Mônica, a filhinha do papai
Monica começa a querer dar pro pai, é vai conseguir
Tudo começou com um beijo. Não um beijo qualquer — um beijo de filha, daqueles que a gente dá de manhã antes de sair pra escola, com a mochila nas costas e o cabelo ainda molhado. Meu pai estava sentado à mesa da cozinha, tomando café, o jornal aberto na frente dele, e eu passei por trás da cadeira e encostei os lábios no rosto dele, bem na altura do maxilar, fazendo aquele barulhinho de beijo que a gente faz de propósito pra soar gostoso.
— Tchau, pai.
Ele sorriu sem tirar os olhos do jornal. — Tchau, meu amor. Se comporta.
Naquela tarde, quando cheguei da escola, ele estava no sofá vendo futebol. E eu, sem pensar muito, fui até ele, me debrucei por cima do encosto e dei outro beijo, dessa vez na testa, e falei alguma coisa boba sobre o time. Ele riu, me deu um tapinha no braço, e enfiou a mão no bolso da bermuda.
— Toma. — Me entregou uma nota. Não era nota de dez, nem de vinte. Era de cinquenta.
Eu olhei pra nota, depois pra ele. — O que é isso?
— Pra você comprar alguma coisa. Você merece.
Merece. Eu não tinha feito nada além de dar um beijo. Guardei a nota no bolso e fui pro meu quarto com uma sensação estranha, um formigamento no peito que não era só alegria de ganhar dinheiro. Era outra coisa. Era a percepção de que existia uma porta ali, e que ela estava entreaberta.
Naquela noite, deitei na cama e fiz as contas. Dois beijos, cinquenta reais. Se eu tivesse dado quatro beijos, seriam cem? Se tivesse dado seis? A matemática era simples e deliciosa. E, mais importante: por que ele dava? Um pai dá dinheiro pra filha por qualquer motivo. Mas o jeito como ele enfiou a mão no bolso, rápido, quase sem olhar, como quem quer esconder alguma coisa — aquilo me intrigou.
Na manhã seguinte, testei de novo. Passei por trás da cadeira e beijei o maxilar dele, mas dessa vez deixei a boca mais tempo, sentindo o calor da pele, a aspereza da barba por fazer. Ele parou de mastigar. Ficou imóvel por um segundo, e eu senti o ar dele mudar.
— Tchau, pai — sussurrei, com a boca ainda perto do ouvido dele.
Ele pigarreou. — Tchau. — E a mão foi pro bolso de novo. Outra nota de cinquenta.
Saí de casa com o coração batendo rápido. Não era mais coincidência. Era padrão. E padrão se pode moldar.
O banheiro virou meu laboratório. Depois do banho, a casa toda virava um corredor de passagem, e eu sabia que ele estava na sala, no mesmo sofá de sempre, com o mesmo futebol de sempre. O truque era a toalha. Não a toalha grande, que cobria tudo — a pequena, a de rosto, que mal fechava em volta do corpo e deixava uma faixa de coxa de fora, uma fresta de bunda, o começo do colo. Na primeira vez, passei pela sala com a toalha curtinha e senti o silêncio dele. O jogo continuava, os comentaristas falavam alto, mas ele não estava mais vendo. Estava me vendo. Fui até a cozinha, peguei um copo d'água, e voltei passando na frente da TV, de propósito, obrigando-o a desviar os olhos do jogo.
— Pai, sai da frente da TV — brinquei.
Ele riu, se ajeitou no sofá, e os olhos dele desceram pelo meu corpo rápido, mas desceram. Eu fingi que não vi. Subi pro quarto e, do corredor, ainda ouvi ele mexer no sofá, se remexer, como quem não acha posição. Na segunda vez, deixei a toalha escorregar um pouco no ombro, de propósito. Passei pela sala e a toalha caiu até o meio do peito, e eu tive que segurar com a mão pra não cair de vez. Ele parou de respirar por um instante. Eu vi o peito dele subir e não descer.
— Cuidado, hein — ele falou, com a voz meio rouca.
— Cuidado com o quê? — perguntei, inocente.
— Com a toalha. Vai que cai.
— Ah, pai. Aqui em casa. Todo mundo já me viu.
Ele não respondeu. Mas naquela noite, quando fui dar boa-noite, ele me deu cem reais. Cem. Sem eu ter pedido nada, sem eu ter feito nada além de passar de toalha pela sala. Comecei a cronometrar. Ficava mais tempo no banho, sabendo que ele estava na sala. Saía com a toalha e demorava na cozinha, abrindo a geladeira, me servindo, me inclinando pra pegar as coisas no armário de baixo, com a bunda empinada pro lado da sala. O tecido da toalha subia pelas minhas pernas a cada movimento. Eu ouvia o sofá ranger. Ouvi, uma vez, o som de um gole de cerveja engolido rápido demais. E o dinheiro vinha. Cinquenta, cinquenta, cem, cinquenta. Ele começou a deixar as notas separadas no bolso, dobradas, prontas. Como se já soubesse que ia precisar.
O colo foi uma escalada natural. Eu sempre fui de sentar no colo dele, desde criança, mas criança senta de lado, com as pernas penduradas, a cabeça no ombro. Eu comecei a sentar de frente. De costas. De qualquer jeito que fizesse o meu corpo encostar no dele de um modo que não era mais de criança. Na primeira vez, ele estava no sofá e eu cheguei com o celular na mão, mostrando um vídeo.
— Pai, olha isso.
E sentei. De lado, mas colada, a coxa em cima da coxa dele, o braço dele teve que ir pro encosto pra me dar espaço. Mostrei o vídeo, ele riu, e eu não levantei. Fiquei. O calor do corpo dele subiu pelo meu. Ele ficou com a mão no ar, sem saber onde colocar, e acabou apoiando no meu joelho. O joelho. A mão grande, quente, cobrindo a rótula. Fiquei com o vídeo rodando e nem vi o que passava. Na segunda vez, sentei de costas. Sentei e me ajeitei, me remexendo, procurando posição, e a cada remexida a minha bunda se esfregava na coxa dele. Ele prendeu a respiração. Eu senti o corpo dele ficar duro atrás de mim, não só o músculo — o outro duro, o que se anuncia. E eu me remexi mais um pouco, de propósito, só pra confirmar.
— Tá tudo bem? — perguntei, olhando por cima do ombro.
— Tá — ele respondeu, e a voz saiu de um lugar fundo do peito.
Na terceira vez, sentei de frente. De frente, com os joelhos dele entre os meus, e o rosto dele na altura do meu. Foi a primeira vez que ficamos frente a frente assim, tão perto, e ele desviou os olhos pra TV e depois voltou pra mim e depois desviou de novo, e eu vi que ele não sabia onde olhar. A blusa que eu usava tinha um decote que, sentada assim, ficava na cara dele. Ele olhou. Olhou de novo. E eu deixei. O dinheiro, nesse dia, foi o maior de todos. Ele me deu na despedida, enfiado no bolso da minha calça, e a mão dele demorou um segundo a mais ali, no meu quadril, antes de sair.
O abraço era a arma secreta. Abraço de despedida, abraço de bom-dia, abraço sem motivo nenhum. Eu me colava nele de frente e passava os braços em volta do pescoço, e o meu quadril encaixava no quadril dele, e eu
roçava. No começo ele era rígido, dava dois tapinhas nas minhas costas e soltava. Com o tempo, os tapinhas foram sumindo, as mãos dele foram descendo, foram ficando. Passavam pela minha cintura e paravam ali, quentes, abertas, os dedos se fechando devagar contra o tecido da minha blusa como quem se segura pra não cair. E eu, com o rosto enfiado no pescoço dele, sentia o cheiro de sabonete e suor e sentia o peito dele subindo rápido demais. Um dia encostei a coxa de propósito na frente da bermuda e senti. Duro. Duro e grosso, atravessado na perna, quente mesmo através do tecido. Ele percebeu que eu percebi e soltou o abraço rápido demais, foi buscar água, e eu fiquei parada no meio da sala com a boca seca e um sorriso que não conseguia esconder. Naquela noite ele me deu o dobro. E na manhã seguinte, no café, quando ele foi pegar o pão, passou por trás da minha cadeira e foi ele quem me beijou. No pescoço. De leve, quase nada, mas foi ele. Eu congelei com a xícara na mão. Ele sentou do outro lado da mesa e abriu o jornal como se nada tivesse acontecido, mas a orelha dele estava vermelha.
A partir dali virou jogo dos dois. Ele começou a demorar a mão no meu quadril quando me entregava o dinheiro. Eu comecei a usar shorts cada vez mais curtos dentro de casa, blusinhas que deixavam a barriga de fora, e a me abaixar na frente dele pra pegar coisas do chão, devagar, com os joelhos retos, sentindo o tecido subir pela bunda. Ele parou de disfarçar. Assistia. E quando eu me levantava e olhava pra ele, ele não desviava mais o olhar, só sorria meio de canto, um sorriso que dizia *eu sei o que você está fazendo*. Minha mãe estava sempre no meio, sempre correndo, sempre cansada, e nunca via nada. Passava pela sala enquanto eu estava sentada no colo dele e falava alguma coisa sobre a janta, e a gente respondia normal, e ela ia embora, e ficávamos os dois ali, o corpo dele quente embaixo do meu, a mão dele no meu joelho, e o silêncio entre a gente ficando cada vez mais espesso.
Numa quinta-feira ele me chamou no quarto pra "ajudar a escolher uma camisa" pra uma reunião. Ele estava de cueca, na frente do armário, e eu sentei na beira da cama e fiquei olhando. As costas dele, largas, o vão da coluna descendo até a cueca. Ele virou e me perguntou da azul ou da branca, e eu apontei uma qualquer sem tirar os olhos do corpo dele. Ele vestiu a camisa e veio até a cama pra pegar o cinto que estava do meu lado, e ficou parado na minha frente, perto, e eu levantei o rosto pra ele e ele olhou pra minha boca e depois pros meus olhos e depois pra minha boca de novo, e eu já estava com o queixo erguido, esperando, e ele não me beijou. Só sorriu, pegou o cinto e saiu. Passei a semana com aquela boca por beijar martelando na cabeça.
O dia de folga dele caiu numa terça. Minha mãe saiu cedo, de uniforme, com a bolsa no ombro, e antes de fechar a porta ainda gritou pra ele não deixar a louça na pia. Eu estava na cozinha, de pijama, e ouvi o carro dela sair da garagem e depois o barulho do portão e depois o silêncio. O silêncio encheu a casa toda. Ele estava na sala, e eu sabia que ele estava me esperando, e ele sabia que eu sabia. Fui até lá devagar, com o coração na garganta. Ele estava sentado no sofá, sem TV ligada, sem celular, as mãos nos joelhos, como quem espera uma consulta. Olhou pra mim e disse baixinho:
— Vem cá.
Eu fui. Fiquei de pé entre as pernas dele. Ele passou as mãos na parte de trás das minhas coxas, subiu pelo pijama, me puxou pra frente e encostou o rosto na minha barriga, e eu senti a respiração dele quente através do tecido e enfiei os dedos no cabelo dele. Ele levantou o rosto e finalmente me beijou. Na boca. Um beijo de verdade, sem pressa, a boca dele macia e quente, a língua pedindo passagem devagar, e eu abri, e o beijo foi fundo e longo e quando ele se afastou eu estava sem ar. Ele me puxou pro colo, e eu sentei de frente, e senti ele duro embaixo de mim, e ele segurou meu quadril e me fez roçar, uma vez, devagar, e eu gemi dentro da boca dele.
Ele me levou pro quarto dele. Me deitou na cama de casal, aquela cama enorme que eu conhecia de infância e que agora parecia outra coisa. Puxou a camiseta do pijama pra cima, e eu levantei os braços pra ajudar, e ele tirou, e ficou olhando meus peitos por um tempo que pareceu longo, e depois baixou a boca. Eu arqueei as costas. Ele chupou devagar, molhado, e desceu pela minha barriga, beijando, mordendo de leve a lateral, e foi descendo até o cós do pijama, e olhou pra mim pedindo permissão com os olhos, e eu assenti, e ele puxou a calça junto com a calcinha de uma vez. Fiquei nua na frente dele. Ele passou a mão por dentro das minhas coxas, abriu, e ficou olhando minha boceta por um instante antes de encostar a boca. E quando encostou, eu tive que morder o próprio braço. Ele chupou meu grelo com uma paciência que eu não sabia que ele tinha, alternando a língua e os lábios, e enfiou um dedo em mim devagar, e depois dois, e me fodia com os dedos enquanto chupava, e eu me contorcia e puxava o cabelo dele e falava coisas sem sentido. Ele tirou a boca e me olhou, o queixo brilhando.
— Você tá molhada que é uma beleza — ele disse, e a voz estava rouca.
— Pai... — foi tudo o que eu consegui dizer.
Ele se levantou e tirou a cueca. Eu já tinha visto a marca na bermuda, mas ver de perto era outra coisa. Grosso, comprido, duro, apontando pra cima, e ele se ajoelhou na cama entre as minhas pernas e se abaixou pra me beijar enquanto se acomodava. Eu senti a cabeça dele encostar em mim, escorregar, procurar, e ele foi empurrando devagar. Entrou com dificuldade, e eu senti o corpo abrir, uma ardência que virou prazer conforme ele afundava, e ele foi devagar, centímetro por centímetro, com o rosto colado no meu, me beijando pra me distrair, até que encostou até o fim e parou ali, respirando fundo, os dois ofegantes. Ele começou a se mexer devagar, e a cada estocada eu sentia um choque subindo pela barriga, e eu abria mais as pernas, e ele pegou o ritmo, e o som dos corpos batendo encheu o quarto.
— Tá gostoso? — ele perguntou, e eu mal consegui responder que sim, que sim, que sim.
Ele aumentou o ritmo. Metia fundo, com força, e cada vez que batia no fim eu soltava um gritinho que ele abafava com a boca. Depois pegou meu quadril e me virou de lado, e entrou de novo de lado, com a perna minha por cima da dele, e a mão dele veio por baixo e os dedos acharam o meu grelo e começaram a esfregar, e eu gemi alto,
e ele metia de lado sem parar, os dedos girando no meu grelo, e o prazer foi subindo em ondas cada vez mais altas, e eu agarrei o lençol com as duas mãos e deixei vir, e vim com o corpo todo tremendo, apertando ele por dentro, e ele gemeu baixo quando sentiu, e continuou metendo devagar enquanto eu descia, até eu ficar mole na cama, sem ar, com as pernas ainda tremendo.
Ele saiu de mim devagar e ficou de joelhos olhando meu corpo suado, e eu abri os olhos e vi ele ali, duro, brilhando de mim, e ele passou a mão na minha coxa e disse:
— Vira.
Eu virei de bruços, ainda sem forças, e ele me puxou pelos quadris pra ficar de quatro. Sentiu com o polegar, espalhou o que já estava molhado pra trás, e encostou a cabeça no meu cu. Eu prendi a respiração.
— Calma — ele falou. — Respira.
Empurrou devagar. Eu senti o anel abrir e arder, e ele parou na cabeça, esperando, e eu fui soltando o ar aos poucos, e ele foi entrando, e a ardência foi virando um prazer fundo e estranho e bom, e quando ele entrou até o fim eu estava com o rosto enfiado no travesseiro e a boca aberta num gemido mudo. Ele ficou parado um tempo, me deixando acostumar, e a mão dele veio por baixo e os dedos acharam a minha boceta de novo, e ele começou a se mexer no cu enquanto me masturbava por baixo, e era demais, era demais, os dois buracos preenchidos ao mesmo tempo, e eu comecei a empurrar o quadril pra trás pra encontrar as estocadas dele.
Ele meteu no meu cu por um bom tempo, primeiro devagar, depois mais forte, os dedos trabalhando no meu grelo sem parar, e eu vim de novo, e dessa vez o gemido saiu alto e rouco, e ele aguentou mais um pouco depois disso, metendo fundo, até que puxou pra fora e me virou de novo de barriga pra cima e se ajoelhou por cima do meu peito.
— Abre a boca — ele disse, e a voz estava desesperada.
Eu abri, e ele se masturbou rápido em cima de mim, e veio. Jorrou no meu rosto e na minha boca, quente, e eu fiquei de língua pra fora recebendo, e ele gemia com os dentes cerrados, e quando terminou ficou ali, ofegante, apoiado no joelho, me olhando coberta de porra. Eu engoli o que tinha na boca e passei o dedo no que tinha escorrido pelo queixo e levei à boca também, e ele riu, sem ar, e caiu na cama do meu lado.
Ficamos os dois deitados, suados, o peito subindo e descendo, e ele esticou o braço e me puxou pra perto e me beijou na testa. Eu deitei a cabeça no ombro dele e senti o coração dele batendo rápido contra a minha orelha, e ficamos assim até o suor secar. Ele passou a mão pelo meu cabelo, devagar, e depois desceu e ficou desenhando círculos na minha barriga.
— Quanto tempo a gente tá nisso? — ele perguntou baixinho.
— Desde o primeiro beijinho — eu falei.
Ele riu. — Desde o primeiro beijinho. — E ficou calado um tempo. — Você é danada, Mônica.
— Você que começou me pagando.
— Você que começou a passar de toalha.
A gente riu os dois. Ele olhou pro teto e depois pra mim.
— Sua mãe chega que horas?
— Seis.
Ele olhou o relógio na cabeceira. Era quase meio-dia. Ainda tinha muito tempo. Ele se virou de lado e me olhou sério, e a mão dele desceu de novo pela minha barriga, mais devagar agora, sem pressa nenhuma.
— Então dá tempo de fazer de novo — ele disse.
E fez. E depois de novo. Na terceira vez eu já estava exausta e ele me comeu de qualquer jeito, me colocando de quatro na beirada da cama, com os pés no chão, e me pegando por trás, e eu só conseguia gemer e empurrar. Ele gozou nas minhas costas e depois se deitou por cima de mim, todo o peso do corpo, e ficou ali, com o rosto no meu ombro, os dois respirando juntos.
Tomamos banho juntos no chuveiro do quarto dele, e ele me ensaboou todo, com as mãos demorando, e me beijou debaixo da água quente, e eu me esfreguei nele e ele endureceu de novo, e a gente quase começou outra vez ali mesmo, mas o telefone tocou e era minha mãe avisando que ia sair mais cedo. A gente saiu do chuveiro correndo, rindo, e ele foi trocar o lençol enquanto eu vestia o pijama.
Quando minha mãe chegou, eu estava na sala vendo TV e ele estava na cozinha fazendo café, e a casa estava arrumada, e nada parecia diferente. Ela passou por mim, me deu um beijo no rosto, reclamou do trânsito, foi pra cozinha. E eu fiquei ali, com o corpo doendo gostoso por dentro, e quando ele passou pela sala com a xícara na mão ele olhou pra mim por cima do ombro dela e sorriu de canto, aquele sorriso, e eu soube que não ia parar ali. Que na próxima folga dele, e na próxima, e em todas as que viessem, ia ter de novo. E que eu nunca mais ia passar de toalha pela sala sem sentir o corpo todo lembrar.
Naquela noite, antes de dormir, ele subiu pra dar boa-noite, como sempre fazia. Se debruçou na beirada da minha cama pra me beijar a testa, e eu puxei ele pela camiseta e beijei na boca, e ele se afastou rindo e sussurrou:
— Sua mãe tá na sala.
— Eu sei — falei. — Só um beijinho.
Ele me deu outro, rápido, e desceu. E quando ele saiu, eu enfiei a mão embaixo do travesseiro e encontrei o que ele tinha deixado ali: duas notas de cem, dobradas. Eu sorri no escuro e apertei as notas contra o peito, e o corpo todo doeu de novo, e eu adormeci pensando em qual toalha ia usar no banho da manhã seguinte.
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