X-men - O Primeiro Dia (Cap. 1)
Um rapaz com poderes "peculiares" é o novo aluno do Instituto Xavier, para jovens superdotados.
Aviso: Esta é uma fanfic não oficial, criada sem fins comerciais. Os personagens e elementos pertencentes ao universo dos X-Men são propriedade de seus respectivos detentores de direitos autorais. Todos os direitos sobre as obras originais são reservados aos seus criadores.
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Minha mãe me dá um abraço e, logo em seguida, toca meu rosto com os dedos delicados, encarando-me com os olhos marejados. Ela me dá um beijo no rosto e então dá um passo para trás. Meu pai vem em seguida se despedir de mim, sem me olhar diretamente nos olhos, apenas dando-me tapinhas no ombro.
— Tchau, querido — diz minha mãe. — Nos vemos em breve.
Então, os dois saem do escritório, fechando a porta atrás de si.
Nunca fiquei tanto tempo longe dos meus pais, no máximo um mês, há muitos anos, quando passei uma temporada na casa dos meus avós. Mas agora vou passar vários meses aqui, até ter a oportunidade de vê-los pessoalmente novamente.
Minha relação com eles não é tão boa quanto era na minha infância. A natureza dos meus poderes já pregou peças bastante constrangedoras neles. Então, não os culpo por me deixarem aqui.
Olho ao redor do escritório e vejo Kitty Pryde sentada em uma cadeira, de frente para a escrivaninha, usando um terninho cinza, com o cabelo preso em um rabo de cavalo e digitando alguma coisa em seu tablet. No canto da sala, cutucando uma cutícula, está Wolverine, com uma expressão de impaciência. Sentado do outro lado da escrivaninha está Charles Xavier, com um olhar acolhedor direcionado a mim. Ele veste um terno verde-oliva e faz um gesto para que eu volte a me sentar do outro lado da mesa, ao lado de Kitty.
— Agora que a sua matrícula já está garantida e já explicamos como será a sua rotina aqui no Instituto Xavier, Brendon — explica o professor —, gostaria de conversar sobre os seus poderes. Quando perguntei, há pouco, sobre o que você é capaz de fazer com suas habilidades, percebi um certo constrangimento entre você e seus pais. Também percebi que tentou desviar do assunto, com sucesso, inclusive. Você poderia nos dizer qual é a questão?
Olho para baixo, sentindo minhas bochechas esquentarem. É claro que deveria, mais cedo ou mais tarde, dizer o que sou capaz de fazer. Mas, ainda assim, é bastante constrangedor.
— Você está em um ambiente acolhedor, Brendon — diz o professor, com a voz calma. — Pode confiar em nós.
— Existem todos os tipos de poderes, garoto — diz Wolverine, no canto da sala. — Já vi de tudo nessa vida, desde uma garota cujo poder é controlar o comprimento dos cabelos até um garoto que consegue intensificar os odores das próprias axilas.
— Todo poder tem os seus méritos, Brendon — diz o professor, olhando para Wolverine com certa repreensão pelo claro desprezo demonstrado em relação aos poderes que ele acabara de mencionar. Logan faz um gesto de desprezo com as mãos, e o professor volta a me encarar. — Neste instituto, não buscamos a perfeição, mas sim o entendimento. Não há julgamento aqui, apenas o desejo de ajudar você a controlar o que o torna único. Pode falar, no seu tempo.
— Bem — digo, encarando minhas próprias mãos, sem coragem de olhar para eles enquanto explico meus poderes. — Eu consigo alterar alguns hormônios específicos do corpo de outras pessoas: níveis de testosterona, estradiol, ocitocina, dopamina, endorfina e progesterona. Mas minhas habilidades têm um único foco: combinar as alterações desses hormônios. O que quero dizer é que consigo provocar prazer sexual. — faço uma pequena pausa. — Eu sei, é constrangedor.
Um curto silêncio se instala na sala. Mas continuo encarando minhas próprias mãos, nervoso. Sinto o rosto esquentar, as mãos suarem e o coração bater forte no peito. É enorme a vergonha que estou sentindo ao verbalizar, diante de três membros dos X-Men, aquilo de que sou capaz com meus poderes.
— Ah, entendi… — diz Kitty Pryde. — É, bem... um tipo específico de manipulação biológica, suponho.
— Não há motivo para vergonha, Brendon — diz Xavier com firmeza e serenidade, sua voz preenchendo a sala com uma autoridade tranquilizadora. — O que você descreve é uma forma de manipulação química neuroendócrina. Embora o efeito que você menciona seja socialmente sensível, o mecanismo por trás disso é puramente biológico. O prazer é apenas uma resposta do sistema nervoso ao desequilíbrio químico que você provoca. Entretanto, o potencial de uso desse poder é vasto e complexo, sendo necessário um domínio pleno de suas habilidades em tempo integral. — ele faz uma breve pausa antes de continuar. — Mas me diga: é algo que você controla com a mente ou por meio do toque? E qual é o alcance?
— Consigo fazer isso a até trinta metros, mas, quanto mais perto, mais intenso é o efeito das minhas manipulações. A pessoa pode não estar recebendo nenhum estímulo sexual, mas, ainda assim, sente prazer.
— Isso é fascinante e, ao mesmo tempo, extremamente delicado — diz o professor. — Diga-me uma coisa: você consegue sentir o que a pessoa sente quando faz isso? Existe uma conexão empática ou é apenas uma ação de causa e efeito?
— Não sinto nenhuma conexão. É como mover um braço. Não sei como faço isso, mas faço. Se eu quiser que alguém fique excitado, isso acontece.
— O fato de ser um processo tão instintivo quanto mover um braço indica que seu cérebro já integrou esse poder como uma função motora básica. O desafio não será aprender como fazer, mas sim como não fazer. Precisaremos de um ambiente controlado para o seu treinamento. Se o seu poder é ativado pela sua vontade, precisamos descobrir se também pode ser ativado pelo seu subconsciente, pelo medo ou pela raiva. Se você perder o controle em um momento de pânico, o efeito pode ser catastrófico. Você já teve algum incidente em sua vida? Talvez em um momento de estresse ou durante uma briga, quando percebeu que as pessoas ao seu redor reagiram de forma estranha ou descontrolada, sem que você soubesse o porquê?
— Estou ficando bom em controlar meus poderes, mas não era assim quando eu era mais novo. — ergo os olhos por um segundo e percebo que os três estão me encarando. Logan agora ignora sua cutícula, Kitty não olha mais para o tablet e o professor mantém seu semblante calmo enquanto me observa. Abaixo os olhos novamente e continuo falando. — Teve uma vez em que eu estava na sala de aula quando um colega que sentava na carteira à minha frente teve uma ereção. Todo mundo começou a zoar o garoto, e o coitado não sabia o que fazer. Quando a mancha na calça dele apareceu, todos caíram na gargalhada, e ele só sabia se contorcer, com o orgasmo. Naquela época, eu ainda não sabia do que era capaz e que aquilo era culpa minha. Mas agora sei que fui o causador do dia mais constrangedor da vida daquele garoto, e ninguém nunca ficou sabendo que o culpado era eu. Eu sei, é constrangedor, mas você perguntou e estou respondendo. Infelizmente, esse não foi um caso isolado. Houve outros momentos, mas, como eu disse, estou ficando bom em controlar meus poderes. Eles só eram imprevisíveis quando eu ainda estava descobrindo do que era capaz.
— Brendon, você era uma criança. — comenta Kitty. — Não tinha as ferramentas necessárias para entender o que estava acontecendo com seu próprio corpo e com o dos outros. Ninguém nasce sabendo ser um mestre do autocontrole.
— O problema é ter um poder que afeta o corpo dos outros e cujas consequências são visíveis e humilhantes — diz Wolverine, com sua voz grave.
— A culpa é um mestre severo, Brendon, mas também é um excelente guia para a responsabilidade — intervém o professor. — O que você descreveu é o que chamamos de manifestação errática do despertar. Durante o despertar dos genes X, o corpo e a mente estão em um estado de caos biológico. É natural que seu campo de influência tenha flutuado sem o seu consentimento. Em breve, reservaremos um momento para o seu treinamento, a fim de descobrir o nível de controle que você tem sobre seus poderes. Mas, por ora, estamos bem por aqui. Kitty, por favor, mostre a Brendon o dormitório dele.
— Claro — diz ela, fechando a capinha do tablet e colocando-o debaixo do braço. — Vamos, Brendon.
Levanto-me da cadeira e a sigo. Dou um sorriso tímido em agradecimento pela atenção do professor e do próprio Wolverine.
Saímos da sala e seguimos pelo longo corredor. Após cruzarmos a grande sala de estar da luxuosa mansão dos X-Men, subimos a escadaria e começamos a percorrer um novo corredor, cheio de quadros de paisagens nas paredes e com o chão acarpetado.
— Sabe, Brendon? A primeira coisa que você vai notar é que todo mundo aqui tem um segredo ou um trauma. O que você faz é diferente, mas esse sentimento de ser esquisito é o que nos une. Se você se sentir desconfortável, é só me procurar ou ir até a biblioteca. É o lugar mais silencioso desta casa. — paramos em frente a uma porta de madeira maciça. — Pronto. Chegamos ao seu dormitório. O que você está sentindo agora? Nervoso? Aliviado? Cansado? Você fez uma longa viagem até aqui.
— Bom, eu só estou pensando no que dizer quando me perguntarem sobre o meu poder. Você, Logan e o professor são mais maduros, mas os outros alunos com certeza vão rir.
— Vou ser bem honesta com você, Brendon. Você não está errado. Alguns vão rir, alguns vão fazer piadinhas de duplo sentido e outros vão ficar com vergonha só de saber que você existe. A adolescência e o início da vida adulta já são complicados o suficiente sem ter um poder que mexe com um dos instintos mais básicos dos seres humanos. Mas sempre vai ter algum grupo de pessoas que vai olhar para você e pensar: "Caramba, eu adoraria ter esse poder!". E tem um terceiro grupo: aquele que vai ter medo de você, que vai se perguntar se você pode tirar o controle deles sem que percebam. O segredo para lidar com os risos é não dar o palco que eles querem. Se você agir como se seu poder fosse apenas uma ferramenta biológica, e não algo sujo ou engraçado, as piadas perdem a força. Se você tratar isso como um fato científico, as pessoas tendem a seguir o seu tom.
— Obrigado. Acho que você está certa e é um bom plano.
— Que bom poder ajudá-lo — diz ela, abrindo a porta do quarto.
Ali dentro, vejo um cômodo relativamente grande, com uma cama de cada lado, cada uma acompanhada de um criado-mudo. Há duas escrivaninhas com cadeiras e dois armários. Uma porta na lateral provavelmente leva a um banheiro. O chão é coberto por um tapete, e uma grande janela, protegida por uma cortina, completa o ambiente. É realmente um espaço acolhedor e relativamente sofisticado.
— Suas malas já estão aqui — diz ela, apontando para elas, próximas a uma das camas. — Sobre o criado-mudo está uma pasta com seu cronograma de atividades e também com o mapa do Instituto, para que você consiga se localizar, além de algumas regras de convivência que você precisa conhecer. Qualquer dúvida, pode me procurar. Ah, e seu colega de quarto se chama Jason. Ele é um garoto legal. Vocês vão se dar bem.
— Obrigado, Kitty.
— Não por isso, Brendon. Até mais!
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Nota: Esse é um capítulo introdutório do personagem. Nos próximos vocês verão ele colocando seus poderes em prática.
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Comentários (3)
MachoRoludo: Muito bom! Espero ansioso o desenrolar dessa história.
Responder↴ • uid:h5ijpbfiammm: como vai ser esse conto?
Responder↴ • uid:13w1m69ncbxfShhhhhhh: Interessante! Parece que vai ser legal, é um segmento bem diferente dos contos que tem por aqui, eu esperaria ler isso no AO3, mas quem não tem cão, caça com gato! Quero ler o próximo logo!
Responder↴ • uid:3eeyh53dqra