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Fé Profunda

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O irmão Anselmo tinha mãos que conheciam o trabalho — calos nos dedos, veias grossas subindo pelos antebraços, a pele manchada pelo sol de tantas colheitas. Tinha quarenta e poucos anos, cabelo grisalho farto e barba da mesma cor, aparada curta.

As freiras do convento o chamavam para consertar o que quebrava: telhados, portas, a bomba d'água do poço. Ninguém desconfiava de um homem velho de macacão sujo de graxa.

Irmã Clara o observava da porta da capela. Loira, olhos azuis de céu de inverno, o hábito preto caindo reto sobre um corpo que ela mesma mal conhecia. Dezoito anos. Entrara no convento aos dezessete, fugindo de um padrasto que a olhava demais. Ali, pensou, estaria a salvo dos olhares.

O irmão Anselmo ergueu os olhos do cano que consertava e a viu. Não desviou. Foi ela quem desviou primeiro, o rosto queimando. Naquela noite, ela não dormiu. A imagem das mãos dele — como seguravam a chave inglesa, como os nós dos dedos ficavam brancos quando apertavam — voltava toda vez que fechava os olhos.

Irmã Clara rezou. Rezou até a madrugada, de joelhos no chão frio, e a oração não afastou nada. Três dias depois, ele voltou para trocar a fechadura da despensa.

— Irmã — disse ele, a voz grave e calma. — A senhora podia me segurar essa lanterna?

Ela segurou. Ele se abaixou ao lado dela, tão perto que ela sentiu o cheiro de suor e madeira e algo mais, algo quente e animal que fez seu estômago se apertar. Ele trabalhava em silêncio. Ela olhava para a boca dele, para o lábio inferior rachado, para os fios brancos que escapavam da barba.

— Tá me olhando — disse ele, sem levantar a cabeça.

— Não estou.

— Está. — Ele sorriu de lado, e o sorriso era de um homem que já tinha visto tudo e não tinha mais pressa nenhuma. — Faz três dias que a senhora me olha.

Clara largou a lanterna. Ele a pegou antes que batesse no chão, e a mão dele ficou sobre a dela, e a mão dele era áspera e quente como pedra ao sol.

— Irmão, isso é pecado — sussurrou ela, e a voz saiu trêmula, e ela sabia — Deus, ela sabia — que não estava falando do que ele fazia, mas do que ela queria.

— É — concordou ele. — Mas a senhora não tirou a mão.

Ela não tirou. Ele a beijou ali mesmo, contra a porta da despensa, a boca dele grossa e exigente, a barba arranhando o queixo dela. Clara gemeu dentro do beijo, um som que não sabia que tinha. As mãos dele subiram pelo hábito, apertaram a cintura dela por cima do tecido grosso, e ela sentiu o próprio corpo responder como um animal acordando.

— Vem cá — disse ele, e a puxou para o quartinho dos fundos, onde ficavam as ferramentas.

Ele a deitou sobre o banco de madeira. Levantou o hábito até a cintura. Ela não usava nada por baixo — a regra do convento, e agora a regra a deixava nua da cintura para baixo, a buceta loira e lisa, os lábios rosados já inchados e brilhando.

Ele passou o polegar por entre eles, devagar, e Clara arqueou as costas e mordeu o próprio punho para não gritar.

— Tão molhada — disse ele, e ajoelhou-se, e a boca dele desceu sobre ela.

Clara viu estrelas. A língua dele era quente e áspera, subia e descia, chupava o clitóris até latejar, e ela agarrou o cabelo grisalho dele com as duas mãos e empurrou o quadril contra o rosto dele sem vergonha nenhuma. Gozou rápido, com um gemido abafado, as pernas tremendo.

Ele se levantou, desabotoou o macacão, e o pau dele saltou para fora — grosso, veias saltadas, a glande vermelha e brilhando de prazer.

Clara olhou para aquilo e sentiu medo e fome na mesma medida.

— Vai caber — disse ele, como se lesse a mente dela. — Devagar.

Ele a penetrou devagar. Clara sentiu-se abrir, sentiu o pau dele empurrar fundo, uma pressão enorme e deliciosa, e quando ele começou a se mover, ela esqueceu o convento, esqueceu os votos, esqueceu tudo.

As estocadas dele eram firmes, cadenciadas, um homem velho que sabia o que fazia. A mesa batia na parede. Clara gemia sem se importar.

E foi então que ela viu. Pela fresta da porta, dois olhos escuros.

Irmã Beatriz. A morena, a melhor amiga, a irmã de fé que dormia na cama ao lado da dela. Paralisada, a boca entreaberta, os dedos cravados no batente.

Clara não parou. Olhou direto para os olhos da amiga e sorriu — um sorriso lento, safado, o sorriso de uma mulher que sabia exatamente o que estava fazendo.

— Bia — chamou ela, a voz cortada pelos gemidos. — Vem cá.

Beatriz não se moveu.

O irmão Anselmo diminuiu o ritmo, olhou por cima do ombro, e não pareceu nem um pouco surpreso. Só sorriu aquele sorriso dele. — Vem — repetiu Clara, estendendo a mão. — Não fica aí olhando sozinha. Beatriz entrou como quem anda sobre brasas. Clara a puxou pelo hábito, beijou-a na boca — e o beijo das duas foi doce e desesperado ao mesmo tempo. O irmão Anselmo saiu de dentro de Clara, e o pau dele brilhou molhado, e ele ficou ali, esperando. — Sua vez — disse Clara, e ajudou a amiga a se despir. O corpo de Beatriz era moreno, os seios pequenos e firmes, o pentelho escuro e farto. O irmão Anselmo a deitou no banco, abriu as pernas dela, e Beatriz estava tão molhada quanto Clara — a excitação escorria pela coxa. Ele a comeu com a mesma paciência, a mesma boca experiente, e Beatriz se contorceu e chorou de prazer. Quando ele a penetrou, Beatriz gritou. Clara beijou a boca dela para calar o grito, e depois desceu, beijou o pescoço, os seios, enquanto o irmão Anselmo fodía a amiga com estocadas

freirafreira-morena

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