Samuel, o evangélico no Carnaval
Samuel é evangélico, expulsa os pensamentos impuros com louvores e jejum. Até o Carnaval chegar e o convencerem a se vestir de mulher.
O carnaval parecia outro planeta.
Samuel cresceu ouvindo que aquilo era a festa da carne, do pecado, da perdição. Na igreja, os pastores falavam do carnaval como se as ruas virassem uma espécie de inferno iluminado por neon e cerveja barata.
Mesmo assim, aos vinte e dois anos, ele foi.
“Só pra acompanhar os caras.”
Era o que repetia para si mesmo enquanto caminhava no meio do bloco, cercado por suor, glitter e música estourando nos prédios antigos do centro.
O problema nunca tinham sido as mulheres.
Samuel sabia disso fazia tempo.
Desde adolescente, desviava os olhos rápido demais quando algum homem tirava a camisa. Reparava em braços fortes segurando caixas no mercado. Em costas largas. Em vozes graves demais. Depois passava horas ajoelhado ao lado da cama pedindo perdão a Deus por pensamentos que voltavam no dia seguinte.
Tentava jejuar. Orar. Cantar mais alto na igreja.
Nada apagava aquela sensação funda de querer ser desejado por alguém que ele acreditava jamais poder tocar.
Naquela noite, os amigos estavam bêbados antes mesmo da meia-noite.
— Tu tem cara de quem ficaria bonita de mulher — um deles gritou, rindo.
Vieram a peruca. O batom torto. Um vestido barato comprado numa loja de fantasia.
Samuel tentou recusar no começo.
Depois deixou.
Os amigos gritavam e filmavam enquanto ele surgia do banheiro improvisando passos desajeitados. Mas algo estranho aconteceu quando o bloco explodiu em risadas e assobios.
Ele se sentiu leve.
Não ridículo.
Leve.
A peruca escura caía sobre os ombros. O brilho vermelho na boca escondia o menino tímido da igreja. Pela primeira vez em muito tempo, Samuel não parecia lutar contra o próprio corpo.
Parecia habitar ele.
Então vieram os olhares.
Homens olhando. Desconhecidos sorrindo. Mãos puxando ele para dançar no meio da multidão.
E aquilo era errado. Errado. Errado.
Mas o álcool transformava culpa em coragem por alguns segundos de cada vez.
Samuel bebeu demais.
Quando percebeu, já estava sozinho.
A música parecia distante agora. O bloco tinha seguido para outra rua. Restavam apenas lixo molhado, serpentinas grudadas no asfalto e desconhecidos tropeçando pelas calçadas.
Ele parou diante da vitrine escura de uma loja fechada.
Seu reflexo o encarava de volta: a maquiagem borrada, o vestido torto, a peruca desalinhada, os olhos brilhando entre medo e fascínio.
Samuel sentiu vontade de chorar.
Porque pela primeira vez na vida tinha experimentado algo próximo de liberdade.
E isso o aterrorizava mais do que o pecado.
O reflexo na vitrine parecia zombar e acolher Samuel ao mesmo tempo. As lágrimas começaram a descer, abrindo caminhos limpos no meio do glitter e da maquiagem barata que cobriam suas bochechas. Ele estava parado ali, trêmulo, equilibrando-se entre o peso de uma vida inteira de repressão e o vislumbre de uma liberdade que parecia violenta de tão real.
— Por que uma moça tão linda tá chorando em plena terça-feira de carnaval?
A voz veio de trás, arrastada, densa pelo álcool. Samuel deu um sobressalto, limpando o rosto com as costas da mão, borrando ainda mais o batom. Ao se virar, viu um homem encostado na parede de pichações foscas. Tinha os olhos pesados, a camisa aberta até o meio do peito e um sorriso de quem já não distinguia muito bem o relógio da realidade.
— Eu não... — Samuel engoliu em seco, a voz saindo mais grave do que o esperado, desfazendo a ilusão da fantasia. — Eu sou um rapaz.
O homem soltou uma risada curta, sem zombaria, dando um passo trôpego em sua direção. Ele olhou Samuel de cima a baixo, fixando-se nos olhos marejados e assustados.
— E quem se importa? Ter pau não faz de você um rapaz agora. Olha pra você... Tá linda.
Antes que Samuel pudesse processar o impacto daquelas palavras, o desconhecido deu o último passo e pegou sua mão. O toque era quente, firme, calejado — exatamente o tipo de toque que Samuel passara anos implorando a Deus para esquecer. A eletricidade do contato físico disparou pelo seu corpo, anestesiando os últimos resquícios de hesitação que o álcool ainda não tinha apagado.
O homem o puxou para o vão escuro entre a vitrine e uma porta de ferro fechada.
Samuel tentou mentalizar que a culpa era da bebida, que o álcool havia tomado o controle, mas seu corpo desmentia a mente. Pela primeira vez, ele não recuou. Quando os lábios do outro tocaram os seus, misturando o gosto de cerveja barata com o desespero de uma vida inteira de espera, Samuel se entregou por completo. O desejo, guardado sob tantas camadas de jejuns e orações, transbordou. Ajoelhou-se no concreto frio da calçada, entregando-se àquela intimidade inédita e urgente, explorando o corpo do outro com a fome de quem finalmente quebrava um tabu sagrado.
O homem não esperou permissão. Com um grunhido rouco de bêbado excitado, virou Samuel de frente para a parede fria de concreto, suspendendo o vestido barato até a cintura. A calcinha fina de renda foi puxada bruscamente para o lado, deixando a bundinha lisa e virgem exposta ao ar da noite.
— Porra, que cu gostoso… — murmurou o estranho, cuspindo na própria mão e esfregando a saliva grossa na rola dura e grossa.
Samuel tremia inteiro, o coração disparado. Abriu a boca para pedir calma, mas só saiu um gemido agudo quando a cabeça larga do pau pressionou contra seu anel virgem. O homem não foi gentil. Empurrou com força, enfiando a metade do pau de uma vez.
— Aaaahhh! Dói! Para… por favor… — Samuel gritou, as lágrimas escorrendo grossas, borrando o rímel e o glitter no rosto.
O homem segurou seus quadris com força bruta e meteu até o fundo com uma estocada violenta. Samuel sentiu como se estivesse sendo rasgado ao meio. A dor foi lancinante, queimando fundo, fazendo suas pernas tremerem. Ele soluçava alto, unhas arranhando a parede, maquiagem escorrendo em riachos pretos pelas bochechas.
— Cala a boca e aguenta, sua putinha — rosnou o homem, começando a foder com estocadas pesadas e profundas.
Cada vez que o pau grosso saía quase todo e voltava com força, Samuel gritava. A dor era brutal, mas algo doentio e delicioso se misturava a ela. Seu pauzinho duro vazava dentro da calcinha, latejando a cada estocada que acertava sua próstata.
O homem segurou o cabelo comprido da peruca e puxou a cabeça de Samuel para trás, fodendo mais fundo.
— Olha pra você… chorando feito uma vadia no meio da rua. Mas esse cu tá apertando minha rola pra caralho.
Ele tirou o pau de repente, virou Samuel de frente e o empurrou de joelhos no concreto sujo. O pau brilhando de saliva e um pouco de sangue do cu virgem bateu no rosto dele, sujando a maquiagem já destruída.
— Chupa, moça linda.
Samuel, com os olhos vermelhos e cheios de lágrimas, abriu a boca. O homem enfiou até o fundo da garganta de uma vez. Samuel engasgou violentamente, o corpo convulsionando. O estranho segurou sua cabeça com as duas mãos e fodeu sua cara sem piedade, batendo as bolas no queixo dele.
— Isso… engole tudo, porra.
Slap.
Uma tapa forte estalou no rosto de Samuel, fazendo a maquiagem borrada voar. Outro tapa. E outro. As bochechas ardiam enquanto o pau entrava e saía da garganta, baba grossa escorrendo pelo queixo, misturando-se com as lágrimas e o rímel destruído. Samuel chorava copiosamente, engasgando, vomitando saliva, o nariz escorrendo, o rosto uma completa bagunça de maquiagem derretida.
— Que puta nojenta… olha o estado dessa cara — ria o homem, dando mais tapas enquanto fodia a garganta.
Samuel estava quebrando. Anos de repressão, orações e culpa sendo destruídos a cada estocada na garganta e no cu. Ele se sentia sujo, humilhado, usado… e nunca se sentiu tão vivo.
O homem o levantou novamente, virou de costas e meteu no cu com ainda mais força. Dessa vez não teve misericórdia. Segurou Samuel pela cintura e socou fundo, rápido, brutal. O som molhado de pele contra pele ecoava no beco. Samuel gritava sem parar, a voz rouca, lágrimas caindo sem controle.
— Aaaaiii! Tá rasgando! Tá muito grande… eu vou… eu vou desmaiar…
Mas ele não queria que parasse. Empinava a bundinha para trás, recebendo cada estocada como se precisasse ser destruído. O pau grosso arrombava seu interior, batendo fundo, fazendo seu corpo inteiro tremer de dor e prazer insuportável. Seu pauzinho gozou sem nem ser tocado, jorrando dentro da calcinha enquanto ele soluçava.
O homem acelerou, dando tapas fortes na bunda e nas costas, marcando a pele clara.
— Toma, vadia! Leva rola até desmaiar!
Samuel sentiu o mundo girar. A dor e o prazer se misturavam tanto que sua visão escureceu nas bordas. Ele quase desmaiou, o corpo mole, apenas gemendo e chorando enquanto o estranho continuava arrombando seu cu sem parar.
Finalmente, com um grunhido animal, o homem enterrou tudo e gozou. Jatos grossos e quentes encheram o intestino de Samuel, transbordando pelo cu arrombado e escorrendo pelas coxas. Quando tirou o pau, o buraco de Samuel ficou piscando, vermelho, destruído, vazando porra grossa.
Samuel escorregou pela parede até o chão, sentado no concreto sujo, pernas abertas, vestido levantado, maquiagem completamente destruída — rímel preto escorrendo até o queixo, batom borrado, glitter manchado de lágrimas e baba. Ele chorava baixinho, o corpo tremendo, cu latejando dolorosamente.
O homem guardou o pau, acendeu um cigarro e olhou para ele com um sorriso bêbado.
— Parabéns, moça. Acabou de virar puta de verdade.
Samuel não respondeu. Apenas ficou ali, destruído, quebrado… e estranhamente em paz pela primeira vez na vida. O carnaval continuava ao longe, mas para ele, algo muito maior havia terminado naquela calçada escura.
E ele nem sabia o nome do homem que o comeu.
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