#Lésbica #Teen #Virgem

Uma mãe obcecada pela amiga da filha.

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lodive0

Capítulo1

Coralina veio dormir aqui em casa hoje.

Ela é amiga da Rebeca desde a escolinha dessas amizades que nascem no maternal e sobrevivem a todas as fases, como se fossem irmãs que o universo esqueceu de colocar na mesma família. Coralina é apenas oito meses mais nova que minha filha, mas sempre foi um pouco mais baixa, um pouco mais magra, um pouco mais quieta. Do tipo que observa antes de falar. Do tipo que ri com os olhos antes da boca.

Não é incomum ela dormir aqui. Pelo contrário: a casa já tem o cheiro dela, o travesseiro extra no armário, o sabonete que ela gosta no banheiro. Desde sempre, quando as duas estão juntas sob o meu teto, eu fico de olho. Não por desconfiança por hábito. Por instinto materno. Para saber se estão seguras, se estão fazendo alguma bagunça, se já comeram, se precisam de algo. Coisas de mãe.

Mas tenho que confessar uma coisa.

Faz um bom tempo que olho para Coralina de um jeito diferente.

No começo, eu não admitia nem para mim mesma. Dizia que era preocupação, cuidado, zelo. Mas a verdade foi se infiltrando nas frestas da minha própria consciência como umidade que sobe pela parede. Eu comecei a notar o corpinho dela. A curva da cintura quando ela se espreguiça no sofá. As coxas que aparecem por baixo do short quando ela se senta de pernas cruzadas no tapete da sala. Os seios planos despontando sob a blusa do pijama sem sutiã, como é natural para uma garota que está em casa, que se sente segura, que não imagina que alguém a observa.

Alguém. Eu.

Comecei a espiá-la trocar de roupa. No início, era um acidente eu passava pelo quarto, a porta estava entreaberta, meus olhos escapavam. Depois, passei a encontrar motivos para passar pelo quarto na hora em que ela se trocava. O coração batendo mais forte. A respiração presa. A visão fugaz de um ombro nu, das costas lisas, do fecho do sutiã sendo aberto. Eu me afastava com as pernas bambas e uma culpa que durava horas mas que não me impedia de repetir.

O banho era pior. Ou melhor. Depende de como se vê.

O banheiro da suíte de visitas tem uma porta que não tranca direito. Uma fresta. Eu descobri por acaso, juro mas depois que descobri, nunca mais esqueci. Quando Coralina entra no chuveiro, eu sei. Sei pelo som da água, pelo cheiro do vapor que escapa, pelo sabonete dela. E às vezes, quando a casa está silenciosa e Rebeca está distraída no quarto, eu me aproximo. Fico parada do outro lado da porta. Espreito pela fresta. E vejo a água escorrendo pelo corpinho jovem, pelos seios duros, pela barriga lisa, pelo meio das pernas. Ela não sabe. Nunca soube.

Eu me sinto uma pervertida. Mas também me sinto viva de um jeito que não sentia há anos.

Ultimamente, meu desejo aumentou. E não foi só por causa das espiadas.

Rebeca, minha filha, está descobrindo a sexualidade. Eu sempre tive uma filosofia clara: nunca proibir, nunca fazer do sexo um tabu. Prefiro que ela aprenda em casa, com segurança, do que escondida. Instalei um controle parental nos aparelhos da casa não para bloquear, mas para saber. Para acompanhar. Se ela está curiosa, eu quero estar por perto. Até conversei com ela abertamente sobre pornografia, expliquei que o que se vê ali nem sempre é real, e cheguei a enviar alguns links com conteúdos mais saudáveis, que mostram o sexo pela ótica feminina, com consentimento, com prazer real, com meninas da idade dela pra ela ter uma visão representativa não sendo das estrelas pornôs e sim meninas iguais a ela. Alguns me julgam. Dizem que sou irresponsável. Que sou louca por está deixando minha filha tão nova assistir pornografia. Que estou estragando minha filha. Mas acredito que o perigo não está no conhecimento está no silêncio.

O que eu não esperava era que o controle parental me mostrasse algo que acendeu um fogo diferente em mim.

Rebeca e Coralina estão assistindo pornografia juntas.

Eu vi no histórico. Vi nos registros do aplicativo. As duas, lado a lado no quarto, o celular ou o tablet entre elas, assistindo. Não sei se riem, se comentam, se ficam em silêncio. Mas sei que assistem. E saber disso me excitou de um jeito que eu não sei explicar. Imaginar as duas ali, tão próximas, tão íntimas, os olhos fixos na tela onde corpos se tocam, onde mulheres gemem, onde bocas percorrem peles. Minha filha. A amiga dela. A pornografia. E eu, no quarto ao lado, acompanhando tudo pelo aplicativo, com o coração disparado e a calcinha úmida.

Não sei o que está acontecendo comigo. Ou sei, mas não quero dar nome.

Coralina veio dormir aqui em casa hoje. E eu estou no meu quarto, a porta entreaberta, ouvindo as vozes das duas abafadas pelo corredor. Riem. Cochicham. Depois silenciam. O silêncio é o que mais me perturba, porque o silêncio pode significar qualquer coisa. Pode significar que estão dormindo. Ou que estão fazendo algo que não querem que eu ouça.

Já fantasiei essa cena tantas vezes que poderia descrevê-la de olhos fechados. E agora, aqui deitada no meu quarto, com as vozes abafadas delas chegando pelo corredor, fecho os olhos e deixo a fantasia me tomar de novo.

"Vem cá."

Minha voz seria calma. Suave. A voz de quem não quer assustar um animal arisco. Coralina se levantaria do tapete onde estava sentada de shortinho, sem sutiã, como costuma ficar nas noites em que dorme aqui e caminharia até mim. Seus olhos verdes me olhariam com curiosidade, sem malícia, porque ela ainda não sabe. Ainda não entende o que eu quero. Mas algo no meu tom faria com que ela obedecesse.

Eu daria um tapinha no meu colo. Ela sentaria. O peso dela sobre minhas coxas, a bunda pequena se acomodando, o calor do seu corpinho atravessando o tecido fino da minha calça de dormir. Eu já teria o vídeo preparado. Sempre sei qual escolher. É um que assisto repetidamente, não pelo que acontece nele, mas por quem ele me lembra. A garota do vídeo é magra como Coralina. Pele clara, quase leitosa. Cabelos longos e ruivos a mesma cor que muda de tom conforme a luz, a mesma cor que escorre pelos ombros como fios de cobre. São tão parecidas que da primeira vez que vi o vídeo, o coração disparou como se eu estivesse vendo algo proibido antes mesmo de fantasiar.

Eu apertaria o play. O som preencheria o quarto gemidos baixos no início, depois mais intensos. Coralina ficaria de olhos fixos na tela. Hipnotizada. E eu veria o momento exato em que ela se reconhecesse naquela garota nua sendo tocada. Veria suas pupilas se dilatarem. Veria sua respiração mudar.

"Tá gostando?"

Minha boca estaria colada ao seu ouvido. Meus lábios roçariam a curva da sua orelha enquanto eu sussurrava, e minhas mãos minhas mãos já estariam sobre os seios dela. Pequenos, como os da garota do vídeo. Eu massagearia os mamilos em círculos lentos, sentindo-os endurecerem sob meus polegares. O corpo de Coralina responderia antes de qualquer palavra. O corpo não mente. O corpo se arqueia, se oferece, se molha.

"Ela é linda, igual a você."

Eu diria isso no exato instante em que a garota do vídeo gemesse mais alto a boca de outra mulher sugando seu grelinho, a câmera fechada no rosto dela se desfazendo em prazer. Coralina veria aquilo e estremeceria no meu colo. Sua mão, hesitante, desceria pela barriga e entraria dentro da calcinha. Os dedos incertos tocando o próprio sexo, tentando imitar o que via na tela, tentando aliviar a pressão que latejava ali.

Mas ela é inexperiente. Os dedos são desajeitados. O ângulo, errado. Ela sabe que quer algo, mas não sabe exatamente como alcançar.

Então minha mão cobriria a dela.

"Deixa a tia te ajudar."

Minha palma sobre as costas da sua mão, meus dedos guiando os dela. Eu ensinaria o ritmo. A pressão certa. O círculo perfeito ao redor do grelhinho que ela mal sabe que tem. Minha outra mão continuaria nos seus seios revezando entre os mamilos, beliscando de leve, puxando. Minha boca no seu pescoço, beijando, lambendo, mordendo a pele macia que eu já espiara tantas vezes e que agora estaria finalmente sob os meus lábios.

A garota do vídeo gozaria. E Coralina, guiada por mim, gozaria também o corpo se contraindo, a cabeça caindo para trás, a boca se abrindo num gemido mudo. Ela se desmancharia no meu colo, e eu a seguraria. Eu a seguraria até ela voltar. Até seus olhos verdes se abrirem e me olharem não mais com curiosidade, mas com algo novo. Algo que eu plantei.

*****

Abro os olhos. Estou de volta ao meu quarto escuro. As vozes de Rebeca e Coralina ainda ecoam abafadas pelo corredor. Minha mão está sobre a cintura do meu shorts, a ponta dos dedos por baixo do elástico. Minha calcinha está molhada. E a fantasia ainda pulsa atrás das pálpebras.

Não sei quanto tempo fiquei ali, perdida nesse devaneio. Mas uma coisa eu sei: cada vez que fantasio, a linha entre o que imagino e o que posso fazer fica mais fina. E hoje, com Coralina dormindo a poucos metros de mim, essa linha parece quase transparente.
*****
Já passa da meia-noite. A casa está em silêncio aquele silêncio denso da madrugada, quando até o zumbido da geladeira parece alto. Rebeca e Coralina estão no quarto, e eu sei, pelo tempo que passei ouvindo, que as vozes cessaram. As risadas também. Só resta o ruído suave da respiração ritmada de quem já dorme.

Eu deveria dormir também. Mas meus pés já estão no chão frio, e minha mão já está na maçaneta.

Abro a porta do meu quarto devagar. O corredor está escuro, mas eu conheço cada centímetro desta casa. Sei onde o piso range e onde não range. Sei qual fresta de luz me denunciaria. Esquivo-me de tudo como uma sombra mais escura dentro da escuridão.

A porta do quarto delas está entreaberta Rebeca nunca a fecha completamente. Empurro-a o suficiente para passar. O ar dentro do quarto é morno e tem cheiro de xampu e de sono. Rebeca está na cama encostada à parede, enrolada no lençol como um casulo. E Coralina...

Coralina está no colchão extra, no chão. Dorme sem lençol, como se o calor da noite a tivesse despido de qualquer cobertura. Veste apenas uma blusa velha e grande uma camiseta que provavelmente pertenceu a alguém, talvez ao pai, talvez a um namorado e sua calcinha. A calcinha é pequena, de algodão, com estampas que não consigo distinguir no escuro. Ela está de lado, os joelhos levemente dobrados, e a blusa subiu tanto que quase não cobre mais nada. A curva do quadril está exposta. O elástico da calcinha escapou e deixou à mostra o começo da nádega, lisa e branca como a espuma do leite.

Eu me abaixo. Sento ao lado dela no chão, as pernas cruzadas, o corpo inclinado. Minha respiração está tão controlada que chega a doer. Sei que não deveria estar aqui. Sei que cada segundo é um passo para dentro de um território onde não há retorno. Mas olho para ela para a boca entreaberta, para os cílios longos repousando sobre as bochechas, para a blusa que não esconde nada e não quero voltar.

Beijo sua testa. Um beijo leve, quase maternal. Quase.

Meus dedos encontram seus cabelos ruivos e os acariciam, desembaraçando os fios com paciência. Ela não se move. Sua respiração continua ritmada, profunda. Então eu faço o que venho desejando há meses: beijo seus lábios.

São macios. Incrivelmente macios. E têm um gosto doce, artificial o gosto do brilho labial de morango que ela vive passando, que ela tira do bolso e reaplica a cada hora, que deixa seus lábios brilhantes e rosados. Agora esse gosto está na minha boca. Beijo de novo. E de novo. Toques breves, lábios contra lábios, enquanto meus dedos deslizam da sua nuca para sua bochecha. Acaricio sua pele ali, sentindo o osso delicado sob os dedos, a maciez de quem ainda é quase menina.

Minha mão desce. Da bochecha para o pescoço a pulsação lenta e regular sob meus dedos. Do pescoço para o peito, ainda coberto pela blusa grande. Meus dedos encontram o mamilo por cima do tecido e começam a circular. Devagar. Sem pressa. Sinto o pequeno ponto se enrijecer sob a ponta do meu indicador, respondendo ao toque mesmo que ela não acorde.

— A tia vai cuidar de você.

Sussurro tão baixo que quase não ouço minha própria voz. É uma promessa. Uma sentença. Uma absolvição.

Levanto a barra da blusa. Primeiro só um pouco o suficiente para expor a barriga lisa, o umbigo pequeno, as costelas desenhadas sob a pele clara. Acaricio essa pele nova com as costas dos dedos, e o toque é tão suave que ela nem se mexe. Subo mais a blusa. Os seios aparecem pequenos, brancos, os mamilos rosados que eu já espiara tantas vezes pela fresta do banheiro e que agora estão ali, diante de mim, sem nada impedindo. Meus dedos os tocam diretamente. A pele é quente. O mamilo, duro. Eu círculo. Belisco de leve. Sinto meu próprio corpinho responder, a umidade crescendo entre minhas pernas.

— Tia?

A voz de Coralina é um fio. Um sopro. Ela abriu os olhos não completamente, apenas uma fresta sonolenta, as pupilas tentando focar no escuro. Meu coração dispara, mas minha voz não treme.

— Shh, linda. Tudo bem. Só tô dando carinho.

Meu polegar continua circulando seu mamilo enquanto falo. Movimentos lentos, hipnóticos. Ela pestaneja.

— Hhhham.

O som é mais um suspiro do que uma palavra. Seus olhos já estão se fechando de novo, o sono puxando-a de volta. Ela não acordou. Não realmente. Está num limbo entre o sono e a vigília, onde as coisas parecem sonhos e os sonhos parecem reais.

— Shhh. Fecha os olhinhos e deixa eu tirar essa blusa.

Minha voz é um comando doce. Ela obedece. As pálpebras pesadas se fecham, os cílios repousando de novo sobre as bochechas. Eu puxo a blusa para cima devagar, para não enroscar nos braços, para não perturbá-la. Seus seios ficam completamente expostos agora. Sua barriga. Suas costelas. A pele toda, branca e lisa, salvo pelas pintinhas mínimas que eu nunca vira antes.

Inclino-me e beijo sua boca de novo.

— Hhh, tia.

É o último som que ela solta antes que sua respiração volte a ficar profunda e regular. Seu peito sobe e desce no ritmo do sono. Ela dorme. Dorme com os seios nus, os mamilos ainda duros do meu toque. Dorme como se nada tivesse acontecido.

Meu alvo agora é a calcinha pequena que ela veste.

O algodão é fino, tão fino que sob a ponta dos meus dedos eu sinto o relevo da pele, a fenda escondida, o calor que emana de seu centro. É uma calcinha de menina estampada, provavelmente, com desenhos que a escuridão não me deixa ver, mas que imagino. Flores. Frutinhas. Coisas inocentes. Coisas que não combinam com o que estou prestes a fazer. E essa contradição a calcinha infantil e a mulher que a toca acende em mim um fogo que queima junto com a culpa, e a culpa, em vez de apagar o fogo, só o alimenta.

Ela é amiga da minha filha. Ela dorme aqui desde os cinco anos. Ela me chama de tia.

E eu estou aqui, na madrugada, com os dedos sobre sua intimidade.

Pouso a ponta do indicador e do médio bem no centro do tecido, onde sei que está a entrada de sua buceta. E começo a acariciar. Um movimento para cima e para baixo. Tão lento que mal parece movimento. Apenas o deslizar dos meus dedos sobre o algodão, sentindo a fenda se moldar ao toque, o tecido se aquecer, a umidade começar a brotar de dentro dela como uma nascente secreta.

Para cima. Para baixo. Para cima. Para baixo.

Cada passada dos meus dedos é uma descoberta. Percebo que o tecido já não está seco. Há uma pequena mancha úmida que cresce a cada vai e vem, escurecendo o algodão, denunciando que o corpo de Coralina me responde mesmo que ela não saiba. Mesmo que ela esteja em algum lugar profundo do sono, onde os sonhos se confundem com a realidade e os toques proibidos se disfarçam de carícias oníricas.

Ela está molhada. Para mim. Por minha causa.

Essa constatação me atinge como uma onda quente. A amiga da minha filha está molhada sob meus dedos. A garota que eu via correr pelo jardim, que eu levava para a escola junto com Rebeca, que sentava à minha mesa e comia meus bolos essa garota está excitada. E sou eu quem a excita. Meu toque. Minha presença. Minha ousadia de estar aqui, na calada da noite, fazendo o que ninguém pode saber.

A mancha úmida me estimula a continuar. Meus dedos pressionam um pouco mais. O tecido cede. A fenda se desenha com mais nitidez sob a ponta dos meus dedos. E eu continuo o vai e vem para cima, para baixo, para cima, para baixo sentindo a umidade aumentar, o calor se intensificar, meu próprio corpo responder com uma pulsação entre as pernas.

Mas o tecido é um obstáculo. Uma barreira que já não suporto.

Então eu agarro o elástico da calcinha com as duas mãos. Meus dedos tremem ligeiramente não de medo, mas de antecipação. É o tremor de quem está prestes a realizar um desejo guardado por meses, anos talvez. Puxo o tecido para baixo. Devagar. Muito devagar. Quero sentir cada centímetro de pele sendo revelado. O algodão desce pelas coxas, e meus olhos acompanham o percurso como se assistissem ao desvelar de uma obra de arte.

A pele que aparece é branca e lisa. As coxas são finas, de menina-mulher, com uma penugem quase invisível que só percebo porque estou perto demais. A calcinha desce pelos joelhos — e eu faço uma pausa ali, admirando a curva dos ossos, a delicadeza das articulações. Desce pelas canelas. Pelos tornozelos. Finalmente se solta dos pés e fica esquecida no colchão, uma mancha clara na escuridão.

Agora não há mais nada entre mim e ela. Entre mim e a amiga da minha filha.

A buceta de Coralina está exposta. E eu paro. Simplesmente paro. Porque quero guardar esta imagem para sempre. É lisa completamente depilada, como nunca nascido um pelo ali. Os grandes lábios estão fechados, tímidos, escondendo o tesouro que vou explorar. A pele é rosada nas bordas, clareando em direção às coxas. Há um brilho a umidade que eu mesma provoquei com meus dedos sobre o tecido, agora visível, agora real, agora ali para mim.

Ela é a amiga da Rebeca. A menina que dorme aqui desde que as duas cabiam na mesma cama. E está deitada diante de mim, nua da cintura para baixo, as pernas ainda fechadas como se o próprio corpo quisesse protegê-la de mim.

Mas eu não quero proteção. Eu quero acesso.

Mudo de posição com a lentidão de quem não quer perturbar o ar. Acomodo-me entre suas pernas. Minhas mãos pousam em seus joelhos a pele é macia, os ossos delicados sob minhas palmas e começo a abri-los. Não abro de uma vez. Abro aos poucos, centímetro por centímetro, saboreando a resistência mínima dos músculos relaxados pelo sono. É como abrir um livro raro, daqueles que a gente tem medo de rasgar, mas não pode deixar de ler.

As pernas se afastam. A buceta se abre. E eu vejo o que estava escondido.

O clitóris. Pequeno. Rosado. Despontando entre os lábios como a ponta de um botão que ainda não floresceu, mas que já pulsa. Ele parece me chamar. Parece dizer é você, tia, estava esperando. E eu, que sempre fui paciente, que sempre soube esperar, que passei meses me contentando com frestas de portas e vislumbres roubados eu agora tenho diante de mim o centro do meu desejo.

Meu polegar vai até ele.

O toque é quase uma reverência. A ponta do meu polegar encontra o grelhinho de Coralina e repousa ali, sem pressionar, sem mover. Apenas sente. A pele é incrivelmente macia. O ponto é quente. E pulsa sim, pulsa sob meu dedo, como um coração minúsculo batendo só para mim. Fico assim por um longo momento. Meu polegar sobre o grelhinho dela. Minha respiração suspensa. O mundo reduzido a este ponto de contato entre a mulher proibida e a menina adormecida.

Então eu aperto. De leve. Só a pressão suficiente para que ela sinta onde quer que esteja, em seu sonho profundo.

Ela se remexe. Seus quadris se movem sob minhas mãos. Um gemido escapa de seus lábios entreabertos um som pequeno, fino, que vem de algum lugar entre o sono e o prazer. Ela não acorda. Mas gemeu. Gemeu para mim.

Começo a massagear. Movimentos circulares. Lentos. Tão lentos que cada volta do meu polegar ao redor do seu grelhinho parece durar uma eternidade. Sinto a textura mudar sob meu toque a pele ficando mais úmida, mais escorregadia, o botão rosado se tornando mais proeminente. Coralina se remexe de novo. Outro gemido. Mais longo. Mais profundo. Seus lábios se entreabrem um pouco mais, e sua respiração fica irregular.

Quanto mais eu a toco, mais ela fica molhadinha. O líquido agora brilha sob a luz fraca da janela, escorrendo dos grandes lábios e manchando o lençol. É o néctar que eu imaginei por tantas noites, quando me tocava sozinha pensando nela. Mas imaginado era nada. Preciso era tudo. Preciso é o cheiro um cheiro limpo e ao mesmo tempo denso, feminino, que sobe até minhas narinas e me embriaga. Preciso é o gosto, que ainda não provei, mas que já antecipo na boca que saliva.

Ela está mais molhada do que qualquer mulher que já toquei. E é a amiga da minha filha. É a garota que usa brilho labial de morango e calcinha com estampas infantis. É a menina que eu vi crescer. E está aqui, se desmanchando sob meu polegar, gotejando excitação enquanto dorme.

Eu poderia continuar com os dedos. Poderia fazê-la gozar assim. Mas eu quero mais. Eu quero tudo. Eu quero o gosto dela na minha boca, o cheiro dela no meu rosto, o gemido dela vibrando contra minha língua. Quero que quando ela acordar amanhã sem saber, sem lembrar seu corpo ainda sinta o que eu fiz.

Então me abaixo. Muito devagar. O tempo se dilata. Cada centímetro que minha boca percorre em direção à sua intimidade é uma eternidade de desejo acumulado. O cheiro fica mais intenso. O calor emana de sua buceta como uma fornalha. E quando meus lábios finalmente tocam sua pele, é como se eu tivesse esperado a vida inteira por este momento.

Sou uma mulher experiente. Já estive com mulheres antes e meninas. Mas nenhuma delas era Coralina. Nenhuma delas era a amiga da minha filha. Nenhuma delas estava dormindo, confiante, vulnerável, entregue a mim sem saber. E essa combinação a experiência de quem sabe o que fazer e a transgressão de quem não deveria fazer torna cada toque da minha língua infinitamente mais prazeroso do que qualquer outro sexo que já tive.

Minha língua percorre toda a extensão de sua buceta lisa. Começo na entrada sinto o calor, a umidade, os músculos que se contraem involuntariamente ao toque. Subo lentamente, a ponta da língua desenhando uma linha úmida sobre sua pele. Passo entre os grandes lábios, sentindo a textura aveludada. Chego ao grelhinho e o saúdo com a ponta da língua um toque breve, quase tímido, que desmente minha experiência, mas revela minha veneração.

Depois circulo. Minha língua desenha círculos ao redor do botão rosado, alargando e estreitando o movimento, alternando a pressão. Coralina tem a respiração ofegante agora. Seu peito sobe e desce rápido sob a blusa ainda enrolada. Seus quadris se movem um movimento involuntário, como se o corpo buscasse mais, como se o corpo soubesse exatamente o que quer mesmo que a mente esteja adormecida.

Eu sugo. Coloco o grelhinho inteiro entre meus lábios e sugou com delicadeza, como se fosse uma fruta madura que pode se desfazer. O gemido que ela solta é mais alto. Mais longo. Suas pernas se contraem. Seus dedos dos pés se curvam. E eu sinto, contra minha boca, o pulsar acelerado do seu prazer.

Ela está perto. Tão perto. E eu estou perdida perdida no gosto dela, no cheiro dela, no som dela, na certeza de que sou eu quem está fazendo isso. Eu, a tia. Eu, a mãe da sua melhor amiga. Eu, a mulher que deveria protegê-la e não devorá-la.

Mas não quero proteger. Quero devorar. Quero sentir o orgasmo dela explodir contra minha boca. Quero que ela goze sem saber que gozou, sem lembrar de nada, mas com o corpo marcado para sempre pelo que eu fiz.

Minha língua continua. Meus lábios continuam. E o gemido de Coralina preenche o quarto abafado, sonolento, delicioso.

O orgasmo de Coralina começa como uma onda distante e vai se aproximando devagar. Sinto contra minha boca primeiro, uma contração leve, quase imperceptível. Depois outra. Mais forte. Seus quadris se erguem involuntariamente do colchão, e eu os acompanho, minha boca não se desgruda de seu clitóris, minha língua continua os círculos pacientes que a trouxeram até aqui.

O gemido que ela solta é diferente de todos os outros. Não é um gemido de sono. É um gemido de prazer. Um som que vem das profundezas, que sobe pela garganta e escapa pelos lábios entreabertos como um segredo que não pode mais ser contido. Seus dedos se agarram ao lençol. Seus joelhos se fecham ligeiramente ao redor da minha cabeça não para me afastar, mas para me prender ali, como se o corpo soubesse que sou eu a fonte daquilo.

Ela goza na minha boca. E é maravilhoso.

Melhor do que todas as minhas fantasias. Melhor do que as noites solitárias em que eu me tocava pensando nela. Melhor do que qualquer mulher que já provei. Porque não é só o gosto o gosto é doce e salgado e intenso, o néctar que escorreu dela e agora está na minha língua, nos meus lábios, na minha memória. Não é só o som o gemido arrastado, a respiração ofegante, o meu nome murmurado entre os sonhos. É a transgressão. É o fato de ser ela. A amiga da minha filha. A menina que eu vi crescer. A garota que confiava em mim.

Ela goza sem acordar. Goza no território indefinido entre o sonho e a realidade, onde talvez eu seja apenas uma figura onírica, uma sombra prazerosa que desaparecerá pela manhã. Mas seu corpo saberá. Seu corpo se lembrará. E é isso que importa.

Quando os espasmos diminuem, quando sua respiração volta a ficar regular, quando seu corpo relaxa completamente sobre o colchão, eu me levanto. Minhas pernas estão fracas. Minha boca ainda tem o gosto dela. Minha calcinha está encharcada mas isso é para depois. Agora, quero vê-la.

Debruço-me sobre Coralina. Ela está ainda mais linda depois do orgasmo. As bochechas coradas. Os lábios entreabertos e inchados. Os cílios longos repousando como asas de borboleta. A blusa ainda enrolada acima dos seios nus. A calcinha ainda perdida em algum canto do colchão. E eu a beijo. Beijo seus lábios com ternura, com posse, com a calma de quem já teve o que queria e agora pode se dar ao luxo de ser carinhosa.

— Hhhhm, tia.

Ela sorri. Sorri entre o sono, os olhos ainda fechados, mas a boca se curvando num sorriso que não é de sonho. É um sorriso que me reconhece. Que sabe que sou eu. Ela sabe. Talvez não saiba exatamente o que aconteceu, mas sabe que estive aqui. Sabe que foi a tia.

— Boa noite, minha menina.

Sussurro contra seus lábios. E então saio do quarto como entrei silenciosa, cuidadosa, uma sombra que se desfaz na escuridão do corredor.

*****
A manhã seguinte chega cedo demais. A luz do sol invade a cozinha, e eu estou ali, preparando o café, como se fosse uma manhã qualquer. Como se eu não tivesse passado a noite em claro, revivendo cada segundo, cada gemido, cada gozo. Meu corpo ainda vibra. Minha mente ainda está no quarto escuro, entre as pernas de Coralina.

Então ouço as vozes.

— Por que você tá só de calcinha?

É Rebeca, minha filha, rindo. Sua voz é leve, divertida, sem malícia nenhuma. Para ela, é só uma amiga que dormiu esquisito. Para ela, não há nada além do que os olhos veem.

— Tava muito calor a noite.

A voz de Coralina é sonolenta, arrastada, mas há algo ali. Um tom. Uma hesitação. Será que ela lembra? Será que ela sabe? Meu coração acelera, mas minhas mãos continuam firmes sobre a cafeteira. Aprendi a esconder.

As duas saem do quarto. Rebeca passa primeiro e entra no banheiro, ainda bocejando. E então Coralina aparece na porta da cozinha.

Ela veste apenas a blusa velha e grande a mesma que eu levantei na noite passada. A barra da blusa bate no meio das coxas, e suas pernas estão nuas. A calcinha pequena que eu tirei com tanto cuidado agora está de volta ao lugar, mas meus olhos sabem o que há por baixo. Meus olhos conhecem o que ninguém mais conhece. Ela me dá, sem querer ou querendo, o privilégio de ver seu corpo mais uma vez. As coxas finas. Os joelhos delicados. A pele clara que eu beijei.

— Bom dia, tia.

A voz dela é tímida. Mais tímida do que o normal. Ela para na entrada da cozinha, como se não soubesse se deve se aproximar. Há algo diferente em seus olhos. Algo que não estava lá ontem. Uma consciência nova. Um reconhecimento.

Eu largo o que estou fazendo. Vou até ela. E a abraço.

Meu abraço não é um abraço de tia. Minhas mãos não se contentam em dar tapinhas nas costas. Elas percorrem seu corpo descem pela cintura, pelas costas, contornam os quadris. Sinto o calor de sua pele através da blusa fina. Sinto o arrepio que meu toque provoca. Ela não se afasta. Ela não me interrompe. Ela aceita.

Inclino-me até seu ouvido. Meus lábios roçam sua orelha, e eu sussurro:

— Bom dia, linda. Gostou de ontem?

Coralina fica paralisada. Seu corpo enrijece por um instante o instante da confirmação. Ela poderia fingir que não entendeu. Poderia rir e perguntar "ontem o quê?". Mas ela não faz isso. Ela me olha. Seus olhos verdes encontram os meus, e há neles uma mistura de surpresa e confirmação. Ela sabia. Talvez não soubesse que era real. Talvez acreditasse que foi um sonho. Mas agora, com minhas palavras, o sonho se torna memória. E ela não foge.

Ela me olha por um longo tempo. Um tempo em que o mundo parece suspenso o café borbulhando na cafeteira, o barulho da água no banheiro onde Rebeca toma banho, o sol entrando pela janela e iluminando a poeira no ar. Tudo existe, mas nada importa. Só existem os olhos dela nos meus. E a resposta que vem.

— Sim. Muito.

Sua voz é baixa. Quase um sussurro. Mas é firme. É real. É a confissão de que ela não só soube, como gostou. De que ela me reconheceu na noite passada. De que ela me recebeu, mesmo entre o sono e a vigília, e agora, à luz do dia, não se arrepende.

— Que bom.

Sorrio. Meu polegar acaricia sua bochecha, e eu me inclino. Beijo sua boca. Diferente dos beijos furtivos da noite passada, roubados enquanto ela dormia, este beijo é dado em plena luz do dia, com os olhos dela abertos e os meus também. É um beijo que sela. Um beijo que diz agora você sabe, e eu sei que você sabe, e nós duas sabemos.

Seus lábios ainda têm gosto de morango. E agora, além do morango, há o gosto da cumplicidade.

(Gostaram? Tava com saudade de escrever um conto lésbico espero que tenham precisado é um sonho recente que tive)

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