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Jogo perigoso - Parte 25

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Lopedrinhofm

O silêncio que veio depois daquelas palavras foi pesado.
Paula tinha acabado de denunciar o próprio marido.
Vivi: Como você consegue ser tão firme?
Eu: Paula... a Ingrid não estava sendo forçada, ela deu porque quis
Paula: Eu vou pra casa, não vou expor vocês, mas independente dela consentir ou não, se ele gosta de incesto, um dia ele pode acabar fazendo isso com a minha filha, e eu não vou permitir
Ferraz: Paula, repete a identificação do suspeito?
Paula: Diego Braz Campos, meu marido!
Paula fechou os olhos por um instante. Quando tornou a abri-los, havia alguma coisa diferente neles. Não era mais a mulher que tinha acabado de descobrir uma traição. Era a policial que precisava impedir que um homem perigoso continuasse circulando livremente.
Paula: Ele manteve relações sexuais com uma adolescente de quatorze anos.
Ferraz: Caralho, Paula...
Paula: Eu preciso que você mantenha a cabeça no lugar. Eu também vou manter a minha. Quero uma equipe discreta, quero que verifiquem onde ele está e quero que a Ingrid seja localizada e protegida. Ela é menor de idade. Ninguém vai pressionar essa menina a falar nada.
Ferraz: Ferraz: Entendido. Vou acionar a equipe e comunicar a autoridade responsável. Mas, Paula, você não vai participar da abordagem.
Paula: Eu sei.
Ferraz: Não, eu preciso ouvir você dizer isso. Você tem vínculo direto com o suspeito. Não pode se colocar no meio dessa operação.
Paula apertou o rádio com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.
Paula: Eu disse que sei, Ferraz.
Ferraz: E você vai ficar afastada de qualquer decisão que envolva o depoimento dele. Eu assumo a coordenação. Você vai me passar tudo o que sabe e depois vai se retirar.
Paula: Certo.
Ferraz: Paula...
Paula: O quê?
Ferraz: Sinto muito.
Paula: Não sente. Só faz o seu trabalho.
Paula começou a chorar, mas era um choro calado, algumas lágrimas caíram do seu rosto e ela limpou imediatamente.
Eu: Paula, você quer que eu ligue pro Gui? Ele pode confirmar tudo o que a gente viu.
Paula: Não... eu vou dar um jeito, eles devem estar transando agora na minha casa, eu disse que ia demorar, tenho câmeras em todo canto, alguma confissão eu pego. Bom, eu preciso manter distância porque o Ferraz pode me chamar no rádio, eu vou lá buscar minha filha, tudo bem?
Vivi: Sim, traz ela, a gente te ajuda
Paula foi até sua casa e voltou minutos depois com a filha nos braços, entramos pra sala, e o rádio tocou.
Ferraz: Paula, na escuta?
Paula: Positivo
Ferraz: A equipe está sendo mobilizada. Preciso que você me passe o endereço onde Diego pode ser encontrado. E preciso saber se ele tem acesso a arma de fogo.
Paula: Ele tem registro de uma arma particular. Fica guardada em casa.
Ferraz: E ele está no local?
Paula: Sim, está
Ferraz: Mais uma coisa. Ele sabe que você descobriu?
Paula: Não.
Ferraz: Certo. Então escuta com atenção, Paula. A equipe vai até aí, mas você não vai voltar para essa casa enquanto a gente não tiver controle da situação.
Paula: Eu já estou fora de casa, Ferraz.
Ferraz: Ótimo. E não tente acessar as câmeras, não tente provocar uma confissão e, principalmente, não entre em contato com ele. Se você tem gravações que podem ser relevantes, preserve tudo e deixe a equipe responsável orientar como isso será recolhido.
Paula: Eu sei fazer meu trabalho.
Ferraz: Eu sei que sabe. O problema é que, dessa vez, você está envolvida emocionalmente. E eu não vou fingir que isso não importa.
A filha dela estava sentada no sofá, distraída com um brinquedo, sem entender por que a mãe estava chorando e por que todos os adultos pareciam tão preocupados. Paula olhou para a menina e passou a mão pelos cabelos dela, tentando recuperar o controle.
Paula: Quanto tempo?
Ferraz: O quê?
Paula: Quanto tempo até vocês chegarem lá?
Ferraz: A equipe já está se organizando. Não vou te dar um horário que não posso garantir.
Paula: Certo.
Ferraz: Paula, mais uma coisa. Você disse que ele está em casa. Tem certeza de que não percebeu nada estranho? Alguma mensagem, alguma discussão, alguma coisa que indique que ele possa desconfiar?
Paula: Não. Saí normalmente. Disse que ia demorar e ele não questionou.
Ferraz: Entendido. Vou manter você informada.
Paula: Se tiver alguma coisa nas gravações, eu preciso que você me prometa que isso não vai desaparecer porque o suspeito é meu marido.
Ferraz: Paula, ninguém vai proteger o Diego por causa de quem ele é. Se houver material relevante, ele será tratado conforme o procedimento. Mas você também precisa entender que não pode manipular as imagens para conseguir uma confissão.
Paula: Não vou manipular nada.
Ferraz: Então preserve tudo. A gente cuida do resto.
Paula ficou sentada no sofá olhando para a filha, eu me aproximei e perguntei:
- Você tá bem?
Paula: Lucas, meu marido está transando com a própria irmã enquanto eu estou fora de casa com a nossa filha, e você quer saber se eu estou bem?
Eu: Não foi isso que eu quis dizer...
Paula: Eu sei. Desculpa.
Vivi: Você não precisa pedir desculpa pra gente, Paula.
Paula: Preciso, sim. Vocês estavam tentando me ajudar, e eu estou descontando tudo em vocês.
Eu: Paula, você falou uma coisa que eu não entendi. Você disse que ele gosta de incesto. Você está dizendo que já suspeitava de alguma coisa?
Paula: Não. Eu nunca suspeitei que ele fosse capaz disso. Quando eu disse aquilo, estava pensando no que acabou de acontecer. Se ele foi capaz de ultrapassar esse limite com a própria irmã, eu não vou fingir que sei do que ele é capaz daqui pra frente.
Vivi: Mas você acha que ele faria alguma coisa com a sua filha?
Paula: Eu... eu já desconfiei dele ter esfregado nela... não vi claramente, eu estava saindo do banho e... ela estava chorando, e ele se afastou rapidamente levantando a calça
Vivi: E qual foi sua reação?
Paula: Eu olhei... não tinha sinais de que ela tinha sido violentada, só... ignorei, achei que tivesse sido coisa da minha cabeça
Vinte minutos depois, o rádio voltou a tocar.
Ferraz: Paula, na escuta?
Paula: Positivo.
Ferraz: A equipe está a caminho do endereço. Preciso confirmar uma informação sobre o armamento.
Paula: Pode falar.
Ferraz: A arma fica guardada em um cofre?
Paula: Sim. No escritório.
Ferraz: Você sabe onde está a chave?
Paula: Diego costuma deixar no chaveiro da gaveta da escrivaninha. Mas não sei se está lá hoje.
Ferraz: Certo. Não volte para verificar. A equipe vai avaliar a situação com segurança.
Paula: Entendido.
Ferraz: Paula, você está acompanhada?
Paula: Estou com o Lucas e a Vivi. Minha filha também está aqui.
Ferraz: Ótimo. Quero que permaneça aí. E preciso te avisar de uma coisa: assim que a equipe chegar, talvez você receba uma ligação do Diego. Se isso acontecer, não entre em discussão com ele. Não revele que estamos indo até a casa.
Paula: Ele pode ligar, mas não vai me encontrar desprevenida.
Ferraz: Paula...
Paula: Eu não vou fazer nenhuma besteira, Ferraz. Já entendi.
Ferraz: Estou falando sério. Você conhece o suspeito melhor do que nós, mas isso não significa que consiga prever a reação dele.
Paula: Eu sei.
Ferraz: Mantenha o rádio ligado.
Paula: Certo.
Eu: Você acha que ele vai tentar fugir?
Paula: Não sei.
Vivi: E se ele descobrir que você contou?
Paula: Aí ele vai ter que lidar com as consequências do que fez.
Eu: Paula, e as câmeras? Você disse que tinha em todo canto. Você consegue ver alguma coisa pelo celular?
Paula: Consigo, mas não vou mexer nisso agora. Ferraz tem razão.
De repente o celular de Paula vibrou, Diego estava ligando, ela ficou imóvel.
Vivi: Não atende!
Paula: Não vou...
Vivi: Ele não sabe que você está com a gente?
Paula: Sabe que eu saí. Não sabe onde estou.
Eu: Talvez esteja desconfiado.
Chegou uma mensagem:
“Paula, atende o telefone. É sério.”
Paula: Não vou responder.
Ferraz: Paula, atualização. A equipe chegou às proximidades do endereço.
Paula: Entendido.
Ferraz: Ainda estamos avaliando a situação. Preciso que você continue afastada. Se houver qualquer mudança, aviso.
Paula: Certo.
Eu me levantei e fui até a janela. Não havia nada que eu pudesse fazer dali, mas ficar sentado parecia insuportável, Vivi veio falar comigo.
Vivi: Você acha que ela vai conseguir?
Eu: Prender o Diego?
Vivi: Passar por isso sem desmoronar.
Eu: Vai desmoronar depois. Quando tiver certeza de que todo mundo está seguro.
Naquele momento, o celular dela vibrou novamente, era uma notificação do sistema de câmeras: Movimento detectado — escritório.
Paula: Não...
Eu: O que foi?
Paula: Ferraz, preciso falar com você. Agora.
Ferraz: Na escuta. O que aconteceu?
Paula: Estou acompanhando as câmeras da residência. O Diego está no escritório, mexendo nas gavetas e pegou o chaveiro. Ele está indo em direção ao cofre onde a arma fica guardada.
Ferraz: Você tem certeza do que está vendo?
Paula: Absoluta.
Ferraz: Não saia daí. Não entre em contato com ele. Vou transmitir a informação à equipe agora.
Paula: Ferraz, ele pode estar armado!
Ferraz: Eu ouvi. A equipe será informada. Permaneça onde está e mantenha o telefone disponível.
Na câmera, Diego introduziu a chave na fechadura do cofre, girou, abriu, e vimos ele colocar a mão dentro do cofre.
O celular vibrou novamente, outra mensagem de Diego.
“Paula, eu te amo. Por favor, me atende. Preciso que você volte pra casa. Tem alguém tentando invadir aqui"
Ela leu a mensagem e murmurou com a voz destruída:
- Você não faz ideia de quem eu sou, Diego.
Ferraz: Paula, a equipe recebeu a informação. Preciso que você me confirme uma última coisa: há alguma possibilidade de ele saber que você está acompanhando as câmeras?
Paula: Não. Ele não sabe de nada.
Ferraz: Certo. Mantenha a calma.
Paula: Por favor, não deixem isso terminar em tragédia.
Ferraz: Vamos agir com toda a cautela possível, Paula. Fique onde está.
Paula prendeu o cabelo, e se levantou, ativando o "modo delegada", minutos depois Ferraz a chamou.
Ferraz: Paula, na escuta?
Paula: Positivo!
Ferraz: A equipe está posicionada. Você confirmou que ele retirou a arma do cofre?
Paula: Não consegui identificar o objeto com certeza, mas ele abriu o cofre e retirou alguma coisa. Depois saiu do escritório.
Ferraz: Entendido. Não tente acompanhar o suspeito por outros meios nem faça contato com ele. A equipe vai conduzir a abordagem.
Paula: Ferraz, pelo amor de Deus, a minha filha está aqui comigo. Eu não quero que isso termine com alguém morto.
Ferraz: Ninguém quer isso, Paula. Vamos priorizar a segurança de todos.
Paula pegou a filha no colo, tirou o peito pra fora e dava mama sem se importar que eu estava olhando, a menina adormeceu em minutos e ela a entrou pra Vivi.
Enquanto isso, na casa de Paula, a equipe policial chegou sem sirenes, evitando anunciar a presença das viaturas antes de estabelecer contato com o local.
Ferraz coordenava a operação, acompanhando as informações recebidas e repassando à equipe os dados sobre a possível arma de fogo.
Ferraz: Atenção, equipe. O suspeito pode estar armado. Há uma denúncia envolvendo uma adolescente de quatorze anos e informações de que ele abriu o cofre da residência. Priorizem a segurança de todos os ocupantes, especialmente da menor. Ninguém age por impulso.
Um dos policiais confirmou a informação pelo rádio.
Policial: Entendido. Estamos no acesso principal.
Ferraz: A abordagem será conduzida conforme o procedimento. Identifiquem-se claramente e mantenham o controle da situação.
Os agentes avançaram até a entrada.
A porta não estava trancada, Paula deixou semi aberta de propósito quando foi buscar a filha dela.
Um dos policiais anunciou a presença da equipe, e a voz ecoou pelo interior da casa.
Policial: POLÍCIA! APAREÇA COM AS MÃOS VISÍVEIS!
Nenhuma resposta.
Os agentes repetiram a ordem.
Policial: POLÍCIA! PRECISAMOS QUE VOCÊ SE IDENTIFIQUE E COOPERE!
Ouviu-se um ruído vindo do andar superior. Depois, passos apressados.
Policial: Movimento no andar de cima!
A equipe avançou com cautela, mantendo a comunicação entre os agentes.
Ao subirem pro corredor, a policial deu de cara com Diego.
Policial: Diego?
Diego: O que está acontecendo aqui?
Policial: Polícia Civil. Precisamos que você mantenha as mãos visíveis e obedeça às nossas orientações.
Diego: Vocês não podem simplesmente entrar na minha casa! Tem um mandato?
Policial: Senhor, mantenha as mãos onde possamos vê-las!
Diego começou a falar ao mesmo tempo que se movimentava, tentando entender quantos policiais havia no corredor.
Policial: Não faça movimentos bruscos!
Diego: Eu sou casado com uma delegada! Vocês sabem com quem estão falando?
Policial: Sabemos exatamente quem você é. Coopere!
A voz firme do agente fez Diego parar, levantou as mãos.
Os policiais se aproximaram e realizaram a contenção, seguindo o procedimento de segurança. A arma foi localizada e apreendida pela equipe, que a tornou segura e registrou a ocorrência.
Diego: Isso é um absurdo! Eu quero falar com a Paula!
Policial: Você terá oportunidade de falar com seu advogado e exercer seus direitos. Neste momento, precisa cooperar com a equipe.
Diego: Foi ela que mandou vocês aqui?
Diego olhou de um agente para o outro, até compreender que não conseguiria transformar aquela abordagem em uma discussão conjugal.
Diego: Eu não fiz nada!
Policial: Essa questão será apurada pelas autoridades competentes.
Policial 2: Chefe, precisamos da sua presença aqui.
O policial responsável pela abordagem manteve Diego sob custódia enquanto o colega verificava o que havia acontecido.
Policial 2: Encontramos uma adolescente no quarto.
Policial: Quem está no quarto?
Diego: Não sei do que você está falando.
Policial: O senhor acabou de ouvir o que eu perguntei. Quem está no quarto?
Diego: Eu não tenho obrigação de responder nada!
Ingrid estava na cama de Paula e Diego, completamente nua, parcialmente coberta pelo lençol.
A adolescente parecia assustada com a presença dos agentes. Ao perceber que havia policiais no quarto, tentou se cobrir e começou a chorar.
Policial feminina: Está tudo bem. Você não precisa se levantar agora. Vou providenciar algo para você se cobrir, está bem?
Ingrid não respondeu. Apenas apertou o lençol contra o corpo.
Policial feminina: Meu nome é Camila. Sou policial. Você está segura conosco neste momento.
Ingrid: Eu... eu não quero ir embora.
Camila aproximou uma peça de roupa que encontrou no quarto, sem obrigá-la a se movimentar ou se expor.
Policial feminina: Tudo bem. Ninguém vai te obrigar a sair daqui sem explicar o que está acontecendo. Mas preciso que você se cubra para que possamos te acompanhar até um lugar reservado.
Ingrid: Ele disse que ninguém podia saber...
Camila trocou um olhar sério com o agente que permanecia à porta.
Policial feminina: Você não precisa explicar tudo agora. Vamos cuidar de você primeiro.
A policial garantiu a privacidade da adolescente e solicitou que ninguém entrasse no quarto sem necessidade.
Policial 2: Ferraz, encontramos Ingrid na residência. Ela está viva. Está abalada, mas temos uma policial feminina prestando assistência.
Ferraz: Ela está em condições de conversar?
Policial 2: Não vamos pressioná-la. Primeiro vamos garantir que esteja protegida e que receba atendimento adequado.
Ferraz: Correto. Preservem o local, registrem as condições em que ela foi encontrada e acionem os responsáveis pelo atendimento especializado. Não façam perguntas sugestivas nem permitam contato com o suspeito.
Policial 2: Entendido.
Ferraz: E mantenham a identidade dela protegida.
Ingrid: Ele vai ser preso?
Policial feminina: Ele está sob custódia. Agora, nossa prioridade é garantir que você esteja segura e que tudo seja apurado corretamente.
Ingrid: Minha mãe vai descobrir?
Policial feminina: As pessoas responsáveis pela sua proteção serão orientadas sobre o que aconteceu. Você não precisa enfrentar isso sozinha.
Camila a acompanhou para um local reservado, preservando sua intimidade, enquanto os demais agentes documentavam a situação e providenciavam a coleta de evidências.
Naquele momento, ninguém tinha o direito de transformar o sofrimento daquela menina em espetáculo.
Paula: Ferraz, na escuta?
Ferraz: Positivo.
Paula: Fala comigo. O que aconteceu?
Ferraz: Diego está sob custódia.
Paula: Ele estava armado?
Ferraz: A equipe localizou e apreendeu uma arma de fogo. A situação está sob controle.
Paula: E a Ingrid?
Ferraz: Foi localizada na residência.
Paula: Onde?
Ferraz: No quarto do casal, Paula. Ela estava nua quando foi encontrada. Uma policial está prestando assistência, preservando a privacidade dela. Não vou te passar outros detalhes pelo rádio.
Paula: Na minha cama?
Ferraz: Sim. E pelo que parece... ela não estava consentindo com o envolvimento.
Paula: Na minha cama...
Vivi começou a chorar.
Ferraz: Paula, preciso que você entenda uma coisa. O fato de ela ter sido encontrada nessas condições não significa, por si só, que já tenhamos todas as respostas. A investigação vai apurar o que aconteceu, e ela precisa ser ouvida com cuidado.
Paula: Eu entendo.
Ferraz: Você está bem?
Paula: Não, Ferraz. Eu não estou bem.
Ele não respondeu.
Paula: Mas eu estou ouvindo. Estou aqui com a minha filha. Não vou interferir na investigação.
Ferraz: É tudo o que preciso de você neste momento.
Diego foi conduzido para fora da casa sob custódia, após os procedimentos iniciais. A equipe registrou a apreensão da arma e reuniu as informações necessárias para a apresentação do caso à autoridade competente.
Diego: Eu quero falar com a Paula!
Policial: Você poderá exercer seus direitos pelos meios legais cabíveis.
Diego: Ela está fazendo isso comigo! Vocês não conhecem minha mulher!
Policial: Senhor, mantenha a calma.
Diego: Eu sou rico! Tenho amigos nessa corporação! Isso vai acabar com a carreira de todo mundo que está aqui!
Policial: O senhor tem direito à defesa. Ameaças e tentativas de intimidação não vão alterar o procedimento.
Diego: Vocês vão se arrepender.
Conduziram Diego até a delegacia e parte da equipe ficou na casa de Paula conversando com a adolescente, acionando os órgãos responsáveis e os familiares, depois de a terem tirado da casa, Ferraz ligou para Paula, fora do rádio, não como policial, e sim como um amigo.
Ferraz: Paula...
Paula: Oi?
Ferraz: Sua casa tá liberada, a Ingrid tá passando por exames para comprovar os abusos e... ela confessou que ele abusava dela
Paula: Ferraz, os meninos disseram que... ela estava gemendo e pedindo pra ele foder mais, ela não tá sendo conivente?
Ferraz: Paula, ela mostrou áudios dele a ameaçando, dizendo que era pra ele gemer o nome dele, pra ela ser mais safadinha, senão ele iria parar de ajudar a casa dela, as ameaças dele era de que se ela não transasse com ele, ele pararia de comprar os medicamentos da sua sogra.
Paula: Como eu nunca percebi isso nele?
Ferraz: Tem mais uma coisa...
Paula: Fala...
Ferraz: Ela não quer seguir com a denúncia oficialmente
Paula: Por medo dele? Eu converso com ela e...
Ferraz: Porque ela está grávida dele
Paula: O que disse?
Ferraz: Ela escolheu tratar isso como se fosse consentido, a conselheira tutelar conversou com ela e ela disse que não quer seguir com a denúncia, e mesmo com provas, o Diego vai ser liberado hoje mesmo
Paula: Certo
Vivi: Não pode ser!
Ferraz: Paula... tome cuidado
Paula: Vou tomar
Assim que ele desligou a ligação, Vivi esbravejou:
- O conselho tutelar não serve pra porra nenhuma! Ela confessou que foi obrigada! Só não quer seguir por medo.
Paula: Vocês cuidam da minha filha por enquanto?
Vivi: Onde você vai?
Paula: Em casa... eu preciso ver uma coisa
Vivi: Não! Você vai ficar aqui... é muito perigoso ir pra lá.
Paula: Vivi, eu preciso. Fica tranquila, ele ainda vai demorar pra chegar
Paula saiu, Vivi e eu estavamos perdidos nos olhando sem saber o que fazer, a filha dela dormia tranquilamente sem nem imaginar o que estava acontecendo.
Gui deu sinal de vida, e resolvemos não contar nada para não o preocupar ainda mais, eu trocava mensagens com ele:
- Como a Nathy está?
- Tá bem, o médico examinou, tá tudo bem com o bebê, já já estamos em casa
- Não vai ficar de observação? E o sangramento?
- O médico disse que foi apenas um hematoma subcoriônico, fizemos o ultrassom, o bebê tá bem, só tem um pequeno hematoma na parede do útero, não tem sinais de complicação que exijam internação, foi só um susto
- Tá... é... quando você chegar... eu, eu preciso te contar uma coisa
- Lucas, a Nathy não pode passar mais nervoso, aconteceu algo?
- Aconteceu... a filha da Paula tá aqui
- O que você fez, Lucas?
- Eu? Nada... é que, a Paula descobriu que o marido dela tava se envolvendo com a irmã dele, e a polícia o pegou em flagrante com ela nua, e ela não tem 17 anos, tem 14, mas ela tá grávida do Diego e...
- Quando eu chegar, manda a Paula pegar a filha dela e ir embora, não quero problemas dela na minha casa
- Gui, ela não pode ficar sozinha com o Diego
- E a Nathy não pode perder nosso filho
- Certo... mas a Paula não tá aqui, como que eu vou tirar a filha dela assim?
- Vou te mandar o número dela, resolva, mas quando eu chegar em casa não quero bagunça, você tem 20 minutos para deixar as coisas em ordem
Gui desligou e eu fiquei me sentindo mal, tudo que estava acontecendo era porque Vivi e eu abrimos a boca, tentei ligar para a Paula e ela não atendia, Vivi também tentou, e nós só nos preocupávamos de ter acontecido alguma coisa com ela, o tempo corria e Gui avisou: "Estou saindo do hospital agora!"
Eu fiquei desorientado, não que fosse um problema tentar explicar pro Gui, ou levar a filha de Paula para minha casa, mas simplesmente porque o Gui não queria ver qualquer movimento no quintal, e com razão, mas sem contato com Paula, e com receio de ir até a casa dela, Vivi e eu pegamos a menina no colo e levamos pra nossa casa e deixei a seguinte mensagem:
"Paula, o Gui tá chegando, quando puder, me chama, que eu te entrego ela no portão pra não dar confusão aqui essa noite"
Deixei o Gui ciente de que Paula ainda passaria para pegar a criança e ele só enviou um jóia, Gui chegou, estacionou, entrou, e naquela noite não se ouvia mais barulho na casa dele, provavelmente Nathy estava em repouso e Gui cuidando dela, enquanto isso, Vivi me olhava dizendo:
- A gente não deveria ter falado nada
- O Gui me avisou pra não falar, se ele souber que fomos nós quem contamos pra Paula, ele vai ficar furioso, se é que já não tá
- Vamos ter que mentir pra ele
- Concordo, vamos sustentar a ideia de que a Paula descobriu sozinha
As horas se passavam, e nossa preocupação só aumentava, Paula tinha saído falando que não demoraria, e já se faziam cerca de 2 horas que não voltava, já imaginávamos o pior, sua filha já tinha acordado e estava estranhando nossa casa, Vivi tentava de tudo para a confortar, até eu ouvir batidas na porta.
Vivi: Será que é a Paula?
Eu: Não... ela teria tocado a campainha
Vivi: Então atende a porta, deve ser o Gui
Abri a porta... e era o Gui, visivelmente estressado, cansado, com a cara fechada.
Gui: A Paula ainda não apareceu? To ouvindo o choro da filha dela lá de casa
Eu: Não... até agora nada
Gui: Eu te disse pra não se meter nisso
Eu: Gui, eu não falei nada, juro
Vivi: É verdade, Gui, a Paula descobriu sozinha
Gui: O cu de vocês! Vamos na casa dela, Lucas, pode ter acontecido alguma coisa
Eu: Cara... o Diego tá armado, como que a gente aparece lá?
Gui: A polícia não pegou a arma dele?
Vivi: Pegou
Eu: Mas pode ter outras
Gui: Lucas... eu só quero dormir, a Nathy tá se revirando, vamos resolver isso com calma, só vamos entregar a neném e vamos embora
Eu: Tá, vamos...
Gui: Vamos de carro pra ela não ficar tomando friagem
Gui e eu fomos pro carro, Vivi ficou preocupada, quando chegamos no portão de Paula, Gui desceu do carro, tocou a campainha, tocou, tocou... nada.
Eu: Ela deve estar na delegacia
Gui olhou pelo portão tentando enxergar alguma coisa e disse:
- O carro dela tá aqui, ela não saiu!
Voltou a insistir na campainha, e eu não sabia o que pensar, se Diego já tinha voltado, se ele matou ela, se ele os matou, Gui estava ficando irritado com tudo isso, voltou pro carro e disse:
- Vamos na delegacia ver se a Paula tá por lá!
- Gui, a menina tá cansada, ela só precisa de um chamego pra voltar a dormir
- A gente vai achar a Paula...
- Então deixa eu deixar a criança com a Vivi? Não vamos ficar andando pra cima e pra baixo com o filho dos outros
- Tá, tem razão, vamos deixar com a Vivi
Assim que voltamos, Paula estava no portão tocando a campainha, Gui perguntou bem seco:
- Onde você estava?
- Na delegacia
- A gente não é obrigado a ficar com sua filha esse tempo todo
- Gui, eu pedi pra Vivi, não pra você
- A Nathy tá tentando descansar, você pode resolver seus problemas pessoais em outro lugar?
- Posso, posso! As coisas dela estão aí?
- Sim!
Eu: Gui... e se ela não puder ficar na casa dela?
Paula: Eu posso ficar, eu me viro
Eu: Dorme na minha casa hoje, Paula
Gui: Lucas, colabora comigo pelo menos uma vez!
Paula: O Diego vai passar a noite na prisão, amanhã eu vejo o que faço, tá todo mundo cansado
Gui: Entra no carro, eu te deixo no seu portão, tá frio pra ficar andando com criança
Paula entrou.
Gui: Por que você não foi de carro pra delegacia?
Paula: Eu fui
Gui: Mas eu vi seu carro na sua casa
Paula: Eu voltei em casa primeiro, precisava organizar umas coisas e depois vim buscar a Jenifer
Eu: Paula, o que você foi fazer quando saiu?
Paula: Eu estava acessando o computador do escritório
Gui: Pra que?
Paula: Pra... eu nunca mexi naquele computador, era só "uso corporativo" do Diego, nunca me importei, mas sempre o vi fechando pastas rapidamente quando eu entrava, aí fui ver hoje, uma coleção de conteúdo ilegais
Gui: E você apresentou tudo na delegacia?
Paula: Sim, e foi um erro
Eu: Por que?
Paula: Porque disseram que eu estava tentando fazer de tudo pra prejudicar meu marido, que eu tinha que resolver isso era dentro de casa, não enchendo o saco em delegacia
Gui: Mas você não tem autoridade de delegada?
Paula: Eu sou delegada de investigação, não de ocorrência, o delegado me disse que eu to exagerando, tentando viver como se eu fosse uma baita de uma delegada, e que mais um deslize meu pode ir pra corregedoria
Eu: Mas qual a sua diferença pra outras delegadas?
Paula: O DHPP é o departamento estadual de homicídios e de proteção a pessoa, eu sou uma policial civil, e minha área é investigação de crimes contra a vida, proteção à pessoa, por exemplo, eu lido com sequestro, pessoas desaparecidas, e tem uma pequena parte que é judiciária
Eu: Você faz mais que muitos delegados que eu vejo por aí
Paula: É que para alguns, só tem valor quem enfrenta bandidinho, o máximo desses caras foi entrar em confronto em favela, mas se tem sequestro em andamento quem entra sou eu, e por ser a que negocia, eu sou vista como a que defende bandido
Gui: Pronto, chegamos
Paula: Obrigada meninos... desculpa dar trabalho pra vocês
Gui: Vai pra minha casa amanhã, não fica aí com o Diego
Paula: Uma hora ele e eu vamos precisar conversar, não se preocupe
Gui: Eu me preocupo com você
Paula e Gui se olharam nos olhos por alguns segundos, em silêncio, ela saiu do carro, pegou sua filha e entrou.
Eu: Que porra foi essa?
Gui: Não começa
Eu: Cara, eu senti o clima daqui!
Gui: Que clima? Você tá delirando de cansaço, não teve clima nenhum!
Eu: Você ainda gosta da Paula!
Gui: Seu cu!
Eu: Confessa, caralho
Gui: Lucas, para de me encher o saco por hoje, só um pouco
Eu: Tá todo derretidinho da delegada?
Gui: Porra meu... que cara chato! Sua sorte é ser gostoso, porque senão eu não te suportaria
Eu: Vai negar que tá afim da Paula?
Gui: Não to...
Eu: Eu to vendo...
Gui: Você tá vendo coisa onde não tem.
Chegamos e cada um foi pra sua casa, na manhã seguinte, tomamos café juntos, e enquanto conversávamos com a Nathy para saber se ela tava bem, explicamos com calma o que havia acontecido na noite passada.
Nathy: Será que o Diego já tá em casa?
Eu: Acho que sim, ele só ia passar a noite pelo jeito
Vivi: E a Paula, hein? Será que tá bem?
Eu: To preocupado com ela, liga pra ela
Gui: Vocês ficam se metendo, depois a Paula se resolve com o Diego e o errado somos nós
Nathy: Mas eles estão certos em ter se metido, se o Diego tava obrigando a irmã dele a transar com ele, tinha que se meter sim, agora... se ela não quis seguir com a denúncia, que se foda, mas a Paula sendo delegada de um DHPP jamais aceitaria um abuso, e te digo mais, ela tá sendo muito firme em não agir por impulso
Vivi: Será que a irmã dele tava gostando de dar pra ele?
Eu: O policial disse que o Diego ameaçava ela
Nathy: Tem quem goste né... de ser ameaçada, fodida a força, se ela tivesse tão traumatizada teria seguido com a denuncia
Gui: Por fim, ela deve ter falado que era forçada por susto da polícia, mas ela deve gostar
Vivi: Uma menina de 14 anos aguentando o Diego... nossa
Nathy: E os meninos disseram que o Diego comeu até o cuzinho dela
Eu: Caralho... será que ela mentiu pra polícia?
Gui: Com certeza, essa menina é uma putinha pelo jeito
A campainha tocou, saí para atender, era o Diego.
- O que você quer?
- O Gui tá aí?
- O que você quer com ele?
- Só conversar
- Diego, não faça nada com o Gui! Eu vou chamar a polícia!
- Cara, para de loucura, só chama o Gui pra mim
- Não vou chamar, vai embora!
- Eu só preciso...
- Precisa de nada, você precisa tomar nesse cu depois de tudo que você falou pro Gui e ainda ter coragem de vir aqui encher o saco
- Lucas, chama o Gui pra mim?
- Não!
Eu fui fechar o portão na cara dele, mas Diego colocou o braço e gritou:
- GUI!
Gui saiu... caminhou devagar, cruzou os braços na frente do Diego e falou:
- Pois não?!
As meninas vieram logo atrás.
Diego: Será que a gente podia conversar sozinhos?
Gui: Eu não tenho segredos com minha família
Diego: Certo... você já deve estar sabendo do meu problema com a Paula
Gui: Eu não sei de nada, o que acontece na sua vida com ela, é problema de vocês, ela só deixou sua filha aqui e de resto nós não queremos saber de nada
Diego: Eu e a Ingrid, a gente conversou muito, e a gente vai ficar juntos, de vez
Gui: E o que eu tenho haver com seus fetiches?
Diego: Não quero que isso estrague nossa vida jogando bola, olha... tem uns 3 anos que eu transo com a Ingrid
Gui: Eu não preciso saber disso, Diego, e eu não vou sair do time, como eu disse, sua vida não me interessa
Diego: Certo... eu não quero que isso tudo termine com discussões, brigas, então eu vim pedir uma coisa
Gui: O que?
Diego: Eu conversei com a Paula, a gente vai se divorciar
Nathy: Que ótima notícia!
Diego: Eu vou ficar com a casa, e vou dar um dinheiro pra ela, da parte dela, e vender um dos meus carros pra dar o dinheiro pra ela, estamos acordados nisso
Gui: Cara, resume...
Diego: Ela disse que vai voltar pra França
Gui: Tá, eu acompanho ela até o aeroporto
Diego: Não... você não percebeu ainda que a Paula te ama?
Nathy: Diego, você é um doente
Diego: Vocês já vivem nessa suruba toda, traz a Paula pra morar com você?
Gui: Diego, naquele jantar, sua filha estava perto, agora não está... tome cuidado com as palavras que escolhe.
Diego: Você entendeu o que eu quis dizer... eu to tentando fazer a coisa certa dessa vez, a Paula é apaixonada em você, e tiraram você dela, considere pensar nisso.
Gui só balançou a cabeça, Diego virou as costas e foi embora, Nathy irritada reclamava sem parar:
- Que cara idiota!
Gui: O Lucas, vamos dar uma volta, preciso esfriar a cabeça
Lá fomos, novamente, sem destino, olhei em volta e disse:
- Estamos indo pro mirante, né?
- Sim...
- Safado!
- Eu preciso transar
- Por que não pegou as meninas?
- Porque eu quero você!
Paramos o carro e descemos, Gui e eu nos beijamos loucamente, trocamos chupadas, ele me virou no capô do carro e começou a me comer com vontade, apertava minha bunda e fodia com força, eu sentia toda sua rola quentinha dentro de mim, e rebolava nela:
- Aiii Gui, aiiii caralho
- Que cuzinho gostoso!
- Você gosta do meu cuzinho? Aiii
- Eu gosto de você todo!
- Aiiii, foode, seu roludo do caralho
Gui sorriu balançando a cabeça negativamente, e eu perguntei:
- O que foi? Falei alguma besteira?
Ele parou, tirou o pau de dentro de mim, e se punhetando devagar disse:
- Você é um idiota às vezes, mas eu te amo tanto.
- Eu ainda acho estranho quando você diz que me ama... às vezes parece que a gente não é um casal, e sim... amigos que se pegam
- Fale por você, porque eu jamais mentiria pra você
Gui pegou minha mão e colocou em seu peito, e apertou.
- Tá sentindo?
- To sentindo o quanto você é gostoso!
- To falando sério...
- To Gui, to sentindo bater forte
- Você me deixa assim
Nos aproximamos devagar e nos beijamos, e eu sussurrei:
- Eu te amo demais! Obrigado por existir na minha vida
Gui me levou até a porta de trás do carro, fiquei de quatro e ele ficou fora do veículo em pé, me fodendo, depois de alguns minutos gozou na terra e voltamos pra casa, quando chegamos, Nathy estava preparando o almoço e disse bem séria:
- Gui, meu pai tá vindo pra cá.

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