando Hélio pela mão. — Vamos tomar banho.
O box era pequeno, o que só tornava tudo mais íntimo. A água quente caiu sobre os dois. Felipe pegou o sabonete e ensaboou as costas de Hélio devagar, descendo as mãos pelas omoplatas, pela curva da coluna, até a bunda ainda vermelha e sensível. Massageou as nádegas, enfiando um dedo ensaboado de leve só para ouvir Hélio gemer baixinho.
Hélio virou de frente, beijando Felipe sob a água corrente. Os paus semi-duros se roçavam enquanto as mãos exploravam sem pressa. Felipe lavou o cabelo loiro de Hélio, passando shampoo e massageando o couro cabeludo. Hélio fez o mesmo com Felipe, os dedos longos deslizando com carinho.
Ficaram um tempo apenas abraçados sob a água, rindo baixinho de nervoso e alívio, trocando beijos lentos e carinhosos. O vapor enchia o box. Quando saíram, enrolados em toalhas macias, caíram na cama limpa e dormiram abraçados, pernas entrelaçadas, o cheiro de sabonete misturado ao cheiro residual de sexo ainda pairando no ar.

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