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O pedreiro e o estagiário - PARTE II

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O relógio no painel do ônibus velho marcava pouco mais de sete da manhã quando Rodrigo saltou no ponto perto do centro histórico. O ar do início do dia ainda guardava o frescor da noite anterior, mas o céu limpo prometia mais uma jornada de calor impiedoso.

Enquanto caminhava em direção ao casarão, Rodrigo sentia o corpo pesado, não pelo cansaço do trabalho, mas pela falta de sono. Ele passara a noite em claro, rolando na cama de solteiro, encarando o teto do seu quarto na periferia. Cada vez que fechava os olhos, sentia o cheiro do perfume de Léo impregnado em suas mãos e a textura da pele macia do garoto sob seus dedos calejados.

Aquilo era perigoso. Rodrigo sabia muito bem onde pisava; o canteiro de obras era um território de masculinidade agressiva, piadas de duplo sentido e julgamentos rápidos. Um deslize ali dentro e sua autoridade como mestre de obras viraria poeira.

Quando ele empurrou o portão de ferro pesado do casarão, o cheiro familiar de terra molhada e cimento o recebeu. Três de seus operários já estavam lá, tomando café de garrafa térmica e rindo de alguma bobagem no pátio de entrada.

— Bom dia, mestre! — Valdir, o servente mais jovem, acenou. — O caminhão de areia tá para chegar. Descarrega na calçada ou põe para dentro?

— Bom dia. Põe para dentro, Valdir. Não quero a fiscalização multando a gente logo cedo — Rodrigo respondeu, mantendo a voz firme e a postura ereta de sempre. Ele pendurou sua mochila em um prego na parede da entrada e pegou seu capacete. — O pessoal do andar de cima já começou com o reboco?

— Estão subindo a massa agora — Valdir respondeu, voltando a conversar com os outros.

Rodrigo caminhou até o centro do salão principal, mas seus olhos, quase que por instinto, foram direto para o corredor dos fundos. A penumbra lá dentro parecia chamá-lo. Ele deu alguns passos naquela direção, fingindo inspecionar uma coluna, mas seu coração deu um salto quando o barulho de um motor de táxi ecoou na rua, parando exatamente em frente ao casarão.

Rodrigo voltou para a entrada a tempo de ver a porta do carro se abrir.

Léo saltou do veículo. Dessa vez, ele parecia ter aprendido a lição: usava uma calça jeans mais escura e resistente, uma camisa polo simples e, nos pés, um par de botas de couro legítimo que, embora novas, eram adequadas para uma obra. Os cabelos estavam ligeiramente úmidos do banho e ele trazia a mesma prancheta digital sob o braço.

Quando Léo cruzou o portão, seus olhos procuraram imediatamente os de Rodrigo no meio do salão.

Por um segundo, o canteiro de obras inteiro pareceu desaparecer para os dois. O olhar de Léo tinha uma intensidade que fez o estômago de Rodrigo revirar — uma mistura de cumplicidade, desejo e a audácia de quem não tinha medo do perigo.

Rodrigo pigarreou alto, quebrando o transe, e assumiu sua postura profissional antes que os outros operários notassem algo. Ele caminhou até o jovem arquiteto, parando a uma distância segura, com as mãos apoiadas no cinto de ferramentas.

— Bom dia, Dr. Léo — Rodrigo disse, a voz deliberadamente alta para que todos ouvissem, embora seus olhos estivessem fixos nos lábios do rapaz. — Vejo que arrumou sapatos melhores para trabalhar hoje.

Léo sustentou o olhar, um sorriso de canto quase imperceptível surgindo em seu rosto.

— Bom dia, Rodrigo. Eu disse que vinha conferir a estrutura — Léo respondeu, mantendo o tom profissional, mas abaixando a voz um oitavo ao completar: — E eu cumpro minhas promessas.

— O pessoal tá preparando a massa lá em cima, Dr. Léo — Rodrigo disse, elevando o tom de voz para que Valdir e os outros operários ouvissem. — Vou te levar até a parede dos fundos para você terminar essa medição de uma vez e não ficar no caminho dos rapazes.

— Perfeito. Obrigado, Rodrigo — Léo respondeu, a formalidade na voz contrastando com o brilho provocativo em seus olhos.

Rodrigo deu meia-volta e começou a caminhar pelo corredor que levava aos fundos do casarão. Léo o seguiu de perto, o som de suas botas novas ecoando no piso de concreto áspero. À medida que avançavam, o barulho das conversas dos operários e o som do rádio ligado no pátio iam ficando para trás, substituídos pelo silêncio familiar e abafado da ala desativada do casarão.

Assim que cruzaram o arco de entrada da sala dos fundos, fora do campo de visão de qualquer um, Rodrigo parou abruptamente e se virou. Léo quase colou as costas contra o peito do pedreiro.

— Você tá querendo me enlouquecer, garoto? — Rodrigo sussurrou, a voz áspera, os olhos correndo pelo rosto de Léo com uma urgência que ele tentara reprimir a manhã inteira. — Aquele olhar lá na frente... Valdir não é bobo. Qualquer um com dois neurônios percebe.

Léo deu um passo à frente, reduzindo a distância entre eles a quase nada. Ele colocou a prancheta digital em cima de um saco de cimento fechado e olhou para Rodrigo de baixo para cima, destemido.

— Eu não fiz nada — Léo sorriu de canto, a voz baixa e macia. — Só dei bom dia para o mestre de obras. É proibido?

— Não brinca comigo, Léo. Você sabe o que tá em jogo aqui — Rodrigo falou entre dentes, mas sua mão, agindo por vontade própria, subiu e segurou a cintura de Léo com força, puxando o corpo do jovem contra o seu. O jeans escuro da calça nova de Léo era mais rígido, mas o calor por baixo dele era o mesmo.

— Eu sei exatamente o que está em jogo — Léo murmurou, o sorriso desaparecendo, substituído por uma seriedade febril. Ele ergueu as mãos, apoiando os polegares no peito de Rodrigo, sentindo o bater acelerado do coração do pedreiro sob a regata. — Passei a noite inteira pensando em você. Pensando nisso aqui.

O autocontrole de Rodrigo, que ele jurara manter durante o trajeto de ônibus, desmoronou em segundos. Ele empurrou Léo de leve até que as costas do rapaz tocassem a mesma parede de tijolos da tarde anterior.

— Você é um perigo, sabia? — Rodrigo rosnou, antes de atacar a boca de Léo.

O beijo começou com a mesma urgência da primeira vez, mas havia uma profundidade nova ali. Não era mais apenas a surpresa do primeiro contato; era a confirmação de um vício. A boca de Léo se abriu ansiosa, recebendo a língua de Rodrigo, enquanto suas mãos subiam para o pescoço do operário, arranhando levemente a nuca de pelos curtos.

O cheiro de Rodrigo — o mesmo perfume barato misturado ao início do suor matinal — inundou os sentidos de Léo, fazendo sua cabeça girar. Rodrigo prensou o quadril contra o de Léo, uma das mãos calejadas subindo por dentro da camisa polo do jovem, a palma áspera arrastando-se pela pele descarnada das costelas de Léo, arrancando-lhe um gemido abafado contra seus lábios.

— Rodrigo... — Léo arfou quando o pedreiro desceu os beijos pelo seu pescoço, mordiscando a pele logo abaixo da orelha. — Alguém... alguém pode vir...

— Deixa vir — Rodrigo murmurou, a voz completamente obscurecida pelo desejo, embora soubesse que era mentira. Ele precisava daquele garoto, nem que fosse por apenas cinco minutos roubados antes que o mundo real batesse à porta.

A urgência de Rodrigo parecia maior do que o medo de serem pegos. Ele pressionou Léo contra a alvenaria, o peso do seu corpo musculoso prendendo o estudante ali, isolando os dois do resto do mundo. A mão áspera de Rodrigo, que subia pelas costelas de Léo, espalhou um calor elétrico que fez o rapaz arquear as costas, entregando-se ao toque.

— Você não tem ideia do que fez comigo ontem — Rodrigo sussurrou contra o pescoço de Léo, a voz rouca, intercalando as palavras com beijos quentes e úmidos que desciam até a clavícula do jovem. — Passei a noite sentindo o teu cheiro.

Léo soltou um gemido sufocado, os dedos cravando-se nos ombros largos de Rodrigo. O tecido da regata do pedreiro estava áspero, mas a pele por baixo era pura brasa.

— Eu também... eu não consegui dormir — Léo confessou, a respiração totalmente descompassada. Ele puxou o rosto de Rodrigo de volta para o seu, buscando seus lábios em um beijo profundo, desesperado, onde as línguas se encontravam com uma intimidade que já parecia antiga.

Rodrigo desceu a mão das costelas para o cós da calça jeans nova de Léo. Com uma agilidade nascida do desejo reprimido, ele abriu o botão e correu o zíper. Léo soltou um suspiro trêmulo quando as mãos calejadas do pedreiro entraram por baixo do tecido, encontrando a pele quente do seu quadril e puxando-o para mais perto, colando os corpos até que não houvesse qualquer milímetro de espaço entre eles.

A sensação dos dedos brutos e experientes de Rodrigo acariciando-o com tanta firmeza fez as pernas de Léo vacilarem. O jovem fechou os olhos, jogando a cabeça para trás contra os tijolos coloniais. O prazer era agudo, quase doloroso de tão intenso, amplificado pelo risco iminente de ouvir passos no corredor a qualquer momento.

— Rodrigo... mais rápido — Léo implorou num sussurro febril, prendendo os lábios entre os dentes para não deixar o som de seu prazer ecoar pelo salão vazio.

Rodrigo aumentou o ritmo, os olhos escuros fixos no rosto de Léo, devorando cada expressão de entrega do garoto. Ver aquele jovem arquiteto, tão refinado e intocável lá fora, completamente desarmado e implorando pelo seu toque ali na poeira, acendia um orgulho primitivo no peito do pedreiro. Ele moveu o próprio quadril contra o de Léo, sentindo a mesma urgência queimar em suas veias.

O ápice atingiu Léo como uma onda violenta. O corpo do estudante retesou, os dedos apertando o tecido da regata de Rodrigo com tanta força que as costuras estalaram. Ele enterrou o rosto no pescoço do pedreiro, abafando um gemido longo enquanto se derramava contra as mãos do homem.

Rodrigo o segurou firme, colando o peito ao dele, deixando que Léo recuperasse o equilíbrio enquanto os espasmos diminuíam. O pedreiro respirava pesado, o suor da manhã já brilhando em sua testa, o desejo por sua própria libertação pulsando forte, mas o prazer de ver Léo daquele jeito trazendo uma satisfação temporária e intensa.

— Calma... eu tô aqui — Rodrigo murmurou, a voz subitamente mansa, dando um beijo carinhoso na têmpora úmida de Léo, antes que a realidade do canteiro de obras começasse, novamente, a cobrar o seu preço.

Léo ainda estava encostado na parede, com a testa apoiada no ombro de Rodrigo, tentando fazer o ar voltar aos pulmões. Seus batimentos cardíacos martelavam contra o peito do pedreiro.

Rodrigo, no entanto, não se afastou como na tarde anterior. O desejo que queimava nele ainda não tinha sido saciado, e a visão de Léo ali, inteiramente entregue e vulnerável nos seus braços, apagou qualquer fagulha de hesitação que ainda restava na sua cabeça.

— Agora — Rodrigo sussurrou perto do ouvido de Léo, a voz tão baixa e grave que fez o rapaz estremecer — é a minha vez.

Com um movimento firme, Rodrigo segurou Léo pela cintura e o girou, pressionando-o de costas contra o peito largo. Léo apoiou as palmas das mãos na parede de tijolos à sua frente, sentindo a textura áspera da alvenaria colonial sob os dedos. O corpo de Rodrigo colou-se ao dele por trás; o calor que emanava do pedreiro era sufocante e irresistível.

Rodrigo levou uma das mãos ao próprio cinto de ferramentas, soltando-o com um baque surdo na poeira do chão. Em seguida, desfez o botão da calça gasta e puxou o zíper. Léo ouviu o som da respiração de Rodrigo se tornar mais curta e pesada logo atrás de sua orelha.

— Segura firme aí, garoto — Rodrigo pediu, a voz rouca, misturada ao som do tecido se movendo.

Rodrigo segurou o quadril de Léo com as duas mãos, os dedos calejados apertando a pele do jovem com força através do jeans abaixado, firmando a posição. Quando o pedreiro empurrou o próprio corpo para a frente, buscando o calor de Léo, o estudante soltou um gemido agudo, que ecoou pelas vigas de madeira do teto alto.

O ritmo que Rodrigo ditou era forte e seguro, o reflexo de um homem acostumado ao trabalho pesado, mas carregado de uma paixão que ele vinha tentando sufocar há dias. A cada investida, o peito musculoso de Rodrigo batia contra as costas de Léo, e o suor da testa do pedreiro pingava nos ombros do jovem.

Léo apertava os tijolos com tanta força que sentia o pó da parede entrar sob suas unhas. Ele jogava a cabeça para trás, buscando o ar, completamente dominado pela força bruta do homem.

— Rodrigo... meu Deus, Rodrigo... — Léo balbuciava, o prazer subindo novamente em uma linha contínua e insuportável.

— Gosta assim, doutor? — Rodrigo provocou entre dentes, os olhos fixos no movimento dos quadris de Léo, sentindo o aperto perfeito que o levava direto ao limite. Ele puxou Léo um pouco mais para trás, intensificando o contato, os dentes cravando-se de leve no ombro do garoto.

O final veio como uma avalanche. Rodrigo acelerou o passo, os músculos das costas travados, a respiração transformando-se em um rosnado baixo e focado. Léo desabou para a frente, a testa colada na parede, enquanto Rodrigo se entregava por completo, despejando toda a sua urgência e o seu desejo acumulado contra o corpo do jovem arquiteto.

Eles ficaram ali por longos segundos, imóveis, duas silhuetas unidas na poeira e na penumbra dos fundos da obra, enquanto o som do tráfego matinal começava a rugir do lado de fora.

O peso do corpo de Rodrigo continuou pressionado contra as costas de Léo por alguns instantes, enquanto o ritmo das respirações de ambos aos poucos se acalmava. O peito do pedreiro subia e descida com força, colado ao tecido úmido da camisa de Léo.

Devagar, Rodrigo se afastou. O estalo metálico do zíper de sua calça sendo fechado quebrou o transe, trazendo de volta o som abafado do martelete que alguém acabara de ligar no andar superior.

Léo se virou devagar, apoiando-se na parede de tijolos para não perder o equilíbrio, já que suas pernas ainda pareciam sem firmeza. Suas roupas estavam desalinhadas, as botas novas cobertas pela poeira cinzenta do chão. Ele olhou para Rodrigo e encontrou o pedreiro passando as mãos pelo cabelo curto, tentando recuperar a habitual postura de mestre de obras, embora seus olhos escuros ainda guardassem o brilho da intensidade de instantes atrás.

— A gente precisa se arrumar rápido — Rodrigo disse, a voz ainda um tom mais grave e rouca que o normal. Ele se abaixou, pegando o cinto de ferramentas pesado do chão e afivelando-o na cintura com um gesto prático. — O Valdir já deve estar subindo com o resto do material.

Léo assentiu, puxando o jeans escuro e fechando o botão com os dedos ainda levemente trêmulos. Ele ajeitou a camisa polo, limpando o pó dos joelhos.

— Rodrigo... — Léo começou, dando um passo à frente, mas parou ao ver o pedreiro erguer a mão sutilmente.

— Aqui não, Léo — Rodrigo cortou, embora o tom não fosse rude. Havia uma preocupação genuína no olhar que ele direcionou ao rapaz. Ele deu um passo em direção à saída, mas antes de cruzar o arco de tijolos, parou e olhou para trás sobre o ombro. — Pega a tua prancheta. Deixa tudo com cara de que você passou os últimos vinte minutos trabalhando de verdade.

Léo engoliu em seco e pegou o tablet de cima do saco de cimento. Quando ele voltou para o centro do salão, Rodrigo já estava perto do corredor principal.

— Mestre Rodrigo! — a voz de Valdir ecoou vindo da entrada, seguida pelo som de passos pesados se aproximando. — O rapaz do caminhão quer saber onde descarrega os vergalhões!

— Tô indo! — Rodrigo gritou de volta, sua voz firme e imponente ecoando pelo casarão, sem qualquer vestígio do homem que, minutos antes, rosnava de prazer na penumbra. Ele olhou de relance para Léo uma última vez, um aviso silencioso nos olhos, antes de caminhar em direção à luz do pátio.

Léo respirou fundo, ligando a tela do tablet. Seus dedos deslizaram pelos gráficos da estrutura da parede, mas seus olhos insistiam em olhar para o corredor por onde Rodrigo acabara de sumir. A obra estava longe de acabar, e o risco parecia apenas tornar tudo mais inevitável.

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