A nova realidade que mudou o mundo parte 146 - Adeus vovó
Chegou o momento que eu mais temia, que eu nunca queria ver. Os soldados vieram direto para onde estávamos. Dois deles agarraram vovó pelos braços, arrastando-a para perto de nós. Mamãe gritou, tentando se levantar, mas a corrente presa ao chão a impediu. Eu me debati como uma louca, puxando a coleira até sangrar o pescoço.
Não! Por favor! Não ela! Pega eu! Pega eu no lugar dela! Eu gritei muito, mas eles não ligaram.
Levaram vovó até um grande tambor de metal enferrujado, daqueles usados para armazenar óleo. O tambor já estava cheio até a metade com fezes humanas, uma massa escura, mole, podre, recolhida das próprias mulheres. O cheiro era insuportável, insuportável e ácido ao mesmo tempo.
Eles a jogaram lá dentro, vovó gritou quando seu corpo afundou na massa quente e viscosa. Eles a forçaram a se agachar, empurrando sua cabeça para baixo até só o rosto ficar para fora. Depois, prenderam uma coleira de ferro ao redor do pescoço dela, fixando-a ao tambor para que não conseguisse subir. E colocaram uma tampa, que só sua cabeça ficou para fora do tambor, e todo o restante está preso dentro do metal enferrujado e imundo.
Mamãe soluçava ao meu lado, o corpo inteiro tremendo: Minha mãe… não… por favor…
Eles trouxeram um funil grande de metal e enfiaram o bico fundo na garganta de vovó. Ela engasgava, os olhos esbugalhados. Então começaram a despejar. Primeiro, leite azedo, litros e litros, coalhado, cheirando a podridão. Depois mel grosso e escuro. Por último, um laxante fortíssimo. Vovó se debatia, o funil forçando tudo para dentro. Seu ventre com certeza deve ter inchado, mas dentro do tambor não dava para ver nada.
Quando terminaram, tiraram o funil. Vovó tossiu, vomitou um pouco, mas a maior parte desceu. As cólicas começaram quase imediatamente. Seu rosto se contorceu em agonia. O intestino dela, cheio de fezes, leite azedo, mel e laxante, começou a se contrair violentamente.
E então eles nos posicionaram, sentaram mamãe e eu bem na frente do tambor, a menos de três metros, acorrentadas para que não pudéssemos desviar o olhar. Queremos que vocês assistam até o final, disse um soldado, sorrindo. Foi então que trouxeram as gêmeas, Clara e Luísa foram jogadas ao nosso lado, também acorrentadas. Elas estavam sujas, magras, com marcas de chicote recentes. Seus olhos se encheram de lágrimas ao verem a avó presa no tambor.
Vovó começou a gemer, as cólicas eram violentas, seu ventre inchado se contraía, fazendo barulhos horríveis. Logo a diarreia começou, explosiva, líquida, saindo com força pela bunda dentro do tambor, misturando-se ainda mais com as fezes. O cheiro ficou insuportável. Vermes e larvas, que já existiam na massa fecal, começaram a subir pelo corpo dela, entrando em sua buceta e no seu cu aberto pela força da diarreia.
Ela gritava com gritos roucos, desesperados, enquanto sentia os vermes se alimentando dela viva: Minhas filhas… por favor… me matem… me matem logo…
Mamãe chorava convulsivamente, tentando se soltar. Eu só conseguia olhar, paralisada, lágrimas escorrendo pelo rosto. Vovó agonizou por horas, até perder as forças de desmaiar.
O sol queimava sua cabeça exposta. A infecção começou rápido, febre alta, delírio, vômitos que ela não conseguia expelir direito. Os vermes que as moscas botavam entravam pelos olhos, narinas, ouvidos. Seu ventre inchado estourou por dentro em algum momento, e mais fezes e sangue começaram a vazar pela boca.
Ela demorou muito para morrer, muito horror, muita dor. Quando finalmente parou de se mexer, o sol já estava se pondo no quinto dia de sofrimento. Seu rosto estava irreconhecível, inchado, comido, coberto de formigas e larvas.
Eu e mamãe ficamos ali, abraçadas, chorando em silêncio. As gêmeas, ao nosso lado, soluçavam baixinho. E o cheiro de podridão da minha avó enchia o ar, misturando-se ao nosso desespero. Eu nunca mais vou esquecer aquele cheiro. Nem aquele olhar dela, no final, quando ainda estava viva e sabia que estávamos assistindo tudo. Eu acho que, naquele momento, uma parte de mim também morreu dentro daquele tambor.
Ao final daquele dia interminável, o campo se transformou num verdadeiro lixão de carne humana. O sol descia lento e vermelho no horizonte, tingindo tudo de uma cor sangrenta. Poucas mulheres ainda estavam vivas fora das que haviam sido selecionadas e presas na cerca. A maioria jazia morta ou agonizava, corpos carbonizados, decapitados, enterrados até o pescoço, ou simplesmente caídos onde desmaiaram de sede e exaustão até morrerem.
Os urubus chegavam aos bandos, grandes, pretos, pesados. Eles sobrevoavam em círculos lentos, depois desciam com um farfalhar de asas e pousavam sobre os cadáveres. Eu os via arrancando pedaços de carne com os bicos curvos, disputando olhos, línguas, pedaços moles de intestino exposto. O som era repugnante, o rasgar úmido da carne, o bater de asas, o grasnar satisfeito. O cheiro era o pior de tudo.
Um fedor denso, insuportável e podre de decomposição acelerada pelo calor. Fezes, sangue, carne queimada, vômito e suor azedo se misturavam num odor tão forte que ardia nos olhos e na garganta. O campo parecia um gigantesco aterro sanitário de corpos humanos.
Nós quatro, eu, mamãe e as gêmeas, permanecíamos acorrentadas na cerca, sentadas, pescoços esticados pelas coleiras. Nossos corpos nus estavam cobertos de terra, suor e lágrimas secas. Vovó ainda estava no tambor, a poucos metros, a cabeça inclinada, já sendo devorada por insetos e urubus que bicavam seus olhos e boca. Mamãe não olhava mais, seus olhos estavam perdidos, vazios. Ela tremia sem parar, murmurando coisas sem sentido.
Foi então que a ordem veio. Um oficial subiu numa plataforma improvisada e falou pelo megafone, a voz ecoando pelo campo: Atenção. As escravas selecionadas serão levadas de volta para a cidade ao escurecer. As que sobrarem aqui serão eliminadas durante a noite.
Um silêncio mortal caiu, algumas mulheres presas na cerca começaram a chorar de alívio, elas achavam que não seriam poupadas. Outras, como nós, sabiam que levadas de volta provavelmente significava algo ainda pior. Eu olhei para mamãe, seus olhos encontraram os meus. Não havia mais esperança neles, só um cansaço profundo, quase sereno. O tipo de cansaço de quem já aceitou que o fim está próximo. As gêmeas, Clara e Luísa, estavam abraçadas ao nosso lado, tremendo, os rostos inchados de tanto chorar. Elas mal conseguiam falar.
O sol sumiu completamente, a escuridão caiu sobre o campo como um manto pesado. Os urubus continuavam seu banquete, grasnando no escuro. De vez em quando, um grito distante cortava a noite, alguma mulher sendo levada, ou morta no lugar.
Só nos restava esperar.
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