Tomás e o menino desastrado
Tomás leva um fora e conhece Jão, mas o menino é um desastre ambulante... Mas um desastre fofo
Tomás percebeu que tinha cometido um erro no exato momento em que as palavras saíram da sua boca.
A música da festa continuava alta. As pessoas conversavam, riam e dançavam no quintal iluminado por luzes coloridas. Mas, para ele, tudo parecia distante.
Porque finalmente tinha dito.
Finalmente tinha confessado.
— Eu sou apaixonado por você.
Seu melhor amigo, Jorge, ficou imóvel por alguns segundos, segurando o copo de refrigerante.
Tomás sentiu o estômago afundar.
O silêncio parecia durar uma eternidade.
— Tomás... — Jorge começou, claramente surpreso.
— Esquece. Finge que eu não falei nada.
— Não. Espera.
Jorge passou a mão pelos cabelos, procurando as palavras certas.
— Eu gosto muito de você. Muito mesmo.
O coração de Tomás acelerou por um instante.
Mas apenas por um instante.
Porque o restante da frase veio logo depois.
— Só que não desse jeito.
Tomás baixou os olhos.
— Eu imaginei.
— Você é uma das pessoas mais importantes da minha vida.
— Mas você não sente o mesmo.
Jorge suspirou.
— Não. Eu sou hétero.
A resposta foi gentil.
Honesta.
E doeu exatamente por isso.
Porque não havia raiva.
Não havia preconceito.
Não havia discussão.
Apenas uma realidade que não podia ser mudada.
Jorge colocou uma mão em seu ombro.
— Eu me sinto lisonjeado. Sério. Mas eu não quero te machucar mentindo.
Tomás forçou um sorriso.
— Tudo bem.
Mas não estava.
Nem perto disso.
Poucos minutos depois, ele já estava longe da festa.
Sentado sozinho num banco do jardim dos fundos da casa.
As vozes chegavam abafadas.
As luzes pareciam distantes.
Ele encarava o chão.
Pela primeira vez em muito tempo, sentia vergonha dos próprios sentimentos.
Pensou em todas as vezes que tinha imaginado um futuro impossível.
Todas as conversas.
Todas as esperanças.
Todas as fantasias que agora pareciam ridículas.
Uma parte dele queria simplesmente desaparecer.
Não porque realmente desejasse morrer.
Mas porque queria fugir daquela dor.
Da humilhação.
Do vazio.
— Lugar escondido, hein?
A voz inesperada o fez erguer a cabeça.
Um rapaz magro, de óculos, segurando um copo descartável, estava parado alguns metros à frente.
Tomás o reconheceu vagamente.
Já o tinha visto na escola.
Achava que o nome dele era João.
Ou Jão, como os amigos o chamavam.
— Posso sentar? — perguntou o rapaz.
Tomás deu de ombros.
— Claro.
Jão sentou-se na outra ponta do banco.
Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.
— Você também está fugindo da festa? — perguntou Tomás.
Jão riu.
— Na verdade eu nunca consegui entender festas.
— Então por que veio?
— Porque meu primo insistiu.
— E funcionou?
— Nem um pouco.
Os dois riram.
Pela primeira vez naquela noite, Tomás sentiu o peso no peito diminuir um pouco.
— E você? — perguntou Jão. — Está escondido por quê?
Tomás hesitou.
— Dia ruim.
— Entendo.
Outra pausa.
— Acabei de levar um fora.
Jão fez uma careta solidária.
— Nossa.
— Pois é.
— Foi feio?
— Não. Isso que é o pior.
— Como assim?
— Quando a pessoa é cruel, você pode ficar bravo.
— Verdade.
— Mas quando ela é gentil... sobra só a tristeza.
Jão ficou pensativo.
— Faz sentido.
O silêncio voltou.
Mas dessa vez não era desconfortável.
Era tranquilo.
— Posso confessar uma coisa? — perguntou Jão.
— Pode.
— Eu nunca beijei ninguém.
Tomás piscou.
— Sério?
— Sério.
— Nunca?
— Nunca.
Jão deu uma risada constrangida.
— Eu sei. Tenho dezoito anos. Parece estranho.
— Não parece.
— Parece sim.
— Não parece.
Jão observou o rosto dele por alguns segundos.
— Você está falando sério.
— Estou.
— Obrigado.
Tomás sorriu.
Talvez porque entendesse exatamente o que era sentir-se atrasado em relação aos outros.
Ou diferente.
Ou deslocado.
Passaram quase uma hora conversando naquele banco.
Sobre livros.
Sobre séries.
Sobre música.
Sobre professores estranhos.
Sobre sonhos para o futuro.
Quando perceberam, a festa já estava terminando.
As pessoas começavam a ir embora.
— Foi bom conversar com você — disse Jão.
— Também achei.
— Melhor do que a festa inteira.
— Concordo.
Jão sorriu.
Um sorriso tímido.
Mas sincero.
— Posso te mandar mensagem depois?
Tomás sentiu algo diferente daquela tristeza esmagadora do início da noite.
Algo pequeno.
Leve.
Uma espécie de esperança.
— Pode.
Os dois trocaram números.
E enquanto observava Jão caminhar em direção ao portão, Tomás percebeu uma coisa.
Seu coração ainda doía por Jorge.
Provavelmente continuaria doendo por algum tempo.
A mensagem de Tomás chegou no meio da tarde de terça-feira. Jão demorou exatamente quarenta minutos para responder — tempo suficiente para digitar, apagar, reescrever e pedir a aprovação de um primo que não entendia nada de flertes. O convite era simples: uma hamburgueria no centro, quinta-feira, às oito.
Quando Tomás chegou ao local, Jão já estava lá.
Estava parado perto da entrada, vestindo uma camisa de botões ligeiramente desalinhada nos ombros, as mãos enfiadas nos bolsos da calça jeans e os olhos fixos na calçada. Ele alternava o peso do corpo de um pé para o outro como se estivesse testando a gravidade. No momento em que Tomás acenou, Jão deu um sobressalto sutil, ajeitou os óculos com o indicador e quase derrubou o próprio celular ao tentar tirá-lo do bolso para fingir que estava distraído.
— Oi — disse Jão, a voz um tom acima do normal. — Você... você veio.
— Claro que vim. Combinamos, não foi? — Tomás sorriu, notando o rubor instantâneo que subiu pelas bochechas do rapaz. — Vamos entrar?
A dinâmica do encontro revelou-se nos primeiros cinco minutos. Jão claramente não pertencia àquele cenário de encontros casuais; ele operava em uma frequência de puro autoatenticidade misturada com pânico social. Ao puxar a cadeira para se sentar, calculou mal a distância e fez um barulho estridente de madeira raspando no chão, atraindo o olhar de duas mesas vizinhas. Ele pediu desculpas em voz baixa, vermelho até a raiz do cabelo.
— Eu não costumo... — Jão começou, gesticulando com as mãos e, no processo, esbarrando no cardápio de plástico, que voou direto para o chão. — Desculpa. Eu sou um desastre quando estou... quando o ambiente é novo.
Tomás recolheu o cardápio, rindo baixinho. Não era uma risada de deboche, mas aquele riso leve de quem encontra graça na pureza da situação. A dor que carregava no peito desde a festa com Jorge parecia, pela primeira vez, perder o monopólio dos seus pensamentos.
— Está tudo bem, Jão. O cardápio sobreviveu — Tomás disse, abrindo o menu. — O que você vai pedir?
A escolha do pedido foi outro espetáculo de hesitação. Jão leu a descrição de cada hambúrguer como se estivesse revisando um contrato de compra e venda. Quando o garçom se aproximou, o rapaz se atrapalhou entre o "X-Salada" e o "Especial da Casa", acabou misturando os nomes e pediu algo que o garçom precisou de três segundos para decifrar.
E então vieram as bebidas.
Jão pediu um suco de laranja. Quando o copo americano, cheio até a borda, foi colocado na mesa, Tomás previu o que aconteceria. Jão estendeu a mão para pegar o canudo, a ponta dos dedos bateu na borda do copo e uma onda de suco inundou o jogo americano de papel.
— Meu Deus, me desculpa! — Jão saltou da cadeira, puxando um punhado de guardanapos de papel que, em vez de virem um a um, saíram em um bloco massivo do suporte, derrubando o saleiro.
Tomás cobriu a boca com a mão, tentando conter a gargalhada, mas foi impossível. A imagem de Jão, com os óculos ligeiramente caídos no nariz, segurando uma montanha de papel e olhando para o saleiro deitado como se tivesse cometido um crime internacional, era genuinamente adorável.
— Jão, senta — Tomás pediu, a voz embargada pelo riso. — Senta aqui. Deixa que o papel resolve.
— Eu juro que no dia a dia eu consigo andar sem derrubar as coisas — Jão justificou-se, limpando a mesa com movimentos rápidos e desajeitados, o rosto queimando de vergonha. — É que... quando você me mandou a mensagem, eu achei que era engano. Ninguém me chama para sair. Eu sou o cara que fica no canto conversando sobre a cronologia de Duna. Eu não sei agir em encontros.
Tomás parou de rir. Olhou para Jão, que agora tentava secar as mãos na calça, com os olhos castanhos brilhando atrás das lentes dos óculos, totalmente vulnerável. A honestidade daquela confissão bateu de um jeito diferente em Tomás. Ninguém estava fingindo ali. Não havia a pose de segurança que Jorge sempre tinha, nem a rejeição polida. Havia apenas um garoto de dezoito anos tentando sobreviver ao seu primeiro encontro.
— Eu fico feliz de ter sido o primeiro a te chamar — Tomás disse, com a voz mansa, inclinando-se um pouco para a frente. — E, honestamente? Acho a cronologia de Duna bem mais interessante do que a maioria das conversas que tenho por aí.
Jão piscou, pego de surpresa. O canto de sua boca cedeu a um sorriso tímido. Ele ajeitou os óculos mais uma vez.
— Tem certeza? Porque a política do Império é bem complexa...
— Sou todo ouvidos — Tomás apoiou o queixo nas mãos, sorrindo de verdade.
O restante da noite fluiu entre pequenas catástrofes e grandes conexões. Jão conseguiu deixar cair um pedaço de picles no próprio colo e quase engoliu o gelo do copo novo, mas, à medida que os minutos passavam, o nervosismo foi dando lugar a uma vivacidade contagiante. Ele falava com paixão, os olhos se iluminavam quando Tomás entendia uma referência, e suas mãos, embora ainda desajeitadas, agora desenhavam ideias no ar.
Ao final da noite, enquanto caminhavam pela calçada em direção ao ponto de ônibus, o silêncio entre eles já não tinha o peso do início.
— Obrigado pelo hambúrguer. E pelo suco... o que sobrou dele — disse Jão, parando perto do abrigo do ponto. Ele enfiou as mãos nos bolsos novamente, olhando para os próprios pés antes de encarar Tomás. — E obrigado por não ter ido embora quando eu quase destruí a mesa.
— Eu não iria a lugar nenhum — Tomás respondeu honestamente, dando um passo para ficar mais perto. — Há muito tempo eu não ria tanto. E há muito tempo não me sentia tão bem com alguém.
Jão sorriu, aquele mesmo sorriso tímido da festa, mas agora os seus olhos tinham um brilho diferente. Ele deu um passo à frente, talvez ensaiando uma despedida, mas — fiel ao ritmo da noite — calculou mal o declive da calçada e cambaleou de leve.
Tomás, num reflexo rápido, estendeu as mãos e segurou-o pela cintura para equilibrá-lo.
O impacto trouxe Jão para perto. Muito perto. Desta vez, nenhum dos dois recuou. Tomás não soltou a cintura dele, e Jão, com o coração visivelmente disparado sob a camisa desalinhada, levou as mãos trêmulas até os ombros de Tomás. Os óculos dele escorregaram um milímetro pelo nariz.
— Desastrado até o último segundo — Jão sussurrou, a voz sumindo de nervoso, os olhos fixos nos lábios de Tomás.
— Perfeito até o último segundo — Tomás corrigiu em um sopro.
Tomás inclinou a cabeça e eliminou a distância entre eles.
O beijo começou com a mesma hesitação que tinha moldado a noite inteira. Os lábios de Jão tocaram os de Tomás de forma suave, quase testando se aquilo era real, com o toque desajeitado de quem nunca tinha feito aquilo antes. Mas logo o nervosismo cedeu espaço para a entrega. Tomás envolveu-o com mais firmeza, ditando um ritmo calmo, enquanto Jão relaxava os ombros e se deixava levar, aprofundando o beijo com uma intensidade doce e sincera. No meio do movimento, a ponta dos óculos de Jão bateu de leve na bochecha de Tomás, um detalhe perfeitamente imperfeito que fez os dois sorrirem entre os lábios colados.
Quando se afastaram devagar, Jão estava com as bochechas coradas e os olhos brilhantes, sem fôlego. Ele ajeitou os óculos com o dedo indicador, os dedos ainda meio trêmulos, mas com um sorriso imenso que não cabia no rosto.
— É... — Jão tentou formular uma frase, a voz falhando um pouco. — A cronologia de Duna definitivamente perdeu o posto de melhor parte da noite.
Tomás riu, sentindo uma onda de calor preencher seu peito, espantando de vez o frio dos dias anteriores.
— Para mim também, Jão. Até a próxima.
— Até.
Enquanto caminhava de volta para casa, Tomás sentiu o vento frio da noite no rosto. O fantasma de Jorge ainda estava ali, no fundo da mente, como uma cicatriz recente que levaria tempo para fechar. Mas, pela primeira vez, aquela dor não era a única coisa viva dentro dele. Havia o gosto doce daquele primeiro beijo, o rastro de uma noite caótica e a certeza de que seu coração, afinal, estava pronto para recomeçar.
A oportunidade surgiu no sábado seguinte. Com a viagem dos pais para o interior, Tomás tinha a casa inteira por sua conta. Quando a campainha tocou, seu coração deu um salto. Ao abrir a porta, deu de cara com Jão segurando a mochila contra o peito como um escudo. Jão já entrou pedindo desculpas por um casaco esquecido, tropeçou no tapete e ficou vermelho. Tomás apenas riu, achando aquela falta de jeito a coisa mais adorável do mundo, e o puxou pela mão direto para o quarto.
Assim que Tomás trancou a porta, o som do clique fez Jão dar um leve sobressalto.
— Respira, Jão. É só a gente — Tomás sussurrou, dando um passo à frente e tirando os óculos do rapaz, colocando-os com cuidado na escrivaninha.
Sem os óculos, o olhar de Jão ficou mais focado e intenso. Tomás aproximou-se, colando seus lábios nos dele em um beijo calmo, que logo ganhou pressa. As mãos de Tomás desceram para a cintura de Jão, puxando a camisa para fora da calça. Jão tentou ajudar a abrir os botões, mas seus dedos estavam tão trêmulos que ele acabou puxando o tecido com força demais, fazendo um dos botões voar longe e estalar na janela. Tomás soltou uma risada abafada contra a boca dele.
— Esquece a camisa — Tomás disse, a voz já mais grossa, empurrando-o gentilmente em direção à cama.
Jão sentou-se no colchão de forma meio desajeitada, quase escorregando pelo canto, mas Tomás subiu logo em seu colo, prendendo-o ali. Tomás tirou a própria camiseta, revelando o peito, e em seguida desabotoou o resto da camisa de Jão, empurrando o tecido pelos ombros magros do garoto.
Tomás desceu os beijos pelo maxilar de Jão até chegar ao pescoço, mordiscando de leve. Jão soltou um gemido sôfrego, cravando as unhas nos ombros de Tomás. Estimulado pelo som, Tomás desceu ainda mais, lambendo o peito do rapaz e descendo a boca pela barriga dele, enquanto suas mãos abriam o cinto e o zíper da calça de Jão.
Tomás puxou a calça e a cueca de Jão de uma vez só. O membro do garoto já estava completamente ereto, pulsando, apontado para cima. Jão cobriu o rosto com as mãos, uma mistura de tesão e timidez. Tomás tirou as mãos dele dali, olhou fundo nos seus olhos e se ajoelhou no chão, entre as pernas de Jão.
Sem pressa, Tomás envolveu a base do pau de Jão com os dedos e levou a boca até a ponta, lambendo a entrada antes de engoli-lo de uma vez. Jão arqueou as costas na cama, soltando um suspiro alto. Tomás começou a chupar com vontade, fazendo um movimento firme de vaivém, usando a língua para massagear a glande enquanto subia e descia. Jão gemia sem controle, os dedos enterrados nos lençóis, completamente entregue àquela sensação inédita.
— Tomás... meu Deus, Tomás... — Jão murmurava, sem fôlego.
Tomás subiu de volta para a cama, os lábios molhados, e livrou-se do resto de suas roupas. O seu próprio pau estava rígido, encostando no ventre de Jão. Jão, querendo retribuir, tentou se posicionar para chupar Tomás, mas no movimento acabou batendo o queixo no quadril dele.
— Desculpa! — Jão exclamou, com os olhos arregalados.
— Está tudo bem, vem cá — Tomás sorriu, deitando-se de costas e puxando Jão para cima de si.
Jão se inclinou sobre o corpo de Tomás. Meio trêmulo, ele abriu a boca e envolveu o membro de Tomás. No começo, o toque dentes de Jão raspou de leve, fazendo Tomás contrair o abdômen, mas Tomás colocou a mão na nuca do garoto, guiando o ritmo de forma suave. Jão aprendeu rápido: começou a sugar com mais firmeza, deslizando os lábios apertados por todo o comprimento, descendo a cabeça até onde conseguia e usando a saliva para lubrificar bem. Tomás segurou firme nos cabelos de Jão, soltando gemidos graves enquanto sentia a boca quente e molhada do garoto envolvê-lo por inteiro.
O tesão no quarto estava sufocante. Tomás puxou Jão para cima, interrompendo a felação, porque precisava de mais. Ele pegou o lubrificante no criado-mudo. Tomás deitou Jão de costas na cama e ergueu as pernas dele, apoiando as coxas do garoto em seus ombros. Jão olhava para ele com uma vulnerabilidade que fez o peito de Tomás flutuar.
Tomás espalhou o gel generosamente nos próprios dedos e começou a preparar Jão. Ao sentir o primeiro toque na sua entrada, Jão deu um leve sobressalto e fechou os olhos, tenso.
— Relaxa, Jão. Foca na minha voz — Tomás pediu, mantendo o tom manso enquanto massageava o local, introduzindo o primeiro dedo devagar.
Jão soltou o ar pela boca, relaxando o quadril. Tomás empurrou o segundo dedo, expandindo o espaço com movimentos circulares, sentindo o interior de Jão apertado e quente. Jão começou a arfar, o quadril subindo de leve em busca do toque.
Tomás retirou os dedos, cobriu seu próprio pau com o lubrificante e se posicionou entre as pernas abertas de Jão. Ele segurou a base do próprio membro e encostou a ponta na entrada do garoto.
— Olha para mim — Tomás pediu.
Jão abriu os olhos, fixando-os em Tomás. Devagar, Tomás começou a empurrar. A sensação de preenchimento fez Jão morder o lábio inferior com força, os olhos lacrimejando de leve pelo impacto da novidade. Tomás parou na metade, esperando o corpo de Jão se acostumar, dando beijos carinhosos no rosto e na testa dele.
— Tudo bem? — Tomás sussurrou.
— Sim... continua — Jão pediu, a voz quase sumida.
Com um movimento firme, Tomás afundou o resto, entrando completamente. Jão soltou um gemido agudo e jogou a cabeça para trás. Tomás esperou alguns segundos e começou a se mover. No início, eram estocadas lentas, saindo quase todo e voltando para dentro, sentindo o aperto absurdo dos músculos de Jão em volta de seu pau.
À medida que Jão pegava o ritmo, a timidez sumia. O desajeitado dava lugar a um instinto puro. Jão começou a envolver a cintura de Tomás com as pernas, puxando-o para mais perto, querendo que Tomás entrasse ainda mais fundo. Tomás acelerou o ritmo. O som dos corpos batendo um contra o outro e o barulho molhado do sexo preenchiam o quarto.
Tomás apoiava o peso dos braços ao lado da cabeça de Jão, estocando com força e precisão. A cada estocada mais profunda, Jão soltava um som sôfrego, o rosto suado, os cabelos colados na testa. Tomás mudou o ângulo ligeiramente, atingindo o ponto certo lá dentro, e Jão deu um grito abafado de prazer, o corpo inteiro tremendo.
— Tomás, eu vou... eu não vou aguentar — Jão arfou, o próprio pau balançando contra o abdômen, já vertendo líquido seminal sem que ninguém o tocasse.
— Vai comigo, Jão. Não para — Tomás respondeu, o suor pingando de seu próprio peito no de Jão.
Tomás aumentou a velocidade, estocando de forma frenética, sentindo que estava no limite. O aperto dentro de Jão ficou ainda mais intenso, espremendo o membro de Tomás a cada movimento. Jão arqueou o corpo, os músculos do seu interior se contraíram em espasmos violentos e ele gozou alto, espalhando o sêmen quente pelo próprio peito e pela barriga de Tomás.
Ver e sentir Jão gozar foi o gatilho final. Tomás deu mais três estocadas profundas, afundando tudo o que podia, e descarregou todo o seu sêmen dentro de Jão, soltando um gemido longo e rouco enquanto seu corpo espasmava sobre o do rapaz.
Tomás desabou por cima de Jão, os dois ofegantes, com os corações batendo descontrolados contra o peito um do outro.
Minutos depois, o quarto estava mergulhado em uma calmaria morna. Tomás rolou para o lado, puxando o lençol para cobri-los, e trouxe Jão para perto de si. Jão estava deitado de lado, a cabeça apoiada no peito de Tomás, ainda tentando recuperar o fôlego.
Com o braço livre, Jão tateou o chão às cegas até encontrar os óculos. Colocou-os no rosto, ajeitou a haste com o dedo e olhou para Tomás com um sorriso imenso e orgulhoso.
— Eu sobrevivi — Jão constatou, a voz rouca. — E você também.
— Sobrevivemos — Tomás sorriu, puxando o rosto dele para um beijo calmo e demorado, com gosto de intimidade. — E foi perfeito.
— Tirando o botão que voou na janela. E o meu queixo no seu quadril.
— Jão, se não tivesse nada disso, não seria você — Tomás o abraçou mais forte, sentindo uma leveza absoluta.
Olhando para o teto, Tomás percebeu que as marcas do passado não sumiam num passe de mágica. Mas ali, com o corpo colado ao de Jão e o calor daquela entrega real ocupando a cama, ele teve a certeza absoluta de que sua vida estava recomeçando do jeito certo.
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