As Filhas de Ló Cap 1
A Caverna da Herança Após fugir de Sodoma, Ló e suas duas filhas se refugiam numa caverna, onde o vinho e a solidão despertam desejos proibidos que o
A poeira de Sodoma ainda ardia em suas narinas quando Ló selou a porta da caverna. O silêncio do lado de fora era absoluto — nem vento, nem cinzas, nem o lamento distante de uma cidade que deixara de existir. Apenas o eco de seus próprios passos e a respiração das duas filhas, Thiba e Donila, que se acocoravam junto ao fogo rasteiro.
Ló observou as chamas. O vinho na pele de odre ao seu lado era a única herança que restara. Duas noites antes, a esposa se tornara estátua de sal — ele não olhara para trás, mas ouvira o estalo, o silêncio súbito de uma respiração que cessava. Agora restavam elas. E o vinho.
— Pai — chamou Thiba, a mais velha. Voz rouca de quem chorara até não ter mais lágrimas. — Precisamos falar.
Donila, mais nova, mantinha os olhos fixos nas brasas. Os cabelos escuros, antes penteados com óleos perfumados, agora pendiam em mechas sujas contra as clavículas. Ela não ergueu o olhar. Ló percebeu o tremor em seus ombros — não de frio. A caverna era morna, abafada, cheirava a terra úmida e fuligem.
- Fala, minha filha.
Thiba aproximou-se. Ajoelhou-se ao lado dele. A mão dela pousou sobre a coxa do pai, logo acima do joelho, onde o tecido da túnica se rasgara na fuga. Os dedos dela eram finos, mas a pressão era firme.
— Não há mais ninguém, pai. Nenhum homem em toda a terra. — Ela engoliu seco. — Quem vai nos dar filhos? Quem vai continuar nossa linhagem?
Ló sentiu o calor subir pelo pescoço. Não era o vinho — ainda não bebera. Era o toque. A palma dela, quente contra a pele exposta, os dedos que se enroscavam lentamente no tecido. Ele conhecia aquele gesto. Não era o gesto de uma filha.
— Thiba — disse ele, e a voz saiu mais baixa do que pretendia.
— Deixa. — Ela aproximou o rosto. O hálito dela tinha gosto de medo e de alguma outra coisa, algo adocicado e antigo. — Deixa eu cuidar de ti, pai. Como mãe cuidava.
A menção à esposa deveria tê-lo detido. Em vez disso, um arrepio desceu-lhe pela nuca. Donila finalmente ergueu os olhos. Estavam vermelhos, mas secos. Ela se levantou, caminhou até o odre de vinho, e o desatou com dedos trêmulos.
— Bebe — disse Donila, estendendo-lhe a vasilha de barro. — Bebe, pai.
Ló aceitou. O vinho desceu grosso, ácido, queimando a garganta. Ele bebeu até o fundo. Depois fingiu cambalear. Deixou o corpo pender para o lado, os olhos semicerrados, a boca entreaberta. Se eu parecer embriagado, elas farão o que desejam sem culpa. O pensamento veio nítido, calculado, e ele não o afastou.
Thiba segurou-o pelos ombros. Deitou-o sobre as mantas de lã que serviam de leito. A cabeça dele repousou no colo dela, e os dedos da filha começaram a desatar o cinto de corda que prendia sua túnica.
— Ele está dormindo — sussurrou Donila.
— Melhor assim — respondeu Thiba.
Mas Ló não dormia. Mantinha os olhos fechados, a respiração ritmada, enquanto as mãos de Thiba deslizavam o tecido para cima. O ar fresco da caverna tocou seu ventre. Depois os lábios dela. Não na boca — no ombro, na clavícula, descendo pelo peito em beijos lentos, úmidos, cada um uma pergunta que ele não respondia.
Donila ajoelhou-se do outro lado. Os dedos dela percorreram a perna do pai, do tornozelo ao joelho, do joelho à coxa interna. Quando a mão dela fechou-se ao redor dele, Ló quase abriu os olhos. Quase. O toque era hesitante, depois firme, o polegar deslizando pela extensão endurecida com uma curiosidade que doía de tão terna.
— É grande — murmurou Donila, e Thiba riuM baixo.
— Cala a boca.
Thiba inclinou-se. A boca dela encontrou o mamilo dele, sugou, e a língua traçou um círculo lento. Ló sentiu o sangue abandonar seu cérebro. A ereção pulsava na mão de Donila, que agora o acariciava com movimentos ritmados, o punho fechado subindo e descendo, o polegar passando pelo topo a cada volta. O corpo dele respondeu antes da mente — os quadris erguendo-se levemente, um som preso na garganta.
— Vê? — disse Thiba, e a voz dela tremia. — Ele sente. Mesmo dormindo, ele sente.
A mais velha posicionou-se sobre ele. Montou-o devagar, as coxas apertando os flancos do pai, e Ló sentiu o calor dela — úmido, escorregadio — pressionando contra a ponta. Ela desceu com um gemido que pareceu arrancado do fundo do peito. Não parou. Engoliu-o até o fim, o corpo dela envolvendo-o num aperto quente e pulsante que fez Ló cravar as unhas na lã.
Ele queria abrir os olhos. Queria ver o rosto da filha, a boca aberta, os seios pequenos balançando a cada movimento. Mas manter-se inerte era parte do jogo — a mentira que permitia tudo.
Thiba começou a mover-se. Lento no início, os quadris desenhando círculos, depois mais rápido, o som da pele encontrando pele ecoando pelas paredes de pedra. Donila beijava-lhe o pescoço, mordia-lhe a orelha, sussurrava palavras que ele não entendia.
— Agora — disse Thiba, arfando. — Agora, Donila.
A mais nova deitou-se ao lado dele, ergueu a túnica até a cintura, e guiou a mão de Ló — a mão que fingia repousar inerte — até o próprio sexo. Ele sentiu os pelos macios, a umidade, o calor. Os dedos dele moveram-se sozinhos, encontrando o ponto duro, circulando-o. Donila soltou um suspiro longo, o corpo arqueando-se contra a mão do pai.
Thiba cavalgava-o agora sem pudor. As mãos dela apoiavam-se no peito dele, os dedos espalhados sobre os mamilos, e cada descida arrancava um som úmido que enchia a caverna. O ritmo quebrava, hesitava, voltava mais forte. O corpo dela apertava o dele em espasmos, a respiração transformando-se em gemidos curtos.
Ló sentiu a onda subir — não uma onda, algo mais denso, como terra sendo revolvida. Os quadris dele ergueram-se instintivamente, encontrando o corpo de Thiba, e ele abriu os olhos por um instante. Ela o olhava. Os olhos dela estavam abertos, fixos, e naquele olhar havia um conhecimento antigo, um reconhecimento. Ela sabia.
— Pai — sussurrou ela.
E ele não fechou os olhos. Sustentou o olhar enquanto o prazer o atravessava, enquanto Donila gemia ao lado e os dedos dele a levavam ao mesmo abismo. O corpo de Thiba contraiu-se sobre ele, apertando-o, e Ló derramou-se dentro dela com um som que não conseguiu conter.
O silêncio que se seguiu era diferente. Mais pesado, mais úmido. Thiba deslizou para o lado, ofegante, pernas ainda trêmulas. Donila puxou a manta sobre os três. Ninguém falou por um longo tempo.
Então Donila quebrou o silêncio:
- Amanhã à noite — disse ela, e a voz estava calma agora, quase serena — é minha vez com ele.
Thiba virou o rosto na direção da irmã. Os olhos dela brilharam à luz das brasas.
— E depois — respondeu Thiba — de novo a minha.
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