#Incesto #Lésbica #Teen #Voyeur

Que aconteceu numa escola

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Os tênis de Katie roçaram nos tijolos enquanto ela mudava o peso do corpo; a sola de borracha prendeu na borda da janela, produzindo um som que pareceu ecoar pelo corredor vazio do outro lado. Ela congelou, com o coração disparado, atenta a qualquer ruído revelador — o rangido da porta de uma sala de professores ou o baque distante de passos que se aproximavam. Nada. Apenas o zumbido das lâmpadas fluorescentes em algum lugar acima e o cheiro leve e limpo de asfalto lavado pela chuva, vindo do pátio, três andares abaixo.

Ela repetia para si mesma que era apenas a vigia. Apenas a cobertura. Apenas a gêmea que dizia "sim" quando Emily abria aquele sorriso torto e pedia para ela ficar de olho na porta — chamando-a de "Katie-bug", um apelido que ela detestava desde os doze anos e do qual nunca conseguira se livrar. A porta estava trancada; ela mesma havia conferido duas vezes, girando a maçaneta com um cuidado exagerado, enquanto Emily revirava os olhos e Naomi soltava aquela risada baixa e calorosa que fazia algo apertar de um jeito estranho no peito de Katie.

O corredor estava vazio. Terceiro andar, último horário de aula; todos os outros estavam na educação física, no horário de estudo ou onde quer que os alunos do último ano fossem quando não deveriam estar em lugar nenhum. Katie havia pegado a autorização para ir ao banheiro — aquela com o cartão plastificado que a Sra. Delgado nunca conferia de verdade —, e Emily simplesmente saíra como se fosse dona do prédio, como sempre fazia: jeans rasgados, energia inquieta e aquele brilho desafiador nos olhos verdes.

Os olhos dela também. O mesmo verde. O mesmo formato. Era esse o detalhe que sempre a incomodava: aquela sensação de imagem espelhada, como se ela estivesse observando a si mesma fazer algo que jamais teria coragem de realizar.

Katie mudou novamente de posição no parapeito; a madeira aquecida pelo sol pressionava suas coxas através do tecido gasto de sua jaqueta jeans. Ela havia escolhido aquele lugar porque oferecia o melhor ângulo tanto para o corredor quanto para a fresta na persiana — uma abertura estreita onde as lâminas de alumínio não se encontravam perfeitamente, deixando espaço suficiente para ver o interior da sala de aula.

Espaço suficiente para ver tudo.

Ela não deveria olhar. Sabia que não deveria olhar. Sua função era vigiar o corredor, tossir, bater na porta ou inventar uma desculpa caso alguém se aproximasse. Esse era o combinado. Era com isso que ela havia concordado quando Emily a encurralou no quarto que dividiam naquela manhã — ainda úmida do banho, com uma toalha enrolada na cabeça e aquele olhar suplicante que Katie jamais conseguira resistir.

Só desta vez, Katie-bug. Eu preciso disso.

E Katie disse sim, porque sempre dizia sim; porque Emily era a corajosa e ela, a cautelosa, e era assim que as coisas funcionavam entre elas. Emily ficava com as aventuras. Katie, com a função de vigia.

Seu olhar voltou para a fresta da persiana. Ela não conseguia evitar. Era como um ímã, como a maneira pela qual seu olhar sempre encontrava Emily em uma sala lotada — aquele radar de gêmeas que a acompanhava desde antes de ela ter qualquer lembrança.

Lá dentro, Emily encurralava Naomi contra a mesa do professor — a mesa do Sr. Harrison, com suas bordas de metal amassadas e a mancha de café em forma de círculo que estava ali desde setembro. A regata *tie-dye* de Naomi era uma explosão de cores contra a parede cinza atrás dela, e seus longos cabelos loiros caíam sobre os ombros como água. A camiseta de banda de Emily — alguma banda de *hardcore* de que Katie nunca ouvira falar, com letras pontiagudas e uma caveira sobre a qual ela aprendera a não perguntar nada — já estava levantada, expondo a curva pálida da barriga de Emily e as linhas marcadas de seus ossos do quadril acima do cós da calça jeans rasgada.

A respiração de Katie embaçou o vidro. Ela observou a mão de sua irmã gêmea deslizar por baixo da saia leve de Naomi; observou como os dedos de Naomi se cravavam na borda da mesa, a cabeça tombando para trás, os lábios se entreabrindo para emitir um som que Katie não conseguia ouvir, mas quase conseguia sentir — uma vibração que parecia atravessar o vidro e chegar à sua própria pele.

A risada de Emily foi baixa e aguda enquanto ela sussurrava algo no pescoço de Naomi — Katie não conseguia distinguir as palavras, mas viu a reação do corpo de Naomi: um arrepio que percorreu todo o seu corpo, fazendo o colar de contas em seu pescoço captar a luz e brilhar.

O coração de Katie batia com força contra as costelas. Ela se forçou a desviar o olhar, percorrendo o corredor vazio: os armários enfileirados como soldados, o bebedouro com a torneira pingando sem parar, o alarme de incêndio que não era testado desde outubro. Qualquer lugar, menos a fresta na persiana. Qualquer lugar, menos a visão da mão de sua irmã gêmea movendo-se sob aquela saia — lenta e deliberadamente, do jeito que Emily fazia tudo quando realmente se importava.

Aquilo estava errado. Não o sexo — Katie não era puritana, apesar das provocações de Emily. Ela já tinha lido e refletido o suficiente; passara noites em claro, na escuridão do quarto que dividiam, ouvindo a respiração de Emily e imaginando como seria ser desejada daquela maneira, ter alguém olhando para ela como Naomi olhava para Emily: como se ela fosse algo precioso e raro.

Não, o que estava errado era observar. Ficar ali parada, montar guarda, ser a pessoa que tornava aquilo possível. Porque, se Katie fosse honesta consigo mesma — e ela tentava não ser, na maior parte do tempo —, ela não estava apenas sendo a guarda

Ela era uma testemunha. E testemunhas veem coisas que não conseguem desver.

Seus dedos apertavam a estrutura de alumínio com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Ela nem tinha percebido que estava segurando aquilo, mas lá estavam eles: pálidos e sem sangue, da mesma forma que os de Emily ficavam quando ela escondia algo. Elas até seguravam as coisas do mesmo jeito. Era uma daquelas coisas de gêmeas que fazia Katie sentir como se vivesse diante de um espelho de parque de diversões: seu próprio reflexo sempre ligeiramente distorcido, sempre um tom mais escuro, um pouco mais cauteloso.

A janela estava entreaberta — apenas alguns centímetros, o suficiente para deixar entrar o ar fresco de outubro e o som distante do trânsito. Por aquela fresta, porém, vinha algo mais: um som tão tênue que Katie quase não o percebeu. Uma respiração. A respiração de Naomi, entrecortada e irregular, um suspiro suave que atravessou a abertura no vidro e ecoou lá no fundo, na boca do estômago de Katie.

Ela não deveria ter ouvido aquilo. Definitivamente, não deveria ter sentido aquilo.

Katie encostou a testa no vidro frio, deixando que ele a ancorasse, deixando que o frescor dissipasse o calor que se acumulava em seu peito. Lá dentro da sala, Emily havia mudado de posição; seu corpo se curvava sobre o de Naomi, bloqueando a visão de Katie — ela só conseguia ver a curva pálida do ombro da irmã e o movimento das mãos de Naomi, que saíram da carteira e foram para os quadris de Emily, agarrando o jeans gasto como se buscasse um ponto de apoio.

Outro sussurro de Emily, outra risada baixa. E então...

Olhos verdes.

Os olhos verdes de Emily — os seus próprios olhos — encontrando os dela através da fresta da persiana.

A respiração de Katie travou. Seu corpo inteiro ficou rígido no parapeito da janela: flagrada, exposta, vista. Por uma fração de segundo, ela teve certeza de que Emily diria algo, se afastaria, acabaria com tudo aquilo e deixaria Katie ali, parada com sua vergonha, o coração acelerado e aquele calor entre as coxas que ela se recusava a nomear.

Mas Emily apenas deu um sorriso de canto. Aquele sorriso torto e cheio de segundas intenções que Katie vira mil vezes, dirigido a professores, pais e garotos que achavam que tinham alguma chance. Então ela se voltou para Naomi, sua boca encontrando o pescoço de Naomi novamente, sua mão ainda se movendo sob aquela saia, e Katie conseguia ver a maneira como o corpo de Naomi se arqueava em direção a ela, conseguia ver o tremor que percorria as coxas de Naomi, e ela sabia — ela sabia — que Emily a vira observando e não se importara.

Queria que ela observasse.

O pensamento disparou uma onda de algo em Katie, algo que não era bem choque nem bem excitação, e talvez fosse ambos, entrelaçados tão fortemente que ela não conseguia separá-los. Ela desviou o olhar, encarando o corredor vazio, os dedos ainda apertando com força o batente, a respiração vindo em arquejos curtos que embaçavam o vidro à sua frente.

O corredor se estendia, longo, cinzento e vazio. Os armários brilhavam de forma opaca sob a luz fluorescente. O bebedouro gotejava. Tudo estava exatamente como estivera um minuto antes, exatamente como deveria estar, e, no entanto, nada era igual.

Porque Emily a vira. E Emily dera um sorriso de canto. E Emily continuara, voltando-se para Naomi como se Katie não passasse de um móvel, um par de olhos conveniente para vigiar enquanto ela fazia as coisas que Katie só havia imaginado fazer.

A própria mão de Katie ainda estava no batente, e ela notou, de repente, que seus dedos estavam curvados da mesma maneira que os de Emily estiveram quando ela buscou a saia de Naomi. A mesma pegada. A mesma tensão. Era como olhar para o próprio reflexo e ver uma estranha usando o seu rosto.

Ela recuou a mão, flexionando os dedos, tentando afastar a sensação. Não funcionou. A sensação estava em seu peito agora, um nó apertado e quente que ela não conseguia desatar, e piorava a cada som fraco que chegava através da janela entreaberta.

Outro arquejo. Mais suave desta vez, mas de alguma forma mais íntimo, como se Naomi estivesse tentando contê-lo e falhando. Katie ouviu o rangido da mesa do professor — o Sr. A mesa de Harrison, com suas bordas amassadas e a marca circular de café — e ela imaginou o peso de Naomi se deslocando sobre ela, imaginou como a saia dela devia estar subindo, como a mão de Emily devia estar se movendo, lenta e pacientemente, do jeito que Emily fazia tudo quando realmente se importava.

Katie nunca tinha tido ninguém que a tocasse daquela maneira. Nunca tinha desejado que alguém o fizesse — não de verdade, não do jeito que Emily desejava Naomi. Ela tivera um namorado no primeiro ano, um garoto chamado Derek, de olhos gentis e mãos desajeitadas; tinha sido bom, até agradável, mas não a fizera sentir como se estivesse em chamas. Não a fizera esquecer o próprio nome.

Ela não sabia se queria aquilo. Não sabia se era sequer capaz de querer aquilo — do jeito que Emily queria, do jeito que Naomi reagia, como se o mundo inteiro tivesse se reduzido ao espaço entre dois corpos.

Mas, parada ali, ouvindo os sons que não deveria ouvir, observando as sombras se moverem pela fresta da persiana, Katie sentiu algo despertar em seu peito. Algo que parecia perigosamente próximo de desejo.

Ela se forçou a respirar. Inspirando pelo nariz, expirando pela boca, do jeito que A orientadora escolar havia lhe ensinado isso durante aquele breve e constrangedor período do nono ano, quando Katie começou a ter ataques de pânico sem motivo aparente. Inspira. Expira. Inspira. Expira.

Não adiantou. Os sons continuavam, agora suaves e ritmados, e a imaginação de Katie preenchia as lacunas, pintando imagens que ela não deveria estar imaginando. A boca de Emily na pele de Naomi. Os dedos de Naomi no cabelo de Emily. As duas entrelaçadas sobre a mesa do Sr. Harrison, alheias a tudo, menos uma à outra.

E Katie, do lado de fora da janela, observando.

Sempre observando.

Os passos vinham da outra extremidade do corredor.

Katie ergueu a cabeça num sobressalto, o coração apertado no peito. Ela estava tão absorta nos sons vindos da sala de aula que baixara a guarda, deixando sua atenção desviar-se do corredor vazio para a cena lá dentro. E agora alguém se aproximava.

Os passos eram tranquilos e firmes: o som de saltos batendo no linóleo. Um professor, provavelmente. Ou pior: a Sra. Delgado, com suas autorizações plastificadas para circular pelo corredor e seu olhar desconfiado — aquela que certamente notaria uma aluna equilibrada no parapeito de uma janela, do lado de fora de uma sala trancada.

A mente de Katie disparou. Ela poderia bater na janela e avisar Emily, mas isso também alertaria quem quer que estivesse se aproximando. Poderia descer do parapeito e sair andando, fingindo que ia ao banheiro, mas já havia usado sua autorização, e o corredor estava vazio demais para que a desculpa fosse convincente.

Os passos ficaram mais altos. Mais próximos.

E, lá dentro da sala, através da fresta da persiana, Katie ouviu Emily rir novamente — uma risada baixa e aguda, de quem não se preocupava nem um pouco — e soube, com uma certeza que lhe deu um frio na barriga, que sua irmã gêmea não fazia ideia de quão perto elas estavam de ser flagradas.

Como vocês querem que continue ?

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