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A nova realidade que mudou o mundo parte 151 - Falsa humanidade

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AnãoJediManco

Os dias seguintes à reconquista foram de uma calma falsa e sufocante.
O Conselho Militar, formado pelos oficiais que esmagaram a rebelião, divulgou as Novas Regras para a Ordem Eterna. Foi lido em praça pública, transmitido por alto-falantes e afixado em cartazes por toda a cidade. Nós, as duas mil sobreviventes, fomos obrigadas a ouvir ajoelhadas, nuas, enquanto um oficial lia com voz firme e orgulhosa.
Eu escutei cada palavra como facadas no peito.
Direitos das Escravas, válidos apenas para brancas e algumas mestiças claras:
- Toda escrava tem direito a uma refeição semanal sem sêmen, e pode ser pão, arroz ou restos de comida.
- Toda escrava tem direito a sete horas sem plug anal por semana, pode ser dividido em uma hora por dia ou sete horas seguidas.
- Toda escrava tem direito a dormir quatro horas por dia sem punição corporal.
- Toda escrava tem direito a um banho frio diário, suspenso caso a temperatura esteja abaixo de 2°C.
- Toda escrava tem direito a não receber mais de uma surra por parte do corpo por semana, devendo esperar os hematomas cicatrizarem.
- Toda escrava tem direito a ter a boca livre de mordaça por uma hora a cada dois dias.
E a parte mais cruel é a observação final do decreto: Todos os direitos acima não se aplicam a escravas negras e orientais, que continuam sob o regime anterior integral.
Também foram lidos os deveres das Escravas, obrigatórios para todas:
- Toda escrava deve ser solícita e imediata a qualquer pedido feito por um homem.
- Toda escrava deve permanecer completamente nua o tempo todo, sem jamais cobrir o corpo com as mãos ou braços.
- Toda escrava usada sexualmente deve limpar imediatamente o local, chão, móveis etc., com a boca ou mãos, para que não reste nenhum fluido.
- Toda escrava que receber porra na boca tem a obrigação de engolir tudo. Cuspir ou desperdiçar sêmen será punido com severidade.
- Toda escrava deve abaixar a cabeça e desviar o olhar sempre que um homem se aproximar.
- Toda escrava tem o dever de manter seu corpo sempre em condições de servir como objeto sexual, depilada, limpa, perfumada quando exigido.
Quando o oficial terminou de ler, um silêncio mortal caiu sobre o pátio.
Depois que o oficial terminou de ler as “Novas Regras”, eu me senti estranhamente vazia. Não houve alívio, não houve esperança. Apenas uma confirmação fria de que nada havia mudado de verdade.
Eu me virei para mamãe, que ainda estava ajoelhada ao meu lado, a barriga arredondada pressionada contra as coxas. Ela olhava para o chão, o rosto sem expressão. Você ouviu isso? perguntei baixinho, enquanto nos levantávamos para voltar ao galpão.
Ela assentiu devagar: Ouvi.
Ficamos em silêncio por um momento, caminhando de cabeça baixa, acorrentadas pelo pescoço junto com as outras. Só quando chegamos ao canto escuro onde dormíamos, ela finalmente falou, a voz baixa e amarga: Quase nada mudou, né?
Eu balancei a cabeça.
A única coisa real foi limitar a surra a uma vez por semana por parte do corpo… e dar uma refeição de verdade por semana. O resto é tudo igual. Continuamos nuas, continuamos sendo objetos, continuamos sem direitos de verdade. Só enfeitaram a jaula.
Mamãe tocou a própria barriga com a mão, um gesto automático que ela fazia cada vez mais: Eles só querem que a gente pare de morrer rápido demais. Não querem perder mercadoria. Uma refeição por semana para a gente não enfraquecer muito. Uma surra por semana para não estragar a pele de vez. É só administração de gado, Julie. Nada mais.
Eu me encostei nela, sentindo o calor da sua pele contra a minha: Eles nos deram migalhas para fingir que são civilizados agora. Mas ainda somos escravas. Ainda somos buracos com pernas. Ainda vamos parir, chupar, lamber e sofrer.”
Mamãe ficou em silêncio por um tempo. Depois, com a voz quase inaudível, disse: Eu preferia que tivessem nos matado junto com as outras. Pelo menos acabava.
Eu não respondi. Porque uma parte de mim concordava.
Ficamos ali, abraçadas no escuro do galpão, ouvindo o choro baixo de outras mulheres ao redor. A barriga dela pressionada contra mim, o plug anal latejando dentro de mim, as correntes frias nos tornozelos.
O novo mundo tinha voltado. Só que agora com um verniz de regras humanitárias. E eu sabia, no fundo, que isso tornava tudo ainda mais cruel. Porque agora eles podiam dizer que estavam sendo justos. Enquanto continuavam nos destruindo devagar.
Mamãe, ao meu lado, apertou minha mão com tanta força que doeu. Sua barriga já estava bem arredondada, e ela tremia. Eu sabia o que ela estava pensando: Nem esses direitos ínfimos vão valer para mim quando eu parir.
Eu me sentia vazia, depois de tudo, da revolta, da breve liberdade, da esperança louca, voltamos ao começo. Só que agora com regras mais organizadas, mais frias, mais institucionalizadas. Eles transformaram o sadismo em lei.
À noite, no galpão, eu encostei a cabeça no ombro da minha mãe e sussurrei: Eles nos deram migalhas… para fingir que não somos mais animais.
Mamãe acariciou meu cabelo, a voz cansada: Não, filha. Eles só estão marcando território. Querem que a gente saiba que até a miséria agora tem regras. E que nós nunca mais vamos sair do lugar que nos colocaram.
Eu fechei os olhos, sentindo o plug anal latejar dentro de mim, o peso nos tornozelos, a coleira no pescoço. E pela primeira vez em muito tempo, eu não senti raiva. Só uma tristeza profunda e resignada. Porque eu sabia que, a partir de agora, esse seria o novo normal. E que, por mais que doesse, por mais que fosse injusto… nós íamos sobreviver.
Porque era isso que mulheres como nós faziam. Sobreviviam, mesmo quando não queriam mais.

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