Muito mais que bons amigos - Parte 24 - FINAL
O trajeto de volta para casa pareceu durar uma eternidade. Eu dirigia com uma mão no volante e a outra tentando me acalmar, com o corpo ainda em brasa, o pau latejando e a cabeça cheia da voz rouca do Felipe ecoando no meu ouvido. Cheguei em casa empurrando a porta com pressa, querendo apenas tomar um banho gelado para ver se o sangue voltava para o lugar certo.
Mas assim que pisei na sala, o clima gelou de um jeito diferente.
A Gi estava recostada no sofá, com o notebook no colo. Ela não parecia cansada como nos outros dias; pelo contrário, tinha um sorriso largo nos lábios, aquele brilho de quem sabia de um segredo muito sujo e estava adorando cada segundo.
— Demorou, hein, amor? Reunião até essa hora na matriz com o Felipe? — ela perguntou, a voz mansa, mas com um tom de deboche que me fez gelar a espinha.
Tentei disfarçar, soltando as chaves em cima do aparador e afrouxando a gravata com dedos trêmulos.
— Ah, burocracia de fechamento, Gi. O Felipe quis passar os ponteiros finais sobre a auditoria... Você sabe como ele é chato com isso.
A Gi fechou o notebook vagarosamente, colocou o aparelho na mesinha de centro e me olhou fixamente, cruzando os braços sob a barriga discreta da gravidez. O sorriso dela aumentou ainda mais, revelando uma malícia que eu nunca tinha visto ali.
— É, eu imagino que o assunto tenha sido bem intenso... — ela falou, pegando o celular dela que estava virado para baixo no sofá e girando o aparelho na minha direção. — Sabe o que é curioso, Vitor? O Felipe acabou de me mandar uma mensagem direta.
Meu coração deu um salto e foi parar na garganta. Fiquei mudo, com os olhos cravados na tela do celular na mão dela.
— Ele foi bem educado e direto, preciso admitir — a Gi continuou, com a voz pingando puro deboche e um tesão estranho que me deixou sem ar. — Ele me mandou uma mensagem pedindo formalmente a minha autorização de esposa para poder te pegar de jeito. Disse que quer te foder todinho em cima da mesa dele, do jeito que você bem merece. E aí, amor? O que você responde para o seu presidente?
Eu travei na mesma hora. O sangue sumiu do meu rosto e desceu direto para o meu pau, que deu um pulo na calça social. Olhei para a Gi, com os olhos arregalados, sem saber se eu corria para o quarto ou se enterrava a cabeça no sofá de vergonha.
Como diabos o Felipe tinha o número da minha mulher? E como ele tinha coragem de mandar uma mensagem dessas, bem na cara dura?
— Você... você leu isso mesmo, Gi? — gaguejei, sentindo o suor frio escorrer pelas costas.
A Gi soltou uma risada gostosa, daquelas bem safadas, e se ajeitou no sofá, abrindo as pernas de leve enquanto passava a mão na própria coxa. Longe de estar com ciúmes ou brava, ela parecia mais animada do que nunca. O olho dela brilhava com uma malícia pesada.
— Li, meu amor. Li cada palavrinha — ela falou, levantando do sofá e vindo devagar na minha direção, rebolando com aquele jeitinho manhoso de grávida que me deixava louco. — E quer saber a verdade? Eu achei o máximo. O meu marido todo certinho, o homem forte do financeiro, virando motivo de disputa entre o chefão da empresa e... bom, você sabe que eu adoro uma putaria.
Ela parou bem na minha frente, colou o corpo dela no meu e passou os braços em volta do meu pescoço, encostando a boca bem no meu ouvido.
— O Felipe tem uma postura de chefe, mas eu sei que ele quer te ver de quatro, babando e pedindo mais — a Gi sussurrou, a voz dela pingando tesão puro, descendo a mão direto para o meu volume na calça e apertando com força. — E quer saber? Eu dou a permissão dele. Aliás... eu quero ver isso acontecer.
Meu coração disparou de um jeito que parecia que ia sair pela boca. A minha própria mulher estava ali, com a mão firme no meu pau duro, me dando carta branca para eu dar o meu cuzinho para o meu chefe.
— Gi... você tá falando sério? — perguntei com a voz rouca, puxando ela colada em mim pela cintura.
— Totalmente sério, amor — ela sorriu, mordendo o meu lábio inferior com força. — Mas se o Felipe vai te comer na mesa dele, eu quero uma amostra grátis agora. Tira essa roupa e me fode aqui na sala, imaginando que é ele que tá abrindo as tuas pernas.
Não resisti mais um segundo. Joguei a Gi para trás, caí em cima dela no sofá e a gente se engoliu num beijo cheio de saliva e desespero, com o mundo desabando lá fora e a nossa vida virando uma grande e deliciosa bagunça.
Eu joguei a Gi de costas no estofado macio do sofá, cobrindo o corpo dela com o meu peso. O estômago levemente saliente da gravidez estava ali, lindo e visível sob a blusa fina que ela usava, o que deixava o momento ainda mais proibido e excitante.
— Rápido, Vitor... rasga essa roupa, eu quero sentir você — ela gemia contra o meu pescoço, puxando a minha camisa para cima com as unhas cravadas nas minhas costas, exigindo pressa.
A minha mão desceu rasgando os botões da blusa dela, abrindo o tecido com urgência para expor os seios cheios e pesados por causa da gestação. Os bicos dos seios dela estavam durinhos, implorando por atenção. Abaixei a cabeça e abocanhei um deles com força, sugando a pele sensível enquanto a Gi jogava a cabeça para trás, soltando um gemido abafado que ecoou pela sala vazia.
— Isso... chupa, amor... ai, delícia... — ela pedia, rebolando o quadril contra o meu corpo, desesperada para diminuir a distância entre a gente.
Com a outra mão, empurrei a calcinha dela para o lado, encontrando o caminho completamente encharcado e quente. A pele dela estava febril, suada de tesão. Afastei as coxas dela, encaixando o meu quadril bem no meio, e comecei a esfregar o meu pau duro e latejante direto contra a entrada dela, fazendo a Gi arquear as costas num espasmo gostoso de puro prazer.
— Você tá molhada pra caralho, Gi... — sussurrei no ouvido dela, com a voz falhando de tanto desejo.
Segurei firme na cintura dela, alinhei o meu corpo e dei uma estocada funda, entrando de uma vez só, rasgando o caminho até o fundo. A sensação foi tão apertada e quente que eu soltei um gemido alto, fechando os olhos com força.
A Gi soltou um grito abafado, unindo as pernas ao redor da minha cintura para me puxar ainda mais para dentro dela. O ritmo começou lento, mas logo virou uma pancada só. Eu ia e vinha com força, segurando nos braços do sofá para não perder o embalo, enquanto o corpo da minha grávida balançava debaixo de mim a cada investida pesada.
O som dos nossos corpos colando, pele com pele, misturado com os gemidos altos dela e a respiração picotada, tomou conta da sala inteira. A barriga dela subia e descia colada à minha virilha, num ritmo compassado e selvagem.
— Mais fundo, Vítor! Isso, bate gostoso... — ela gemia sem parar, puxando o meu cabelo e mordendo o meu ombro, inteira arrepiada, com as pernas tremendo de tesão.
Eu já não aguentava mais segurar. A sensação de estar comendo a minha mulher na sala, sabendo o que o Felipe tinha acabado de propor, acendeu um fogo absurdo na minha cabeça. Dei mais quatro estocadas fundas, rápidas e desesperadas, sentindo o meu corpo inteiro contrair.
Gozei quente, jorrando tudo bem no fundo dela, enquanto a Gi soltava um longo e gostoso suspiro, apertando os olhos e desmanchando embaixo de mim num orgasmo forte que fez ela tremer inteira. Ficamos ali por longos minutos, colados, respirando fundo e rindo baixinho no meio do suor.
O sol nem tinha acabado de esquentar a janela do quarto quando o meu celular vibrou em cima do criado-mudo. Olhei o visor ainda grogue de sono: era a foto do Vinicius. Atendi na hora, imaginando que fosse algum papo sobre a vistoria da obra ou a carona para a matriz. Mas a voz dele do outro lado da linha estava fria, cortante e pesada de um jeito que eu nunca tinha ouvido antes.
— Vitor. Vamos parar por aqui. Acabou — o Vinicius soltou seco, sem me dar espaço nem para respirar.
Eu sabia exatamente do que ele estava falando. Não precisava de voltas, e a nossa amizade de anos não abrandava o golpe. Ele e eu sempre fomos melhores amigos, e aqueles momentos escondidos que a gente dividia de vez em quando nunca deveriam ter virado uma bagunça desse tamanho. Mas a Gi não perdeu tempo. Ela contou tudo para ele sobre a mensagem do Felipe e a proposta de me pegar na mesa da presidência.
Para o Vinicius, aquilo não era apenas uma traição ou uma putaria tolerada; era uma quebra de código absurda. O melhor amigo dele aceitar de boa a ideia de dar o cuzinho para o chefe da empresa — o mesmo cara que mandava em tudo — cruzou a linha da desrespeitrabilidade que ele não tava disposto a engolir.
— Cara, deixa eu te explicar, o Felipe só... — tentei articular, sentindo a garganta apertar.
— Não me vem com justificativa, Vitor — o Vinicius cortou ríspido, a voz trêmula de raiva contida. — Você aceitar que aquele cara te trate como putinha... Acabou. Fica com o seu chefe, fica com a sua vida, mas comigo você não se envolve nunca mais. Esquece que a gente se pegava.
Antes que eu pudesse gaguejar qualquer outra palavra, o som da chamada encerrada ecoou no meu ouvido. Fiquei olhando para a tela preta do celular, com o peito apertado, sabendo que a minha vida perfeita de fachada tinha desmoronado de vez e que o preço daquela liberdade toda estava começando a chegar.
O trajeto até a matriz parecia mais pesado do que nunca. A ligação do Vinicius ainda ecoava na minha cabeça, misturando a culpa de ter perdido meu melhor amigo com a ansiedade absurda que não me deixava em paz desde a noite anterior.
Assim que passei pela catraca e cruzei o saguão do andar financeiro, tentei focar nas planilhas, fingir que nada estava acontecendo. Mas durou pouco. Nem dez minutos depois que me sentei à mesa, o ramal da minha sala tocou. Era a voz direta, calma e grave do Felipe:
— Vitor. Sobe na minha sala agora.
Meu coração deu um salto e o pau endureceu instantaneamente dentro da calça social. Levantei rápido, ajeitei a gola da camisa e subi para o andar da presidência com as pernas meio bambas. O corredor estava completamente vazio, todos estavam em um treinamento de incêndio.
Bati duas vezes na porta de vidro fumê e, antes de ouvir resposta, girei a maçaneta e entrei.
O Felipe estava em pé perto da janela panorâmica, tirando o paletó e jogando em cima da poltrona. Ele se virou lentamente, me avaliando com aquele olhar de predador que parecia ver através das minhas roupas. Ele trancou a porta da sala com um clique seco que ecoou no ambiente.
— Vejo que você pensou bastante na minha proposta, Vitor... — o Felipe falou com um sorriso de canto, andando devagar na minha direção até parar bem perto de mim, sentindo o cheiro do meu perfume misturado com o meu nervosismo. — Ou foi a sua esposa que te convenceu a vir correndo para cá?
— A Gi me contou da sua mensagem, Felipe... — falei com a voz meio rouca, engolindo em seco enquanto ele encostava o corpo no meu.
O Felipe soltou uma risada baixa, encostando os lábios no meu ouvido:
— Ótimo. Então você já sabe exatamente o que eu quero de você.
Sem me dar tempo de responder, ele me empurrou levemente para trás até a minha cintura bater na borda da mesa de mogno pesada. O Felipe me beijou com força, uma mão segurando firmemente a minha nuca e a outra descendo sem pressa para apertar a minha bunda por cima do tecido da calça.
— Tira essa calça, Vitor — ele ordenou, com a voz grave e autoritária que derretia qualquer resistência que eu ainda tentasse fingir. — Você vai ficar de quatro bem aqui, do jeito que me prometeu ontem.
O toque firme do Felipe na minha cintura e a ordem direta para eu tirar a calça paralisaram o meu corpo por um segundo. Mas, em vez do tesão cego que vinha me dominando nos últimos dias, o que subiu pela minha garganta foi um gosto amargo de culpa.
A imagem da tela do celular com o contato do Vinicius, o tom seco da voz dele dizendo que tinha acabado e a certeza de que eu tinha jogado anos de uma amizade verdadeira no lixo desabaram de uma vez só na minha cabeça.
— Espera, Felipe... Para um pouco — gaguejei, segurando os pulsos dele antes que sua mão descesse para o cinto.
O Felipe parou na mesma hora. Ele recuou meio passo, franzindo a testa com uma mistura de surpresa e irritação, os olhos escuros cravados nos meus.
— O que foi agora, Vitor? Perdeu a coragem de repente? — ele perguntou, com a voz grave, cruzando os braços.
Balancei a cabeça, puxando o ar com dificuldade, sentindo os meus olhos arderem levemente. Ajeitei a gola da camisa e me afastei da mesa, respirando fundo para tentar colocar os pensamentos no lugar.
— Não é coragem... É o Vinicius. Ele me ligou hoje de manhã. Cortou relações de vez — falei, a voz saindo baixa e pesada. — A gente era melhor amigo, e eu deixei tudo virar essa bagunça. A Gi contou da mensagem, ele se sentiu desrespeitado e disse que acabou. Minha cabeça tá pesada pra caralho, Felipe. Não consigo transar assim, parece que eu tô pisando em cima de algo que importava muito.
O silêncio tomou conta da sala da presidência. O Felipe me olhou por alguns segundos em completo julgamento, avaliando cada palavra. Depois, ele suspirou, pegou o paletó que tinha jogado na poltrona e o vestiu novamente com calma, perdendo um pouco daquela postura de predador que mantinha segundos antes.
Ele se aproximou, deu dois tapinhas firmes no meu ombro e falou num tom surpreendentemente sensato:
— Olha, Vitor, eu não costumo dar conselho sentimental para funcionário nenhum, muito menos para quem decide brincar com fogo desse jeito. Mas vou te falar uma coisa de homem para homem.
Fiquei olhando para ele, esperando o corte.
— Se esse cara era tão importante assim para você, e se o que vocês tinham ia muito além de uma simples transa escondida, você tá fudendo tudo tentando fingir que não liga — o Felipe continuou, com um olhar sério. — O Vinicius não tá só bravo com a putaria ou com a mensagem que eu mandei. Ele tá com raiva porque você escondeu o que sente de verdade e deixou a situação chegar a esse ponto. Quer um conselho de quem já perdeu muita coisa na vida por orgulho?
O Felipe fez uma pausa curta, ajeitou a gravata e concluiu:
— Para de fugir do inevitável. Desce daí, pega o teu carro, vai atrás do Vinicius e se declara de vez para ele. Fala tudo o que tá entalado nessa tua garganta. Se ele vai aceitar ou mandar você plantar batatas, é outra história. Mas pelo menos você vai ter culhões para encarar a verdade, em vez de ficar se escondendo aqui na minha sala.
As palavras do Felipe caíram como um balde de água fria, mas de um jeito estranhamente necessário. Ele abriu a porta da sala, me dando o espaço que eu precisava.
Saí da presidência em silêncio, com o coração apertado, mas sabendo que eu precisava resolver aquilo antes que fosse tarde demais.
Não pensei duas vezes. Larguei a pasta em cima da mesa, passei correndo pela recepção do andar financeiro sem dar satisfação a ninguém e peguei o elevador em disparada. O meu coração batia tão forte contra as costelas que parecia querer escapar pela boca.
O sol nem tinha acabado de esquentar a calçada da filial quando encostuei a picape perto do canteiro de obras. Desci do carro apressado e vi a silhueta do Vinicius parada perto da mureta de concreto dos fundos do estacionamento, de braços cruzados, olhando fixamente para o horizonte cinzento de São Paulo enquanto esperava o restante da equipe chegar para a vistoria.
Assim que me viu descer do carro e bater a porta com força, o cenho dele fechou na mesma hora. A expressão endureceu de um jeito que cortou o meu fôlego, e ele fez menção de se virar para entrar no prédio.
— Ei! Espera, Vinicius! Por favor, não foge de mim agora! — gritei, correndo na direção dele e bloqueando a passagem com o meu corpo.
Ele parou, cruzou os braços com ainda mais força e me encarou com uma frieza que doía mais do que qualquer soco.
— O que você tá fazendo aqui, Vitor? Não tem uma mesa de presidência para limpar ou um chefe para obedecer? Volta para a sua vidinha perfeita e me deixa em paz — ele disparou, a voz trêmula de uma raiva contida que escondia um abismo de mágoa.
— Chega! Para com isso, Vini! — desabafei, sentindo os olhos arderem e a voz falhar. Dei um passo à frente, invadindo o espaço dele, sem me importar quem pudesse estar olhando lá de dentro. — Eu não vim aqui falar de trabalho, nem de Felipe, nem de porra de cargo nenhum!
O Vinicius recuou um pouco, surpresa cruzando o seu olhar pela primeira vez, embora ele tentasse manter a pose de durão.
— Ah, não? Vai me dizer o quê? Que foi tudo um mal-entendido? Que a mensagem do teu chefe tarado foi brincadeira? — ele ironizou, desviando o rosto.
— Não foi mal-entendido nenhum! Eu fui um covarde, caralho! — soltei de uma vez, deixando tudo o que estava preso na minha garganta transbordar na calçada fria. — Sabe por que eu travei na sala do Felipe hoje? Sabe por que eu não consegui transar com ele? Porque enquanto ele tirava a minha roupa, a única coisa que passava na minha cabeça era a tua voz no telefone dizendo que tinha acabado.
O Vinicius congelou. O peito dele subia e descia devagar, e o olhar duro começou a vacilar, encontrando o meu com uma intensidade que eu não via há dias.
— Vitor... o que você tá dizendo? — ele murmurou, num tom bem mais baixo, perdendo a marra de segundos antes.
Aproximei-me ainda mais, segurando de leve na gola da jaqueta dele, sem medo de me expor pela primeira vez na vida.
— Tô dizendo que eu tô cansado de mentir, Vini. Cansado de fingir que o que a gente tem é só uma transa casual de escritório, ou que você é só meu "melhor amigo". Eu te amo, porra. De verdade — despejei tudo, com a voz embargada e o coração descompassado. — Ver você me tirando da sua vida, me olhando com esse ódio, doeu mais do que qualquer armação de trinta milhões ou qualquer ameaça de cadeia. Eu não quero o Felipe...eu quero você. Se você quiser que eu mande todo mundo à merda, eu mandarei agora mesmo. Mas não me olha assim, por favor.
O silêncio desabou entre a gente, cortado apenas pelo barulho distante dos carros na avenida. O Vinicius ficou estático, me olhando fixamente, com os olhos marejados de lágrimas que ele lutava para não deixar cair. O maxilar dele travou, a respiração pesada, e por um longo segundo eu achei que ele ia me mandar ir embora para sempre.
Até que ele fechou os olhos por um instante, soltou um suspiro longo que parecia carregar o peso do mundo e, antes que eu pudesse recuar, deu um passo rápido, segurou firme na minha nuca e colou os lábios nos meus num beijo urgente, cheio de saudade, desespero e um amor que nenhum de nós dois conseguia mais esconder.
O beijo na calçada da filial não foi apenas uma trégua; foi o ponto final em todas as mentiras que a gente vinha carregando. Quando o Vinicius finalmente afrouxou os braços e encostou a testa na minha, a respiração dele ainda estava trêmula, mas a raiva tinha sumido por completo.
— Você é um idiota completo, Vitor — ele murmurou, com um meio sorriso cansado nos lábios, limpando uma lágrima discreta que tinha escapado. — Mas eu passei a noite inteira querendo te mandar à merda e só conseguindo pensar na sua cara.
A gente conversou ali por longos minutos, acertando os ponteiros, limpando o terreno do que restava de orgulho ferido. O Vinicius entendeu que a proposta do Felipe tinha sido o empurrão que faltava para eu perceber o tamanho do buraco onde a gente estava se enfiando. Não dava mais para fingir que éramos apenas amigos que transavam escondido, nem dava para aceitar que o cerco corporativo continuasse ditando as regras dos nossos sentimentos.
Mas a reviravolta maior aconteceu antes mesmo de eu conseguir voltar para a matriz.
Enquanto eu ainda estava no carro com o celular vibrando no painel, recebi uma mensagem coletiva no grupo de WhatsApp que a gente dividia, e outra direta da própria Emilly. O Felipe tinha cumprido a promessa de se mandar da holding mais cedo do que todo mundo esperava. Naquela mesma tarde, ele protocolou a demissão irrevogável da presidência, esvaziou a sala de mogno e sumiu da empresa para nunca mais voltar, deixando para trás apenas a lembrança do poder que ele exercia sobre nós.
Com a saída do Felipe, o castelo de cartas corporativo ruiu de vez, abrindo espaço para uma dinâmica muito mais perigosa, intensa e real dentro da minha casa.
Naquela mesma noite, reunimos todo mundo na nossa casa. A sala estava com a luz baixa, o clima denso, carregado de expectativa. A Gi estava sentada no meio do sofá, com a mão apoiada na barriga, exibindo aquele sorriso calmo e dono de si. A Emilly estava em pé perto da janela, com os braços cruzados, olhando fixamente para mim e para o Vinicius assim que a gente entrou juntos pela porta da frente.
Ninguém precisou gritar ou cobrar satisfações. O Vinicius andou até a esposa, segurou a mão dela com firmeza e falou tudo o que a gente tinha decidido no carro.
— A gente precisa parar de fingir que dá para viver de metades — o Vinicius disse, olhando nos olhos da Emilly e depois na direção da Gi. — O Vitor me abriu o coração hoje. E se a gente quiser que isso funcione de verdade, vai ter que ser sem muros, sem segredos e sem hipocrisia.
A Emilly soltou um suspiro profundo, olhou para mim, depois para a Gi, e um sorriso lento e safado cresceu no rosto dela.
— Demorou para vocês caírem na real — a Emilly respondeu, caminhando até o centro da sala e tirando o blazer devagar. — Eu já sabia que essa dinâmica de casados escondidos não ia durar para sempre. Se é para todo mundo saber de tudo, então que seja do nosso jeito.
A Gi levantou do sofá, ajeitou a blusa e caminhou até ficar bem no meio da roda, unindo os nossos destinos de vez.
— O Felipe foi embora e levou o caos corporativo com ele — a Gi falou, com a voz mansa, mas carregada de uma autoridade sensual que hipnotizava. — Mas aqui dentro, quem dita as regras somos nós quatro. Vitor é meu marido, Vinicius é marido da Emilly. E a partir de hoje, ninguém aqui é de ninguém sozinho. Nós somos um só. Um quadrisal de verdade.
O silêncio que se seguiu durou apenas o espaço de um suspiro. A tensão acumulada por semanas de brigas, ciúmes e segredos explodiu numa onda de alívio e pura combustão.
A Emilly foi a primeira a avançar, puxando o Vinicius para um beijo faminto enquanto desabotoava a camisa dele. A Gi se aproximou de mim, segurou a gola da minha roupa e me empurrou levemente em direção ao grande tapete da sala, com os olhos brilhando de pura malícia.
— Acabou a brincadeira, amor — a Gi sussurrou no meu pé do ouvido, já puxando o meu cinto enquanto o Vinicius e a Emilly se juntavam a nós no chão. — Agora a nossa casa é de todos nós. Me mostra o quanto você quer provar que ama todo mundo aqui.
A noite avançou entre risos abafados, gemidos que ecoavam por todos os cantos da casa e um toque misturado de corpos que não escondia mais nada. Ali, nus e entregues uns aos outros, sem o peso da empresa, sem a sombra do Felipe e sem as amarras do passado, a gente finalmente encontrou a nossa paz na mais absoluta desordem.
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Comentários (12)
Safadin: Caralho, que final fofo! Gosto de como no começo não teve aquele negócio de um acabar gostando da esposa do outro e acabar se abaixando por ela, sempre foram os quatros! Que lindo. Arrasou nesse conto. Sei que pretende iniciar outra saga, espero que tenha pelo menos homens gostosos se pegando tsrs, e que não seja nesse verso, vai que Felipe aparece de novo. Enfim, amando te acompanhar.
Responder↴ • uid:4a20ataahrcLopedrinhofm: Irei começar em outro universo sim, pode me dar dicas, senti que nesse eu perdi a noção
• uid:1co4qttxmglsSafadin: Não senti que vc perdeu a noção, mas acho que vc poderia ter desenvolvido melhor a questão emocinal deles, obs: amei os dramas envolvendo a empresa rsrs. Mas acho que no próximo seria interessante ter menos gente, acho que ficaria melhor pra vc escrever. E por favor não ligue pra opinião desses chatos que ñ tem metade da sua criatividade. Não gosto de ficar dando palpite nas histórias do outro, amo quando a mente do escritor é livre pra botar suas fantasias pra fora, mesmo que talvez o resultado nao agrade a gente. No fim o que importa é se divertir com os personagem. Obs: Por favor, traga personagem bem gostosos e fogosos, talvez quem sabe um homem mais velho gostoso kkkkk. Enfim, bjss.
• uid:4a20ataahrcPA22: Já comentei, mas como foi textão, vai demorar a aprovar. Espero que não leve para o coração, falei o que achei com sinceridade!
Responder↴ • uid:aych8rqLopedrinhofm: Assim que carregar vou ler com o coração aberto, vejo você sempre aqui, e sua opinião é muito importante para eu melhorar.
• uid:1co4qttxmglsPA22: um Resumo é que gostei do conto como sempre, vc tem uma escrita foda demais, só não gostei de alguns detalhes, alguns por questão pessoal mesmo!
• uid:aych8rqPA22: O conto como sempre muito bem escrito, mas confesso que não gostei da participação do Felipe sexualmente no conto, principalmente atrapalhando as relações e passando por cima dos personagens, também não gostei do final por dois motivos, pq o Vitor traiu o Vinicius diversas vezes e não só com sexo, mas falta de confiança e a cima de tudo traiu a amizade deles quando esconde a traição da Emilly, isso só para garantir que a putaria dois casais não acabasse, tbm não traiu com o Felipe só pq foi desmascarado. O outro motivo, algo que já tinha citado em outros capítulos, tanto Vinicius quanto o Vitor nunca demonstraram sentimento pelo outro nos capítulos anteriores, os sentimentos foram jogados de uma única vez nos últimos parágrafos desse capítulo, mesmo que nunca tivessem se declarado ou tivessem medo de reconhecer para eles mesmo, os capítulos não demonstraram nada disso, no conto dos cunhados a gente conseguiu ver esses sentimentos, msm antes de assumirem!
Responder↴ • uid:aych8rqHulla: Foi um bom final, estou acompanhando o conto da Sabrina, está interessante. Recomendo dar um tempo de escrever
Responder↴ • uid:1eq3reu5oqmtLopedrinhofm: Mermão, vá se foder.
• uid:1co4qttxmglsLopedrinhofm: Larys, Furious? Saudades de vocês
Responder↴ • uid:1eq3reu5oqmtLarys: Que fofo 🩷 Parei no 13 kkkkkk vc meteu muito conto um atrás do outro acho que no final de semana eu consigo me atualizar. Vai iniciar outra saga?
• uid:1e3u9oo226ylLopedrinhofm: Vou, mas quero a ajuda de vocês, sobre o que desejam ler? Como serão os novos personagens?
• uid:1co4qttxmgls