Cap 8 - Rayanne em Reencontro Inusitado (spin-off)
Existem momentos na vida em que o passado não bate na porta: ele arromba com os dois pés no peito e joga tudo de pernas pro ar.
No Carnaval de 2018, eu estava com vinte e sete anos. Vivia a melhor fase do meu casamento com a Carol: tínhamos a nossa casa montada, carreiras consolidadas — eu lecionando Geografia em turmas de ensino médio e ela brilhando nos relatórios e análises do laboratório de bioquímica —, e uma rotina gostosa de academia, churrasco com as amigas e viagens nos feriados. Eu estava no ápice da minha forma física: quase sessenta e cinco quilos distribuídos num corpo de um metro e sessenta e cinco, pernas duras de agachamento, cintura fina e uma bunda redonda que continuava sendo o meu maior cartão de visitas. Rsrs.
A gente tinha sido convidada pra passar o feriadão de Carnaval numa casa de praia espetacular no litoral sul, pertencente à família da Micaela. A Micaela era uma grande amiga nossa, daquelas parceiras de longa data que conheciam a mim e a Carol desde os primeiros anos de faculdade. O namorado dela era o Fernando, um cara gente boa da área de tecnologia que vivia enfiado em servidores e códigos.
A casa estava cheia, som alto na beira da piscina, cheiro de picanha na brasa e aquela maresia gostosa de fim de tarde. Eu tinha acabado de sair do banho, vesti um biquíni fio dental preto bem cavado — daqueles que deixavam as marcas do bronzeado do sol cortando a pele branquinha —, joguei um roupão de praia levinho aberto por cima e fui em direção à piscina pra encontrar a Carol, que estava esparramada numa espreguiçadeira tomando cerveja gelada.
Quando passei pela porta da sala, vi o Fernando conversando na bancada com um rapaz que tinha acabado de chegar de mochila nas costas. O cara estava de óculos escuros, bermuda jeans e camiseta preta. Nem dei muita atenção; imaginei que fosse apenas mais um dos colegas de TI do Fernando que colavam nos churrascos. Dei um beijo na testa da Carol, deitei do lado dela e ficamos curtindo a música.
Mal sabia eu que a dinamite já estava acesa bem debaixo do meu nariz.
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A noite foi caindo e o vento do mar começou a soprar frio.
Por volta das dez da noite, o pessoal começou a recolher as coisas da piscina. Uma turma combinou de dormir mais cedo porque iam fazer uma trilha ecológica puxada na manhã seguinte. A Carol, que tinha bebido algumas cervejas e estava com sono, virou pra mim, me deu um selinho com gosto de malte e avisou:
— Amor, vou subir pro quarto e tomar um banho quente. Tá ventando muito aqui fora. Você vem?
— Vou já, linda. Vou só dar uma caminhada na beira da praia pra fumar um pouco do meu vape e ver o mar. Desço já.
Ela sorriu, me deu um beijo carinhoso e entrou na casa.
Amarrei o cordão do roupão por cima do biquíni preto e caminhei até a varanda dos fundos, onde ainda restava uma rodinha: o Fernando, a Micaela e aquele mesmo rapaz que tinha chegado de tarde. Puxei o vape do bolso e perguntei pro Fernando:
— É de boa dar uma volta na praia nessa hora? Tava pensando em ir lá fumar um pouco.
— Ah, é tranquilo, Ray, pode ir de boa — o Fernando respondeu, sempre atencioso.
Foi aí que a voz do rapaz da mochila soou, firme e despretensiosa:
— Se quiser, posso te fazer companhia pra não ir só.
Eu virei o rosto devagar pra olhar pra ele. O cara tinha tirado os óculos escuros. A luz amarelada dos refletores da varanda bateu de cheio no rosto dele.
Cabelos pretos com cachos volumosos e rebeldes. Barba rala bem desenhada no queixo. Aquele nariz inconfundível. E, acima de tudo, um par de olhos castanhos escuros que carregavam um brilho debochado, audacioso e imoral que eu reconheceria até no meio de um tiroteio no escuro.
Meu queixo quase caiu no chão de ardósia da varanda.
— Cass? Como assim? Oi? O que você tá fazendo aqui, garoto?!
Ele deu aquele meio-sorriso cafajeste que eu conhecia desde quando ele usava calção de futebol na rua de terra:
— Tá, vamos dar essa volta na praia e colocar o papo em dia.
O Fernando olhou pra nós dois com uma cara de puro pânico, coçando a nuca como quem prevê uma tragédia aérea em câmera lenta:
— Cuidado por aí... — ele soltou, com a voz engasgada. O Fernando sabia quem o Cass era no trabalho, sabia a fama de mulherengo desgovernado dele, e com certeza temia pela paz da casa da família da namorada.
Mas naquele segundo, o resto do universo simplesmente deixou de existir pra mim.
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Descemos a rampa de areia fofa em direção à beira-mar.
A praia estava completamente deserta. Um breu denso, cortado apenas pelo reflexo da lua prateada na espuma das ondas que quebravam com força na orla. O vento soprava gelado, levantando as pontas do meu roupão e arrepiando as minhas coxas nuas.
Começamos a andar lado a lado, com a água gelada lambendo os nossos pés descalços. Ele começou a me contar o que andava fazendo, que trabalhava com desenvolvimento de software na mesma empresa que o Fernando. Eu contei que tinha me formado em Geografia, dava aulas e estava casada com a Carol há anos. Descobrimos ali a teia do destino: a Micaela, dona da casa, era a nossa amiga de anos em comum.
Mas quanto mais a gente andava pela areia úmida, mais aquele ar nostálgico e perigoso ia tomando conta do espaço entre nós. Fazia mais de dez anos que a gente não se via. Aquele moleque magricela de treze anos que eu provocava no portão tinha virado um homem de vinte e cinco anos, de ombros largos, voz encorpada e uma presença masculina que me fez sentir um calor esquisito e proibido bem no meio do estômago.
Parei de andar, dei uma tragada no vape, soltei a fumaça contra a brisa do oceano e não resisti:
— A gente já fez muita besteira na adolescência, né? Éramos virados.
Ele sorriu de lado, me acompanhando:
— Sim, bons tempos. Como tá a Paula?
A menção à minha irmã me fez fechar um pouco a expressão. Aquela ferida ainda tinha cicatrizes:
— Ela está bem, mas está morando fora do país.
— Uau, que legal. Faz tempo que não vejo ela, acredito que a última vez ainda éramos adolescentes também. Lembra quando quebramos o telhado do seu Armando?
Soltei uma risada alta, lembrando do desespero daquele dia:
— Siiiim! Meu Deus, a Paula quase caiu dentro da casa dele, né? Aquele dia foi muito louco!
— Coloque louco nisso. E a gente precisou ir limpar lá na caixa d’água da sua casa...
O chão pareceu fugir dos meus pés.
A palavra *caixa d’água* ecoou na minha mente feito um tiro. A lembrança daquela tarde veio num flash: eu provocando ele do muro, o garoto pulando pro meu quintal e a gente escondido atrás da caixa d'água — a chupeta que dei nele na grama e ele gozando em cima da minha bunda.
— Ai, aquela caixa d’água tem muita história... — murmurei, sentindo meu rosto queimar de vergonha e tesão misturados.
O Cass percebeu a minha reação na hora. E aí ele ligou o modo predador:
— Sim. Inclusive, senhora, muito obrigado por todas as experiências sexuais da minha adolescência. Nem vem ficar tímida agora, porque mais nova você era a capetinha.
Engoli em seco, olhando pra ele rindo sem graça:
— Você ainda lembra dessas coisas?
— Ué, essas coisas a gente não esquece. Não é?
Fiquei muda, encarando os olhos pretos dele. O vento abriu um pouco a frente do meu roupão de praia, e eu percebi claramente quando o olhar dele desceu pro decote farto do meu biquíni preto. Meus seios estavam empinados, com os mamilos rígidos pelo frio do mar. O Cass engoliu em seco, claramente desestabilizado pela minha comissão de frente. Rsrs.
— Tô pegando pesado com esse papo? — ele perguntou, tentando quebrar a tensão.
Ajeitei o roupão no peito, sentindo o coração bater na garganta:
— Não, é que... Sei lá, eu tô em um outro momento. Você não conheceu ainda a Carol, né?
— Não.
A resposta dele foi seca, direta.
Virei as costas e dei três passos em direção à casa. Minha cabeça estava uma tempestade. Eu amava a Carol. Eu tinha uma vida estável, uma rotina segura, anos de carinho e respeito mútuo. Mas o que estava ali atrás de mim na praia não era um estranho qualquer: era a raiz de tudo. Era o garoto que despertou a minha primeira malícia, o menino com quem dividi os meus maiores segredos de infância.
E tinha uma espinha engasgada na minha garganta que nunca tinha descido.
Girei nos calcanhares e encarei ele de volta. O Cass estava parado na areia, com as mãos nos bolsos da bermuda, sem entender nada.
— O que foi? — ele perguntou.
Caminhei na direção dele, pisando firme na areia, até parar a um palmo do peito dele. Olhei bem no fundo dos olhos castanhos dele e cuspi a verdade que estava entalada há mais de uma década:
— A gente só tinha arranque, né? Nunca transamos de verdade!
O olhar dele se iluminou na mesma fração de segundo. Ele sacou tudo. A audácia antiga da vizinha tinha voltado com força total.
— Pois é. Temos um assunto mal resolvido.
Curvei os lábios naquele meu sorrisinho debochado de sempre:
— Odeio assuntos mal resolvidos.
O Cass deu um passo à frente e deslizou a mão pela minha cintura por baixo do roupão. A mão dele era quente, firme, calejada. Um arrepio violento correu por toda a minha coluna. Eu tentei manter a pose de mulher casada e madura, mas o meu corpo já tinha me traído por completo: minha calcinha do biquíni encharcou no mesmo instante.
— Bom, temos duas opções então... Uma opção é voltar pra casa de praia da família de Micaela, e a outra...
Eu tirei a mão dele da minha cintura e dei um passo pra trás, fingindo sensatez:
— Foder aqui na praia de noite e num frio da porra? Nem fodendo!
Virei pra ir embora, mas o Cass foi mais rápido. Ele segurou o meu pulso com firmeza, me puxou de volta contra o peito dele e colou a boca na minha.
Caralho.
Não teve conversa, não teve preliminar educada. Foi um beijo voraz, de boca aberta, a língua dele invadindo a minha com uma força e uma urgência que me fizeram soltar um gemido rouco contra a boca dele. Fazia anos que eu não beijava um homem. A barba rala dele arranhando a minha bochecha, o gosto de cerveja e maresia na saliva, a pegada impositiva... Eu não recuei. Pelo contrário: entrelacei meus dedos nos cabelos cacheados dele e correspondi com a mesma loucura.
Ele abriu meu roupão inteiro e espalmou as duas mãos na minha bunda nua por baixo do fio dental. Apertou as minhas nádegas com força bruta, colando a virilha dele na minha. Senti o volume monstruoso do pau dele, duro feito uma barra de ferro por baixo da bermuda, latejando contra a minha bacia.
Quebrei o beijo arfando, com o batom borrado e os olhos vidrados nele:
— Caralho... que porra a gente tá fazendo?!
— O que a gente devia ter feito há dez anos — ele respondeu com a respiração curta. Ele olhou ao redor, mapeando a praia deserta, e apontou pra linha escura na água. — A maré tá baixa. Vamos pros arrecifes.
— Cass, você tá maluco? Isso é muita loucura!
Mas ele já estava me puxando pela mão pelas pedras lisas da maré baixa. A adrenalina do perigo e o tesão reprimido estavam me deixando completamente cega.
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Chegamos numa bancada de arrecifes planos, onde as pedras formavam uma espécie de sofá natural protegido do vento da praia. O barulho das ondas quebrando nas pedras cobria qualquer som que a gente fizesse.
Eu tentei me sentar pra recuperar o fôlego, mas ele não me deu um segundo de paz:
— Loucura vai ser o que vou fazer contigo. Lembra da mamada que você me deu na caixa d’água?
Ele caiu de joelhos na pedra fria na minha frente. Puxou a calcinha do meu biquíni preto pro lado com um puxão só, abriu as minhas coxas e enterrou a cara no meio das minhas pernas.
— PUTA QUE PARIU! — o grito escapou da minha garganta antes que eu pudesse segurar.
A língua do Cass era um chicote pegando fogo. Ele lambeu da base do meu ânus até o topo do clitóris, chupando meu botão com uma fome descomunal, engolindo os meus sucos que escorriam aos montes na pedra. Apoiei as duas mãos nos ombros dele, jogando a cabeça pra trás contra o céu escuro, com as pernas tremendo feito vara verde.
— Seu gosto é bom, sua cachorra... — ele rosnou no meio das minhas pernas, com a boca toda ensopada.
— Não me chama assim, seu puto! — respondi gemendo, puxando os cachos do cabelo dele com força, sem saber se mandava ele parar ou enfiar a cabeça mais fundo.
Ele se levantou devagar, com os olhos faiscando. Desabotoou a bermuda, abaixou a cueca e soltou o pau.
Aquele caralho estava inacreditável: grosso, comprido, com veias saltadas e a glande roxa brilhando de lubrificação na penumbra. Fazia uma eternidade que eu não via um pau de verdade tão de perto. Ele segurou na base e começou a esfregar a cabeça da rola direto na minha fenda, roçando na portinha da minha buceta que estava pingando de tesão.
Ele olhou bem no fundo dos meus olhos e empurrou.
A cabeça entrou abrindo tudo. Soltei um gemido longo, rouco, cravando as unhas nas costas dele conforme o comprimento inteiro do pau dele deslizava pra dentro de mim, preenchendo cada milímetro do meu canal. A sensação de preenchimento foi tão violenta e perfeita que me tirou o ar:
— Nuss... faz muito tempo que não sinto um pau dentro de mim... porra...
— Finalmente estou realizando meu sonho de te fuder — ele sussurrou no meu ouvido, segurando as minhas coxas abertas e começando a socar com força.
O Cass metia com gosto, com raiva, com aquela pegada rústica de quem estava esperando por aquele momento a vida inteira. A cada estocada funda, o corpo dele batia no meu com um estalo molhado, ecoando por cima do som das ondas. Minha buceta apertava o pau dele em ondas espasmódicas. Eu estava enlouquecida, cavalgando de volta na rola dele na beira daquela pedra fria, sentindo o calor do esperma dele quase pronto pra explodir.
— Por favor... não goza dentro... — pedi entre dentes, lembrando num lampejo de lucidez do risco.
Ele continuou socando sem diminuir o ritmo um milímetro:
— Você não vai me dar esse prazer? Se você não deixar eu gozar na sua buceta, vai ter que deixar em outro lugar!
Minha respiração falhou. Eu sabia exatamente onde ele queria chegar:
— Onde você quer gozar?
— Eu vou gozar no seu cuzinho pra relembrar os velhos tempos.
Olhei pra ele com aquele sorriso devasso que sempre foi a minha marca registrada:
— Você tá querendo demais, garoto...
— Tô mesmo. E vou gozar nele agora.
Ele tirou o pau de dentro de mim num puxão só. O vácuo fez um barulho estalado.
Eu não recuei. A capetinha de dezesseis anos que ensinou ele a pecar nos fundos do quintal tomou conta do meu corpo inteiro. Fiquei de quatro na pedra de arrecife, apoiei os cotovelos na rocha áspera e empinei a minha bunda grande e redonda na direção dele, abrindo as bochechas com as duas mãos sob a luz do luar.
Ele cuspiu farto na palma da mão, espalhou a saliva gelada no meu buraquinho e encostou a cabeça do pau na borda do meu ânus:
— Vai devagar que não estou acostumada a ficar dando o cu... — avisei, sentindo o anel apertar de medo e excitação pura.
A cabeça empurrou. A dorzinha ardida da invasão me fez arquear a coluna, mas o tesão era tão absurdo que o meu ânus cedeu, engolindo a rola dele centímetro por centímetro até o talo. Quando o Cass sentiu que estava todo dentro do meu cu, ele segurou as minhas ancas com as duas mãos e começou a estocar com uma violência deliciosa.
Uma, duas, três, quatro, cinco bombadas violentas, socando até a raiz.
— CARALHO! — ele rugiu contra o vento da praia.
O corpo dele estremeceu inteiro, as mãos dele cravaram na minha cintura e eu senti os jatos fervendo do esperma dele inundando as paredes do meu ânus, jorrando fundo, espesso e quente. O choque de calor dentro do meu cu foi tão intenso que disparou um orgasmo tardio na minha própria buceta; gozei tremendo na pedra, com as pernas bambas, enquanto ele despejava tudo até a última gota dentro de mim.
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Ficamos ali por alguns minutos, jogados na pedra, com ele ainda amolecendo dentro do meu cu e as nossas respirações se misturando com a espuma do mar.
Quando ele saiu devagarzinho, uma sensação de alívio e calor escorreu entre as minhas pernas. Olhamos um pra cara do outro e caímos na gargalhada. Uma risada pura, cúmplice, de dois moleques que tinham acabado de aprontar a maior travessura de suas vidas.
Limpamos o excesso com a água do mar e a ponta da toalha do roupão, ajeitamos as roupas e começamos a caminhar de volta pela areia.
Só que a realidade não perdoa.
Quando estávamos a uns duzentos metros da casa, vimos feixes de lanternas de celular cortando a escuridão da praia. Eram o Fernando, a Micaela e... a Carol.
Meu estômago deu um nó na hora. Fazia mais de quarenta minutos que a gente tinha sumido.
— Caralho, Cass! A gente tá te ligando há uns quarenta minutos! Onde vocês estavam?! — o Fernando gritou, com os olhos esbugalhados de desespero.
A Carol deu dois passos na nossa direção. O olhar dela era de pura navalha. Uma bioquímica com ciúme é um perigo que ninguém quer enfrentar:
— O que foi que aconteceu? Se perderam na praia?
O Cass gelou do meu lado. Se dependesse da cara de culpado dele, a gente estava frito. Mas eu sou Rayanne, porra. Rsrs.
Abri o meu melhor sorriso desarmado, andei com passos firmes na direção da Carol, passei os braços pelo pescoço dela e dei um beijo gostoso e demorado na boca da minha esposa, colando meu corpo no dela:
— Na verdade não, amor. Esse aqui é o Cass, um grande amigo meu de infância que eu não via há mais de dez anos! A gente ficou conversando e colocando o papo em dia, perdi a noção da hora. Foi maravilhoso rever ele!
A Carol me encarou por alguns segundos, desarmada pelo meu beijo e pela naturalidade da minha fala. Segurou na minha mão e relaxou a postura:
— Ah... que bom, amor. Mas avisa da próxima vez, a gente ficou preocupada.
Voltamos todos juntos pra casa. Enquanto eu subia a escada de mãos dadas com a Carol, olhei de relance pra trás e vi o Fernando puxando o Cass pelo braço no canto escuro do jardim, gesticulando tenso. Eu sabia que o Fernando tinha sacado tudo — ou pior, tinha visto o nosso show nas pedras.
O Cass não ficou nem pro café da manhã. Pegou o carro e vazou de madrugada, antes do sol nascer.
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Às seis da manhã, com o céu começando a clarear em tons de rosa sobre o mar, a Carol ainda dormia profundamente ao meu lado na cama de casal do quarto de hóspedes.
Eu estava acordada, sentindo o meu corpo inteiro ainda dormente e pulsando com a adrenalina daquela madrugada. Aquele cheiro de maresia e de sexo proibido parecia impregnado na minha pele.
Levantei na ponta dos pés, fui até a bancada da sala, peguei o celular da Micaela que estava carregando e salvei o número do Cass no meu aparelho.
Voltei pra cama com cuidado, me enfiei debaixo do lençol e deitei de lado, olhando pro rosto sereno da Carol. Passei a mão de leve pelo cabelo dela, sentindo um carinho imenso pela minha mulher, mas com a cabeça a mil por hora. Eu não conseguia simplesmente fingir que aquela noite nos arrecifes não tinha acontecido. No fundo, eu ainda era a mesma garota provocadora de sempre, daquelas que não resistem a atiçar o fogo só pra ver a chama queimar.
Abri a conversa no WhatsApp, olhei pra tela em branco e soltei um risinho de canto.
Digitei apenas três palavras:
*“Verdade ou Consequência?”*
Bloqueei a tela, enfiei o celular debaixo do travesseiro e fechei os olhos com um sorrisinho safado, imaginando a cara que aquele moreno ia fazer na estrada quando o celular dele apitasse. Rsrs.
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