A esposa novinha do policial
O Rogério era amigo do meu pai há uns vinte anos. Policial, peito largo, fala mansa, desses que a gente chama de "seu" por respeito mesmo sendo só dez anos mais velho que eu. Me chamou pra fazer um serviço na casa dele: levantar uma parede no fundo do quintal, fazer um churrasqueiro, rebocar. Pagava à vista e pagava bem. Eu tinha vinte e quatro anos, braço de pedreiro e uma conta de material pra fechar. Aceitei no mesmo dia.
Ele me recebeu de farda, na porta, e disse que ia sair pro plantão, que a mulher dele ficava em casa e que era só eu chamar se precisasse de alguma coisa. Aí apareceu ela.
Duda. Dezenove anos. Shortinho de lycra cinza, regata branca, cabelo preso num coque meio desfeito. Me cumprimentou com um "oi" comprido, olhando de cima a baixo, e eu senti na hora que ia ter problema.
Tinha. Todo santo dia.
Ela não parava. Passava com a jarra de água quando eu estava de quatro assentando bloco, e o shortinho subia. Trazia café e ficava encostada na porta do quintal conversando, o quadril apoiado no batente, os braços cruzados por baixo dos peitos. Perguntava se eu era casado, se tinha namorada, quantos anos eu tinha, se era verdade que pedreiro ficava com todas as patroas. Eu respondia que não, que a maioria das patroas era senhora de cinquenta anos de bigode.
— Então eu sou a exceção — ela disse, num dia. E sorriu.
No quarto dia eu já estava dormindo mal. Ela começou a usar shorts mais curtos. Começou a passar protetor solar nas pernas na minha frente, na espreguiçadeira, com uma lentidão de propósito. Uma vez derrubou a espátula de propósito, se abaixou pra pegar de costas pra mim, e ficou ali, esperando.
— Pega aí pra mim, tio.
— Tio é o caralho — eu falei. Ela riu.
Foi no quinto dia que arrebentou. Ela me chamou pra dentro dizendo que a torneira da área de serviço estava vazando. Eu fui, agachei, abri o armário embaixo do tanque. Ela veio atrás e ficou de pé bem atrás de mim, tão perto que eu sentia o calor da perna dela no meu ombro.
— Aqui ó — ela falou, e se agachou do meu lado, e o braço dela roçou no meu.
Eu virei a cabeça pra falar alguma coisa e ela já estava com o rosto colado no meu. Ficou parada, a dois centímetros, esperando. Só isso. Esperando eu decidir.
— Seu marido é meu amigo — eu disse.
— Ele não tá aqui.
Beijei ela.
Foi um beijo de quem estava com vontade havia cinco dias. Ela abriu a boca na hora, subiu as duas mãos no meu cabelo, e eu puxei ela pra cima pelo quadril, senti o corpo dela inteiro contra o meu, o short fino, a barriga quente, o cheiro de desodorante e de pele. Ela gemeu baixinho dentro da minha boca, um gemido que eu já ia lembrar por semanas.
Empurrei ela contra o tanque, levantei a regata, e ela mesma tirou o sutiã por baixo, sem parar de me beijar. Peitos pequenos, redondos, com o mamilo duro na palma da minha mão. Apertei, e ela jogou a cabeça pra trás e mordeu o lábio pra não gritar.
— Rápido — ela falou. — Ele pode voltar.
Desci a mão pelo short dela, por dentro, e estava molhada de um jeito que dava pra ouvir. Ela abriu as pernas e empurrou contra a minha mão, sem paciência nenhuma, me guiando. Enfiei dois dedos e ela segurou meu ombro com força.
— Ah, meu Deus. Assim, não para.
Não parei. Fiquei ali, dedilhando ela contra o tanque, beijando o pescoço dela, sentindo o corpo dela começar a tremer. Ela gozou rápido, quase sem aviso, com a boca aberta e as unhas cravadas em mim, e depois me olhou com a cara vermelha, sem ar, e disse:
— Agora você.
Ela abriu meu cinto. Abriu meu zipper. Puxou meu pau pra fora com uma mão só, se abaixou e cuspiu nele, e começou a bater punheta me olhando no olho.
— Coloca — ela pediu. — Coloca logo.
Virei ela de costas, ela apoiou as duas mãos no tanque, empinou. Eu puxei o short pro lado e entrei de uma vez, e ela soltou um gemido comprido, de alívio.
— Ai, caralho — eu falei, sem querer.
— Isso — ela respondeu. — Isso, isso, isso.
E foi rápido mesmo, do jeito que a situação pedia: eu segurando o quadril dela, o barulho da pele batendo na área de serviço vazia, o corpo dela empurrando contra o meu. Ela falava baixinho, umas coisas soltas, "mais forte", "não para", e eu não tinha cabeça pra nada além daquilo. Quando senti que ia, avisei.
— Dentro — ela falou. — Tô no anticoncepcional.
E eu gozei ali, com a mão fechada na cintura dela, vendo as costas dela se arquear. Fiquei um tempo de testa apoiada no ombro dela, os dois ofegando, o tanque pingando. Aí ela riu.
— Tô toda molhada e ainda tem reboco pra você fazer.
Naquela noite, deitado na minha cama, eu não dormi. Fiquei pensando no Rogério, no risco, na farda pendurada no cabide. Um policial. Meu pai conhecia ele. Se ele descobrisse, eu perdia o serviço e, talvez, a cara.
No dia seguinte ele estava em casa, tomando café na cozinha, de folga. A Duda passou por mim com uma caneca e um sorrisinho e, quando ele foi ao banheiro, encostou a mão nas minhas costas, bem embaixo, e sussurrou:
— Ele sai às três.
Ele saiu às três. Às três e dez ela me chamou no quarto deles.
O quarto era de casal, cama grande, ar-condicionado ligado. Ela me puxou pra dentro e fechou a porta, e dessa vez não teve pressa nenhuma. Ficou de pé na frente da cama, tirou a blusa devagar, tirou o short, ficou só de calcinha, e disse:
— Hoje você vai me comer na cama dele.
— Deita — eu falei.
Ela deitou de barriga pra cima, se abriu. Eu tirei minha roupa e subi por cima, e a gente se beijou muito antes de qualquer outra coisa, um beijo longo, molhado, sem pressa, de namorados. Ela passou a mão pelo meu peito, pelo meu abdômen, e me pegou de novo, me masturbando devagar, colando a perna no meu quadril.
— Eu fico pensando em você a noite toda — ela disse, baixinho, contra a minha boca.
— E o Rogério?
— Dorme de costas pra mim.
Eu ri e desci. Beijei o pescoço dela, o meio dos peitos, a barriga. Ela já estava abrindo as pernas antes de eu chegar, e eu tirei a calcinha com o dente e lambi ela devagar, sem pressa, a língua de baixo pra cima, e ela gemeu alto e puxou meu cabelo.
— Assim, amor. Ah, assim.
Fiquei ali até ela pedir pra parar, tremendo, empurrando minha cabeça. Aí subi e comi ela de frente, devagar no começo, olhando pra cara dela, e depois mais forte, com a mão dela no meu peito e o pé dela encaixado nas minhas costas. Ela falava meu nome, e depois falava umas coisas sem sentido, e depois só gemia, e a cabeceira da cama do Rogério batia na parede.
— Tô quase — ela avisou, a voz fina.
— Vai — eu falei. — Vai.
Ela gozou com o corpo inteiro, se dobrando, me abraçando com as duas pernas e os dois braços, e eu gozei logo depois, dentro dela de novo, com o rosto enfiado no pescoço dela.
Ficamos deitados até três e quarenta. Ela de cabeça no meu peito, o ar-condicionado em cima da gente, o mundo lá fora.
— Vou ter que arrumar a cama — ela falou, por fim.
Arrumou. Eu voltei pro quintal. Às quatro e pouco o carro do Rogério encostou na garagem, e ele desceu, e me cumprimentou de longe com um aceno, e perguntou como estava indo a parede.
— Indo bem — eu respondi.
Ele entrou. A Duda veio com um copo de água pra mim, na frente dele, e me entregou com cara de santa.
— Toma, tá quente hoje.
— Valeu.
Ela piscou pra mim de costas pra ele.
A parede ficou pronta em três semanas. Ainda faço serviço na casa do Rogério de vez em quando, e ele sempre me chama, sempre me paga bem, sempre diz que sou um menino de confiança.
Eu sou. Só não sou de confiança o tempo todo.
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