O que sobrou de mim
Aos 44 anos, deixei de ser apenas esposa e cuidadora. O que vivi naquela tarde mudou para sempre a forma como olho para mim mesma
Nasci no interior e engravidei aos 19 anos, na primeira relação sexual que tive. Eu estava envolvida emocionalmente e muito curiosa, mas não tão apaixonada. Ele sim, estava apaixonado por mim. Isso teve um custo alto socialmente para ambos, porque eu tive que casar e ele que assumir a paternidade, já que tínhamos a pressão das famílias.
Aos poucos fui me acostumando com meu marido e com meu estado de casada. Na realidade, eu sabia que ele teve amantes, mas nunca deixou de nos dar o melhor possível. Muita gente pode estranhar isso, um casamento de aparências, mas fui me adaptando e me preocupando mais com minha filha.
Quando ela tinha dezoito anos, mudamos para uma cidade grande, já que meu marido conseguiu uma indicação num bom emprego. Porém, o custo de vida também era maior e ele nunca havia me deixado trabalhar. Com o passar do tempo, ele arrumou uns bicos para fazer aos finais de semana para complementar a renda.
Minha filha fez faculdade e se casou há dois anos atrás. Eu ficava em casa sozinha e conversei com meu marido que precisava fazer alguma coisa e ele, finalmente, me deixou trabalhar. Como eu não tinha faculdade, o jeito foi tentar algum curso profissionalizante. Comecei com o de manicure.
Fui trabalhar em dois salões de beleza próximos da nossa casa e o que aprendi ali foi o linguajar das mulheres, principalmente em relação a sexo, já que eu era tímida, ou melhor, tinha vergonha de falar certas coisas. Uma das clientes me falou, e isso ficou na minha mente:
- Na hora que ele está te comendo você tem que falar o que quer porque ninguém é adivinho.
Trabalhar é bom porque eu ocupava a minha cabeça, mas o que sobrava no final do mês quase não compensava. Mesmo assim, juntei um dinheiro e fui fazer um curso de cuidadora de idosos.
Enviei meu currículo para uma empresa e logo fui chamada, mesmo sem experiência. Era para ajudar na escala de outras cuidadoras, em casos mais simples, trabalhando duas a três vezes por semana e ganhando mais do que manicure. Foi desta forma que obtive mais experiência e fui me aprimorando.
Quase um ano depois, fui designada a uma casa e me passaram as informações. Eu trabalharia dois dias da semana, para que a cuidadora principal fizesse um curso de especialização. A paciente era uma idosa, que estava na cama, com Alzheimer, movimentos limitados e já não falava. Seu filho morava e cuidava dela.
Foi assim que conheci Renato, um homem gentil e que me deixou à vontade na casa. Ele trabalhava home office e qualquer coisa era só chamá-lo. Após o almoço, eu o vi lavando a louça e como sua mãe estava dormindo, me ofereci para fazer o serviço. Ele sorriu, agradeceu e trocamos algumas conversas triviais.
Logo, isso se tornou um hábito, e fomos nos conhecendo melhor, embora eu quase não falasse da minha vida. Fiquei sabendo que ele era um pouco mais velho do que eu, divorciado há sete anos e há cinco cuidava da doença da mãe. Ele não tinha mais vida social, pois aos sábados e domingos ficava em casa com a mãe e eu o convenci que ele tinha que viver. Ele ligou para a agência, pedindo uma cuidadora para os finais de semana, sugerindo meu nome.
Fui conversar com meu marido, pois seria aos sábados e domingos, das oito às dezessete e com um valor financeiro muito bom. Ele me olhou e simplesmente me disse secamente:
- Faça o que quiser.
Fiquei puta com ele. Estava cansado, meio bêbado, estressado, nervoso, mas não precisava responder daquela maneira. Eu já tinha ouvido no salão de beleza que mulher estressada precisa de sexo e imediatamente isso me veio à cabeça, mas acho que a frase serve para homens também.
E foi aí que me dei conta há quanto tempo nós não transávamos. De um lado era bom, porque eu não tinha mais prazer com ele e isso faz anos. Estávamos desconectados e eu fazia para cumprir meu papel de esposa. Achei melhor deixar isso de lado.
No sábado, pela manhã, meu marido já havia saído e não sei onde foi, porque não me disse. Fui até o quarto da minha filha e como temos o mesmo tipo de corpo, somos magras, escolhi um vestido acinturado, mais jovem, afinal era um sábado e eu não queria me estressar.
Quando cheguei à casa de Renato, ele elogiou o meu vestido e disse que eu ficava muito bem nele. Coloquei o jaleco e ele saiu para distrair, voltando perto do horário de eu ir embora. Nos dois finais de semana seguintes, as coisas foram mais ou menos do mesmo jeito. Como eu não tinha nada com isso, não fiz perguntas e ele também não comentou nada. Nossas conversas foram triviais e a respeito do estado de saúde da mãe dele.
Foi num domingo chuvoso que eu cheguei e ele não quis sair. Falei que iria embora e conversaria com a agência, mas ele me pediu para ficar. Eu fiz as minhas tarefas e por volta da uma hora da tarde, com sua mãe já dormindo como era costume, almoçamos e conversamos.
Eu já vinha sentindo um clima diferente entre nós, até mais da minha parte do que da dele. Não sei, tinha algo diferente. Na hora de ir embora, a chuva já havia parado e fazia calor. Fui em direção à porta e ele colocou as mãos sobre os meus braços, na altura dos ombros, me fazendo esperar para que abrisse a porta.
Eu estava com um vestido de alças e o toque foi direto na minha pele, mas não foi um toque sexual, porém foi carinhoso e eu senti uma espécie de energia boa. Tudo isso foi rápido e acho que ele nem percebeu, mas na minha mente isso marcou.
Já em casa, comecei a pensar no que tinha ocorrido e comecei a perceber um tesão estranho. Comecei a fantasiar com ele me agarrando, me desejando e isso fez com que eu ficasse molhadinha e minha vagina teve uns espasmos. Pensei comigo mesma:
- Você está louca.... Pare com isso. Você é casada.
Eu sei que a partir daí eu ficava cada vez mais ansiosa para ir à casa de Renato. Para mim, não passava de uma espécie de jogo, uma fantasia que nunca iria acontecer, mas me motivava. Passei a me arrumar melhor, principalmente aos sábados e domingos, até que durante a semana fiquei sabendo que sua mãe fora internada e acabou não resistindo.
Via WhatsApp, mandei uma mensagem de condolências a ele que me agradeceu. Quase um mês depois, recebo uma mensagem dele, perguntando se poderia vir no domingo à sua casa e que ele pagaria a diária, sem a agência saber, pois gostaria de me agradecer.
Sabia que talvez fosse a última vez que o veria e seria o fim da minha fantasia. No domingo coloquei um vestido da minha filha, que além de realçar a minha cintura, também era um pouco mais curto. Meu marido viu, mas não disse nada.
Cheguei à casa de Renato e este, mais uma vez, me elogiou. Ele parecia conformado com a perda da mãe, mas tinha um olhar carente, de quem precisava de vida naquela casa vazia. Entrei e ele me disse que estava me esperando para o café.
Tomamos o café na cozinha. Renato desabafou sobre o silêncio do lugar e cobriu minha mão sobre a mesa, agradecendo a presença. O contato da pele quente dele fez meu coração disparar e o ar faltar.
Em vez de recuar, virei minha palma e entrelacei meus dedos nos dele. Ele se levantou, me puxou pela mão e me trouxe para perto. O cheiro do perfume dele, forte e másculo, invadiu minhas narinas e me deu uma tontura boa. O pânico me atingiu em cheio: tomei consciência de que aquela fantasia de semanas estava virando realidade, ali, na minha frente. Pensei em recuar, mas a mão dele subiu para a minha cintura, apertando o vestido, e a proximidade do peito dele anulou qualquer razão.
Senti o hálito quente dele perto da minha boca e um espasmo forte no fundo da vagina, que ficou instantaneamente molhada. Fechei os olhos e fui me entregando. Encostei meus lábios nos dele. O beijo começou lento, mas a língua dele pediu passagem e eu cedi, sentindo meu corpo inteiro estremecer.
O beijo diminuiu o ritmo, ficando mais denso. Renato segurou minha mão e me guiou pelo corredor até o quarto. Parei ao lado da cama, um pouco petrificada ao perceber a gravidade do que estava prestes a fazer.
Ele percebeu minha imobilidade e assumiu o controle. Devagar, puxou meu vestido pela cabeça. Com as mãos firmes, desabotoou meu sutiã e deslizou minha calcinha pelas pernas. Fiquei completamente nua sob o olhar dele. Renato tirou as próprias roupas e me puxou para a cama. Quando nossos corpos se tocaram no colchão e senti a firmeza da sua ereção contra minha coxa, soltei um gemido baixo. A fantasia tinha ficado definitivamente para trás.
Ele se posicionou entre as minhas pernas e começou a descer. Beijou meu pescoço com pressão, enfiou a ponta da língua na minha orelha e fez um arrepio violento rasgar minhas costas. Desceu até meus seios, alternando chupões e mordidas leves nos bicos que já estavam eretos e rígidos.
Continuei travada pelo excesso de estímulo enquanto a boca dele descia pela minha barriga. Ele deu uma mordida rápida na minha virilha e chegou à minha vulva. Sentir o hálito quente dele ali me fez levantar o quadril do colchão.
Ele começou a me lamber devagar, cobrindo o clitóris com a língua quente até me fazer arfar. Em seguida, enfiou um dedo fundo na minha vagina. A umidade que eu já acumulava facilitou a entrada, e a combinação do dedo deslizando lá dentro com a sucção firme na minha vulva me fez segurar os lençóis com força, completamente dominada pela sensação.
A intensidade do oral e a pressão do dedo lá dentro me levaram ao limite. Eu já estava ensopada, tonta de prazer e incapaz de pensar em qualquer tipo de pudor. Lembrei na hora do conselho que ouvi no salão e deixei a vergonha de lado.
- Me come... Por favor, me come agora - pedi num sussurro desesperado, cravando as unhas nos ombros dele.
Renato subiu pelo meu corpo sem hesitar. Ele se posicionou entre minhas coxas e me prensou contra o colchão. Sentir o peso do corpo dele sobre o meu e a cabeça da ereção firme pressionando a entrada da minha vagina me fez fechar os olhos e me entregar por inteiro.
Ele empurrou o quadril e entrou de uma vez. Senti meu corpo se abrir para receber aquela COISA quente que preencheu cada centímetro interno. O encaixe foi perfeito. A falta de sexo de anos e o estado de excitação em que eu estava deixaram minha vagina extremamente sensível. Ele começou a meter num ritmo cadenciado, fundo e firme, batendo exatamente no meu ponto de maior prazer.
A sensação era tão intensa que perdi completamente o controle.
- Isso... Vai... Me come... Me come... - supliquei arfando, apertando as costas dele.
Com mais poucas estocadas, a onda do orgasmo me atingiu em cheio. Minha vagina começou a contrair forte ao redor do pau dele, num espasmo involuntário atrás do outro, enquanto eu soltava um gemido alto.
Ele continuou o movimento por mais alguns minutos, mas percebi pelo ritmo e pelo olhar dele que ainda não estava perto de gozar. O estresse do luto recente e a ansiedade pareciam estar travando o clímax dele.
Recuperei o fôlego por alguns segundos, ainda trêmula pelo orgasmo, mas querendo retribuir aquele prazer. Puxei seus ombros devagar, sinalizando para ele parar. Olhei bem nos olhos dele, acalmei sua respiração com um beijo rápido e me virei na cama. Fiquei de quatro, empinando o quadril e apoiando os cotovelos no colchão, chamando-o com o olhar por cima do ombro.
Ele não esperou. Segurou firme na minha cintura, alinhou o pinto e entrou por trás de uma vez só. O ângulo mudou completamente a pressão e a profundidade. Ele acelerou as estocadas, dando tapas leves na minha bunda enquanto metia forte. O impacto e a mudança de posição funcionaram rápido: em menos de dois minutos, as mãos dele apertaram minha cintura com força total, o pinto pulsou forte e descontrolado dentro de mim e ele soltou um grito abafado ao gozar.
Ele desabou ao meu lado, arfando pesado. Eu me virei e me deitei colada nele, descansando a cabeça no seu peito enquanto nossas respirações se acalmavam. Ele passou o braço ao redor dos meus ombros, puxando o lençol para nos cobrir parcialmente, e começamos a trocar carícias lentas, em silêncio.
Ficamos deitados por cerca de uma hora, conversando baixo sobre a rotina dele e a frieza do meu casamento. Conforme falávamos, as mãos dele voltaram a percorrer meu corpo, apertando minha coxa e meus seios. Fiquei de costas e senti o pinto dele endurecendo aos poucos, encostando quente na minha bunda, o que reacendeu meu tesão na hora.
Ele me puxou de lado, na posição de conchinha, e deslizou para dentro de mim. Enquanto se movia num ritmo calmo, a mão dele desceu pela minha barriga e começou a estimular meu clitóris.
O tesão subiu rápido e o ritmo calmo já não bastava. Renato tirou o pinto de dentro de mim, pegou dois travesseiros e os colocou embaixo do meu quadril. Fiquei de bruços, com a bunda erguida, e ele entrou por trás de uma vez. Enquanto metia forte, alcançou minha vulva por baixo, massageando meu clitóris no ritmo dos movimentos. Segurou minha cintura e sussurrou no meu ouvido:
- Você é gostosa demais...
Aquelas palavras e a combinação do pau fundo com o toque no clitóris me fizeram perder a cabeça. Criei coragem, apoiei as mãos no colchão e comecei a empurrar o quadril para trás ao encontro dele, cavalgando de costas, no meu próprio ritmo. Pedi num arfar descontrolado:
- Me come... Me come com força!
Ele obedeceu, acelerando o ritmo. A pressão me levou a um segundo orgasmo, fazendo minha vagina pulsar forte ao redor dele.
O aperto das minhas contrações puxou o clímax dele na hora. Ele me segurou com força pela cintura, deu mais algumas estocadas fundas e gozou dentro de mim. Afundei o rosto no travesseiro, sem fôlego.
Depois que descansamos, fomos para a cozinha. Preparamos um almoço simples, comemos em silêncio e dividimos o espaço quase como um casal de anos. A intimidade no olhar, no entanto, entregava o que ainda estava represado entre nós. Assim que terminamos de lavar a louça, ele me puxou pela cintura ainda perto da pia e fomos direto para o quarto.
Deitados na cama, ele tirou a minha roupa devagar e acariciou a minha coxa até me olhar nos olhos.
- Quero ver você por cima - ele sussurrou. - Senta em mim.
Peguei o preservativo no criado-mudo, rasguei o pacote com os dentes e desenrolei no pau duro dele. Ajoelhei-me sobre seu quadril, segurei a base firme e me guiei até alinhar na minha entrada. Fui descendo devagar, sentindo-o abrir caminho e preencher cada centímetro da minha vagina de um jeito denso, me esticando por dentro.
- Caralho... você é muito gostosa - ele murmurou, com a voz falhando de tesão.
- Sou toda sua - respondi, olhando no fundo dos olhos dele antes de afundar o quadril até o fim.
Fiquei por cima e comecei a cavalgar. O contato direto do meu corpo com o dele era puro fogo. Eu subia até quase escapar e descia com força, sentindo o ritmo acelerar a cada estocada. A fricção constante foi me deixando cega, a vista turvando. Aumentei a frequência, sem vergonha nenhuma, até o clímax explodir de vez. Meu corpo inteiro travou e minha vagina começou a pulsar em espasmos fortes e descontrolados ao redor dele.
Desabei sobre o peito dele, arfando pesado, sentindo as fisgadas do orgasmo irem diminuindo aos poucos.
Lembrei que ele ainda não tinha gozado. Me ergui devagar, ficando sentada sobre as pernas dele, olhei nos seus olhos e sussurrei:
- Minha vez de cuidar de você.
Fui descendo pelo corpo dele, me ajoelhei entre suas pernas e puxei o látex da camisinha devagar até tirá-la por completo, jogando-a de lado.
Com o pinto dele exposto bem diante dos meus olhos, fiquei admirando. Era levemente curvado para cima e com as veias bem marcadas sob a pele quente. Sentir o cheiro de sexo e ver o pau rijo apontado diretamente para o meu rosto me deu um arrepio na espinha. Segurei a base firme com uma das mãos e levei a cabeça à boca.
O gosto salgado e o calor da pele dele me instigaram. Engoli fundo, deixando a garganta firme, e comecei a deslizar a língua de baixo para cima, acompanhando as veias salientes até a ponta. Aumentei a sucção no ritmo da minha mão, descendo até a base e subindo de novo.
- Vou gozar... caralho, vou gozar! - Ele avisou, cravando as mãos no meu cabelo e puxando levemente, soltando um gemido grave.
Aquele aviso e o desespero dele me deram ainda mais tesão. Acelerei as chupadas com a boca bem molhada, sugando com mais força, até sentir o pinto dele dar dois trancos fortes. Ele deu um último impulso com o quadril e gozou quente e abundante direto na minha garganta. Decidi engolir cada jato sem soltar, sentindo o pulso do pau dele ir acalmando aos poucos na minha boca, antes de me deitar ao seu lado, exausta.
Peguei meu celular no criado-mudo e vi a hora na tela: estava chegando a hora de ir embora. Me sentei na borda da cama e disse que precisava me arrumar.
Renato apenas assentiu. Levantei, recolhi minhas roupas no chão e me vesti. Passei no banheiro, lavei o rosto, enxaguei a boca e ajeitei o cabelo.
Quando voltei ao quarto, ele já estava de bermuda, tirando um maço de notas da carteira. Estendeu o dinheiro para mim dizendo que era a diária, mais uma gratificação pelo cuidado com a mãe dele.
Olhei para aquele bolo de notas. Eu precisava levar a diária para casa, o valor certo, até para não ter que dar explicações ou arrumar confusão com o meu marido. Mas aceitar aquele valor a mais, como um agrado, faria o que vivemos parecer outra coisa.
Aproximei-me e separei apenas o valor do meu dia de trabalho. Fechei os dedos dele sobre o resto das notas e abaixei sua mão. Olhei bem nos olhos dele e disse que a diária cobria meu serviço, mas que o resto não precisava.
Renato me encarou surpreso, entendendo na hora. Guardou o resto do dinheiro, levantou-se e me deu um beijo demorado na testa, pedindo para eu avisar quando chegasse em casa. Concordei com a cabeça.
Guardei a minha diária na bolsa e saí para a rua, sentindo o corpo moído e uma leveza que eu não experimentava há anos.
Cruzei a porta e passei pela sala. Meu marido nem tirou os olhos da televisão; apenas resmungou um cumprimento solto. Passei direto, deixei a bolsa na mesa com a diária guardada e fui para o quarto.
Encostei a porta e soltei o ar devagar, sentindo o peito desinflar.
Fui direto para o banheiro. Liguei o chuveiro no quente e deixei a água cair sobre a cabeça, esfregando a pele com força para tirar o cheiro do Renato e o suor da tarde. Olhando a água escorrer pelo ralo, me dei conta da distância absurda entre a mulher que tinha saído daquela casa de manhã e a que estava ali agora, debaixo do chuveiro.
Desliguei a água, me enxuguei sem pressa e vesti uma roupa limpa. Voltei para o quarto, sentei na ponta da cama e fiquei encarando o nada, sentindo apenas o cansaço bom acumulado nas pernas.
Deitada na cama, peguei o celular e mandei a mensagem curta para o Renato, avisando que tinha chegado bem.
A resposta dele veio em seguida: “Te espero na próxima semana. Te amo.”
Olhei para aquelas duas últimas palavras na tela iluminada. Sentir que ele me esperava me deu um calor bom no peito, mas o "te amo" me fez dar uma pausa. Eu não queria promessas nem papéis invertidos; queria apenas o direito de ser dona de mim.
Guardei o celular embaixo do travesseiro. Da sala, vinha o som abafado da televisão e da voz do meu marido falando sozinho com o jogo. Aquela mensagem mexeu fundo com a minha cabeça e me fez olhar para a minha vida de um jeito que eu nunca tinha me permitido olhar. Meus desejos, meu casamento, o que eu ainda queria para mim… Tudo virou uma grande interrogação. Eu não tenho a menor ideia do que fazer a partir daqui, mas sei que não tenho mais como voltar a ser quem eu era antes.
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Comentários (6)
Oriebir: Excelente conto, muito gostoso de ler, envolvente do início ao final, apesar de longo e com detalhes não foi repetitivo. Parabéns, continue no presenteando com sua história! Gostei muito!
Responder↴ • uid:3ynziyw5v99Silvio: Um ótimo conto: envolvente e excitante, sem ser vulgar. E o português perfeito, uma surpresa! Raridade, hoje em dia…
Responder↴ • uid:8efd7c2qrcAlicia: Como sempre temos um professor de português nos comentários
• uid:jwrlnio0t80Marcelo: Muito bom conto, ja comi varias casadas porque marido não da atenção para o que tem em casa.
Responder↴ • uid:1d7vvvsslctytruco: muito bom
Responder↴ • uid:hecopx4v0Pervertido: Continua pfvr
Responder↴ • uid:1dvsfuu8cbf6