#Assédio #Estupro #Incesto #Sado

A nova realidade que mudou o mundo parte 141 - Grande ameaça

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AnãoJediManco

Foram quase dez dias de uma calmaria estranha e frágil. Depois de tudo, da tortura que eu fiz no meu pai, dos castigos que sofri, do reencontro com mamãe, as negras nos deixaram em paz. Não éramos exatamente livres, mas também não éramos mais prisioneiras. Podíamos andar pela cidade, dormir no mesmo quarto, comer quando tínhamos fome. Eu e mamãe passávamos os dias juntas, às vezes em silêncio, às vezes falando baixo sobre o passado, sobre o que queríamos fazer se conseguíssemos fugir. Às vezes fazíamos amor devagar, sem pressa, como se fosse a única coisa boa que ainda existia.
Mas a cada dia que passava, a angústia crescia. Não tínhamos notícias da vovó, nem das gêmeas. Elas estavam em algum galpão provisório do outro lado da cidade, e ninguém nos deixava chegar perto. Mamãe ficava cada vez mais quieta, tocando a barriga de vez em quando, como se tentasse sentir se havia algo vivo ali dentro.
Então, numa manhã de chuva pesada, tudo desabou.
A chuva caía forte, tamborilando no telhado de zinco como tiros. Eu e mamãe estávamos sentadas perto da janela, dividindo um pedaço de pão velho, quando uma das negras que nos vigiava entrou correndo, molhada, o rosto sério.
Ela disse com a voz embargada: Eles estão vindo.
O coração dela batia tão forte que eu conseguia ver no peito. Ela contou tudo de uma vez, sem rodeios.
Um grande exército armado estava avançando pelas cidades vizinhas. A revolta das mulheres já havia sido sufocada em quase todos os lugares. Em uma cidade maior, todas as mulheres capturadas estavam sendo embarcadas em navios para serem vendidas na África, nenhuma ficaria. Em uma vila pequena, trancaram todas dentro de um galpão e atearam fogo. Dizem que os gritos duraram quase uma hora. Em uma fazenda de cana, as que foram recapturadas foram jogadas vivas nos moedores industriais. O barulho das máquinas triturando carne e ossos foi ouvido a quilômetros.
Só restavam duas áreas ainda não recuperadas, a nossa cidade e uma pequena vila no caminho.
A negra olhou para nós duas com uma mistura de pena e raiva: Eles vão chegar aqui em no máximo três dias. Talvez menos.
Quando ela saiu, batendo a porta, o silêncio que ficou foi pior que qualquer grito. Eu senti o sangue gelar. Mamãe ficou parada, olhando para a chuva que batia na janela. Seu rosto estava branco, depois de um longo tempo, ela falou, a voz baixa, mas firme: Eu prefiro morrer, Julie. Prefiro morrer mil vezes a voltar para aquilo.
Ela virou o rosto para mim, os olhos cheios de lágrimas, mas a voz não tremia: Eu não volto para ser inseminada como uma vaca. Não volto para parir e nunca segurar. Não volto para ser comida, chicoteada, usada, humilhada todos os dias. Se eles chegarem… eu me mato antes. E prefiro que você faça o mesmo.
Eu senti um frio na espinha.
E a vovó? E as gêmeas? Elas ainda estão presas no galpão provisório… se a gente não conseguir tirar elas…
Mamãe fechou os olhos, apertando a barriga com a mão: Eu sei. Eu penso nelas o tempo todo. Mas olha para a gente, filha. Nós não temos armas, só facas de cozinha, pedaços de ferro, algumas armas improvisadas que as escravas conseguiram. Somos mulheres cansadas, mal alimentadas, muitas ainda feridas. Eles são um exército, treinados, armados e fortes.
Ela respirou fundo, a voz falhando pela primeira vez: Nossas chances são quase zero. Se a gente tentar fugir com a vovó e as meninas… provavelmente vamos todas morrer no caminho. Se ficarmos… vamos voltar para o inferno, ou pior.
Eu segurei a mão dela com força, meu peito doía e falei para ela: Eu não quero voltar para aquilo, mamãe. Não quero que você volte para ser uma matriz. Não quero que as gêmeas sejam destruídas. Não quero que a vovó… que a vovó passe pelo esgoto, pela máscara, nada do que fizeram com a gente.
Ficamos em silêncio, ouvindo a chuva. Eu sabia que ela tinha razão, nós éramos poucas, fracas, sem plano, sem tempo. Mas ainda assim… eu não conseguia aceitar que tudo terminaria assim.
Que depois de tudo que passamos, depois de termos nos reencontrado, depois de termos sentido um pouco de liberdade… íamos voltar para as correntes. Ou morrer tentando escapar.
Eu encostei a cabeça no ombro da minha mãe e fechei os olhos: Se a gente tiver que morrer… pelo menos vamos morrer juntas.
Mamãe beijou minha testa, a voz quase um sussurro: Juntas, filha. Sempre juntas.
A chuva continuava caindo forte lá fora.
Os dias seguintes foram terríveis e cruéis conosco. Eu acordava várias vezes durante a noite só para ver se mamãe ainda estava respirando. Ela dormia pouco, quando conseguia, seu sono era agitado, gemidos baixos, o corpo se contorcendo, mãos apertando a barriga ou entre as pernas, como se ainda sentisse o tubo frio da inseminação entrando nela. Às vezes acordava sobressaltada, os olhos arregalados, suando frio, e só se acalmava quando eu a abraçava forte.
Uma noite, ela não conseguiu mais segurar. Estávamos deitadas no escuro, nuas, coladas uma na outra por causa do frio úmido da cama. Eu sentia o corpo dela tremendo. De repente, ela começou a falar, a voz rouca e entrecortada: Eu ainda os sinto dentro de mim, Julie…
Eu fiquei em silêncio, só acariciando seu cabelo, e ela continuou: Na fazenda… eles me inseminavam como se eu fosse um animal. Me deitavam na mesa, abriam minhas pernas, e enfiavam aquele tubo longo e frio bem fundo. Eu sentia o sêmen sendo injetado direto no útero. Quente e viscoso. Depois eles colocavam um plugue para não vazar e me mandavam voltar para o celeiro. Eu ficava o dia inteiro sentindo aquilo escorrendo devagar, misturando com meu próprio corpo…
Ela engoliu em seco, a voz falhando: Eu vi mulheres parindo três vezes lá. Três vezes senti as contrações sozinha, no chão de palha, sem ninguém me segurando a mão. Era como se fosse comigo. A primeira menina… eu consegui ver o rosto dela por dois segundos antes de levarem ela para a sala de parto. Era tão triste, ela sabia que tudo aquilo era humilhante demais para ela.
Lágrimas quentes caíam no meu ombro. Mamãe apertou meu corpo contra o dela, como se tivesse medo de que eu também desaparecesse. Ela tocou a cicatriz lisa entre as pernas e sussurrou: E isso aqui… Eles tiraram meu clitóris como se fosse um pedaço de carne inútil. Eu senti a lâmina cortando. Senti o ferro quente cauterizando. Depois disso… eu nunca mais gozei do mesmo jeito. Sinto prazer, mas é diferente. É mais fundo, mais triste. Como se tivessem arrancado uma parte de mim que nunca mais vai voltar.
Eu chorei junto com ela. Beijei seus seios, que ainda estavam sensíveis e um pouco inchados pelos hormônios. Lambi uma gota de leite que escorreu do mamilo. Ela segurou meu rosto com as duas mãos, os olhos vermelhos, mas cheios de uma força assustadora.
Eu sobrevivi, filha. Sobrevivi para te encontrar de novo. Mas tem dias que eu acordo e ainda sinto o tubo entrando em mim. Ainda sinto o cheiro da palha misturado com sangue. E a máscara, eu ainda tenho pesadelos com ela. Disse ela chorando.
Ela encostou a testa na minha, a voz quase um sussurro: Se eu estiver grávida agora… eu não sei se vou aguentar passar por isso de novo. Mas se for para ter você ao meu lado… talvez eu tente.
Ficamos abraçadas por muito tempo, chorando em silêncio.
Eu também não durmo mais direito. Quando consigo fechar os olhos por alguns minutos, os pesadelos vêm. Sempre os mesmos. Eu estou de quatro no quarto do meu pai, sendo fodida por ele enquanto ele me chama de “putinha particular”. Ou pior, eu estou no galpão, chicote na mão, batendo nas costas de Maya enquanto rio. O som do chicote, o choro dela, o olhar de Yara me encarando com ódio puro.
Eu acordo suando, o coração disparado, a buceta molhada de excitação e vergonha. Porque esse é o pior de tudo. Mesmo depois de tudo que passei, mesmo depois de ser humilhada, usada, cuspida e torturada pelas negras… meu corpo ainda reage. Ainda fica molhado quando lembro da dor. Ainda lateja quando penso no que eu fiz com as outras.
Eu me odeio tanto, eu me odeio por ter gostado, eu me odeio por ter me tornado exatamente o que meu pai queria: uma puta sádica, uma traidora, uma cadela no cio que gozava enquanto machucava as outras.
Às vezes fico olhando para o teto do quarto e as memórias voltam como facadas. O gosto do pau do meu pai na minha garganta enquanto ele me chamava de filha. O som do chicote acertando as costas de Maya enquanto eu ria. O jeito como eu gozei quando a negra mordeu meu clitóris, misturando dor e prazer até eu perder a cabeça. O olhar da minha mãe quando ela descobriu o que eu tinha feito. Eu me sinto suja por dentro, como se tivesse podre, como se não houvesse mais nada de bom em mim. Eu traí todo mundo.
Traí as escravas que sofreram tanto quanto eu. Traí Maya e Yara, que eram inocentes. Traí minha própria mãe, que passou por tanto horror só para me reencontrar. E o pior, uma parte de mim ainda sente tesão quando lembra dessas coisas. Quando lembro de ter poder, quando lembro de fazer alguém sofrer. Meu corpo reage e eu fico molhada. Às vezes me masturbo pensando nisso e depois choro de nojo de mim mesma.
Eu tenho pesadelos onde sou eu quem está sendo torturada pelas negras para sempre. E em alguns sonhos, eu gosto. Eu imploro por mais e acordo encharcada, tremendo, com vergonha de olhar para minha mãe dormindo ao meu lado.
Eu me sinto quebrada de tantas formas diferentes, quebrada como filha, meu pai destruiu isso, quebrada como mulher, fui usada como buraco por tantos homens, quebrada como pessoa, me tornei cruel, sádica e traidora, quebrada como ser humano, ainda sinto prazer com coisas que me enojam.
Às vezes eu olho para minha mãe e penso que ela merece coisa melhor que eu. Ela passou por tanto horror, inseminações, nojeiras que nem consigo mais imaginar, mutilação, e mesmo assim ainda me ama, ainda me beija, ainda me abraça como se eu não fosse um monstro. Eu não mereço esse amor, eu mereço continuar sendo punida.
E no fundo, bem no fundo, uma vozinha doente dentro de mim ainda sussurra: Talvez você mereça ser destruída de novo… talvez você mereça sentir dor… talvez você mereça gozar enquanto sofre.
Eu tapo os ouvidos, mas a voz na minha mente não para.

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