Um pouco sado
Apenas uma introdução de uma história envolvendo sadismo
Chovia em São Paulo como se o céu quisesse lavar a cidade inteira. Davi chegou encharcado, o cabelo colado na testa, a camisa de linho grudada no peito. Hélio abriu a porta e não disse nada. Apenas o olhou de cima a baixo, demorado, como se estivesse conferindo uma encomenda.
— Você está pingando no meu corredor — disse, por fim.
— Desculpa.
— Não pedi desculpas. Pedi que entrasse.
O apartamento cheirava a café velho e a madeira úmida. Era um galpão reformado no Bom Retiro, pé-direito alto, tijolo aparente, uma parede inteira de janelas batidas pela chuva. Hélio tinha quarenta e cinco anos e a paciência de quem já viu muito. Davi tinha vinte e sete e a pressa de quem ainda acha que precisa provar alguma coisa.
Já tinham se visto três vezes. Nas três, Hélio o levou ao limite e parou antes. Davi saiu de lá com as pernas bambas e a sensação humilhante de que faltava algo — um degrau que ele não conseguia subir sozinho.
Naquela noite, Hélio apontou para o meio da sala.
— Tira a roupa. Toda. E ajoelha ali.
Davi obedeceu. O linho caiu no chão com um baque molhado. Ele se ajoelhou no assoalho frio, mãos sobre as coxas, olhos baixos. Hélio andou em volta, devagar, e a chuva tamborilava nas vidraças como um público distante.
— Você tremeu a semana toda no telefone — disse Hélio. — Medo?
— Um pouco.
— Bom. O medo é honesto. Vou te perguntar uma coisa e quero a verdade, não o que você acha que eu quero ouvir. O que você quer que eu faça?
Davi engoliu.
— Quero que você decida. Quero não ter escolha.
Hélio se agachou ao lado dele, e a voz veio baixa, quase carinhosa.
— Então preste atenção. Verde é *vai*. Amarelo é *devagar*. Vermelho é *para*. Se você não usar nenhuma das três, eu continuo. Se você mentir pra mim pra bancar o macho, eu descubro. Entendeu?
— Entendi.
— Diga.
— Verde.
**II.**
A corda de cânhamo era áspera e cheirava a breu. Hélio a passou pelos pulsos de Davi com a calma de quem amarra carga em caminhão — laço duplo, tensão medida, dois dedos de folga para não estrangular. Depois, os braços para cima, presos a um gancho no teto, o corpo esticado como um arco.
Davi sentiu os ombros queimarem em trinta segundos. Em um minuto, já respirava pela boca.
Hélio não tinha pressa. Passou a mão pelo peito do rapaz, pelos mamilos, pela barriga, e parou ali onde o corpo começava a tremer de verdade. Encaixou a boca no pescoço dele e mordeu — não de leve, daquele jeito que deixa marca e promete mais.
— Ai — escapou de Davi.
— Já? — Hélio riu contra a pele. — Estamos só começando.
Ele pegou o cinto. Dobrou ao meio, e o estalo que veio depois foi mais assustador que a dor. Davi levou a primeira na parte de trás das coxas e o som encheu o galpão. A segunda veio no mesmo lugar, em cima da vermelhidão. A terceira no meio das costas.
Davi puxou o ar entre os dentes. A dor subia em ondas, quente, e depois de cada golpe vinha aquele silêncio elétrico em que o corpo inteiro parecia acordar. Ele sentiu o próprio pau endurecer sem que ninguém tivesse tocado nele. Era isso que o deixava desnorteado. Era isso que o fazia voltar.
Hélio percebeu. É claro que percebeu.
— Olha só — disse, e passou dois dedos por baixo do membro de Davi, lentos, só para confirmar. — Você gosta de apanhar. Devia ter vergonha.
— Tenho.
— Não devia. É a coisa mais bonita que você tem.
Ele parou com o cinto e voltou a morder — ombro, costela, a curva do quadril. Chupou o mamilo de Davi até ele gemer alto, e depois prendeu ali um prendedor de metal frio. O aperto veio em dois tempos: o susto, e depois a onda. Davi cerrou os olhos e a chuva virou um zumbido distante.
Quando Hélio falou de novo, foi com a boca colada na orelha dele:
— Vou te soltar agora. E você vai fazer o que eu mandar. Se errar, volta pra corda.
**III.**
Hélio o levou para o quarto, uma mão aberta entre as omoplatas, empurrando. A cama era baixa, o lençol de algodão cru. Davi foi deitado de bruços, e o peso do corpo de Hélio caiu sobre ele, o cinto ainda na mão, o jeans áspero contra a pele castigada.
Ele sentiu quando Hélio se posicionou. Sentiu o gel frio, os dedos entrando devagar, o rosto afundado no lençol. E então a pressão — o corpo dele se abrindo com aquela queimadura lenta que não é dor nem prazer, é o limiar exato entre as duas coisas, o lugar onde Davi sempre se perde.
— Respira — ordenou Hélio, e Davi respirou, e o resto entrou.
Ele começou devagar e depois foi fundo, com a mão enroscada no cabelo de Davi, puxando a cabeça para trás, e a cada estocada a boca vinha junto — mordia a nuca, a orelha, o ombro. O prendedor balançava a cada movimento e o atrito dele contra o lençol arrancava de Davi um gemido fino, quase um choro.
— Fala pra mim — disse Hélio, sem parar. — Fala o que você é.
— Seu.
— Mais alto.
— Seu. — A voz saiu quebrada. — Seu, seu, seu.
Hélio riu e mordeu o ombro dele com força, e Davi sentiu os dentes marcarem e soube que ia ficar roxo, e isso foi o que o empurrou para o limite. Ele tentou avisar, mas só saiu um som sem forma. Hélio entendeu do mesmo jeito, deslizou a mão por baixo e apertou.
— Vai — disse. — Vai, coração. Agora.
Davi gozou com o rosto enterrado no colchão e um gemido que a parede de tijolo devolveu. Hélio aguentou mais três estocadas e parou fundo, travado, os dedos cravados no quadril do rapaz, e Davi sentiu o corpo dele tremer inteiro por cima do seu.
**IV.**
Depois, o silêncio. A chuva tinha diminuído. Hélio se retirou devagar, tirou o prendedor com um cuidado que doeu mais que a colocação, e desfez os nós dos pulsos com os dedos ainda trêmulos. Passou a mão pelo cabelo de Davi, repetidas vezes, sem dizer nada.
Davi virou de lado. Os pulsos tinham as marcas do cânhamo, as coxas tinham as do cinto. Ele olhou para o próprio corpo como quem confere um documento.
— Fica vermelho fácil — comentou Hélio, deitando ao lado.
— Fica.
— É bonito.
Davi riu baixo, sem forças para discutir. Hélio o puxou para o peito e o cobriu com o lençol, e por um instante ficou-se assim, dois corpos mornos num galpão escuro, enquanto a cidade lá fora continuava a existir sem eles.
— Semana que vem? — perguntou Davi, já meio dormindo.
Hélio apagou a luz.
— Semana que vem eu te amarro no chão. Dorme agora.
E Davi dormiu, com as marcas ardendo e a certeza confortável de que ainda ia ter muito degrau para subir.
[05/11/2026, 16:07:01] Você:
Tire a separará cão de partes 1 11 e III e faça um fluxo contínuo
[05/11/2026, 16:07:02] Assistente:
The user wants the section separators (I, II, III, IV) removed and a continuous flow. So rewrite the story without the roman numeral headers, continuous prose. Keep it the same but flowing. Let me do it smoothly with transitions.
# O Pacto do Cordeiro
Chovia em São Paulo como se o céu quisesse lavar a cidade inteira. Davi chegou encharcado, o cabelo colado na testa, a camisa de linho grudada no peito. Hélio abriu a porta e não disse nada. Apenas o olhou de cima a baixo, demorado, como se estivesse conferindo uma encomenda.
— Você está pingando no meu corredor — disse, por fim.
— Desculpa.
— Não pedi desculpas. Pedi que entrasse.
O apartamento cheirava a café velho e a madeira úmida. Era um galpão reformado no Bom Retiro, pé-direito alto, tijolo aparente, uma parede inteira de janelas batidas pela chuva. Hélio tinha quarenta e cinco anos e a paciência de quem já viu muito. Davi tinha vinte e sete e a pressa de quem ainda acha que precisa provar alguma coisa.
Já tinham se visto três vezes. Nas três, Hélio o levou ao limite e parou antes. Davi saiu de lá com as pernas bambas e a sensação humilhante de que faltava algo — um degrau que ele não conseguia subir sozinho.
Naquela noite, Hélio apontou para o meio da sala.
— Tira a roupa. Toda. E ajoelha ali.
Davi obedeceu. O linho caiu no chão com um baque molhado. Ele se ajoelhou no assoalho frio, mãos sobre as coxas, olhos baixos. Hélio andou em volta, devagar, e a chuva tamborilava nas vidraças como um público distante.
— Você tremeu a semana toda no telefone — disse Hélio. — Medo?
— Um pouco.
— Bom. O medo é honesto. Vou te perguntar uma coisa e quero a verdade, não o que você acha que eu quero ouvir. O que você quer que eu faça?
Davi engoliu.
— Quero que você decida. Quero não ter escolha.
Hélio se agachou ao lado dele, e a voz veio baixa, quase carinhosa.
— Então preste atenção. Verde é *vai*. Amarelo é *devagar*. Vermelho é *para*. Se você não usar nenhuma das três, eu continuo. Se você mentir pra mim pra bancar o macho, eu descubro. Entendeu?
— Entendi.
— Diga.
— Verde.
A corda de cânhamo era áspera e cheirava a breu. Hélio a passou pelos pulsos de Davi com a calma de quem amarra carga em caminhão — laço duplo, tensão medida, dois dedos de folga para não estrangular. Depois, os braços para cima, presos a um gancho no teto, o corpo esticado como um arco.
Davi sentiu os ombros queimarem em trinta segundos. Em um minuto, já respirava pela boca.
Hélio não tinha pressa. Passou a mão pelo peito do rapaz, pelos mamilos, pela barriga, e parou ali onde o corpo começava a tremer de verdade. Encaixou a boca no pescoço dele e mordeu — não de leve, daquele jeito que deixa marca e promete mais.
— Ai — escapou de Davi.
— Já? — Hélio riu contra a pele. — Estamos só começando.
Ele pegou o cinto. Dobrou ao meio, e o estalo que veio depois foi mais assustador que a dor. Davi levou a primeira na parte de trás das coxas e o som encheu o galpão. A segunda veio no mesmo lugar, em cima da vermelhidão. A terceira no meio das costas.
Davi puxou o ar entre os dentes. A dor subia em ondas, quente, e depois de cada golpe vinha aquele silêncio elétrico em que o corpo inteiro parecia acordar. Ele sentiu o próprio pau endurecer sem que ninguém tivesse tocado nele. Era isso que o deixava desnorteado. Era isso que o fazia voltar.
Hélio percebeu. É claro que percebeu.
— Olha só — disse, e passou dois dedos por baixo do membro de Davi, lentos, só para confirmar. — Você gosta de apanhar. Devia ter vergonha.
— Tenho.
— Não devia. É a coisa mais bonita que você tem.
Ele parou com o cinto e voltou a morder — ombro, costela, a curva do quadril. Chupou o mamilo de Davi até ele gemer alto, e depois prendeu ali um prendedor de metal frio. O aperto veio em dois tempos: o susto, e depois a onda. Davi cerrou os olhos e a chuva virou um zumbido distante.
Quando Hélio falou de novo, foi com a boca colada na orelha dele:
— Vou te soltar agora. E você vai fazer o que eu mandar. Se errar, volta pra corda.
Hélio o levou para o quarto, uma mão aberta entre as omoplatas, empurrando. A cama era baixa, o lençol de algodão cru. Davi foi deitado de bruços, e o peso do corpo de Hélio caiu sobre ele, o cinto ainda na mão, o jeans áspero contra a pele castigada.
Ele sentiu quando Hélio se posicionou. Sentiu o gel frio, os dedos entrando devagar, o rosto afundado no lençol. E então a pressão — o corpo dele se abrindo com aquela queimadura lenta que não é dor nem prazer, é o limiar exato entre as duas coisas, o lugar onde Davi sempre se perde.
— Respira — ordenou Hélio, e Davi respirou, e o resto entrou.
Ele começou devagar e depois foi fundo, com a mão enroscada no cabelo de Davi, puxando a cabeça para trás, e a cada estocada a boca vinha junto — mordia a nuca, a orelha, o ombro. O prendedor balançava a cada movimento e o atrito dele contra o lençol arrancava de Davi um gemido fino, quase um choro.
— Fala pra mim — disse Hélio, sem parar. — Fala o que você é.
— Seu.
— Mais alto.
— Seu. — A voz saiu quebrada. — Seu, seu, seu.
Hélio riu e mordeu o ombro dele com força, e Davi sentiu os dentes marcarem e soube que ia ficar roxo, e isso foi o que o empurrou para o limite. Ele tentou avisar, mas só saiu um som sem forma. Hélio entendeu do mesmo jeito, deslizou a mão por baixo e apertou.
— Vai — disse. — Vai, coração. Agora.
Davi gozou com o rosto enterrado no colchão e um gemido que a parede de tijolo devolveu. Hélio aguentou mais três estocadas e parou fundo, travado, os dedos cravados no quadril do rapaz, e Davi sentiu o corpo dele tremer inteiro por cima do seu.
Depois, o silêncio. A chuva tinha diminuído. Hélio se retirou devagar, tirou o prendedor com um cuidado que doeu mais que a colocação, e desfez os nós dos pulsos com os dedos ainda trêmulos. Passou a mão pelo cabelo de Davi, repetidas vezes, sem dizer nada.
Davi virou de lado. Os pulsos tinham as marcas do cânhamo, as coxas tinham as do cinto. Ele olhou para o próprio corpo como quem confere um documento.
— Fica vermelho fácil — comentou Hélio, deitando ao lado.
— Fica.
— É bonito.
Davi riu baixo, sem forças para discutir. Hélio o puxou para o peito e o cobriu com o lençol, e por um instante ficou-se assim, dois corpos mornos num galpão escuro, enquanto a cidade lá fora continuava a existir sem eles.
— Semana que vem? — perguntou Davi, já meio dormindo.
Hélio apagou a luz.
— Semana que vem eu te amarro no chão. Dorme agora.
E Davi dormiu, com as marcas ardendo e a certeza confortável de que ainda ia ter muito degrau para subir.
❤️ Contos Eróticos Ilustrados e Coloridos ❤️👉🏽 Quadrinhos Eroticos 👈🏽
Comentários (0)