Meu companheiro de quarto Vitor - Parte 1
Pietro tinha feito 18 anos recentemente cabelo ondulado caindo nos olhos, rosto delicado, lábios carnudos, olhar inocente. Corpo magrinho definido, cintura fina, pernas lisas no short curto, clavícula à mostra.
Ele chegou na república em 3 de fevereiro, com duas malas grandes, uma mochila cheia de livros e uma caixa de coisas aleatórias. O prédio cheirava a mofo, era exatamente o que ele esperava de um lugar chamado Bloco C – Moradias Temporárias. Ele tinha mudado de curso e cidade na metade do ano, engenharia virou letras, interior de São Paulo virou a capital.
Na secretaria da moradia, a coordenadora, uma senhora de uns 50 anos de óculos vermelhos, olhou a lista e fez uma cara estranha.
— Pietro Lovatelli?
— Sou eu.
— Olha, a gente tentou te colocar com outras pessoas, mas ninguém topou.
Pietro sentiu um frio na barriga.
— Como assim, ninguém topou?
— Viram seu perfil no grupo da república e alguns preferiram esperar um quarto individual e outros nem responderam. — Ela deu de ombros, como se não fosse problema dela.
— Sobrou o 417. O Vítor tá sozinho lá desde o começo do semestre. Ele aceitou dividir!
Pietro não tinha outra opção, quando abriu a porta do 417, o cheiro chamou a atenção: sabonete de erva-doce, café fresco e um toque de desodorante masculino. O quarto era pequeno, duas camas de solteiro separadas por uma mesinha, duas escrivaninhas nas paredes opostas, um armário e uma janela para o estacionamento dos professores. Vítor estava sentado na cama da esquerda, de costas, com um fone enorme, jogando um jogo de luta. Ele nem se mexeu, só quando Pietro deixou a mala cair no chão é que ele tirou o fone.
Vitor era moreno, 1,89m, corpo definido de tanto pegar peso. A barriga é tão sarada que parecia montagem, tem um bigodinho estiloso e uns olhos que te analisam rapidinho. Peitoral gigante, braços fortes e um sorriso debochado e sacana.
— Chegou. — Não era pergunta, era só pra avisar.
— É... Pietro. — Ele estendeu a mão.
Vítor olhou a mão por um tempão, apertou rápido e voltou pro jogo. Pietro ficou ali parado, sem saber se era grosseria ou timidez. Acabou arrumando as coisas em silêncio, Vítor era super organizado: roupas dobradas certinhas, cabos presos com velcro, livros empilhados por tamanho. Na escrivaninha dele tinha um monitor gigante, um teclado com luzes vermelhas, um caderno preto e uma garrafa térmica preta.
Nos primeiros dias, foi um inferno. Vítor acordava às 6:40, fazia café quieto, estudava quieto, treinava quieto, dormia lá pela 1h. Pietro, que gostava da noite, chegava do laboratório de direção ou da sala de edição às 2h, 3h da manhã. Toda vez que ele abria a porta, Vítor virava na cama e puxava o cobertor até a cabeça. Não falava nada, Pietro começou a se sentir um intruso no próprio quarto.
Um dia, no final de março, Pietro chegou tarde, meio bêbado de caipirinha de festa de calouro. Ele tropeçou na cadeira do Vítor, derrubou sua garrafa e fez um barulhão, Vítor sentou na cama, cabelo bagunçado, olhos meio fechados.
— Sério, cara?
— Desculpa... — Pietro tentou rir. — Foi mal, tô tentando não vomitar aqui.
Vítor suspirou fundo, pegou uma garrafa d’água na geladeira e jogou pra ele.
— Bebe isso e toma um banho antes de deitar, você tá cheirando a limão estragado.
Pietro fez o que ele mandou. Quando voltou do banheiro, Vítor ainda estava acordado, mexendo no celular.
— Por que você aceitou dividir comigo? — Pietro perguntou de repente sem pensar
— Ninguém queria.
Vítor demorou pra responder.
— Porque eu não ligo pro que falam no grupo e porque eu já fui o cara que ninguém queria no quarto. No primeiro semestre. Então... sei como é.
Pietro ficou surpreso.
— Ah é?
— É — Vítor deu de ombros
— Depois eles se acostumaram comigo ou eu me acostumei com eles
Depois daquela noite, as coisas mudaram, mas aos poucos. Vítor começou a deixar um café pronto pra Pietro quando saía cedo. Pietro começou a abaixar o volume quando chegava tarde, Vítor viu que Pietro era bom em edição de vídeo e pediu pra ele editar um vídeo curto de um treino de jiu-jítsu. Pietro pediu pra Vítor ver um curta que ele tinha feito pra faculdade.
Os meses foram passando e eles foram se soltando. Vítor não era só um cara normal. Era um cara normal e quieto e o mais importante, não se importava com quem Pietro era. Um dia, um amigo de Pietro apareceu no quarto e deu um beijo rápido nele. Vítor só levantou a sobrancelha e continuou jogando, depois quando ficaram sozinhos, comentou:
— Ele parece legal. Por que vocês não estão juntos?
— Porque ele quer namorar e eu não sei se quero namorar agora.
Vítor concordou, como se fosse óbvio.
— Ah, tá.
No final do primeiro ano, o quarto 417 já não parecia pequeno, parecia que era deles. Vítor começou a assistir os filmes de Pietro. Pietro começou a ir nas lutas do Vítor, mesmo sem entender nada. Eles dividiam comida quando estavam estudando de madrugada, brigavam por causa do ar-condicionado, trocavam músicas, zoavam o gosto um do outro.
E uma noite, Pietro chegou do trabalho cansado, jogou a mochila no chão e falou:
— Cara... eu gosto de morar com você.
Vítor, que estava deitado lendo um livro de filosofia, levantou os olhos.
— Eu também.
Ficou um silêncio bom.
— Não vou pedir pra trocar de quarto nunca — Pietro completou.
Vítor fechou o livro devagar.
— Que bom, porque eu também não ia deixar.
Sábado à noite, a rua tava estranhamente calma pra depois da balada. Só dava pra ouvir um funk bem longe que ainda tocava em algum lugar, e as risadas baixinhas. Pietro tava meio ziguezagueando, agarrado no braço do Vítor pra não cair da calçada. Ele que se achava o mais sóbrio, também não tava muito reto, mas fazia de conta que eu era o bambo.
— Mano… juro que essa caipirinha de kiwi tinha mesmo vodca
Pietro falou, arrastando as palavras
— Era cachaça, burro, você pediu a mais forte, — Vítor riu e apertou o braço de Pietro
- E mandou três pra dentro em meia hora.
Eles pararam na frente do portão da republica, Vítor catou as chaves no bolso da calça, errou a fechadura duas vezes, xingou baixinho e abriu. Subiram as escadas do Bloco C bem devagar, como se fosse um esforço enorme.
No corredor do terceiro andar, encostaram na parede pra respirar.
— Tô muito tonto.
— Você tá lindo — Vítor respondeu sem pensar, ele travou por um segundo.
Entraram no 417 quase caindo um em cima do outro, a luz do abajur já tava acesa (ele sempre deixava, dizia que era pra não parecer casa mal-assombrada). Jogaram os tênis em qualquer canto, um deles acertou a cadeira do Vítor. Tirou a camisa e jogou no cesto de roupa suja, acertando de primeira, mesmo bêbado.
— Vai tomar banho, — Pietro falou sentando na cama
— Senão vai dormir com cheiro de suor e perfume barato.
— Cheira aqui - disse Vitor
Pietro piscou, tentando enxergar direito.
— Que foi?
— Minha mão, compara com a sua.
Pietro levantou a mão, palma com palma, era muito diferente. A mão dele era grande, com dedos grossos de tanto jiu-jítsu, uns calos nos dedos, a palma grossa.
A minha era fina, dedos delicados, unhas cuidadas, pele macia. Vítor fechou a mão dele na de Pietro, quase escondendo ela toda.
— Olha isso… parece mão de criança.
— Vai se ferrar — Pietro riu, tentando soltar, mas ele segurou firme, sem machucar.
— Sério, minha mão cobre a sua inteira — Ele abriu de novo, colocando os polegares lado a lado
— Olha o tamanho do meu mindinho perto do seu. É tipo… o dobro.
Pietro revirou os olhos, mas não tirou a mão.
— E daí? Nem todo mundo precisa ter mão de pedreiro.
Vítor ficou olhando as mãos juntas por um tempinho. O quarto ficou quieto, só dava pra ouvir o ventilador e a respiração.
— Sabe o que eu acho? — Vitor falou baixo, com a voz rouca por causa da bebida
— Você nasceu pra ser gay.
Pietro arqueou uma sobrancelha, surpreso, mas não bravo.
— Ah, é? Me explica.
— Não tô brincando. — Vítor sentou do meu lado, ainda segurando minha mão.
— Olha só pra você., todo delicado. A mão pequena, os dedos finos, o jeito que você mexe o pulso quando fala, o pescoço que parece que vai quebrar se eu apertar - Ele passou o dedo de leve no pulso de Pietro, quase sem querer.
— Até o jeito que você anda quando tá bêbado. Passinhos curtos, balançando a bunda sem querer. É tipo… você foi feito pra isso.
Pietro quieto por uns segundos. Soltou uma risada baixinha, meio sem graça.
— Tá me elogiando ou me zoando? Porque não sei se fico feliz ou te bato.
— Tô falando sério. — Vítor olhou nos olhos dele, e não tava debochando
— Eu gosto disso, de te ver assim, delicado, frágil. Me dá vontade de… sei lá, cuidar? Segurar? Não sei explicar.
Ele soltou a mão, mas não se afastou. Ficou ali, perto demais, joelho encostando no dele.
— Você tá muito bêbado, Vítor.
— Tô, mas não tô mentindo. — Ele deu um sorriso de lado.
— Se eu não fosse tão hétero, te pegava agora só pra ver se você some inteirinho nos meus braços.
Pietro riu alto, jogando a cabeça pra trás.
— Que cantada horrorosa.
— Não é cantada. — Vítor passou a mão grande minha nuca, bagunçando o cabelo de Pietro
— Olha, minha mão cobre sua nuca toda.
— Você é idiota.
— E você gosta.
Pietro ficou olhando pra ele, com os olhos brilhando por causa do álcool e de outra coisa que não queria dizer ainda.
— Talvez eu goste mesmo — falei quase sussurrando.
Vítor ficou sério de repente. A mão ainda na nuca, o dedo roçando atrás da orelha.
— Pietro…
— Não fala nada agora.
Pietro se jogou pra trás na cama, puxando Vítor junto.
— Deita aqui antes que a gente caia no chão.
Vítor deitou do lado, quase não cabendo na cama de solteiro. Jogou o braço por cima da cintura de Pietro, a mão aberta na barriga.
— Você cabe certinho aqui — ele falou quase dormindo.
— Cala a boca e dorme, seu hétero confuso.
Vítor riu uma última vez, rouco e baixinho.
— Tá bom, meu delicado.
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Comentários (2)
Semaj: Vai ter continuação?
Responder↴ • uid:1dn2x0q05kgwMenin: Amei, segue logo
Responder↴ • uid:1en1elj24he0