Puteiro de Garimpo - Parte 2 - Carne nova
Elas chegam num fim de tarde sufocante, quando o sol ainda queima a floresta e o cheiro de barro, diesel e mercúrio paira pesado no ar. A caminhonete velha para na frente do Barracão das Sombras com um solavanco. O motorista, um homem de voz rouca e chapéu sujo, só grita pela janela:
— Chegou à encomenda do Sul.
Do banco de trás descem duas mulheres. A mais velha se chama Marisa. Quarenta e três anos, corpo ainda firme, seios pesados, cabelo castanho preso num rabo de cavalo desfeito pela viagem. O rosto carrega o cansaço de quem já enterrou muita coisa atrás de si. A mais nova é a filha, Jéssica. Vinte e dois anos, magra, pele clara demais para aquele sol, cabelo loiro-sujo caindo nos ombros. Os olhos são grandes e assustados, mas já não têm mais a inocência de quem acredita em volta para casa.
Vieram do interior do Rio Grande do Sul. De uma cidade pequena onde o nome da família ainda pesava. O marido de Marisa, pai de Jéssica, sumiu com uma dívida de jogo e com a mulher de outro. Deixou-as com a casa hipotecada, ameaças e uma dívida que não dava para pagar com trabalho honesto. Foi aí que apareceu o intermediário, um homem de fala mansa que prometeu “trabalho bom no Norte”, dinheiro rápido, um lugar para recomeçar. Disse que era em restaurante de garimpo. Mentiu, claro. Mas naquele momento, qualquer mentira parecia melhor que a verdade que elas estavam vivendo.
A viagem durou quase uma semana. Ônibus até Manaus, depois barco, depois caminhonete por estradas de terra que sumiam dentro da floresta. Em nenhum momento as duas souberam exatamente para onde estavam indo. Só sentiam que a cada quilômetro o mundo lá fora ficava mais longe. Agora estão paradas na frente do barracão de madeira podre e lona verde. O barulho de dentro já chega até elas, música alta, vozes grossas, risadas sujas, o som de uma mesa sendo batida com força. O cheiro de cachaça barata e suor masculino mistura-se com o da floresta.
Seu Nestor sai da porta. Olha as duas de cima a baixo, sem pressa. Passa a língua nos dentes.
— Mãe e filha, comenta, como quem confere mercadoria. Interessante, e raro até.
Marisa segura a alça da mochila com força. A voz sai rouca:
— Foi o que combinaram. Trabalho. A gente veio trabalhar.
Nestor ri baixo.
— Todo mundo vem trabalhar, minha filha. A diferença é o tipo de serviço.
Ele faz um gesto com a cabeça. Dois homens armados se aproximam e pegam as mochilas das mulheres. Não pedem, simplesmente tiram. Depois empurram as duas para dentro do barracão. O salão está meio cheio. Garimpeiros sujos, alguns traficantes de fala venezuelana, um ou dois rostos de foragidos que ninguém ousa perguntar o nome. Várias mulheres já estão ali, algumas sentadas em bancos improvisados, outras no colo de clientes. Quase todas olham para as recém-chegadas com uma mistura de curiosidade e pena.
Nestor bate palmas uma vez só. O barulho diminui.
— Galera… chegou reforço do Sul. Mãe e filha. Quarta-feira de estreia.
Alguns homens riem. Um assobia. Outro grita:
— Quero a loirinha primeiro!
Jéssica recua meio passo. Marisa se coloca na frente da filha por instinto, mas já sabe que o gesto não vale nada ali. Nestor continua, em tom de quem explica as regras pela milésima vez:
— Vocês duas vão ficar na cabine do fundo por enquanto. Hoje à noite já começam. Aqui não tem férias, não tem “não quero”, não tem “tô cansada”. Quem fica doente, trabalha doente. Quem sangra, limpa e volta. Dinheiro só sai depois que eu descontar comida, colchão e proteção. Se sobrar alguma coisa, vocês veem.
Ele se aproxima de Marisa e segura o queixo dela com dois dedos, forçando-a a olhar nos olhos dele.
— E mais uma coisa… mãe e filha juntas chamam atenção. Tem cliente que paga bem por isso. Vocês vão atender juntos quando eu mandar. Entendeu?
Marisa engole seco. A resposta sai quase sem voz:
— Entendi.
Jéssica não fala nada. Só aperta a mão da mãe com força, como se ainda pudesse proteger ou ser protegida. Nestor solta o queixo de Marisa e se vira para os homens:
— À noite a gente vê o preço. Quem quiser garantir a primeira foda com as gaúchas, fala comigo agora.
Várias vozes se levantam ao mesmo tempo. Dinheiro e ouro em pó já começam a aparecer em cima do balcão improvisado.
Enquanto isso, as duas são levadas para o fundo do barracão. A cabine é pequena, quente, com um colchão fino no chão e um ventilador quebrado no canto. A parede de madeira tem buracos por onde entra o barulho de fora. No ar, ainda paira o cheiro de sexo de quem usou o lugar antes delas.
Marisa se senta na beira do colchão. Jéssica fica em pé, abraçando o próprio corpo.
— Mãe… a voz da filha sai baixa, quase um fio. A gente vai conseguir sair daqui?
Marisa olha para a filha. O olhar dela já não tem mais mentira.
— Não sei, responde só. Mas agora a gente está aqui.
Do lado de fora, a noite começa a cair sobre a floresta. Os geradores ligam, a música sobe. Os primeiros clientes da noite já gritam nomes e preços.
E no meio daquele inferno verde e sujo, mãe e filha esperam a hora de serem chamadas. O ventilador quebrado gira devagar no canto, fazendo mais barulho do que vento. Lá fora a música já está alta e as vozes dos homens sobem e descem como ondas. Dentro da cabine, o calor é pesado e o cheiro de madeira úmida e sexo antigo gruda na pele.
Jéssica fica em pé perto da parede, abraçando os próprios braços. Marisa se senta na beira do colchão fino, com as mãos apertadas entre os joelhos. Pelos longos segundos, nenhuma das duas fala. Só se ouve a respiração acelerada da filha.
— Mãe… a voz de Jéssica sai baixa, quase tremendo. Eu tô com medo.
Marisa ergue o rosto. Os olhos estão vermelhos, mas secos.
— Eu também, filha.
— Não. Você não entende. Eu… eu nunca fiz. Nunca. Com ninguém.
Marisa fica parada. O silêncio pesa mais que o calor.
— Você ainda é virgem? Pergunta baixo, como se tivesse medo de alguém do lado de fora escutar.
Jéssica balança a cabeça, devagar. As lágrimas começam a descer sem ela conseguir segurar.
— Nunca deixei. Nunca quis de verdade. E agora… agora vão me obrigar. Eu não sei o que fazer. Não sei se eu aguento. Não sei se o corpo aguenta.
Marisa passa a mão no rosto, cansada. A voz sai rouca:
— Faz dez anos que eu não faço, dez anos. Depois que o seu pai foi embora, eu travei. Não quis mais, não consegui mais. Meu corpo… esqueceu como é. E agora a gente tá aqui.
Jéssica se aproxima e se agacha na frente da mãe. Os olhos dela estão grandes, assustados, pedindo alguma coisa que Marisa não tem para dar.
— Me fala o que eu tenho que fazer, pede a filha, quase num sopro. Me fala de verdade. O que um homem espera. O que eu preciso fazer pra… para ele ficar satisfeito. Para não me machucar mais do que o necessário. Eu não sei nada, mãe.
Marisa demora para responder. Quando fala, a voz sai baixa e direta, sem suavizar:
— Eles não vêm aqui para carinho. Vêm para usar. A maioria nem olha no seu rosto. Você se deita, abre a perna e deixa. Se doer, você segura o grito. Se sangrar, você limpa depois. Alguns gostam quando a mulher faz barulho. Outros gostam quando ela fica quieta. Você vai ter que ir sentindo.
Jéssica engole seco.
— E se eu não conseguir? Se eu travar? Se eu chorar demais?
— Aí eles ficam bravos. Ou pior, alguns gostam quando a mulher chora, outros batem. Não tem regra certa, filha. Cada um é um monstro diferente.
A filha aperta as mãos da mãe com força.
— E a gente… juntas? Ele falou que vão querer as duas juntas. Eu não aguento te ver fazendo isso. Eu não aguento você me vendo.
Marisa aperta de volta as mãos da filha. Os dedos delas estão frios, apesar do calor.
— Eu também não. Mas a gente não tem escolha agora. Se um pedir as duas, a gente faz. Você fica do meu lado. Eu fico do seu. A gente sobrevive à noite. Depois a gente vê a próxima.
Jéssica baixa a cabeça e encosta a testa no ombro da mãe. A voz sai abafada, quase sem força:
— Eu tô com tanto medo de doer… de sangrar… de não dar conta… de eles perceberem que eu nunca fiz e rirem de mim. Ou pior.
Marisa passa a mão no cabelo da filha, num gesto automático de proteção que já não protege mais nada.
— Vai doer. Principalmente a primeira vez. E provavelmente as outras também. Eles não vão ter cuidado. Não vão perguntar se você tá bem. Você respira fundo, olha para um ponto qualquer na parede e tenta sair daqui com a cabeça. O corpo a gente aguenta. A cabeça é mais difícil.
Lá fora, alguém bate forte na porta da cabine. A voz grossa de um dos homens do Seu Nestor corta o ar:
— Vocês duas. Daqui a pouco. Se arrumem.
O silêncio volta a cair dentro da cabine. Jéssica ainda está com a testa no ombro da mãe. As duas respiram rápido. Nenhuma delas sabe se vai conseguir atravessar a noite. Mas as duas já entenderam que não existe outro caminho. Marisa aperta a filha contra si uma última vez e fala baixo, quase no ouvido dela:
— A gente entra juntas. E a gente sai juntas. É o único acordo que ainda importa.
O tempo passa, e pouco tempo depois, dois homens entram na cabine sem bater. Não falam quase nada. Um deles segura Marisa pelo braço; o outro puxa Jéssica pelo pulso. As mochilas e as roupas que ainda estavam no corpo são arrancadas com pressa e indiferença. Blusa, sutiã, calça, calcinha. Tudo vai para o chão. Em menos de um minuto as duas estão completamente nuas.
O ar quente do barracão toca a pele exposta. Os mamilos de ambas endurecem na hora, duros como pedra, e a pele inteira se arrepia apesar do calor. Não é frio, é vergonha, é medo.
— Anda, ordena um dos homens. Pro salão.
Elas são empurradas lado a lado pelo corredor estreito. Os seios balançam a cada passo. Jéssica tenta cobrir o sexo com as mãos; o homem ao lado dela dá um tapa seco no braço e ela desiste. Marisa mantém os braços colados ao corpo, mas não consegue esconder nada. A cada metro que avançam, mais olhos se viram para elas.
Quando entram no salão principal, o barulho diminui por um segundo. Depois explode em assobios, gritos e risadas baixas. Dezenas de homens, garimpeiros sujos, traficantes, foragidos, param o que estão fazendo para olhar. Duas mulheres nuas, uma de quarenta e três e outra de vinte e dois, mãe e filha, lado a lado, a pele clara ainda marcada pela viagem, os mamilos eretos, a pele arrepiada, o medo estampado no rosto.
Seu Nestor está encostado na mesa de sinuca no meio do salão. Bate duas vezes na madeira com a mão aberta.
— Sobe as duas em cima da mesa.
Marisa hesita. Jéssica treme visivelmente. Um dos homens dá um empurrão nas costas da filha e ela é obrigada a subir primeiro. A madeira da mesa é fria e áspera sob os pés descalços. Em seguida sobe a mãe. As duas ficam em pé sobre a mesa de sinuca, nuas, expostas sob a luz suja dos refletores improvisados. O corpo inteiro arrepiado. Os mamilos duros, apontados. Jéssica aperta as coxas uma contra a outra por instinto; Marisa tenta manter a postura, mas o queixo treme.
Nestor anda em volta da mesa, como quem inspeciona mercadoria.
— Olha só o que chegou do Sul. Mãe e filha. A loirinha ainda é novinha de verdade. Nunca foi comida. A mãe faz dez anos que não sente homem. Hoje as duas vão estrear juntas. Quem leva as duas na primeira foda paga o preço e usa como quiser. Elas vão satisfazer juntas o comprador. Sem frescura.
Os homens se aproximam. Alguns já tiram dinheiro e saquinhos de ouro em pó do bolso. Outros só observam, mastigando o canto da boca, os olhos subindo e descendo pelos corpos expostos. Jéssica está com o rosto vermelho de vergonha. As lágrimas escorrem sem ela conseguir segurar. Os braços tentam se fechar na frente do corpo, mas Nestor grita:
— Mão para trás. As duas. Quero ver tudo.
Elas obedecem. Os seios ficam completamente expostos. Os mamilos continuam duros, contrastando com a pele arrepiada. O sexo de Jéssica está visível, ainda fechado, virgem. O de Marisa, mais maduro, também à mostra. O cheiro de cachaça, suor e desejo masculino sobe até elas.
Um homem alto, de barba por fazer e camisa aberta, levanta a mão com um saquinho de ouro.
— Eu levo. Quanto tá?
Outro grita um valor maior, depois outro. O leilão sobe rápido. Os olhos de todos estão colados nos corpos das duas mulheres em cima da mesa. Alguns já estão de pau duro dentro da calça, sem nenhum pudor.
Jéssica balança a cabeça devagar, em desespero, murmurando sem voz:
— Mãe… eu não consigo…
Marisa não responde. Só estende a mão e segura a da filha com força, ali em cima da mesa, na frente de todo mundo. As duas estão nuas, expostas, com medo, com vergonha, com o corpo inteiro arrepiado e os mamilos rochosos. E o leilão continua.
O homem que der o maior lance vai levar as duas. E elas vão ter que satisfazer ele juntas. O leilão termina quando um homem negro, alto e largamente construído, joga um saquinho pesado de ouro em pó em cima da mesa de sinuca. O som do metal contra a madeira corta as outras vozes.
— É meu, ele diz, voz grossa, sem pressa. As duas.
Seu Nestor conta o ouro com os dedos sujos e acena com a cabeça. Ninguém discute. Aquele homem é conhecido no garimpo. Dono de várias máquinas de sucção, braços grossos de quem carrega peso o dia inteiro, pele escura marcada de barro seco e cicatrizes. As outras mulheres do Barracão já falaram dele em voz baixa: o pau é grosso demais, longo demais, e ele não tem pressa nem piedade. Ele olha para Marisa e Jéssica ainda em cima da mesa, nuas, arrepiadas, mamilos duros.
— Desce.
Elas descem. As pernas tremem. Ele não as toca ainda. Só aponta com a cabeça na direção da saída.
— Vambora. Minha barraca.
Dois homens armados acompanham até a entrada do acampamento. Depois só restam os três. A barraca dele fica um pouco afastada, maior que as outras, feita de lona pesada e madeira. Dentro cheira a diesel, suor velho e terra molhada. Tem um colchão grosso no chão, algumas caixas de ferramenta e uma lanterna pendurada. Ele fecha a entrada da barraca e se vira para as duas.
— No chão. De quatro. Uma de frente para outra.
Marisa e Jéssica obedecem. O chão é duro. O corpo ainda arrepiado. Ele tira a camisa, depois a calça. O pau cai pesado entre as pernas, já semiduro, grosso na base, veias saltadas, a cabeça larga. Mesmo não completamente ereto, já impressiona. Jéssica engole em seco só de olhar.
— Agora se chupa. Língua na boceta uma da outra. Quero ver.
As duas hesitam um segundo. Ele dá um tapa seco na coxa de Marisa.
— Anda.
Marisa se aproxima primeiro. O cheiro da filha sobe até ela. Com a mão trêmula, afasta os lábios da boceta de Jéssica e passa a língua devagar. Jéssica solta um soluço e faz o mesmo, sem jeito, sem experiência. A língua da filha é quente e insegura na boceta da mãe. O gosto é de medo e de pele. Ele fica de pé ao lado, masturbando o pau grosso enquanto observa.
— Mais fundo. Chupa direito. Língua lá dentro suas putas imundas.
Elas obedecem. O som molhado preenche a barraca. Jéssica chora baixinho enquanto lambe. Marisa mantém os olhos fechados, mas não para. Depois de alguns minutos ele puxa Jéssica pelo cabelo e a ajoelha na sua frente.
— Abre a boca.
Ela abre, ele enfia o pau. A cabeça larga mal passa pelos lábios dela. Jéssica se engasga na hora, os olhos enchem d’água, saliva escorre pelo queixo. Ele segura a cabeça dela com as duas mãos e empurra mais. O pau grosso estica a boca da filha até o limite. Ela tenta puxar o ar pelo nariz, mas ele não tira. Fica ali, fundo, se mexendo curto, sentindo a garganta dela se debater.
— Engole. Aprende logo que sua boca só serve para isso, puta nojenta.
Marisa assiste de quatro, ainda com o gosto da filha na boca. Quando ele finalmente tira o pau da boca de Jéssica, um fio grosso de saliva liga os lábios dela à cabeça do membro.
Ele empurra Marisa de bruços no colchão, levanta a bunda dela e cospe entre as nádegas. Não tem lubrificante de verdade. Só saliva e força. O pau grosso pressiona o cu da mãe. Marisa grita quando a cabeça entra. Ele não para empurra centímetro por centímetro, abrindo-a com dificuldade. A pele estica, arde, rasga. Quando ele enterra até a base, Marisa está com a cara afundada no colchão, soluçando. Sangue mistura com saliva e escorre pela coxa dela.
— Aperta, ele ordena, e começa a foder o cu dela com força. Cada estocada arranca um gemido rouco de Marisa. O sangue continua saindo, manchando o colchão.
Enquanto fode o cu da mãe, ele puxa Jéssica pela nuca e faz ela chupar as bolas e a base do pau que entra e sai. A filha obedece, chorando, lambendo o sangue e a saliva que escorrem.
Depois ele tira o pau do cu de Marisa, ainda duro, sujo de sangue e merda e empurra Jéssica de costas. Abre as pernas da filha com as mãos grandes e enfia de uma vez na boceta virgem. Jéssica grita alto. O pau grosso rasga a resistência, entra com dificuldade, estica ela até doer de verdade. Ele fode a filha com estocadas fundas e pesadas, segurando os quadris dela com força. Marisa é obrigada a ficar ao lado, segurando a mão da filha enquanto ela é arrombada. A noite é longa.
Ele fode as duas bocetas várias vezes. Alterna entre mãe e filha. Faz Jéssica chupar o pau ainda sujo do cu e da boceta da mãe. Faz Marisa chupar a boceta sangrada da filha. Fode o cu de Marisa de novo, mais fácil agora que já está aberto e sangrando. Goza dentro da boceta de Jéssica, depois dentro da de Marisa, depois de novo na boca das duas. Quando cansa de uma posição, vira as duas, empilha uma em cima da outra, fode uma enquanto a outra é obrigada a lamber.
Não tem carinho, nem tem pausa longa. Só o barulho úmido de pele batendo, gemidos de dor, choro abafado e a respiração pesada dele. Quando a madrugada já vai alta, ele ainda as usa mais algumas vezes. O colchão está manchado de sangue, porra e suor. As duas mal conseguem fechar as pernas.
Na manhã seguinte, quando ele finalmente libera as duas para voltarem ao Barracão, Marisa e Jéssica andam com dificuldade. As pernas abertas, coxas tremendo, bocetas inchadas e doloridas, o cu de Marisa ainda escorrendo um fio de sangue misturado com porra. Cada passo dói. Elas não conseguem manter as coxas juntas. O corpo inteiro denuncia o que a noite inteira fez com elas.
Ele fica na entrada da barraca, fumando, olhando as duas se afastarem.
— Qualquer dia eu compro de novo, grita atrás delas.
As duas não respondem. Só andam, pernas abertas, de volta para o Barracão das Sombras.
Estão completamente nuas. O corpo inteiro sujo de terra, suor, saliva, porra seca e sangue. As coxas de Jéssica escorrem um fio branco misturado com um pouco de sangue da virgindade arrombada. O cu de Marisa ainda lateja e pinga um líquido rosado a cada passo. As duas andam de pernas abertas, sem conseguir juntar as coxas. Cada movimento dói. Os seios balançam pesados, os mamilos ainda sensíveis, a pele marcada de dedos e tapas. O caminho de volta para o Barracão das Sombras atravessa o meio do garimpo. Os homens param o que estão fazendo. Motores são desligados. Conversas morrem. Dezenas de olhares se viram para as duas figuras nuas que avançam pela lama.
As vozes começam baixo e depois sobem, sujas, sem nenhum freio:
— Olha as gaúchas voltando…
— A loirinha tá pingando porra até agora, porra.
— E a mãe? Tá andando igual cavalo aberto. O negro arrombou o cu dela direito.
— Vem cá, puta. Mostra essa boceta inchada.
— Cheiro de porra e sangue até daqui, caralho.
— A filha ainda tá com cara de quem chorou a noite inteira. Gostei.
Alguns cospem no chão quando elas passam. Outros batem palma devagar, zombando. Um garimpeiro mais próximo estende a mão e tenta apertar o peito de Marisa; ela desvia o corpo por instinto e quase cai na lama. Ele ri alto.
— Já tá ensinada, a puta velha. Não deixa pegar de graça.
Jéssica mantém a cabeça baixa, mas as lágrimas continuam caindo. O rosto dela está sujo, o cabelo grudado na testa e no pescoço. Cada passo faz a boceta latejar. Ela sente o olhar de todos colado entre as pernas dela, no sangue seco, na porra que ainda escorre.
Marisa segura a mão da filha com força. Os dedos estão sujos e trêmulos. Ela não fala nada, só aperta. O queixo continua erguido, mas os olhos estão vermelhos e vazios. Ela já entendeu, não existe volta, não existe negociação. Ali, nuas, meladas, doloridas, atravessando o garimpo sob xingamentos, as duas são só carne. Carne que os homens compram, usam, devolvem e compram de novo.
Um grupo de venezuelanos assobia e grita em espanhol coisas ainda mais nojentas. Um deles imita o gemido de dor que Jéssica soltou durante a noite. Outro aponta para o cu de Marisa e faz gesto obsceno com os dedos.
— Essa aí vai precisar de ponto, irmão. O negro rasgou tudo.
Risadas.
Elas continuam andando. A lama gruda nos pés descalços. O sol já está alto e quente, secando a porra e o sangue na pele, deixando a sujeira ainda mais visível. O cheiro delas se espalha, sexo, suor, ferro de sangue e terra.
Quando finalmente enxergam o Barracão das Sombras na frente, as duas sabem exatamente o que as espera. Não é abrigo, só o lugar onde vão ser colocadas de novo à venda. Onde outros homens vão apontar, vão pagar, vão usar. Onde a dor de agora vai se somar a outras dores. Onde a vergonha vai virar rotina. Onde o corpo delas não pertence mais a elas.
Marisa aperta mais a mão da filha e fala baixo, quase sem voz, só para ela ouvir:
— Não olha pra eles, só anda.
Jéssica obedece. Mas os xingamentos continuam atrás das duas, seguindo cada passo coxo, cada perna aberta, cada marca visível no corpo nu.
Elas entram no Barracão sujas, meladas, doloridas, com o gosto da noite ainda na boca e a certeza fria de que suas vidas agora estão nas mãos daqueles homens. E que o sofrimento, ali, só está começando.
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