Muito mais que bons amigos - Parte 16
A segunda-feira começou tensa no escritório. Na antiga sala da Nayara, agora sentava a nova diretora financeira que Emilly havia contratado às pressas no fim de semana para blindar a empresa. Ela era uma mulher de presença marcante, fria e focada, que assumiu o comando sem dar espaço para perguntas.
Enquanto eu fingia prestar atenção nas planilhas na minha mesa, meu celular vibrou escondido. Era uma mensagem de Alex:
"E aí, viado. Aparece aqui em casa hoje mais tarde. Quero meter em você de novo. Só nós dois, cola aqui."
Apertei a tela com raiva.
No fim do expediente, vazei do escritório e peguei um ônibus até a quebrada dele.
Bati no portão enferrujado daquela casa horrível e ele abriu na hora, de bermuda e sem camisa, exibindo as tatuagens no peito com aquela cara de marginal.
— Demorou, hein, caralho. Entra logo — ele puxou meu braço com força, me empurrando pra dentro e trancando o cadeado.
A casa fedia a mofo e cerveja quente, mas eu não tava ligando pra isso. Alex já me pegou pela nuca, enfiando a língua na minha boca num beijo bruto e cheio de saliva.
— Tava com saudade de dar esse rabo gostoso pro teu macho alfa, é? — ele sussurrou no meu pé do ouvido, rindo da minha cara.
Ele nem esperou eu tirar a roupa. Me virou de costas, me empurrou contra a parede descascada da sala, abaixou minha calça num puxão só e enfiou tudo de uma vez, sem vaselina e sem frescura.
— Ai, caralho... — gemi alto, fincando as unhas na parede suja enquanto ele metia fundo, com força, me tratando igual vagabunda.
Ali, naquele casebre imundo, com o Alex me comendo sem dó e falando putaria no meu ouvido, eu esqueci do escritório. Só queria gozar na pica daquele marginal.
— Isso, aguenta firme, seu gostoso — Alex falou ríspido, o hálito quente cheirando a cerveja barata batendo direto na minha nuca enquanto ele me socava com força, sem a menor piedade.
A casa dele era um lixo, um casebre caindo aos pedaços na periferia, mas naquele momento eu não estava ligando pra porra nenhuma. Cada estocada funda dele arrancava um gemido alto da minha boca, e eu empurrava o quadril pra trás, pedindo mais, implorando pra ser comido como a puta que ele sabia que eu virava na mão dele.
— O Vini e a tua mulher devem adorar quando você chega em casa com o cheiro da minha pica, né? — ele provocou, rindo baixo e dando um tapa estalado na minha bunda que deixou a pele ardendo em fogo. — Fala pra mim, bolsista. Quem é que comanda essa porra toda? Sou eu, caralho!
— Isso... continua, Alex, porra... — eu gemia, com as unhas cravadas no reboco mofado da parede, os joelhos quase cedendo de tanto tesão.
Ele não aliviou o ritmo nem por um segundo. Agarrou meu cabelo com força, puxando minha cabeça para trás para expor meu pescoço enquanto continuava socando o quadril contra o meu corpo em estocadas rápidas e profundas. O som dos nossos corpos batendo ecoava pela sala vazia, misturado com a minha respiração desregulada e os grunhidos dele.
Eu sentia o calor subir pelo meu corpo inteiro, a pressão na base da barriga insuportável.
— Vai, goza na minha mão, seu maldito — Alex ordenou, descendo uma das mãos para apertar meu pau com força enquanto acelerava ainda mais as metidas.
Não aguentei muito mais. Dei um grito abafado quando o orgasmo me atingiu em ondas violentas, espalhando meu gozo no chão empoeirado da sala enquanto Alex me dava mais três estocadas brutais e fundas antes de despejar tudo dentro de mim, me segurando com força pelo pescoço para eu não desabar no chão.
Ajeitei a calça com pressa, limpando o suor da testa e ajeitando a camisa para disfarçar o cheiro daquele lugar.Peguei o celular e saí direto para a rua, pegando o primeiro ônibus de volta para casa. O corpo ainda latejava, a mente a mil por hora tentando colar os cacos da minha fachada de homem sério antes de cruzar a porta.
Quando enfiei a chave na fechadura e entrei, o silêncio da casa parecia pesado.
Giovana estava na cozinha, de braços cruzados diante da pia, olhando fixamente para a janela. Ela usava uma camiseta velha e parecia exausta, mas assim que passei pela porta, o clima mudou na mesma hora.
— Onde você estava que demorou tanto pra voltar do escritório? — ela perguntou, a voz cortante, virando-se para me encarar com os olhos estreitados. — Eu mandei mensagem perguntando se você passaria no mercado pra pegar café e você simplesmente sumiu por duas horas.
O susto de ter sido questionado por algo tão banal quase me fez gaguejar.
— Café? Ah... meu celular tava no silencioso com a correria das planilhas novas, Gi. O bicho pegou lá na empresa hoje com a diretora nova — inventei na hora, jogando a chave em cima da mesa de centro com um som seco e forçando uma expressão de cansaço extrema.
— É sempre a mesma desculpa de trabalho, Vitor! — ela disparou, batendo a mão na bancada da pia, irritada com o tom desdenhoso que eu tentei usar. — Você acha que eu sou tonta? Fica enfocado nessa merda de escritório o dia inteiro e ainda me trata com essa grosseria quando chega em casa por causa de um pacote de café?
— Pelo amor de Deus, Giovana, eu tô exausto! Não começa a arrumar confusão por causa de pó de café — respondi, elevando o tom de voz mais do que devia, a culpa da traição fervendo por dentro e me deixando na defensiva.
— Não levanta a voz pra mim! — ela gritou, avançando para o meio da sala, os olhos faiscando de raiva. — Você tá estranho pra caralho desde aquele fim de semana, evasivo, fedendo a essa rua... Se você acha que vai continuar com essa vidinha de merda escondendo as coisas de mim debaixo do meu próprio nariz, tá muito enganado!
Enquanto ela continuava despejando toda a raiva acumulada por causa de um motivo tão estúpido, eu olhava para ela pensando no quão cega ela estava: brigando por causa de café, enquanto eu acabara de voltar de quatro da casa de outro homem.
Engoli em seco, respirando fundo para baixar a bola. Eu sabia que estava exagerando na defensiva, e o peso da culpa fazia cada acusação dela doer de um jeito diferente — não pelo café, mas pelo que eu realmente estava escondendo.
Passei a mão pelo cabelo, tentando desarmar o clima, e dei dois passos na direção dela, mantendo a voz mais baixa e cansada.
— Olha, desculpa... Você tem razão, eu não devia ter falado assim — falei, soltando um suspiro pesado e me encostando no batente da porta da cozinha. — O dia foi realmente caótico lá na firma. A cabeça tá cheia com essa reestruturação e eu acabei descontando em você à toa. Não precisa ficar assim por causa do café, depois eu dou um pulo na padaria da esquina e resolvo isso.
Giovana cruzou os braços de novo, me encarando com desconfiança, mas a rigidez nos ombros dela diminuiu um pouquinho com o meu tom mais brando. Ela soltou o ar devagar, ainda visivelmente irritada, mas aceitando a trégua temporária.
— Você vive com a cabeça em outro lugar, Vitor. Parece que tá sempre distante, mesmo quando tá aqui em casa — ela murmurou, a voz saindo mais cansada do que brava agora, carregada daquela desconfiança mansa que me apertava o peito. — Só me prometa que vai avisar quando for demorar, tá? Não gosto de ficar aqui sozinha imaginando coisa.
— Pode deixar, eu aviso sim — respondi, forçando um sorriso fraco para tranquilizá-la.
Dei a volta na bancada e aproximei-me dela, envolvendo-lhe a cintura num abraço meio sem jeito, sentindo o cheiro do sabonete dela misturado com o ambiente de casa. Enquanto meu rosto descansava no ombro dela, o contraste me atingiu como um choque: ali estava minha esposa, preocupada com coisas banais e pedindo um pingo de atenção, enquanto na minha pele ainda ardia o rastro da submissão com o Alex.
Fechei os olhos por um segundo, engolindo a culpa, e dei um beijo suave no topo da cabeça dela.
A noite terminou em um silêncio melancólico. Depois da discussão minguada pelo café, jantamos quase sem trocar palavra. Deitei ao lado de Giovana na cama, sentindo o peso invisível do nosso segredo enquanto ela adormecia com a cabeça encostada no meu ombro. Fechei os olhos por longas horas, tentando apagar da mente o cheiro daquela periferia e o eco das ordens do Alex, torcendo para que o dia seguinte trouxesse alguma trégua na empresa.
Mas eu estava redondamente enganado.
Na manhã seguinte, assim que batemos o cartão no escritório, a nova diretora financeira — aquela mulher implacável trazida por Emilly — convocou eu e Vinicius para a sua sala logo cedo.
Entramos juntos, achando que era apenas mais uma cobrança de planilhas. A diretora nem nos ofereceu para sentar. Ela estava recostada na mesa, com os braços cruzados e uma pasta preta nas mãos, nos encarando com o olhar cortante de quem já sabia de tudo — ou, no mínimo, não tolerava o menor sinal de acomodação.
— Sentamos para analisar o fluxo de caixa e o rendimento de vocês nas últimas semanas, e o resultado é inaceitável — ela começou, a voz seca e autoritária ecoando na sala fechada. — Há uma clara perda de foco quando vocês operam em dupla na mesma área. A diretoria executiva acha o mesmo.
Vinicius deu um passo à frente, a testa franzida de indignação.
— Espera aí, do que você tá falando? A nossa equipe sempre entregou resultado, essa reestruturação mal começou e... — ele tentou argumentar, mas foi cortado seco.
— A decisão já foi tomada e tem o aval direto da Emilly — a diretora o interrompeu, jogando um papel na mesa entre nós. — A partir de hoje, vocês não vão mais trabalhar no mesmo andar. Vinicius, você fica com a auditoria interna no setor leste. Vitor, você vai para a ala de expansão no térreo, completamente isolado da contabilidade principal. Sem contato direto entre vocês dois durante o expediente. Fim de papo.
O chão pareceu sumir debaixo dos meus pés. Olhei para o Vini, que estava pálido, com os punhos fechados de raiva.
Aquilo não era só uma reorganização corporativa. Era um cerco se fechando. Emilly, cansada das instabilidades e das nossas pisadas de bola, havia dado carta branca para a nova diretora nos separar fisicamente, cortando nossas pontes dentro da empresa e nos deixando completamente vulneráveis, vigiados de perto e sem ter a quem recorrer.
O clima de castigo pairava no ar desde o anúncio da diretora. A manhã arrastou-se como uma tortura lenta. Separados por andares diferentes, eu na ala de expansão no térreo e Vinicius preso na auditoria no setor leste, a sensação de sufoco era constante. A nova diretora tinha conseguido o que queria: nos isolar completamente.
Mas a distância só fez o tesão reprimido e a tensão acumulada explodirem com força total quando o relógio finalmente marcou meio-dia
Sem combinar nada, por puro instinto de desespero e desejo, cruzei os corredores apressado e entrei no banheiro masculino do segundo andar — um canto mais reservado, longe do trânsito pesado de funcionários.
Dois segundos depois, a porta bateu com um estalo seco. Vinicius entrou quase correndo, com a gravata frouxa no pescoço e os olhos escuros brilhando de uma urgência que eu conhecia bem demais. Ele trancou a tranca da porta com força e me empurrou contra as divisórias frias dos trocadores antes que eu pudesse respirar.
— Essa desgraçada acha que vai mandar na gente... — Vinicius sibilou contra a minha boca, colando seus lábios nos meus num beijo bruto, faminto e cheio de saliva.
As mãos dele mapearam meu corpo com uma agressividade que combinava perfeitamente com a raiva do dia. Eu agarrei a camisa dele, puxando-o para mais perto, gemendo abafado na sua boca enquanto o cheiro de perfume caro dele se misturava com o suor da nossa pressa.
— Ela quer a gente separado, Vini? — sussurrei com um sorriso cínico no pé do ouvido dele, sentindo o corpo dele duro pressionado contra o meu. — Pois que tente.
Vinicius não perdeu tempo. Com as mãos grandes, ele abaixou minha calça num puxão só, enquanto eu me virava de costas, apoiando as mãos na parede fria do box. Sem preliminares, com a força crua de quem estava com raiva do mundo e cheio de tesão um do outro, ele me penetrou de uma vez só.
O impacto arrancou um gemido alto da minha garganta, abafado pelo azulejo. A gente não ligava para o risco de alguém bater na porta; ali, escondidos no banheiro da empresa, fodia-se a diretora, fodia-se a Emilly e fodia-se o mundo corporativo. Eram apenas nós dois, usando o corpo um do outro para descarregar toda a tensão, com Vinicius socando o quadril com força e me tratando sem a menor delicadeza, enquanto eu gemia baixo, entregue àquele pecado que nenhum organograma de empresa conseguia proibir.
O azulejo gelado da divisória do banheiro era a única coisa firme enquanto o mundo lá fora parecia desabar. Vinicius não aliviou em nada a mão pesada na minha nuca, me obrigando a arquear as costas e empurrar o quadril com mais força para receber cada estocada dele.
— Isso, aguenta firme, seu puto... — ele sussurrou no meu ouvido, a respiração quente e cortada batendo direto na minha pele, enquanto a bacia dele batia contra a minha com um som abafado que ecoava pelo box apertado.
Cada investida dele era funda, animalesca, carregada de toda a frustração daquela separação imposta pela diretora nova. Eu cravava os dedos na divisória, com o tecido da calça embolado nos joelhos e o pau duro pulsando no vazio, pingando pré-gozo enquanto sentia o peso do corpo dele colado no meu.
— Continua, Vini... fode essa porra toda, não para — eu gemia de boca aberta, abafando o som contra o azulejo para ninguém ouvir do lado de fora.
A ideia de que a qualquer segundo alguém podia bater na porta daquele banheiro só fazia o nosso sangue ferver mais. Vinicius agarrou forte os meus quadris com as duas mãos, me puxando contra ele sem a menor delicadeza, acelerando o ritmo de um jeito bruto e descontrolado. Ele enterrava a pica inteira com uma força insaciável, me tratando exatamente como a puta que a gente virava quando o instinto falava mais alto que a razão.
— Olha o que aquela desgraçada fez com a gente... mas aqui ela não manda, caralho! — ele rosnou, dando um tapa estalado na minha bunda que deixou a pele ardendo em fogo e arrancou de mim um gemido estridente.
A pressão na base da minha barriga chegou ao limite. O corpo inteiro tremia, o suor escorrendo pelas costas, a mente completamente apagada de qualquer pensamento corporativo. Vinicius percebeu, deu mais três estocadas fundas e rápidas que quase me tiraram o ar, e segurou meu pescoço com força antes de soltar um grunhido grave.
Dei um grito abafado quando o orgasmo me rasgou por dentro, espalhando meu gozo quente no chão do box, no mesmo segundo em que Vinicius desabou o corpo sobre as minhas costas, despejando tudo dentro de mim com estocadas finais e profundas, tremendo de tesão enquanto a gente tentava recuperar o fôlego no silêncio tenso do banheiro da empresa.
Arrumamos a roupa às pressas, ajeitando o cabelo despenteado e disfarçando o rubor no rosto antes de destrancar a porta do box. Saí primeiro, checando o corredor vazio, seguido logo depois por Vinicius, que ajeitava a gravata com uma postura fingida de quem mal havia cruzado o caminho do outro.
Mas a sorte nunca durou muito para o nosso lado.
Assim que viramos o corredor em direção à saída para o almoço, demos de cara com a nova diretora financeira. Ela estava parada perto dos bebedouros com uma prancheta na mão, e seus olhos frios pousaram diretamente sobre nós dois saindo do mesmo toalete reservado, com aquele olhar de quem estava nos vigiando.
Meu coração parou por um segundo. Vinicius engoliu em seco ao meu lado.
A diretora apenas ergueu uma das sobrancelhas, avaliando a nossa pose desalinhada com um desprezo silencioso. Ela não disse uma única palavra — afinal, era oficialmente o nosso horário de almoço e ela não tinha base legal para nos repreender —, mas o olhar de aviso que ela nos lançou dizia tudo: ela sabia exatamente o que estávamos fazendo. Passamos por ela quase prendendo a respiração e fomos almoçar em silêncio, sentindo o peso daquela patrulha implacável.
O resto do dia arrastou-se como uma tortura. separação física nos andares continuou implacável, e a tensão não diminuiu um só centímetro até o relógio marcar o fim do expediente.
Assim que as luzes do andar começaram a baixar, meu ramal interno tocou. Era a secretária da Emilly me chamando, e chamando Vinicius também na sala dela.
— Sentem — Emilly ordenou, a voz cortando o ar antes mesmo que a gente fechasse a porta.
Nós nos acomodamos nas cadeiras em frente à mesa, suando frio.
— Eu passei o fim de semana inteiro salvando a pele da empresa, reestruturando tudo, garantindo que a matriz não mandasse caísse matando em cima de nós... — Emilly começou, os olhos fixos nos meus e nos do próprio marido com um brilho cortante. — Eu dou ordens expressas para separarem vocês em andares diferentes justamente para acabar com a falta de foco e a bagunça que virou essa rotina. E o que a diretora financeira me relata agora há pouco? Que pegou vocês dois saindo juntos de um banheiro, isso que ela não sabe da safadeza de vocês.
Ela bateu levemente com a ponta da caneta na mesa, inclinando-se para a frente, encarando diretamente o marido.
— Agora eu quero ouvir da boca de vocês dois: qual é a porra do problema que impede vocês de ficarem separados nem por algumas horas? Ou acham que eu sou idiota e não percebo o que rola debaixo do meu nariz?
O silêncio na sala ficou pesado. Olhei para o lado de relance e vi o Vinicius pálido, com a mandíbula travada, engolindo seco enquanto tentava achar alguma desculpa. A esposa dele estava ali na nossa frente, cruzando os braços e esperando uma resposta que pudesse nos salvar daquela armadilha.
— Amor, calma... você tá entendendo tudo errado — Vinicius tentou falar, a voz saindo um pouco mais fraca do que ele queria, enquanto ajeitava o paletó. — A gente só se esbarrou no corredor na hora de descer para almoçar. A diretora financeira viu a gente conversando e inventou coisa, não tem nada demais.
Emilly continuou com os olhos fixos nele, sem piscar. O rosto dela era puro gelo. Ela sabia muito bem que o marido estava mentindo, mas respirou fundo para controlar a raiva antes de falar.
— Olha bem na minha cara e repete isso, Vinicius — Emilly falou baixinho, mas com uma firmeza que dava medo. — Você acha que eu sou palhaça? Eu passei o fim de semana inteiro dando a cara a tapa para salvar essa empresa de uma fiscalização pesada, enquanto você e o Vitor ficam de gracinha pelos corredores? A diretora financeira me avisou que pegou vocês saindo juntos daquele banheiro com comportamento estranho. É muita falta de vergonha na cara!
Eu apertei as mãos uma na outra no meu colo, sentindo o suor frio descer pelas costas. A casa estava caindo de vez. Se a Emilly quisesse destruir a gente, bastava um estalar de dedos ou uma ligação para a Giovana.
— Emilly, por favor... a gente joga limpo, a culpa foi minha, eu cruzei com ele e a gente só foi trocar uma ideia rápida... — tentei inventar, mas a minha voz saiu trêmula, entregando todo o meu pânico.
— Cala a boca, Vitor! — Emilly gritou, batendo com a mão aberta em cima da mesa de vidro, fazendo o meu coração disparar na garganta. — Eu não quero ouvir mais nenhuma mentira de nenhum dos dois.
Ela se recostou na cadeira, cruzou os braços de novo e nos encarou com um olhar de puro nojo e aviso.
— Escutem aqui e escutem bem, porque eu não vou repetir. Fora daqui, na vida pessoal de vocês, façam o que quiserem — quer foder, vai pro motel, vai pra casa da puta que pariu, eu não quero saber. Mas aqui dentro da minha empresa, eu exijo respeito e discrição total.
Ela apontou o dedo direto para a porta, com a voz cortando o ar:
— Se eu souber de mais qualquer gracinha de vocês dois dentro deste prédio, eu demito os dois por justa causa na mesma hora e faço o inferno na vida de vocês. A brincadeira acabou. Agora saiam da minha frente, sumam daqui antes que eu perca o resto da paciência.
Saímos da empresa juntos no carro do Vinicius. Como Emilly havia exigido que fôssemos direto para a casa deles para resolver aquilo de vez, eu não tive escolha a não ser ir junto, engolindo a seco a ideia de ter que dar satisfações também para a minha própria esposa mais tarde.
A porta da casa deles se fechou com um baque abafado, e o silêncio lá dentro era cortante. Não era o escritório, não havia funcionários ou diretora financeira vigiando. Era a sala aconchegante deles, iluminada por luzes indiretas que só deixavam o clima mais sufocante.
Emilly tirou o blazer com calma, jogou sobre o sofá e virou-se para nós dois. Ela não gritava. O perigo nela nunca foi o berro, mas a frieza com que articulava cada palavra. Vinicius desviou o olhar, enfiando as mãos nos bolsos da calça social, visivelmente desconfortável por estar sendo encurralado na própria sala pela esposa.
— Sentem — ela disse, apontando para o sofá, com uma suavidade assustadora.
Obedecemos em silêncio. Sentei na ponta do estofado, sentindo o suor frio na palma das mãos, enquanto Vinicius sentou-se ao meu lado, mantendo a mandíbula travada.
Emilly permaneceu de pé diante de nós. Foi até a cozinha, pegou um copo d'água, deu um gole lento e, só então, nos encarou de frente.
— Vinicius, Vitor... Vamos conversar com calma — ela começou, a voz baixa, controlada, quase maternal, o que deixava tudo muito pior. — Nós somos adultos. Eu sei muito bem o que acontece entre vocês. Não nasci ontem, e os sinais sempre estiveram na minha cara.
Vinicius levantou o rosto rapidamente, os olhos estreitados.
— Emilly, se você sabe, então por que...
— Por que eu deixei passar até agora? — ela o cortou com um sorriso irônico e polido, erguendo a mão para pará-lo. — Porque, até hoje, isso era irrelevante para mim. Eu tenho uma empresa para gerenciar, burocracia para aturar e uma crise financeira para manter longe da porta. O que vocês fazem escondidos, não me incomoda mais, já incomodou, agora não mais. Eu não me importo com a nossa vida conjugal nesse sentido, Vinicius. Você sabe disso tão bem quanto eu.
O silêncio na sala pesou ainda mais. A franqueza dela doía mais do que qualquer xingamento.
— O problema — continuou Emilly, dando mais um passo na nossa direção, o tom de voz esfriando gradualmente —, é que vocês decidiram transformar o meu escritório, a minha empresa, num motel barato. Vocês cruzaram a linha do profissionalismo para a burrice pura. Me expuseram na frente de uma diretora nova que eu mesma contratei para colocar ordem na casa. Isso não é sobre moralidade, rapazes. É sobre falta de profissionalismo e desrespeito ao meu nome.
Inclinei o corpo para a frente, engolindo o nó na garganta, tentando balbuciar alguma defesa.
— Emilly, desculpa... A culpa foi nossa, a gente perdeu a cabeça, não vai se repetir, juro...
Ela desviou o olhar para mim, avaliando-me com um desdém polido, mas sem crueldade gratuita.
— Eu sei que não vai se repetir, Vitor. Porque se acontecer de novo, eu não vou apenas demitir vocês. Eu vou garantir que nenhum de vocês dois consiga emprego nem para vender café na esquina — ela falou com uma calma terrível. — Eu gosto de você na equipe, Vitor, você é competente quando foca no trabalho.
Emilly deu as costas, caminhando lentamente até a janela da sala que dava para a rua. Sem olhar para trás, encerrou o assunto:
— A conversa de hoje foi para alinhar as expectativas. Dentro daquela empresa, vocês são apenas colegas de trabalho. Agora, por favor, pode ir embora.
O portão de casa rangeu baixo quando entrei, arrastando os pés de cansaço. Minha cabeça doía e eu só queria apagar. Mas, assim que girei a chave e entrei, vi que a noite ainda não tinha acabado.
Gi estava sentada na ponta do sofá, de braços cruzados e com a luz acesa. O relógio marcava bem tarde. Ela não gritou, mas o olhar dela me fuzilou na mesma hora.
— Olha só quem resolveu aparecer — ela começou, a voz firme. — Você disse que ia resolver um problema na firma e some o dia todo? Nem pra mandar uma mensagem?
— Gi, por favor, me poupa... — falei, passando as mãos pelo rosto, sem nenhuma paciência para fingir. — Eu não estava na rua de malandragem. Eu estava na casa da Emilly.
Gi travou. A raiva sumiu do rosto dela, virando pura confusão
— Na casa de quem? Da sua chefe? O que você foi fazer lá a essa hora? Tá me achando com cara de tonta?
Soltei um suspiro pesado, joguei a chave na mesa e decidi falar a verdade.
— A diretora financeira pegou eu e o Vinicius saindo do banheiro da firma hoje no almoço e contou tudo pra Emilly — soltei de uma vez, encostado na parede. — A Emilly chamou a gente pra ir na casa dela depois do expediente para dar uma bronca daquelas. Ficou muito brava porque a gente se pegou lá dentro, e disse que vai demitir nós dois por justa causa se a gente fizer isso de novo.
Fiquei em silêncio, esperando o escândalo de costume. Mas aconteceu o contrário.
Gi piscou duas vezes, cruzou os braços e soltou um riso curto, balançando a cabeça.
— Vocês dois são uns idiotas mesmo, né? — ela disse, revirando os olhos. — Ficar se pegando no banheiro da empresa onde a mulher dele é a chefe? Tem merda na cabeça?
Olhei para ela, sem acreditar.
— Brava por quê? Vitor, acorda — Gi deu de ombros, indo até a cozinha pegar um copo d'água. — Eu já sei que vocês se pegam. A novidade para mim é zero. O meu problema não é você ficar com o Vinicius. O que me preocupa não é a bronca da Emilly. É a sua falta de cabeça — Gi continuou, apontando o dedo para mim. — Se você e o Vinicius perderem o emprego por causa de uma besteira dessas, quem vai pagar as contas aqui? E mais: você esqueceu que a Emilly e o Vinicius são a nossa chave para a nossa troca de casais? Se você queimar o filme com eles, adeus às nossas farras.
O alívio bateu no meu peito. Enquanto eu achava que ia sobrar para mim, a Gi só queria saber dos nossos esquemas.
— Ela mandou a gente se pegar só fora da empresa — resmunguei, sentando no sofá.
— Então é bom você obedecer a patroa — Gi falou, dando um tapinha de leve no meu ombro indo para o quarto. — Da próxima vez que quiser ficar com o Vinicius, traz ele pra cá ou vai pro motel. No escritório, fique na sua. Não quero perder nossos privilégios por causa da sua pressa.
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Comentários (1)
Safadin:: A mulher sabia edifica a sua casa e gi faz isso muito bem kkkkk! Concordo com emilly em relação ao trabalho, parecem dois cachorros no cio que não sabem se comportar. Por outro lado ela tem estado bem chata, porém entendo ela.
Responder↴ • uid:4a20ataahrc