A nova realidade que mudou o mundo – parte 93: Nova vida
Vida nova
O som que me trouxe de volta foi o metal. Não um sino, nem uma chave. O estalo seco e frio de uma algema fechando ao redor do meu pulso direito.
A dor veio depois. Um arranhão profundo na pele, o gosto de sangue na minha boca, eu devo ter mordido meu lábio ao cair. Cair de onde? Abro os olhos e o chão é um xadrez de granito preto e branco, imenso, frio contra minhas nádegas. Estou nua. Um choque elétrico percorre minha espinha quando percebo que não estou simplesmente sentada, estou exposta. Minhas roupas sumiram. Até minhas meias.
Levanto a cabeça com um esforço que dói nos músculos do pescoço. E vejo as pernas. Pernas masculinas, calças de tecido grosso, coturnos, sapatos sociais. Dezenas de homens estranhos passam por nós. Formam um semicírculo ao meu redor, como espectadores de um acidente. Nenhum rosto ainda, apenas corpos em pé que me rodeiam sem me tocar, mas que me sufocam pela proximidade. Então ouço o segundo estalo.
À minha esquerda, Julie, minha filha está me olhando com olhos lacrimejados e arregalados. Meu coração dá um nó que sobe pela garganta e fecha minha traqueia. Ela também está nua. A algema no pulso dela se conecta à minha por uma corrente curta, tão curta que nossos ombros se encostam. Seu cabelo loiro está molhado, como se tivessem jogado água nela. Ela treme, mas não chora mais, já passou do choro. Os olhos dela estão abertos demais, fixos no horizonte do salão com tanto medo que estão vazios, onde as paredes de vidro mostram pistas de taxiamento vazias onde nenhum avião pode ser visto. Nenhum carro, nada. Nenhuma alma correndo com malas.
O aeroporto está silencioso. Não, isso não é verdade, há sons. O sussurro das roupas desses homens quando se movem, o chiado de rádios portáteis, o ar-condicionado que sopra gelado direto no meu peito, mas não há anúncios de voos. Não há rodinhas de mala, não há crianças correndo.
O medo que sinto não é o medo agudo de um susto. É um medo líquido, que escorre para dentro dos meus ossos. Cada vez que um desses homens se move, e eles se movem devagar, como se tivessem todo o tempo do mundo, eu sinto o olhar deles para meu corpo, como se minha buceta fosse um quadro renascentista. Uns olham para os nossos rostos. A maioria apenas olha para nossos seios, bunda e vagina, e não há nada que eu possa fazer a respeito, nada.
Tento puxar Julie para perto de mim, mas a corrente range e ela solta um gemido abafado, tão baixo que quase não ouço. Seu ombro encosta no meu, sinto que ela está fria, tão fria. Eu quero dizer algo como "vai ficar tudo bem", "olha pra mim", "fecha os olhos", mas não consigo e começo a chorar. Sinto uma angústia muito grande e falta de ar. Porque alguma coisa naquele lugar me disse, sem palavras, que eu perdi o direito de falar. Perdi o direito de cobrir meu corpo. Perdi o direito de perguntar por quê.
Um deles se agacha na minha frente. Não o reconheço. Tem uma barba por fazer e olhos cor de vidro. Ele segura uma prancheta. Examina meus braços, minhas pernas, coloca a mão nos meus seios, apalpa a nossa buceta, como se eu fossemos um objeto no meio de uma vistoria. Não há vergonha na forma como ele olha, há pior, há indiferença. Vira minha palma para cima, anota algo, depois faz o mesmo com Julie.
Ela encolhe o braço. Ele segura firme. Não com violência, mas com a certeza de quem sabe que não haverá resistência. Ele está certo. Julie treme tanto que seus dentes batem, mas não puxa o braço de volta.
Quando ele se levanta, vejo atrás dele mais fileiras de homens. E mais. O salão se perde numa névoa de vidro e luz fluorescente. Não há fim. Não há portas de embarque para onde correr. Não há polícia, a não ser que estes sejam a polícia. Não há ninguém vindo nos salvar porque talvez ninguém saiba que estamos aqui. Meu marido pelo jeito não vai me socorrer. Julie apoia a cabeça no meu ombro. Seu cabelo molhado goteja água fria na minha clavícula. Ela não é mais minha filha agora, é apenas uma garota, um corpo pequeno e trêmulo colado ao meu, como se eu ainda pudesse protegê-la de alguma coisa. Mas eu não posso.
Eu não posso nem cobrir os seios. Não posso juntar as pernas sem arrastar a corrente. Não posso fechar os olhos porque, se eu fechar, tenho medo de que, quando abrir, ela não esteja mais aqui. Então fico olhando para os coturnos, para as canelas, para o chão de xadrez que reflete as luzes do teto como um lago negro, e espero. Não sei o quê, mas espero. Porque a esperança é a única coisa que ainda me pertence.
É nesse momento, que ouço uma voz me chamando pelo nome, uma voz conhecida, e meus olhos se elevam, podendo ver ofuscado pelas lâmpadas do salão, o rosto do meu marido, mas o que eu vejo com ele, me dá calafrios. Ele está em pé do meu lado, eu tento levantar-se, mas ele bota o sapato no meu rosto, e me empurra para o chão novamente. Julie olha em choque, e ele não esboça nenhum carinho ou afeto por nós. Em sua mão uma corrente, e do outro lado dela, duas mocinhas morenas, de cabelo liso escorrido e lábios vermelhos, estão engatinhando sem nenhuma roupa, como duas cadelinhas, e beijam seu pé a todo momento.
Ele olha bem no meu rosto, me chama de vadia, e fala que de agora em diante, não vou mais ser uma esposa, mas uma boa escrava, e que ele não tem mais interesse pelo meu corpo, apenas pelo meu trabalho e lucro. Ele dá um tapa forte no rosto da Julie, que fez ela cair no chão, e fala que não tem mais uma filha, e que de agora em diante, ela vai ser uma boa cadelinha, e vai passar a vida toda dando prazer a ele. Ela chora, implora por afeto, mas ele está frio como gelo, e manda os homens colocar um cinto de castidade na filha, que vai ter os seios disponíveis, mas terá a buceta e o cu impedidos de serem usados até o dia que ele quiser tirar a virgindade dela. Os homens me seguram pelos braços, e enfiam um plug anal no meu cu, é um plug muito grosso, e entra rasgando, eu estou seca, e isso me macuca muito.
É então que meu marido, ainda sem acreditar, fala que estamos na Páscoa, e que antes de qualquer coisa, nos levará para assistir as celebrações da época. Eu e Julie ganhamos uma corrente maior no pescoço, e teremos que segui-lo para todos os lugares que ele quiser nos levar.
Mas o que seria essa celebração?
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