Meu filho virou meu macho
Fiquei grávida do Davi com dezoito anos, na virada do milênio, e desde então carrego o apelido de "mãe jovem" como quem carrega um documento. Aos trinta e sete, com ele recém-formado, ninguém acreditava que eu era a mãe. Achavam irmã. Achavam prima. Uma vez, num posto de gasolina, o frentista perguntou se a gente namorava.
O pai dele morreu quando o Davi tinha sete. A partir dali, virou só nós dois. Eu trabalhava em dois turnos e, no resto do tempo, cuidava dele e cuidava do corpo — academia às cinco da manhã, dieta, escada em vez de elevador. Não por vaidade. Por medo de envelhecer e ficar sozinha com um filho grande e nenhuma vida.
Só que vida, mesmo, eu não tinha. Dez anos sem homem. Dez anos dormindo de camiseta larga e calção, com o travesseiro abraçado.
A formatura do curso técnico de eletrotécnica caiu num sábado de novembro. Passei a semana escolhendo vestido. Preto, justo, decote quadrado, manga três quartos. Salto. Cabelo escovado. Me olhei no espelho e vi uma mulher que existia e estava escondida.
O Davi assobiou quando desci.
— Caraca, mãe. Vai assim?
— Vou assim. Tá ruim?
— Tá... tá bom.
Foi a primeira vez que ele me olhou e gaguejou.
A cerimônia foi num salão de festas com faixa de papelão e mesa de salgados. Ele de beca, no palco, recebendo o diploma. Eu chorei. Ele desceu, me abraçou apertado, e ficou com a mão nas minhas costas enquanto posava pra foto.
Depois, o salão abriu em círculos de gente e eu fui parar num deles.
O primeiro foi o Nilton, pai do Rodrigo, dono de uma loja de material de construção, quarenta e tantos, aliança larga, hálito de uísque.
— Você é a mãe do Davi? — ele perguntou, e os olhos dele desceram até o decote e demoraram a voltar. — Brincadeira. Mãe não, irmã.
— Mãe. Fui mãe cedo.
— Cedo e bem — ele disse. — Se eu soubesse que tinha mulher assim no curso do meu filho, tinha vindo buscar ele mais vezes.
Eu ri. Ele aproveitou. Serviu uma taça, encostou o braço no meu, ficou. Quando o Davi passou atrás de nós, olhou a cena e a boca dele fechou.
Depois veio o professor de comandos elétricos. Depois um colega do Davi, moleque de dezenove anos, que me chamou de "senhora" e ficou vermelho até a raiz do cabelo. Eu dei corda em todos. Porque era gostoso. Porque fazia dez anos.
O Nilton me pediu o telefone. Eu passei. Ele digitou na hora, me ligou ali mesmo pra eu salvar, e o Davi viu o celular dele na minha mão.
— Tá vendo? — eu falei, quando ele se aproximou. — Já tenho convite pra sair.
— Que bom.
— Que bom o quê? Tá com essa cara desde a hora que chegou.
— Tô com cara de quê? — ele disse. — Tô normal.
E passou o resto da festa de mau humor.
Em casa, a briga.
— Você ficou o tempo todo grudada naquele velho.
— Que velho, Davi? O Nilton tem quarenta e quatro anos.
— Velho. — Ele jogou a beca no sofá. — E ficou de conversinha com o moleque do Rodrigo também, todo mundo viu.
— E daí?
— E daí que parecia que você tava caçando.
— Eu tava. — Tirei o salto, e mesmo descalça ficou aquele silêncio. — Faz dez anos que eu não caço nada, filho. Dez anos. Você tem dezoito, tem a vida toda. Eu tenho trinta e sete e uma cama vazia.
— Então tá. Caça. — Ele subiu pro quarto.
Ficamos três dias sem conversa de verdade. Bom dia, boa noite, café na mesa, e nada. Ele comendo de pé na pia pra não sentar comigo. Eu com o celular na mão só de raiva, respondendo o Nilton com risadinha e emoji, e o Davi escutando de longe, de fone no pescoço.
Na quarta-feira, a chuva caiu forte e a luz piscou. Ele, técnico formado, foi mexer no quadro atrás da porta da cozinha. Eu fiquei atrás dele com a lanterna do celular, iluminando.
Ele desligou o disjuntor, apertou o parafuso, e quando se virou estávamos muito perto. O braço dele ficou do meu lado, na parede, e ele não saiu.
— Pronto — ele disse.
— Pronto.
Nenhum dos dois se mexeu.
— Mãe.
— Fala.
— Por que é que eu fiquei com raiva?
— Porque você é ciumento que nem o seu pai.
— Não é isso. — Ele olhou pro meu decote, olhou pra minha boca, voltou pros olhos. — É que eu nunca tinha visto você de mulher. Deu um troço.
Meu peito subiu. — Que troço?
— Vontade.
Foi a minha vez de ficar sem fala. Ele tirou o celular da minha mão, apagou a lanterna, e a cozinha ficou no breu com a chuva batendo na janela.
— Fala alguma coisa — ele pediu.
— Eu tô pensando num monte de coisa que não podia.
— Tipo?
— Tipo que eu não quero que o Nilton me beije. — A voz saiu rouca. — Quero que você me beije.
Ele me beijou antes de eu terminar. Beijo de quem tinha estudado por três dias e finalmente ia fazer a prova. Boca firme, língua entrando sem pedir, mão subindo do meu quadril pra cintura, e eu com as duas mãos na nuca dele, puxando, com um gemido que saiu espremido e humilhado.
— Meu Deus — eu disse, quando ele afastou um dedo.
— Tá errado?
— Tá. Faz de novo.
Ele riu na minha boca e me beijou outra vez, e me empurrou até a parede do corredor. A camiseta dele ficou molhada no meu vestido de trabalho. Ele pegou o meu peito por cima do sutiã, apertou, e eu joguei a cabeça pra trás e bati na parede.
— Tira — pedi. — Tira esse sutiã.
Ele puxou o decote, enfiou a mão por dentro, tirou o bojo e ficou com o peito na mão, pesado, o mamilo duro entre dois dedos. Depois abaixou a boca e chupou, e eu agarrei o cabelo dele.
— Aprendeu onde? — perguntei, sem ar.
— Nunca aprendi nada. — Ele mordeu de leve. — Só tô com vontade.
Desci a mão e apertei a frente da bermuda. Estava duro a ponto de marcar o tecido. Ele gemeu baixo e empurrou o quadril na minha mão.
— Mãe... — e a palavra saiu diferente, sem ser título.
— Fala de novo.
— Mãe. — Ele me olhou, o cabelo caído na testa. — A senhora tá molhada?
— Muito. Põe a mão e vê.
Ele enfiou a mão por dentro da minha calça de moletom e os dedos passaram por cima da calcinha. Parou. Respirou fundo.
— Caralho.
— Fala mais.
— Tá escorrendo. — Ele enfiou por dentro, dois dedos, e eu gemi alto. — Tá quente.
— Entra comigo. — Puxei ele pelo cós. — No meu quarto.
Caímos na cama meio de lado, ele por cima, a bermuda já no joelho. Quando tirou o pau pra fora eu tive que olhar. Era grande, grosso, e o corpo dele era o corpo de um homem que puxava ferro desde os quinze. Ele se ajoelhou entre as minhas pernas e me tirou a calça com uma pressa desajeitada.
— Vai devagar — avisei. — Faz muito tempo.
— Quanto tempo?
— Dez anos.
Ele parou de rir. Me olhou de verdade. Depois se abaixou, me beijou na testa, e encostou devagar.
Doeu. Doeu de um jeito bom, de coisa fechada se abrindo. Ele entrou até o fim olhando na minha cara, e eu cravei as unhas no ombro dele.
— Tá doendo? — perguntou.
— Tá. Não para.
Ele começou devagar, e em vinte segundos já era pouco.
— Mais forte.
— Assim?
— Mais.
Ele bateu o quadril e a cama gemeu. Eu gemi mais alto. Ele pegou o ritmo rápido, e eu abri a perna toda e passei a mão nas costas dele, descendo, apertando a bunda.
— Meu filho — eu falei, e foi esquisito e foi perfeito.
— Fala mais.
— Meu filho me comendo.
— Tá gostoso? — Ele estava ofegante, suado, com o peito colado no meu.
— Tá gostoso demais. — Puxei o rosto dele pra perto. — Você é o primeiro que me come em dez anos. E é o melhor.
Ele grunhiu e acelerou, e o som encheu o quarto. A chuva batia no vidro e a cabeceira batia na parede e eu não estava nem aí pro vizinho.
— Vira — eu pedi. — Deixa eu ficar por cima.
Ele saiu, deitou, e eu montei. Desci devagar, sentindo cada centímetro, com as mãos no peito dele, e comecei a rebolar. Ele jogou a cabeça pra trás e segurou meus quadris.
— Aí, mãe... — gemeu. — Assim não, assim eu gozo.
— Então goza. Eu tô quase.
— A senhora tá quase? — Ele abriu os olhos. — Tá mesmo?
Peguei a mão dele e levei pro meio das minhas pernas, e ele entendeu. Esfregou com o dedo no mesmo ritmo do quadril, e eu perdi a compostura, com o queixo caído, gemendo sem palavra nenhuma, coisa que eu nem sabia que fazia.
— Vem — ele falou. — Vem comigo.
E eu vim, com um grito que virou choro, com o corpo inteiro travando por cima dele. Ele gozou dois segundos depois, segurando firme, empurrando fundo, com um gemido longo e rouco que morreu num sussurro.
Caí de lado. Ele ficou deitado, olhando o teto, ofegando.
— Pronto — eu disse, depois de um tempo. — Agora o Nilton pode esperar.
O Davi riu, virou a cabeça e me olhou.
— O Nilton que se cuide. — Ele esticou o braço e me puxou pra cima do peito, e o coração dele estava disparado embaixo do meu ouvido. — A partir de hoje, mãe, a senhora é minha. E eu sou o homem dessa casa de verdade.
Eu fechei os olhos e não respondi nada, porque não tinha o que responder. A chuva foi parando lá fora. E pela primeira vez em dez anos, a cama não estava vazia.
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