Jogo perigoso - Parte 30 - Final
Ficamos olhando para a tela, esperando uma resposta. Eu tentava imaginar quem poderia estar por trás daquelas mensagens, mas não conseguia chegar a lugar nenhum.
Alguns minutos depois, o celular vibrou novamente.
- Se vocês querem saber a verdade sobre a morte do Vinicius, precisam me encontrar. Mas venham preparados, porque o homem que vocês tanto defendem não é quem vocês pensam.
Vivi: Lucas, não responde mais nada. Vamos falar com a Paula.
Olhei para o outro lado da sala. Gui estava com Jennifer no colo, fazendo cócegas na barriga dela, enquanto Paula organizava algumas coisas na cozinha. Era difícil associar aquela cena tranquila ao que esse contato estava insinuando.
Eu: Amor, chama a Paula aqui, por favor.
Vivi se levantou e foi até a cozinha. Poucos segundos depois, as duas voltaram.
Paula: O que aconteceu?
Entreguei meu celular a ela, que leu as mensagens com atenção. No começo, não demonstrou muita coisa, mas, quando terminou, sua expressão mudou.
Paula: Há quanto tempo você recebeu isso?
Eu: Faz uns minutos. Perguntamos quem era e onde queria nos encontrar, mas a pessoa não respondeu mais.
Paula: Não mandem mais nada. Vou precisar ver isso com calma.
Vivi: Você acha que tem a ver com o Vini?
Paula: A mensagem menciona diretamente a morte dele. Então, sim, precisamos considerar essa possibilidade.
Gui se aproximou com Jennifer no colo.
Gui: O que vocês estão aprontando aí?
Paula: Gui, coloca a Jennifer com a Vivi um pouquinho. Preciso conversar com você.
Ele percebeu a seriedade na voz dela e entregou a menina à Vivi.
Gui: Aconteceu alguma coisa?
Paula mostrou as mensagens.
Gui: Ah, não. De novo, não, porra!
Eu: Você tem ideia de quem seja?
Gui: Não faço a menor ideia, Lucas. Mas, se essa pessoa sabe alguma coisa sobre o Vini, quero ouvir o que tem pra dizer.
Paula: Não vai se encontrar com ninguém sem que eu saiba. Estamos falando de uma pessoa que está tentando provocar você usando a morte do seu irmão.
Gui: E você quer que eu faça o quê? Ignore?
Paula: Quero que você tenha juízo. É diferente.
Paula pegou o próprio celular e fez uma ligação. Afastou-se um pouco, mas ainda conseguíamos ouvir parte da conversa.
Paula: Ferraz, preciso que você me ajude com uma coisa. Recebemos uma mensagem anônima envolvendo a morte de Vinicius. Quero verificar se há alguma movimentação recente relacionada ao caso. Não, ainda não temos identificação. Vou encaminhar o material.
Ela desligou e voltou para perto de nós.
Paula: Vou tratar disso oficialmente. Se essa pessoa realmente tem informações relevantes, vai ter a oportunidade de apresentá-las pelos meios adequados.
Gui: E se estiver mentindo?
Paula: Então vamos descobrir.
O restante da noite foi estranho. Tentamos continuar conversando, mas era impossível esquecer aquela mensagem. Gui ficou mais quieto do que o normal, e eu sabia que a lembrança de Vini ainda doía muito nele.
Antes de irmos embora, Paula me chamou de lado.
Paula: Lucas, se essa pessoa entrar em contato novamente, não provoque, não ameace e não tente marcar encontro. Guarde tudo e me avise imediatamente.
Eu: Pode deixar.
Paula: Estou falando sério. Não quero você nem o Gui se colocando em risco por causa de uma mensagem.
Na manhã seguinte, o celular permaneceu silencioso. Nenhuma ligação, nenhuma mensagem nova. Por um momento, pensei que tudo pudesse ter sido apenas uma tentativa de desestabilizar Gui.
Até que, perto do meio-dia, recebi outra mensagem.
"Vocês estão perdendo tempo. Eu conheço Guilherme melhor do que vocês imaginam. Sei o que aconteceu com Vinicius e sei quem deu a ordem."
Eu: Vivi, olha isso aqui.
Vivi: Meu Deus! Quem é esse desgraçado?
Eu: Não sei, mas já tô ficando puto.
Vivi: Manda pra Paula. Agora.
Encaminhei as mensagens e, menos de dez minutos depois, Paula me ligou.
Paula: Lucas, preciso que você venha até a delegacia. Traga o aparelho com você.
Eu: Você descobriu quem é?
Paula: Ainda não vou afirmar nada por telefone. Venha assim que puder.
Avisei Vivi e fui para a delegacia. Quando cheguei, encontrei Paula na sala dela, acompanhada de Ferraz. Sobre a mesa estavam impressas as mensagens que eu havia recebido.
Paula: Senta, Lucas.
Eu: Pelo amor de Deus, Paula, você já sabe quem é?
Paula: Temos uma linha de investigação. Mas ainda precisamos confirmar alguns detalhes.
Ferraz colocou uma fotografia sobre a mesa, virada para baixo.
Ferraz: Antes de mostrarmos isso, precisamos saber uma coisa. Você reconheceria alguém que já tivesse encontrado durante aquela investigação?
Ferraz virou a fotografia sobre a mesa, e eu me inclinei para olhar.
Eu: Não conheço.
Ferraz: Olha com atenção, Lucas. Não precisa ter sido alguém próximo. Pode ter aparecido em algum lugar durante as investigações, pode ter conversado com você ou até ter sido visto perto do Vini.
Eu: Tenho certeza. Nunca vi esse cara. Quem é ele?
Paula trocou um olhar rápido com Ferraz antes de responder.
Paula: Ainda estamos fechando algumas pontas, mas o nome dele é Maicon.
Eu: Maicon? E o que esse desgraçado tem a ver com o Vini?
Ferraz: É justamente isso que estamos tentando esclarecer. Ele começou a entrar em contato com você porque quer construir uma versão dos fatos em que o Guilherme aparece como responsável pela morte do Vinicius.
Eu: Como é que é?
Paula: As mensagens não são uma tentativa de revelar a verdade, Lucas. Pelo que conseguimos apurar até agora, ele está tentando conduzir vocês a uma conclusão específica. Quer que vocês desconfiem do Gui e, ao mesmo tempo, criar registros que depois possam ser usados para sustentar essa acusação.
Eu: Mas por quê? O Gui é irmão do Vini! Ele nunca faria isso, você sabe a verdade, Paula. Por que esse cara tá fazendo isso?
Ferraz: Porque, aparentemente, existe alguém interessado em fazer exatamente isso.
Eu: Eu sabia que tinha alguma coisa errada nessa história, mas não imaginei que fosse chegar a esse ponto. O cara aparece do nada, manda mensagem dizendo que sabe quem deu a ordem e quer que a gente vá atrás dele. Isso é uma armadilha!
Paula: E foi por isso que pedi que vocês não respondessem. Se tivessem marcado um encontro por conta própria, poderiam ter colocado vocês mesmos em perigo.
Eu: Eu não reconheço esse homem, Paula. Nunca vi o Maicon. Nem eu, nem a Vivi, nem ninguém que eu conheça, pelo menos que eu saiba.
Paula: Isso é importante. Não vamos inventar uma ligação entre vocês só porque ele tentou estabelecer esse contato. Até agora, não temos motivos para afirmar que vocês o conheciam.
Ferraz: Mas tem uma coisa que muda bastante o rumo dessa investigação.
Eu: O quê?
Ferraz: Temos provas de que Maicon recebeu dinheiro para fazer isso.
Eu: Dinheiro de quem?
Paula: Ainda estamos apurando a origem e a finalidade exata de cada pagamento. Mas temos elementos concretos que vinculam transferências financeiras a ele, além de registros que corroboram a nossa linha de investigação.
Eu: Então alguém pagou esse filho da puta pra incriminar o Gui?
Ferraz: É uma das hipóteses mais fortes neste momento. E não estamos falando apenas de uma suspeita baseada nas mensagens. Temos registros financeiros, informações que conseguimos cruzar e outros elementos que estão sendo analisados formalmente.
Eu: A gente precisa contar isso pra ele agora.
Paula: Vamos contar. Mas antes preciso que você entenda uma coisa: ter provas de que Maicon recebeu dinheiro não significa, automaticamente, que já sabemos quem pagou ou até onde vai essa participação. Não podemos antecipar conclusões
Eu: Eu entendo. Só não consigo aceitar que alguém esteja fazendo isso com ele.
Ferraz: Eu também não aceito que tentem manipular uma investigação. E é por isso que vamos chegar ao responsável, seguindo as provas.
Paula: Vou chamar o Guilherme para vir até aqui. Quero que ele saiba o que está acontecendo diretamente por nós, sem descobrir por meio de outra mensagem ou de uma provocação desse homem.
Eu: E se o Maicon tentar falar comigo de novo?
Paula: Você não responde. Não apaga nada, não tenta confrontá-lo e não combina encontro. Encaminha tudo para mim e preserva as mensagens originais.
Concordei, ainda tentando assimilar tudo.
Pouco mais de quarenta minutos depois, Gui chegou à delegacia.
Gui: Que cara é essa, Lucas? Aconteceu alguma coisa com a Vivi?
Eu: Não, cara. Ela tá bem.
Gui: Então fala logo. A Paula me ligou dizendo que precisava conversar comigo sobre as mensagens.
Paula: Senta, Gui. O que vou te contar é sério, e preciso que você me escute até o fim antes de tirar qualquer conclusão.
Ela colocou a fotografia de Maicon sobre a mesa.
Paula: Você conhece esse homem?
Gui: Nunca vi na minha vida. Quem é?
Paula: Maicon. É o homem que entrou em contato com o Lucas, afirmando ter informações sobre a morte do Vini.
Gui: Ah, pronto. Mais um desgraçado
Ferraz: Existe algo mais grave. A investigação reuniu provas de que Maicon recebeu dinheiro para tentar incriminá-lo.
Gui: O quê?
Ferraz: Temos registros financeiros e outros elementos que corroboram essa suspeita. Estamos apurando a origem dos pagamentos e a participação de possíveis envolvidos.
Gui: Então o cara nem me conhece, nunca falou comigo, nunca teve nada a ver com a minha família... e tá recebendo dinheiro pra dizer que eu matei meu próprio irmão?
Paula: É isso que os elementos reunidos até agora indicam sobre a atuação dele.
Gui: Quem pagou esse cara? A Nathy?
Paula: Gui, calma. Não temos nenhuma evidência que aponte para ela.
Gui: Mas quem mais teria interesse em me incriminar pela morte do meu irmão?
Ferraz: Na verdade, Gui, já identificamos a origem dos pagamentos feitos a Maicon.
Gui: Então fala, porra!
Ferraz: O dinheiro veio de Ernesto.
Eu: Ernesto? Seu ex-sogro?
Gui: Não. Não, espera aí. Você tá falando do pai da Nathy?
Ferraz: Exatamente.
Gui: Esse velho desgraçado...
Paula: As movimentações financeiras foram rastreadas, e temos outros elementos que ligam Ernesto ao plano de incriminá-lo. Maicon não estava agindo por conta própria.
Gui: Eu sabia que aquele homem nunca gostou de mim, mas isso? Isso é outro nível! Ele quer me colocar na cadeia por um crime que eu não cometi!
Eu: Mas por que ele faria isso agora? O que ele ganha tentando te incriminar pela morte do Vini?
Gui: Por eu ter abandonada a Nathy grávida, talvez... ele deve me culpar pela vagabunda que ela é-
Paula: Eu entendo sua revolta, mas não quero que você faça nada contra Ernesto. Agora temos um caminho concreto para seguir, e qualquer atitude impulsiva pode atrapalhar a investigação.
Gui: Eu não vou encostar um dedo nele, Paula. Mas quero que ele responda por isso. Quero olhar pra cara dele quando tiver que explicar por que pagou um desconhecido pra destruir a minha vida.
Ferraz: Se as provas forem confirmadas no curso da investigação, ele será responsabilizado na medida da participação dele. E Maicon também terá que responder pelo que fez.
Eu: E o Maicon? Já sabe que vocês descobriram?
Ferraz: Não temos confirmação disso. Por enquanto, vamos preservar as informações e seguir com as diligências sem alertar os envolvidos desnecessariamente.
Gui e eu fomos embora da delegacia, e ficamos a tarde toda inquietos, quando Paula apareceu à porta com o celular na mão. Havia alguma coisa diferente em sua expressão. Ela estava séria, mas seus olhos carregavam uma determinação que eu conhecia bem.
Gui: O que foi?
Paula: Conseguimos.
Gui: Conseguiram o quê?
Paula: As provas necessárias para avançar contra Ernesto e Maicon. A equipe confirmou os pagamentos, recuperou as conversas que ligam os dois ao plano e reuniu elementos que demonstram a tentativa de fabricar uma acusação contra você.
Eu: Meu Deus...
Gui: Você tá me dizendo que vai prender os dois?
Paula: Estou dizendo que chegou a hora de eles responderem pelo que fizeram. As medidas judiciais cabíveis foram autorizadas. E eu vou coordenar a operação.
Paula ligo o rádio para Ferraz:
As equipes estão posicionadas?
Ferraz: Sim. Maicon está no endereço monitorado. Ernesto está na residência dele. As equipes já receberam as orientações.
Paula pegou o colete, vestiu-o e ajustou a arma na cintura na cintura.
Paula: Quero os dois sob custódia, sem espaço para improvisos. Ninguém age fora do protocolo. E preservem todo o material que possa servir de prova.
Ferraz: Entendido.
Gui: Paula, posso ir junto?
Paula: Não amor, não pode.
Gui: Paula, esse homem tentou me destruir!
Paula: Confia em mim.
A primeira equipe chegou ao endereço de Maicon pouco depois.
Ele estava dentro de um imóvel alugado, sentado à mesa, com o celular na mão. Quando ouviu as batidas fortes na porta, levantou a cabeça, desconfiado.
Policial: Polícia! Abra a porta!
Maicon: O que está acontecendo?
Policial: Maicon? Você está sendo preso. Afaste-se da porta e mantenha as mãos visíveis.
Maicon: Preso? Pelo quê? Eu não fiz nada!
Policial: Você será informado formalmente dos motivos da prisão. Coloque as mãos onde possamos vê-las.
Maicon: Isso é um engano. Vocês estão atrás da pessoa errada!
O agente responsável apresentou a ordem judicial e informou os motivos da medida. Maicon olhou para o documento, depois para os policiais.
Maicon: Isso só pode ser coisa do Guilherme!
Policial: Não é hora de discutir. O senhor tem direito a assistência jurídica e será conduzido à delegacia.
Maicon: Vocês não entendem! Eu posso explicar tudo!
Policial: Ótimo. Terá oportunidade de apresentar sua versão formalmente, acompanhado de seu advogado.
Ernesto estava em casa quando ouviu a campainha.
Vestia uma camisa social impecável e segurava uma taça na mão. Ao abrir a porta, deparou-se com Paula e os policiais.
Ernesto: O que significa isso?
Paula: Boa tarde, Ernesto.
Ernesto: Paula? O que você está fazendo aqui?
Paula: Estou cumprindo uma ordem judicial.
Ernesto: Uma ordem judicial? Para quê?
Paula: O senhor está sendo preso, por determinação judicial, no âmbito da investigação sobre a tentativa de incriminar Guilherme pela morte de Vinicius.
Ernesto: Isso é ridículo. Você perdeu completamente o juízo?
Paula: O senhor terá acesso aos fundamentos da medida e poderá exercer seus direitos. Agora, preciso que coopere.
Ernesto: Você está me acusando de tentar incriminar o Gui? Eu? Eu conheço aquela família há anos!
Paula: E isso não lhe dá o direito de fabricar acusações contra ninguém.
Ernesto: Cuidado com o que está dizendo, menina. Você não faz ideia de quem eu sou.
Paula: Sei exatamente quem o senhor é para esta investigação. E sei que os pagamentos a Maicon não desapareceram só porque o senhor imaginou que ninguém os encontraria.
Ernesto: Dinheiro não prova nada!
Paula: Sozinho, talvez não. Mas não estamos falando apenas de dinheiro. Temos elementos que apontam para uma combinação entre o senhor e Maicon para construir uma versão falsa dos acontecimentos e colocar Guilherme sob suspeita pela morte do próprio irmão.
Ernesto: Eu quero falar com meu advogado.
Paula: O senhor terá esse direito.
Ernesto: E quero falar com quem autorizou essa palhaçada!
Paula: O senhor poderá questionar a decisão pelos meios legais. Agora, vire-se, por favor.
Ernesto: Você vai se arrepender disso, Paula.
Paula: O senhor teve a oportunidade de agir corretamente. Escolheu usar dinheiro para tentar destruir a vida de outra pessoa. Agora vai ter que responder pelas próprias escolhas.
Os policiais cumpriram os procedimentos de prisão, comunicaram seus direitos e o conduziram para fora da residência. A equipe responsável permaneceu no local para executar as demais medidas autorizadas e preservar possíveis provas.
Já a noite... Eu e Vivi estávamos na sala com Gui, que se levantou no mesmo instante em que a viu entrar.
Gui: E aí?
Paula: Maicon está preso.
Gui: Meu Deus...
Paula: E Ernesto também.
Gui: Você conseguiu?
Paula: Os dois estão sob custódia. As medidas foram cumpridas, e as provas reunidas serão apresentadas no procedimento. Eles terão direito à defesa, mas agora não poderão simplesmente continuar com esse plano como se nada tivesse acontecido.
Gui: Caralho, Paula...
Paula: Não precisa me agradecer por fazer meu trabalho.
Gui: Não é só pelo seu trabalho. É por você não ter desistido. Por ter acreditado que a gente ia chegar à verdade.
Eu: Acabou, cara. Pelo menos essa parte acabou.
Gui: Eu quero ver os dois pagando pelo que fizeram.
Paula: E o caso vai continuar. As prisões não significam que tudo está encerrado, nem dispensam a apuração de cada detalhe. Mas agora temos os envolvidos identificados, provas importantes e condições para avançar.
Gui: Sabe o que mais me dói? O Ernesto podia me odiar, podia falar mal de mim, podia nunca mais querer olhar na minha cara. Mas usar o Vini... usar a morte dele pra tentar me destruir...
Paula: Ainda estou investigando, mas parece que o Ernesto também foi responsável pela morte do Diego...
Gui: Puta que pariu.
Paula: Vamos descansar, essa investigação ainda vai render muita dor de cabeça.
Os dias seguintes foram dedicados a encerrar aquele capítulo.
Maicon permaneceu à disposição da Justiça, e as provas reunidas contra ele e Ernesto foram encaminhadas às autoridades responsáveis. Os procedimentos relativos à tentativa de incriminar Gui seguiram seu curso, enquanto os elementos referentes à morte de Diego foram incorporados à apuração correspondente.
Paula organizou o material restante, prestou os esclarecimentos necessários e acompanhou os encaminhamentos finais. Não havia mais mensagens misteriosas, encontros perigosos ou novas ameaças. Pela primeira vez em muito tempo, o silêncio dos nossos celulares era apenas silêncio.
Com as provas reunidas e os responsáveis identificados, a investigação conduzida por Paula chegou ao seu encerramento. As questões que dependiam de decisões judiciais seguiram os trâmites próprios, mas já não precisávamos viver presos àquela história.
Gui voltou a sorrir sem precisar fingir que estava bem. Aos poucos, voltou a falar de Vini com carinho, lembrando das histórias engraçadas da infância e das besteiras que os dois faziam quando eram mais novos. As lembranças ainda doíam, mas já não vinham acompanhadas daquela sensação sufocante de que alguma coisa terrível estava prestes a acontecer.
Eu e Vivi também conseguimos respirar. Voltamos às nossas rotinas, aos nossos planos e às pequenas coisas que havíamos deixado de lado enquanto tentávamos encontrar respostas.
Certa noite, nos reunimos na casa de Paula e Gui para jantar.
Paula observava tudo com um sorriso tranquilo.
Gui: O que foi?
Paula: Nada. Só estou feliz.
Gui: Eu também.
Eu olhei para os dois e depois para Vivi, que apertou minha mão por baixo da mesa.
Paula: Gente... o Gui e eu, nós queremos conversar com vocês
Vivi: Puta merda! O Paula, deixa o jantar acabar, não vem com mais bombas não
Gui: Eu quero que vocês vão embora com a gente
Eu: Embora? Como assim?
Gui: Eu quero paz pra minha vida, longe de tudo isso... e eu amo vocês, e não tem família pra mim se não tiver vocês
Paula: Vocês aceitam... ou melhor... espera aí
Paula se levantou e Gui também, eles rodearam a mesa, Paula se ajoelhou na minha frente e Gui na frente de Nathy:
Paula: Lucas... você aceita ser meu segundo marido?
Gui: Vivi... você aceita ser minha segunda esposa?
Vivi: Eu aceito! Tudo que aconteceu de bom na minha vida foi com você, meu amor! Eu te amo.
Eu: Eu aceito... eu te amo, Paula
Nós nos beijamos.
Quando as crianças dormiram nós fomos pro quarto, Paula e Vivi se beijavam muito, Gui e eu também, nós tiramos a roupa calmamente, Paula chupava a bucetinha de Vivi enquanto eu me deliciava na rola de Gui, enquanto as meninas se esfregavam na cama, buceta com buceta, Gui me fodia, devagar, naquele ritmo gostoso.
- Aiii caralho, aiii Gui
- Que cuzinho gostoso!
Paula: O Gui tem que te dar também
Gui: Por quê?
Paula: É um relacionamento, não é? O Lucas não é sua putinha, pode liberar o cuzinho pra ele também
Eu: Aiiii, depois... depois eu como, tá gostoso!
Gui continuou me dominando, depois de um tempo tirou a piroca de dentro de meu cuzinho, e se pôs de quatro:
- Vem cá meu gostoso, me fode.
Eu montei no Gui, enrabado-o com vontade, metia firme, ele gemia como nunca antes:
- Aiiii caralho, aiiii que gostoso, soca no meu cuzinho, aiii, issooo
Paula e Vivi mamavam sua rola como podiam.
Depois de alguns minutos, fomos foder as meninas, Gui metia na bucetinha de Vivi, eu na buceta de Paula.
Finalizamos aquela noite gozando gostoso.
Durante um mês, vendemos as coisas, carros, móveis, casa, tudo.
Logo, viajamos para Paris, eu tinha receio de que a promessa de um quadrisal se desmanchasse, mas Paula me tratava com muita intimidade, uma intimidade que nem a Nathy fazia, andávamos de mãos dadas, tirávamos fotos juntos, brincávamos... E aos poucos essa incerteza foi sumindo. O Gui e a Nathy também estavam super bem, a sintonia entre os quatro parecia que só aumentava a cada dia.
A gente alugou um apartamento pequeno, mas aconchegante, perto do centro. Nos primeiros dias, tudo era novidade. A gente saía pra andar sem rumo pelas ruas, parava em qualquer café pra comer croissant e ficava rindo das nossas tentativas de falar francês sem a ajuda da Paula. Não tinha cobrança, não tinha correria e nem ninguém pra julgar a gente.
À noite, a gente se juntava na sala pra planejar o futuro, ver quanto dinheiro ainda tinha e conversar sobre como seria a nossa vida dali pra frente. Pela primeira vez em muito tempo, a sensação era de que tínhamos encontrado o nosso lugar no mundo.
Gui, que sempre mandava muito bem em tecnologia e gestão, conseguiu uma vaga excelente em uma grande multinacional de TI no bairro de La Défense. O salário era ótimo e a empresa até ofereceu suporte para os vistos e benefícios completos.
Já eu consegui entrar para uma renomada agência de marketing digital perto do centro de Paris. Como eles buscavam alguém com visão internacional para expandir campanhas na América Latina, a vaga caiu como uma luva. O ambiente era dinâmico e o salário nos deu ainda mais estabilidade.
Com a rotina de trabalho engrenada e as garotas cuidando do apartamento e dos projetos delas, a nossa vida em Paris finalmente tomou uma forma sólida. De noite, depois do expediente, a gente se reunia na cozinha, abria um vinho, preparava o jantar juntos e comemorava o quanto a nossa aposta em recomeçar do zero tinha dado certo.
Não havia ciúmes, não havia regras, se eu estivesse em casa sozinho com Paula, nós transavamos, se eu estivesse sozinho com Vivi, transava com ela também, se estava sozinho com Gui, a mesma coisa...
1 ano depois, Gui, Paula, Jennifer e sua filhinha Beatriz, Vivi, Brian e eu formávamos uma grande família, e não havia como ser melhor.
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Comentários (4)
Raposinhacarente: O que me chama atenção em seus contos é que tem história, muito mais do que só sexo. Quando lança uma nova saga?
Responder↴ • uid:1d80qjjqucz2Laecio: Falar a verdade tinha mas de 40 anos que eu tinha pegado um livro pra lê agradeço a esses contos e vcs autores vcs estão mi devolvendo em saber como e bom e o que perdei uma boa leitura todo esse tempo Muito obgdo vamos começar outra rápido hemmmm obgdo
Responder↴ • uid:1dai0j5t0aLuanny: Eu não li toda saga dos cunhados, essa aqui me prendeu 🥺 vou maratonar os cunhados enquanto espero vc começar outra, mas não demore!
Responder↴ • uid:h233d0oa3heJulinha: Esse conto superou os cunhados ❤️🥲 Mas vai ter uma saga nova? Vc é o melhor autor
Responder↴ • uid:1eb4s3hq270k