#Corno #Traições

A gaveta mais funda

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Tem coisa que a gente guarda na gaveta mais funda da alma. Meu marido nunca soube, mas aquele sábado foi exatamente o que eu precisava.

Tenho 39 anos, sou professora do ensino fundamental em meio período, casada e mãe de um garoto. Como mulher sei que chamo a atenção por onde passo, já que o tempo foi muito generoso com meu rosto e com meu corpo. Venho cuidando da minha família com todo o carinho e dedicação.

Sempre fui apaixonada por romances e, depois de ler alguns relatos de outras mulheres por aqui, tomei coragem para contar a experiência que vivi e que quase mudou a minha vida.

A coordenação da escola me chamou na sala para dar a notícia: a mãe de um dos meus alunos havia falecido. Eu a conhecia de vista, era ela quem trazia e buscava o menino todos os dias. A orientação foi clara. Teríamos reuniões periódicas de acompanhamento e eu deveria amparar o garoto de perto, principalmente na chegada e na saída.

Na semana seguinte, aconteceu a primeira reunião e o Bruno veio até a escola. Ele se apresentou focado no filho, com uma postura discreta, tom de voz calmo e gentil, apesar do cansaço visível no olhar. Agradeceu o meu suporte e alinhamos como seria o acompanhamento do menino.

Quando ele saiu, a coordenadora fechou a porta, olhou para mim e não segurou o comentário sobre como ele era um homem bonito e elegante. Não fui hipócrita: concordei na hora. Ele era realmente muito atraente. Mas, para mim, era apenas o pai de um aluno atravessando uma fase difícil. Jamais imaginei que aquilo abalaria tudo o que eu tinha.

A partir dali, a nossa rotina mudou. Nos encontrávamos todos os dias na recepção, na entrada e na saída, com trocas rápidas de olhares e poucas palavras. O espaço real de conversa continuava sendo a reunião semanal. Conforme o garoto foi melhorando, parou de chorar e voltou a brincar e a se integrar, a coordenação entendeu que o caso estava sob controle e deixou de participar dos encontros.

As reuniões passaram a ser apenas entre mim e o Bruno. Com o garoto mais calmo e sem a presença da diretoria, o clima entre nós foi ficando cada vez mais solto e as conversas começaram a fugir do tema escolar. Foi justamente nesse ponto que a coordenação, vendo a evolução do menino, sugeriu marcar logo uma reunião final de encerramento, dando o acompanhamento por concluído.

Achamos a decisão abrupta demais. Entendíamos, principalmente eu, que havia progressos claros, mas o menino ainda precisava de suporte e não estava totalmente reabilitado. Ao me ouvir pontuar algumas questões, o Bruno pensou por um instante e perguntou se não haveria a possibilidade de nos encontrarmos fora da escola, talvez em um shopping para um café da tarde, onde poderíamos continuar conversando sobre o garoto sem a pressão do cronograma escolar. Pensando no bem-estar do menino e em tudo o que aquela família vinha enfrentando, acabei aceitando.

Mantivemos a rotina de nos encontrar toda semana para um café no shopping. Como ficava muito perto da minha casa, em um local público e movimentado, eu me sentia tranquila em aceitar. Aos poucos, conforme o garoto ia melhorando visivelmente, as conversas sobre a escola duravam apenas alguns minutos e o assunto logo passava para coisas do nosso dia a dia. A amizade e a intimidade só cresciam.

Até que, em um desses encontros, o Bruno tirou uma pequena sacola do bolso e me entregou uma caixinha. Dentro, havia uma correntinha e um par de brincos de prata. Fiquei completamente sem jeito. Tentei recusar, dizendo que não precisava, mas ele insistiu, afirmando que era uma simples demonstração de gratidão por tudo o que eu vinha fazendo pela vida do filho dele.

Acabei aceitando. Olhando para aquelas peças, me dei conta de que, tirando a minha aliança, eu nunca tinha recebido algo assim de homem nenhum. Para mim não se tratava do preço: o valor emocional e sentimental daquele gesto era gigante. Era o cuidado e a consideração contidos na caixinha que mexiam comigo de um jeito que eu não conseguia controlar.

Eu sabia que aquilo era perigoso e senti medo, mas uma força estranha me impulsionava a ir em frente. No dia seguinte, decidi colocar a correntinha e os brincos. Meu marido me olhou diversas vezes enquanto eu me arrumava pela manhã e não notou nada. À noite, quando nos encontramos novamente, a cena se repetiu. Se percebeu, devia achar que eu mesma tinha comprado, mas nem se deu ao trabalho de perguntar, comentar ou dizer se tinha achado bonito ou feio. Fiquei dividida entre o alívio de não ter que dar explicações e a incômoda certeza de que, para ele, eu já tinha me tornado invisível.

Aquilo me magoou fundo. Depois de tantos anos de dedicação, era doloroso perceber que eu tinha me tornado invisível para o meu próprio marido. Logo eu, que via os olhares na rua, dentro de casa parecia que não despertava mais interesse algum. Para completar, o nosso lado sexual já vinha esfriando e nos deixando cada vez mais distantes.

Não quero dar desculpas pelo que aconteceu a seguir, mas, olhando hoje, vejo que foi essa mágoa acumulada que me levou a agir como agi.

Talvez tenha sido por causa desse estado de espírito que aceitei o convite do Bruno. Ele me confessou que sentia a casa ainda muito presa ao passado, do mesmo jeito de quando a esposa era viva, e que queria a opinião de uma mulher com a minha sensibilidade para ajudá-lo a mudar aquele ambiente. Pediu com tanta vulnerabilidade que não consegui recusar.

Nesta primeira vez, foi muito estranho. Você entrar num ambiente que o estava fazendo sofrer com as lembranças. A casa em si era bonita, mas a decoração não era do meu gosto. Dei várias sugestões a ele, que foram desde pintura até móveis na sala, na cozinha e até mesmo na cama do quarto.

Cerca de duas semanas se passaram até que ele me ligou, animado, para dizer que tinha feito todas as alterações e que queria me mostrar o resultado.

Marcamos para um sábado pela manhã. Cheguei esperando encontrar o menino por perto, mas o Bruno comentou logo na entrada que o filho tinha ido passar o fim de semana com os avós. Saber que estávamos totalmente sozinhos fez algo mudar em mim na hora. Tive a intuição clara de que algo estava para acontecer, embora não soubesse dizer o quê. Sentia meu corpo diferente, uma inquietação estranha que eu não sabia explicar.

Ele estava visivelmente contente e me mostrou as mudanças da casa. Ver que ele tinha seguido minhas sugestões mexia comigo, mas a consciência daquela privacidade só alimentava o meu nervosismo. Minha boca secou de repente. Pedi um copo d’água para tentar disfarçar e entender o que estava acontecendo comigo mesma.

O Bruno foi até a cozinha e voltou com o copo. Quando me entregou, nossos dedos se tocaram por um segundo a mais do que o necessário. Bebi a água devagar, sentindo o líquido gelado descer enquanto tentava me reorganizar por dentro.

Ao me ver devolver o copo para a mesa, ele deu um passo à frente. Estendeu a mão e afastou uma mecha de cabelo que caía sobre o meu pescoço. O toque da ponta dos dedos dele na minha pele foi o bastante. O pescoço sempre foi o meu ponto fraco; um arrepio violento percorreu minha espinha e me travou no lugar.

Acho que ele percebeu a minha reação. A mão dele subiu suavemente para a minha nuca, sustentando meu rosto com firmeza. Olhei para ele e vi a intenção clara nos seus olhos. Sem pressa, o Bruno se aproximou e me beijou. O contato começou lento, testando meus limites, mas foi ganhando profundidade. A sensação física de ser desejada com aquela intensidade anulou qualquer tentativa de raciocínio.

Quando o beijo terminou, nenhum dos dois disse uma palavra. Ele não afastou o rosto, mantendo a testa suavemente apoiada na minha, enquanto nossas respirações descompassadas se misturavam. Olhei nos olhos dele e vi apenas a intensidade do que ele estava sentindo por mim, sem nenhum desvio. Meu coração batia tão forte que parecia ecoar no peito.

Eu sabia que aquele era o momento de recuar, mas meu corpo simplesmente não obedecia. A sensação física de voltar a ser desejada pesava mais do que qualquer aviso da minha mente.

Sem quebrar o contato visual, a mão dele desceu da minha nuca e buscou a minha, entrelaçando nossos dedos. O Bruno deu um passo para trás e me conduziu em silêncio até o quarto. Ao dar aqueles passos ao lado dele, entendi que a decisão já tinha sido tomada.

Entrar no quarto me deu um choque de realidade. Aquele era o espaço mais íntimo da casa, onde o que eu estava prestes a fazer ficava escancarado. Parei ao lado da cama, sentindo a respiração travada. Eu queria estar ali, meu corpo pedia por aquilo, mas a minha mente continuava dividida. A dúvida me paralisou por alguns segundos.

Acho que o Bruno percebeu a minha hesitação. Ele parou na minha frente, me olhando de um jeito firme, sem pressa. Fazia calor naquela manhã. Sem dizer nada, ele levou as mãos aos meus ombros e desceu devagar as alças do meu vestido.

À medida que o tecido deslizava pelo meu corpo e caía aos meus pés, fiquei apenas de lingerie diante dele. O olhar que ele passou pelo meu corpo, carregado de uma admiração crua, fez o resto da minha resistência ruir.

Ele segurou a minha cintura, colando meu corpo ao dele novamente, e desceu a mão até o fecho do meu sutiã. Naquele momento, ouvindo a minha própria respiração acelerada e sentindo o calor das mãos dele na minha pele, a dúvida simplesmente perdeu espaço para a excitação.

Sentir a firmeza do membro duro dele pressionando a minha vulva por cima da calcinha fez meu corpo reagir de forma instantânea. Uma onda de calor desceu direto para o meio das minhas pernas, acompanhada por uma pulsação forte que eu não tinha como disfarçar. A constatação física do desejo dele por mim, ali tão evidente e quente, desarmou qualquer pensamento racional que ainda restava na minha cabeça.

As mãos dele desceram pelas minhas costas, contornando o meu quadril até alcançarem o elástico da calcinha. Ele foi puxando o tecido para baixo, deslizando de forma firme pelas minhas coxas.

A calcinha caiu aos meus pés e fiquei completamente nua na sua frente. Sensível, aquecida e tomada por uma urgência física que não sentia há anos, não sobrou espaço para a dúvida — só a vontade cega de ter aquele homem.

Estar nua com ele ainda vestido me deixou vulnerável, mas Bruno foi rápido. Tirou a camisa pela cabeça e foi direto ao cinto. Minhas mãos reagiram no automático, ajudando a abrir o botão e a empurrar a calça para baixo, junto com a cueca.

Assim que ficou nu, ele me puxou para um abraço apertado e me beijou com força. Sentir o corpo dele colado ao meu, as mãos dele apertando a minha bunda e o pau duro pressionando a minha barriga me encheu de um tesão absurdo.

Ele me segurou pela cintura e me deitou de costas na cama, subindo para ficar entre as minhas pernas. O Bruno começou a me beijar no pescoço, descendo a boca até o meu peito. Sentir a boca dele nos meus mamilos rígidos me fez arquear as costas. Sem parar, ele foi descendo pelo meu ventre até se posicionar no meio das minhas pernas. Quando a língua dele entrou na minha buceta molhada, perdi completamente o controle e me entreguei ao momento, puxando a cabeça dele contra mim.

A língua dele trabalhava fundo, num ritmo forte que me fez perder a noção de tudo. Eu gemia alto, cravando as mãos no cabelo dele e empurrando o quadril contra a boca dele, completamente fora de mim de tanto tesão. Eu não pensava em mais nada, só queria sentir mais. Puxei o Bruno pelo braço, trazendo o corpo dele para cima do meu até olhar direto nos olhos dele e soltar, sem freio nenhum:

- Me come... Me come agora, Bruno.

Pensando nisso hoje, vejo a força daquela frase. Eu nunca tinha falado aquilo pro meu marido. O sexo no meu casamento sempre foi comportado e previsível. Com o Bruno, a frase só saiu, crua e espontânea, sem nenhuma vergonha do que eu estava pedindo.

Ele se posicionou entre as minhas pernas e empurrou o pau de uma vez. Eu estava muito molhada, então ele entrou fundo, sem travar. Senti o volume dele me preenchendo por dentro, um calor pesado que fez meu quadril levantar sozinho e a minha buceta pulsar em volta dele.

Ele começou a meter com força, mantendo um ritmo fundo e constante, enquanto mordia e beijava o meu pescoço. O som do corpo dele batendo contra o meu e a intensidade lá dentro iam me enlouquecendo. Levou pouco tempo. A sensação foi crescendo até que o meu corpo travou inteiro, a minha buceta apertou o pau dele com força e eu gozei forte, tremendo do quadril até as pernas.

Segundos depois, ele se puxou para fora de vez, masturbou o pau rapidinho e gozou na minha barriga. Só ao sentir o esperma quente caindo em jatos, enquanto ele arfava em cima de mim, é que me dei conta: ele tinha feito tudo sem camisinha.

Enfim, desabou do meu lado, arfando. Ficamos em silêncio, ouvindo a respiração um do outro. O esperma esfriou rápido na minha barriga e o tesão passou. Olhei pro teto e a ficha caiu. Pensei no meu marido, na minha casa e no que eu tinha acabado de fazer. Veio a pergunta: e agora? Olhei para a o Bruno ali do lado, pelado, e percebi que, mesmo com a culpa, eu não tinha a menor vontade de ir embora.

Ele se levantou, foi até o banheiro da suíte e me trouxe uma toalha de rosto. Limpei a barriga e entre as pernas enquanto ele ia buscar um copo de água na cozinha.

Continuei deitada esperando. Ele voltou, me deu o copo e sentou do meu lado. Bebi a água em silêncio. Ele me olhou e perguntou se eu estava bem e se precisava ir embora agora.

Fiquei encarando o copo, sem saber direito o que dizer. O corpo ainda estava mole, relaxado por causa do sexo, mas a cabeça já tinha começado a pesar com a culpa do que eu tinha acabado de fazer. Olhei para o Bruno ali do meu lado, deitado perto de mim, sem vontade nenhuma de me levantar daquela cama.

- Tô bem - respondi, devolvendo o copo para ele. - Não preciso ir embora agora.

A verdade é que voltar para casa significava encarar a minha vida real, o meu marido e a culpa de frente. Enquanto eu continuasse deitada naquela cama com o Bruno, tudo isso ficava do lado de fora da porta. Meu corpo ainda estava anestesiado e relaxado por causa do sexo, e adiar a minha saída era a única forma que eu tinha de empurrar a realidade para mais tarde.

Ele deixou o copo na mesa de cabeceira e se deitou do meu lado. Ficamos ali quietos por um tempo no ar abafado do quarto. Ele começou a passar os dedos pelo meu ombro, sem pressa. Aos poucos, aquela preguiça foi dando lugar a uma nova tensão.

Me aproximei, encostando nele. Desci a mão pelo seu peito, passei pela barriga e cheguei na virilha. Segurei seu pau, ainda mole e quente. Passei a língua na cabeça, sentindo o gosto salgado do suor. Coloquei na boca, sentindo a textura macia. Conforme eu sugava, ele foi ganhando peso e esticando até endurecer de novo.

A minha boca ficou cheia com ele já duro. Mantive o ritmo, subindo e descendo devagar, sentindo a cabeça do pau roçar no céu da boca enquanto a saliva ajudava a deslizar. Dava para notar a respiração dele ficando cada vez mais curta e pesada.

Conforme eu continuava, a ponta ficou mais escorregadia com o líquido que começava a sair, trazendo um gosto um pouco mais amargo. O cheiro do sexo recente ainda estava ali, subindo do lençol e impregnado no ar do quarto.

A minha própria respiração pesou. Sentir o pau duro na boca e ouvir os gemidos dele fez a minha buceta pulsar e ficar totalmente molhada. O meu desejo aumentou de vez e veio de novo aquela vontade incontrolável de dar.

Antes que ele perdesse o controle, Bruno segurou a minha cabeça devagar, pedindo para eu parar. Com a voz falhada pelo tesão, disse para eu virar de quatro. Ele pegou uma camisinha no criado-mudo, rasgou o pacote e vestiu o látex no pau duro, querendo gozar dentro de mim dessa vez.

Fiquei de quatro, apoiando as mãos no colchão.

Ele segurou a minha cintura e empurrou de uma vez só, me preenchendo até o fundo. A sensação daquela pressão fez um som escapar direto da minha garganta.

Ele começou a meter com força, num ritmo fundo e contínuo. A cada estocada, o corpo dele batia no meu com um baque seco, fazendo a minha bunda chacoalhar e o meu corpo ir para a frente. Segurei firme no lençol para me fixar. A minha buceta estava encharcada, quente, apertando o pau dele a cada entrada, enquanto ele me segurava firme pela anca.

Ele me puxava um pouco mais para trás para meter ainda mais fundo, enquanto o som da respiração descontrolada dele bem nas minhas costas se misturava ao ruído úmido das estocadas.

O ritmo dele ficou mais rápido e desordenado. Ele me apertou com mais força e avisou alto que ia gozar.

A voz dele e a sensação do pau travado lá dentro foram o gatilho direto. Minha buceta contraiu no mesmo segundo, prendendo ele em espasmos involuntários, e uma onda de calor subiu pelas minhas pernas até travar a barriga.

- Não para... continua! - Gaguejei alto, sem conseguir respirar direito.

Minha carne prensava o pau dele enquanto ele dava a última estocada funda, descarregando junto comigo.

Assim que o corpo dele relaxou sobre as minhas costas, o peso do cansaço veio de uma vez. Eu estava completamente sem forças, com as pernas bambas e o peito subindo e descendo rápido.

Ele se afastou devagar. Dobrei os braços e me deixei cair de bruços no colchão, a cara afundada no travesseiro, sentindo aquele cansaço bom no corpo inteiro e a sensação de ter sido completamente preenchida. Ele se deitou ao meu lado e ficou ali, em silêncio, alisando a minha bunda com a mão pesada enquanto a nossa respiração ia voltando ao normal.

Aos poucos, a poeira foi baixando e a minha cabeça começou a voltar para o lugar. Sentir a mão dele deslizando ali, tão perto, me deu um estalo de sobressalto. Pensei que se ele tentasse me comer de jeito, ali mesmo, do jeito que eu estava meio anestesiada e sem defesa, eu perigava não dizer não e eu nunca tinha dado a bunda na vida.

Eu estava plenamente satisfeita. O corpo tinha recebido exatamente o que precisava e, antes que a minha cabeça começasse a inventar problema, o melhor era sair. Ficar ali jogada na cama só abriria espaço para o que eu não queria encarar: a culpa do meu casamento, a imagem do meu marido ou o peso do que eu tinha acabado de fazer. Era a hora exata de ir embora.

Me levantei da cama com as pernas ainda meio bambas. Fui ao banheiro apenas para me limpar e ajeitar o cabelo no espelho, checando se a minha cara não me entregava. Vesti a calcinha, o sutiã e a roupa sem enrolação.

Peguei a minha bolsa, dei um beijo rápido no rosto de Bruno e saí. Sem grandes despedidas, sem olhar para trás. Atravessei a porta de volta para a minha vida.

Claro que o meu marido nunca soube de nada disso, e nem vai saber. Lamento, profundamente, ter o transformado em corno, mas aconteceu. Aprendi a guardar esse tipo de coisa na gaveta mais funda da minha cabeça, trancada a sete chaves, e seguir o jogo normalmente.

Mas se você me perguntar se eu me arrependo? Nem por um segundo. A culpa pode até tentar dar as caras de vez em quando, mas a memória do meu corpo quente, daquele pau fundo me penetrando e da satisfação de ter vivido aquilo fala muito mais alto. Foi exatamente o que eu precisava naquele momento da vida.

Mas sei que foi uma exceção. Provavelmente não teria coragem de repetir. O risco é alto demais para transformar isso em rotina, e a graça toda estava justamente em ter acontecido uma única vez, do jeito que tinha que ser.

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