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Sol de cunha: o peso e a fúria

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jujucontoseroticos

Entre o suor do galpão e a fúria de Solange, Jussara descobre que sua submissão pede mais que pilhas, exige a pegada bruta de quem manda em tudo.

O sol em Cunha não apenas brilha; ele executa. Às três da tarde, a luz atravessa as telhas de brasilit da "Agropecuária Vale do Sol" como se fossem lâminas incandescentes, transformando o galpão em uma estufa de poeira suspensa, cheiro acre de ureia e o odor orgânico e pesado de ração estocada. O ar é uma massa sólida que entra pelas narinas carregada de pó de milho e farelo de soja. No centro desse microcosmo de trabalho braçal, Jussara Batista operava o caixa, sentindo cada minuto daquelas dez horas de expediente como se fossem chicotadas em sua dignidade.

Aos vinte e seis anos, Jussara era uma força da natureza contida por uma timidez quase patológica. Sua beleza era uma mistura de genética generosa e o desgaste do asfalto: a pele morena clara, permanentemente marcada pelo bronzeado de "camiseta" das caminhadas sob o sol rachando, e um corpo endomorfo que parecia lutar contra o confinamento das roupas. Suas coxas eram grossas, duas colunas de carne firme que roçavam uma na outra a cada passo, e sua bunda, redonda e empinada, era um desafio constante para as costuras da calça jeans excessivamente justa e desbotada.

Naquele momento, no entanto, Jussara era apenas dor. Uma agonia aguda, como uma faca de serra cravada na base da coluna, denunciava sua escoliose postural. Dez horas em pé, equilibrando o peso do corpo na perna direita, haviam drenado sua energia. O ombro esquerdo pendia levemente, uma torção sutil que denunciava o cansaço crônico de quem vive sob a fobia da miséria, contando cada centavo para manter a geladeira cheia e o barraco de blocos minimamente habitável. Ela se sentia frouxa, uma reativa social que aceitava os desaforos do mundo com um sorriso amarelo e um "sim, senhor".

— Jussara! — O grito veio como um estalo de chicote.

O Sr. Alvarenga, um fazendeiro cujas terras eram tão vastas quanto sua arrogância, bateu as chaves da Hilux no balcão de fórmica gasta. O som metálico ecoou pelo galpão, tirando Jussara de seu torpor. Ele exalava o cheiro de quem nunca foi contrariado, uma mistura de suor de couro velho e colônia barata de quem se acha o dono da cidade.

— Já paguei os seis sacos lá no escritório do dono. Não vou ficar aqui perdendo meu tempo. Joga logo essa porra na caçamba. Anda, menina, para de olhar pro nada com essa cara de sonsa!

Jussara engoliu em seco. O "estresse venenoso" borbulhou em seu peito, mas a voz saiu como um sussurro de submissão. Seus dedos, ásperos e com unhas curtas, tremeram sobre o teclado.

— Sr. Alvarenga... o senhor me desculpa, mas minhas costas... eu não tô conseguindo nem me abaixar direito hoje. A Solange foi ali no fundo organizar os fardos de feno, se o senhor esperar cinco minutinhos...

— Esperar o caralho! — Alvarenga se inclinou sobre o balcão, a face vermelha de uma raiva covarde. — Eu pago o salário dessa joça aqui. Eu mando e você obedece. Se suas costas tão doendo, é porque você é uma preguiçosa que não aguenta o tranco. Se não carregar agora, eu ligo pro Zé e você tá na rua antes do sol se pôr. Prefere ir chorar no RH ou quer que eu te ensine como se trabalha, sua frouxa?

As lágrimas picaram os olhos castanhos de Jussara. Ela sentia o peso da inferioridade social como uma bota em seu pescoço. Ela se preparou para sair do balcão, já antecipando o estalo que sua coluna daria ao tentar erguer o primeiro fardo de 20kg, quando o ambiente pareceu subitamente esfriar, apesar do sol escaldante.

Uma sombra densa se projetou sobre a porta de vidro suja de poeira. O som de botas pesadas contra o concreto não era de alguém que caminhava, mas de alguém que avançava para o combate.

Solange Gouveia entrou no galpão.

Aos trinta e nove anos, Solange era o oposto absoluto da fragilidade. O corpo largo, os ombros densos e os braços forjados por décadas de peso bruto faziam dela uma figura imponente. Ela vestia uma regata preta que deixava à mostra os músculos definidos e a pele morena, brilhando com uma camada de suor que destacava a potência de sua musculatura. Solange tinha uma agressividade latente no olhar, um escudo de "macho fêmea" que ela usava para proteger o que era seu.

— Que porra de gritaria é essa aqui dentro, Alvarenga? — A voz de Solange era rouca, profunda, carregada de um desdém que fez o fazendeiro recuar meio passo.

— A Jussara... ela tá se negando a carregar minha mercadoria, Solange! — balbuciou o homem, tentando manter a pose, mas sua voz já havia subido um tom de nervosismo.

Solange caminhou até o balcão, parando tão perto de Alvarenga que ele pôde sentir o calor que emanava do corpo dela. Ela não olhou para Jussara de imediato; manteve os olhos fixos no homem, um olhar que o despia de sua autoridade fajuta.

— Escuta aqui, seu lixo de homem — Solange começou, as palavras saindo baixas e cortantes como navalhas. — Eu ouvi você gritando com ela lá do fundo. Você se acha muito macho porque tem uma caminhonete grande e grita com uma menina que tem metade do seu tamanho, né? Mas a gente sabe a verdade, Alvarenga. Você é um bosta. Um pau-mandado daquela sua mulher que te bota chifre com metade dos peões da região enquanto você tá aqui querendo pagar de patrão.

O rosto do fazendeiro passou de vermelho a um roxo doentio.

— Como é que é? Você não pode falar assim comigo! Eu sou cliente...

— Você é um broxa! — Solange deu um passo à frente, encostando o peito largo no ombro dele, forçando-o a se encolher. — Você não aguenta cinco minutos de trabalho pesado sem infartar. Olha pra você, todo mole, essa barriga de chope e esse pau que eu sei que não levanta nem com reza braba. Você vem aqui descontar sua frustração de meio-macho na Jussara porque sabe que ela é boa demais pra te mandar pro inferno. Mas eu não sou. Eu tenho mais testosterona no meu dedo mindinho do que você tem nesse seu caralho murcho que você chama de masculinidade.

Jussara assistia a cena paralisada, a boca entreaberta. O calor que sentia agora não vinha do sol, mas de uma eletricidade carnal que subia por suas coxas grossas. Ver Solange humilhar aquele homem, destruindo a base de sua soberba com palavras tão cruas, era como um bálsamo para sua alma submissa.

— Agora — continuou Solange, a voz subindo de volume, ecoando nas telhas — se você abrir a boca pra gritar com ela de novo, eu vou te arrastar por essa rua de terra pelos cabelos até você pedir desculpa de joelhos. Você não é homem, Alvarenga. Você é um verme que gosta de pisar em quem acha que é mais fraco. Sai daqui antes que eu resolva te usar como saco de pancada pra testar minha força.

Alvarenga tremia. A valentia de coronel havia desaparecido completamente, substituída pelo medo primitivo de quem sabe que está diante de um predador. Ele pegou as chaves, tropeçou nos próprios pés e fugiu em direção à Hilux sem dizer uma única palavra. O som do motor arrancando e levantando poeira foi o ponto final de sua humilhação.

Solange soltou um suspiro pesado, limpando o suor da testa com as costas da mão calejada. Ela se virou para Jussara, e seu olhar mudou instantaneamente: da fúria absoluta para uma proteção possessiva.

— Você não tem que aguentar esses bosta, Ju. Eles cheiram a medo e projetam isso em você.

Sem esperar resposta, Solange caminhou até a pilha de sacos de ração. Com um movimento brutal e fluido, ela agarrou dois sacos de 20kg de cada vez, um sob cada braço. Os músculos de seus braços saltaram, as veias latejando sob a pele suada e morena. Ela carregou os seis sacos em três viagens rápidas, jogando-os na caçamba da caminhonete (que já estava vazia porque Alvarenga fugiu, mas Solange os deixou no chão, onde ele teria que carregar sozinho depois se quisesse). Ao voltar, ela parou diante de Jussara, o peito subindo e descendo com a respiração pesada.

— Tá tudo bem agora, morena. Eu cuido de você. — Solange se inclinou e deu um beijo rápido na testa de Jussara. O cheiro de Solange — suor, metal e uma força animal — invadiu os sentidos de Jussara, fazendo seu útero contrair com uma violência que ela nunca sentira com homem nenhum.

O expediente terminou sob um silêncio carregado de tensão sexual. Jussara caminhou os quarenta minutos até o bairro Cajuru como se estivesse em transe. A dor na escoliose estava lá, latejando a cada passo, mas sua mente estava presa na imagem de Solange humilhando Alvarenga. "Você é um broxa... seu caralho murcho...". Aquelas palavras ecoavam em sua cabeça, disparando gatilhos de um desejo que ela mal conseguia nomear.

Ao chegar em casa, o ambiente era o de sempre: o silêncio do abandono e o calor abafado das paredes de bloco. Ela não quis comer. O estresse do dia e a adrenalina da cena no galpão haviam se transformado em uma fome diferente, uma fome de pele.

Jussara entrou no banheiro pequeno, de piso encardido. Ela se despiu devagar, deixando a calça jeans cair, revelando as coxas grossas e a calcinha de algodão bege, que já estava marcada por uma mancha de umidade persistente. Diante do espelho, ela se observou. O ombro esquerdo caído, a coluna torta... ela se sentia um projeto inacabado, uma mulher feita para ser usada e descartada.

Ela ligou o chuveiro, deixando a água morna escorrer pelo corpo, lavando a poeira e o farelo de milho. Seus dedos deslizaram pelos seios fartos, sentindo os bicos endurecerem sob o toque. Ela fechou os olhos e, por um momento, tentou imaginar um homem — um daqueles peões que ela via na loja — fazendo o que precisava ser feito. Mas a imagem vinha murcha, sem vida.

"Homem nenhum aqui presta...", ela pensou, a voz de Solange ecoando em sua mente.

Ela saiu do banho, secou-se mal e porcamente e jogou-se na cama. O lençol desbotado parecia áspero contra sua pele sensível. No escuro do quarto, Jussara enfiou a mão na gaveta da mesa de cabeceira e tateou até encontrar o silicone gelado de seu vibrador roxo.

Ela o ligou na potência máxima. O zumbido baixo preencheu o quarto. Jussara afastou as pernas, revelando a buceta morena, de lábios carnudos e levemente inchados pelo calor e pelo tesão acumulado. Ela não pensou na Solange de forma romântica, mas a agressividade da amiga era o combustível.

Ela encostou a ponta vibrante no grelo, e um choque de prazer puro a fez arquear as costas, um gemido agudo escapando de sua garganta. Ela começou a se tocar com desespero, os dedos da outra mão apertando um dos seios com força, querendo sentir dor para aplacar o vazio.

— Porra... — ela sussurrou, a voz arrastada.

Ela imaginava uma mão grande, calejada, segurando seu pescoço com força, exatamente como Solange havia feito com Alvarenga. Ela queria ser dominada, queria que alguém arrancasse aquela frouxidão dela na base da brutalidade. O vibrador trabalhava freneticamente, as vibrações penetrando fundo em sua carne. Jussara começou a rebolar contra o aparelho, a buceta babando, o líquido transparente melando seus dedos e o lençol.

Ela visualizava a cena do galpão, mas agora ela era o Alvarenga, sendo humilhada e subjugada por uma força superior. A ideia de ser reduzida a nada, de ser apenas um buraco sendo usado por alguém que mandava em tudo, a levava ao limite.

— Isso... me usa... — ela murmurou, a mente nublada.

O clímax veio como uma explosão. Suas coxas grossas tremeram violentamente, os dedos dos pés se encolheram e seu corpo todo entrou em convulsão. O jato de gozo molhou sua mão, uma descarga de prazer tão intensa que a fez perder os sentidos por alguns segundos.

Quando a respiração finalmente voltou ao normal, Jussara desligou o vibrador e o deixou cair ao lado do corpo. Ela estava exausta, a alma lavada e o corpo mole. A dor na coluna havia sumido, mascarada pela endorfina.

Ela olhou para o teto, sentindo o suor esfriar em seu decote. Jussara Batista, a caixa frouxa da agropecuária, era agora apenas uma mulher saciada no escuro de um barraco em Cunha. Mas, lá no fundo, ela sabia que o vibrador roxo não seria suficiente por muito tempo. O "estresse venenoso" exigia mais do que plástico e pilhas; exigia a crueza de uma mão de verdade que soubesse como tratar um lixo de homem e como consertar uma mulher quebrada.

Ela adormeceu com o som da voz de Solange gravado em seus ouvidos, um mantra de agressividade que era, ao mesmo tempo, sua perdição e sua única esperança.

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