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O Vira-lata

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Eduardofer

Um conto
Edu tinha vinte e três anos e uma teoria: que todo novinho magrelo de bairro nasce com um endereço escrito no meio das costas, e que mais cedo ou mais tarde os homens da cidade encontram esse endereço. O endereço dele era o cuzinho, e naquela sexta-feira a cidade resolveu bater na porta. Ele acordou já sabendo. Passou a manhã rolando a timeline, curtindo, salvando, decorando. À noite vestiu a cueca mais surrada que tinha, deixou os pentelhos crescerem de propósito, e saiu sem rumo — só com a cara de quem quer ser achado.
O primeiro foi o segurança do prédio onde ele fazia entrega. Quarenta e cinco anos, preto, bigode grosso, barrigão apertado no uniforme azul. Edu subiu a escada de incêndio e se abaixou no degrau de concreto, abriu a bunda com os dedos e ficou esperando. O eco devolveu o gemido dele por três andares, e foi o eco que trouxe o segurança. O homem não falou nada, só desceu, passou a mão cheia de calo na bunda aberta e enfiou dois dedos secos, sem gel, sem carinho. Edu chorou de dor boa e o segurança riu.
— Isso. Chora. Ecoa aí pro prédio todo ouvir.
Ficou enfiando os dedos torto, sem jeito, como quem mexe em massa, e Edu gemia mais alto só pra escutar a própria voz voltando das paredes. Depois o segurança se abaixou e cuspiu no cuzinho dele, duas vezes, grosso, e meteu o pau sem aviso. Não era dos grandes, mas era grosso e curto e batia no fundo como martelo. Bateu até Edu tremer as coxas e gozou dentro, sem tirar, e saiu andando pra fazer a ronda como se nada tivesse acontecido.
Quando Edu desceu pra rua, suado, com a camisa aberta, um homem o encarou do outro lado da calçada. Gu. Trinta e quatro anos, mestiço, cabelo raspado nas laterais, barba cheia, peito largo, cueca preta aparecendo por cima do cós. Postura de quem não pede, escolhe. Ele atravessou a rua devagar, segurou o maxilar do Edu com a mão inteira e virou o rosto dele pro lado, examinando como quem confere mercadoria.
— Você é dos que gostam de ser achados. Não gosta de escolher. Deixa eu caçar.
Edu só assentiu. Não falou mais nada na noite inteira. Foi a última coisa que disse por muitas horas. Gu pegou o braço dele e foi andando sem olhar pra trás, e Edu trotou atrás como cachorro, que era exatamente o que ele queria ser.
Pararam num beco atrás de um bar. Gu empurrou o Edu contra a parede de tijolo, tirou a própria cueca e enfiou o tecido na cara dele.
— Cheira. Depois me devolve.
Cheiro de suor, de virilha, de homem que trabalhou o dia todo. Edu inspirou fundo e quase gozou. Gu abaixou a cueca do Edu e riu.
— Você tem pentelho. Gosto. Parece homem. Não apara tudo não.
E enfiou o nariz no matinho dele e cheirou também. Os dois ficaram se farejando no escuro, como bichos, com cheiro de fritura vazando do bar. Depois Gu apontou pro chão. Edu desceu de joelhos e o caçador enfiou a mão na nuca dele e empurrou a cabeça pra frente, devagar e sem parar, até o nariz do Edu bater na barriga. Edu engasgou, os olhos lacrimejando, baba escorrendo. Gu segurava e contava. Um, dois, três, quatro. Quando soltava, Edu puxava ar com um som feio e voltava sozinho. Cinco vezes, até a garganta dele desistir e aceitar, virar buraco, e aí Gu começou a bombear fundo, rápido, o saco batendo no queixo. Baba em fio, olhos vermelhos, a garganta aberta como coisa que se usa.
Aí ele virou o Edu contra o tijolo, ergueu as pernas e meteu sem capa, sem gel, só cuspiu na mão e passou na cabeça.
— Você é depósito, né? Todo mundo que te come sabe onde gozar?
— Dentro — Edu gemeu. — Goza dentro. Sempre dentro.
— Sempre no pelo. É teu voto.
E fodeu como quem caça: sem pressa no começo, olhando nos olhos, e depois acelerando, a mão na garganta do Edu apertando de leve. Cada estocada batia no ponto e Edu já não pensava, só repetia baixinho que gozasse dentro, sempre dentro. Gu tirou na hora H, deu três bombadas na mão e jogou tudo na cara dele — testa, olho, boca. Depois passou o pau na cara como um pincel, espalhando o leite pela bochecha e pelo nariz até virar máscara.
— Agora não limpa. Você vai andar assim.
E Edu andou. Pela rua, com a cara secando leite de um homem que ele tinha conhecido há uma hora.
Na esquina, um mendigo sentado no papelão. Uns cinquenta anos, preto, barba branca falhada, corpo magro e sujo, cheiro forte. Edu se agachou ao lado dele e o velho nem pediu, já abriu o zíper. O pau estava sujo, cheirava a mijo e a dias sem banho. Edu meteu na boca sem limpar nada, chupou aquele pau de rua com gosto salgado e amargo enquanto o velho segurava a cabeça dele e ria com dois dentes faltando.
— Você gosta. Gosta de pau de ninguém.
Edu gostava. Gostava do cheiro, da sujeira, da humilhação boa. Ali, ajoelhado na calçada, chupando um mendigo, com o leite do caçador ainda secando na cara. O velho gozou na boca dele, um leite fino e amargo, e Edu engoliu tudo.
Depois Gu levou ele pra casa de um amigo. Grego. Trinta anos, magro, alto, nariz grande, mãos enormes de pianista. O fetiche dele era abrir. Deitou o Edu numa cama, pernas pra cima, e começou o trabalho. Um dedo, dois, três, quatro, com litro de gel, calmo, conversando baixinho como médico. Cinco dedos, a mão fechou em concha e entrou. Edu gritou, não de dor, de susto — o corpo dele virando do avesso, cheio, esticado, aberto pra dentro. Grego ficou com a mão parada dentro dele, olhando o cuzinho abraçar o pulso.
— Você é porco. Quer virar buraco.
E mexeu. Abriu e fechou a mão por dentro, devagar. Edu chorava de tesão. Quando a mão saiu, o cuzinho ficou bocejando, vermelho, molhado. Grego ficou de pé em cima dele.
— Fecha a boca. Abre a garganta.
E mijou. Primeiro no peito e na barriga, quente, escorrendo pelas pernas, depois na boca. Edu engoliu o que dava, o resto escorreu pela cara e pelo cabelo cacheado, e ele gozou assim, sem tocar no pau, só sentindo o corpo inteiro virar corpo molhado de homem.
Foi quando a porta abriu e entrou o resto. O Chefe do Bando — quarenta anos, pardo, barrigudo, corrente de prata, voz de quem manda. Atrás dele três homens que Edu nunca tinha visto, e esses três eram outra categoria. O primeiro, um preto de ombros de armário, cinquenta de braço, chamado Bruto. O segundo, um branco de olhos claros chamado Ferro, tanque de academia, veias saltadas. O terceiro, um mestiço de quase dois metros, o Grande. Os três tinham o mesmo detalhe: pau de no mínimo vinte e sete centímetros, e grosso de oito, daqueles que não cabem na mão fechada de ninguém. Edu olhou praquilo e sentiu o cuzinho fechar de medo e abrir de fome ao mesmo tempo.
O Chefe nem perguntou. Só olhou pro Edu, molhado, sujo, aberto do fisting, e disse:
— Esse aí é o quê? É o da vez?
— É o buraco da vez — respondeu Gu.
E virou fila. Edu foi jogado no meio do quarto e o Bruto foi o primeiro. Enfiou a cabeça do pau e Edu já gemeu diferente, um gemido de esticado, porque oito de grossura é outra coisa, é um punho entrando. Bruto meteu devagar e mesmo assim Edu sentiu como se estivesse sendo partido ao meio. E aí ele acelerou. E foi brutal. Sem carinho, sem ritmo bonito, só soco pra dentro, a barriga batendo na bunda do Edu com um barulho molhado que ecoava. Edu gritava e Bruto mandava calar a boca e enfiava mais fundo. Gozou dentro sem avisar, e o Edu sentiu o jato quente e a porra escorrendo quando o pau saiu.
Depois o Ferro. O Ferro pegou o Edu pelos quadris e simplesmente o levantou no ar, como se ele fosse brinquedo, e enfiou enquanto o segurava suspenso. Edu ficou pendurado no pau do Ferro, sem tocar o chão, as pernas balançando, e o Ferro usou o peso do corpo dele pra empalar. Pra cima e pra baixo, o Edu caindo no pau pela gravidade. A cada queda, Edu gemia um gemido diferente. Ferro gozou dentro e deixou ele cair no chão como saco.
O Grande foi o pior e o melhor. Ele deitou no chão e mandou o Edu montar. Edu montou, e o pau de vinte e sete do Grande entrou nele até o talo, e ele sentiu aquilo bater lá no fundo, num lugar que ele nem sabia que existia. E aí o Chefe apareceu atrás. Sem falar, sem perguntar, o Chefe cuspiu no próprio pau e encostou na entrada já ocupada.
— Aguenta. Vai entrar os dois.
Edu abriu a boca pra responder e não saiu som. O Chefe empurrou devagar, e o cuzinho do Edu esticou além do que ele achava possível, e o pau dele entrou ao lado do pau do Grande. Os dois dentro. O corpo do Edu virou uma coisa apertada e cheia, dois paus roçando um no outro por dentro dele, cada um num ritmo. Era a dupla penetração, e era brutal, e Edu gozou no ar, sem tocar em nada, só de ser rasgado por dois homens ao mesmo tempo. Eles foderam juntos, coordenados, o Chefe por cima segurando os ombros do Edu pra ele não fugir, o Grande por baixo empurrando pra cima, e Edu no meio, prensado, chorando, babando. Gozaram quase juntos, os dois, e Edu sentiu a porra dobrada subir por dentro e transbordar, escorrendo pela base do pau e pelas bolas dele. Quando os dois saíram, o cuzinho do Edu ficou aberto como um soco, piscando, vazando.
Não teve descanso. O Gu voltou, o Grego voltou, os outros voltaram. Foi uma noite inteira de fila. Cada um gozava dentro porque o combinado era esse, o corpo do Edu era o depósito coletivo, e a cada gozada nova a lubrificação da noite era o leite de todos os caras que passaram antes. Edu não tinha mais nome. Era o novinho. Era o buraco. Era o porco. E ele gostava de não ter nome, gostava de ser coisa, gostava de sentir o pau entrar sem precisar saber de quem era. Em algum momento, de madrugada, o Chefe o colocou de quatro no meio do quarto e abriu a fila de novo, e todo mundo passou outra vez, e Edu só contava mentalmente as gozadas pra não enlouquecer. Perdeu a conta no oitavo.
Foi o Chefe quem fez a última coisa. Ele empurrou o Edu de barriga pra cima no chão e sentou em cima dele. Não fez fila. Sentou e cavalgou, usando o pau do Edu como brinquedo, sem se importar com o prazer do Edu. Era o ápice da submissão: o submisso virar ferramenta. O consolo de todo mundo, e agora nem a própria porra importava. Edu era só um apoio, um degrau, um pau pra sentar.
— Você é nosso, seu sub. Adora isso. Adora ser usado.
— Adoro — Edu conseguiu dizer. A primeira coisa que falou em horas.
O Chefe gozou sentado, dentro de novo, e ficou lá parado, quente, sentindo o Edu pulsar embaixo. Edu gozou por último, sem pressa, esgotado, o corpo um caco.
E aí veio a comida. Alguém tinha pedido pizza e uma marmita de arroz com frango, e os homens eram brutos e não tinham nojo. O Bruto abriu a marmita, tirou o pau ainda melado e passou a mão na porra que escorria e temperou o arroz. Misturou com o dedo. Depois o Ferro fez o mesmo com a pizza, torceu o pau em cima de uma fatia até cair uma gota grossa, e passou pro Edu.
— Abre a boca. Você come isso agora. Com o teu trabalho em cima.
Edu comeu. Comeu o arroz salgado de porra, comeu a pizza envidraçada de leite, e cada garfada tinha gosto de noite inteira, gosto de todos os homens, gosto do que ele tinha virado. Era isso, comer o próprio resultado. Engoliu tudo, a marmita limpa, a pizza até a borda, e os caras riram e bateram na barriga dele como quem elogia um cachorro que comeu bem.
Mas ainda faltava. O Chefe olhou pro canto do quarto, onde tinha um ralo no chão de um banheiro aberto, e sorriu.
— Levanta. Vai virar mictório.
Edu se levantou, e o Chefe o levou até o ralo e o posicionou de joelhos, a boca aberta, os braços nas costas. E um por um, os homens foram passando e mijando nele. Não na boca toda — primeiro no peito, na barriga, escorrendo pelas pernas, quente, depois na cara, e depois na boca. Edu engolia, ou tentava, e o que não engolia escorria pelo queixo e pingava no ralo, e o corpo dele virou um corpo inteiro molhado de mijo de cinco, seis, sete homens, cada um com um cheiro diferente, e o cheiro ia se somando no ar até virar um cheiro só, o cheiro da noite. No fim, o Grande mirou na boca e acertou tudo, e Edu bebeu até acabar, e ficou ali de joelhos, encharcado, piscando os olhos, com gosto de leite e de mijo e de arroz temperado na língua.
Depois o Chefe fez a última brutalidade, que foi nenhuma: não deixou ele tomar banho. Disse que o cheiro era troféu, e que troféu não se lava. Edu saiu do quarto de madrugada, seis da manhã, camisa suja de mijo seco, cara marcada de leite antigo, cuzinho aberto e vazando porra a cada passo. Andou até a padaria. O padeiro, cinquenta e cinco anos, português, barrigudo, bigode, olhou pra ele, olhou pro estado dele, e riu.
— Rapaz, tu andou na farra, hein?
Edu riu de volta, com a boca ainda com gosto de tudo. Chegou em casa, deitou na cama sem se lavar, e ficou de olhos abertos no teto sentindo o corpo todo doer. A bunda queimava. A garganta arranhava. A barriga tinha arroz e porra dentro. E ele estava feliz do jeito que só um sub fica feliz, feliz de não ter decidido nada, de ter sido achado, aberto, mijado, rasgado por dois ao mesmo tempo, usado por sete e alimentado com o próprio resultado.
Pegou o celular, abriu o perfil dele, tirou uma foto da barriga ainda manchada, da cueca suja, do cuzinho que dava pra ver no espelho, e escreveu:
"Fui achado, aberto, mijado, temperei a comida com o que sobrou e deixei tudo dentro. Amanhã tem de novo. Quem vai me caçar?"
Comentou nos perfis. Marcou todo mundo. E dormiu com a timeline na cabeça, sonhando que a próxima sexta já tinha chegado, que o quarto já tinha gente, que a fila já tinha começado, e que ele, Edu, vinte e três anos, era de novo o buraco da vez.
Na sexta seguinte, Edu nem esperou escurecer. Passou o dia comendo leve, tomando água, se preparando como atleta antes de prova, porque o Gu tinha avisado por mensagem uma frase só: "hoje é dez. E hoje é até você pedir pra parar, e você não vai pedir." Edu leu aquilo três vezes e sentiu o cu dar um espasmo sozinho. Ele conhecia o Gu. Dez, do jeito dele, não era dez caras aleatórios. Era dez escolhidos.
Foi o próprio Gu que foi buscar ele de carro. Não levou pra casa nenhuma. Levou pra um galpão nos fundos de uma oficina, chão de cimento frio, um colchão de solteiro jogado no canto, uma lâmpada pendurada por um fio balançando, e um barril cortado no meio servindo de mesa. No barril tinha um pão grande, daqueles de padaria, inteiro, e um bolo simples de fubá. E ao lado, um copo de vidro, vazio, limpo, esperando.
Os dez já estavam lá. Edu contou devagar, de pé na porta, enquanto o Gu fechava o portão atrás dele e o som do metal batendo avisava que não tinha mais volta.
O Touro. Trinta e oito anos, preto, ombros de armário, braços de quem carrega cimento, pescoço grosso, barba cheia, uma barriga dura por cima de músculo. Cueca branca marcando um volume que Edu viu de longe.
O Muro. Quarenta e dois, branco de pele queimada de sol, careca, peito e costas cheios de pelo grisalho, mãos enormes, e uma cara de quem não sorri. Aquele era dos que só olham.
O Trator. Trinta e um, mestiço, pernas de jogador, coxas grossas, tatuagem no braço, boné virado pra trás. Cara de deboche.
O Navalha. Vinte e oito, magro mas todo fibra, seco, definido, pardo, cabelo raspado, maxilar quadrado, olhos apertados. O mais jovem e o mais cruel, dava pra ver.
O Cimento. Cinquenta e dois, preto, barrigão firme, corpo de ex-atleta virado em força, braços ainda grossos, mãos cheias de calo de obra. O mais velho, e o mais dotado dos dez.
O Pardo. Trinta e cinco, moreno claro, bigode, corpo de quem joga bola domingo, panturrilha grossa, costas largas.
O Bode. Quarenta anos, mestiço de nariz grande, queixo falhado, cheiro forte mesmo de longe, cabelo enrolado, corpo seco e forte, e um jeito de bicho que Edu reconheceu — o mesmo cheiro do mendigo da outra noite.
O Mão Grande. Trinta e três, branco, loiro escuro, mãos que pareciam pás, dedos longos, ombros estreitos mas braços de quem faz força todo dia. O nome era óbvio.
O Preto. Vinte e seis, preto retinto, alto, corpo de academia sem exagero, definido e bruto ao mesmo tempo, sorriso branco, cara boa — e por isso mesmo o mais perigoso, porque enganava.
E o Alemão. Quarenta e cinco, branco de olhos claros, alto, largo, sem pescoço de tão forte, bigode louro, sotaque carregado, e um pau que ele tirou da cueca ainda na porta, na frente de todo mundo, como quem mostra documento. Edu olhou e sentiu as pernas falharem. Todos os dez tinham no mínimo vinte e sete centímetros de comprimento e oito de grossura. O Cimento tinha mais. O Alemão tinha mais ainda. Edu nunca ia caber nos dez, e ia ter que caber.
O Gu não falou quase nada. Só empurrou o Edu pro meio do galpão e disse pros outros, apontando:
— É o buraco. Faz o que quiser. Só não deixa ele respirar direito.
E foi assim que começou.
O Trator foi o primeiro, e foi pela garganta. Não pediu, não ajoelhou o Edu, só o agarrou pelo cabelo cacheado e forçou a cabeça dele pra baixo até a boca encostar na cueca. Edu abriu e o Trator meteu de uma vez, sem dar tempo de acomodar, e empurrou até o fundo até o nariz do Edu esmagar contra a barriga. E aí segurou. Contou. Um, dois, três, quatro, cinco. Edu se debatendo, o reflexo querendo expulsar, a garganta apertando a cabeça do pau, e o Trator rindo por cima. Soltou, deixou Edu puxar meia golfada de ar, e enfiou de novo antes dele terminar. Foi assim cinco vezes, sem deixar o Edu respirar completo nunca, só meia golfada de cada vez. Quando finalmente deixou a garganta livre, o Edu já estava com a vista escura nas beiradas.
Aí o Bode veio por trás e enfiou o pau no cu do Edu sem gel, sem aviso, só cuspiu. Edu gritou com a boca aberta e o Trator aproveitou a boca aberta e enfiou de novo, e ficou fodendo a garganta enquanto o Bode fodia o cu, os dois sem se combinar, cada um num ritmo, e o Edu prensado no meio sem saber pra onde empurrar o corpo. Foi o primeiro engasgo sério da noite. Ele sentiu o vômito subir e segurar, subir e segurar, e os dois rindo, e o Bode falando com aquele hálito de bicho:
— Não vomita não. Engole. Fica com tudo dentro.
Edu engoliu. E o Bode gozou no cu dele, dentro, sem tirar, e o Trator gozou na garganta dele e segurou a cabeça até ele engolir tudo, cada gota, sem deixar escorrer. Quando os dois saíram, o Edu estava de quatro no cimento, tremendo, com a boca aberta e um fio de baba e porra até o chão.
Não teve pausa. O Touro levantou ele pelo quadril, um braço só, como quem levanta saco de cimento, e o virou no ar. Enfiou o Edu no próprio pau no ar, suspenso, e começou a usar o peso do corpo dele pra empalar. Pra cima e pra baixo, o Edu caindo no pau pela gravidade, gemendo cada vez mais agudo. O Touro tinha o pau grosso demais, e cada queda esticava o Edu por dentro, e o Touro não tinha paciência, acelerava até virar soco. Edu pendurado, as mãos agarradas no braço do Touro, o chão longe, o Touro girando o corpo dele de lado enquanto enfiava, e a cabeça do Edu batendo na barriga do cara. Gozou dentro e largou o Edu cair no colchão como saco de batata.
O Navalha pegou ele no colchão e fez questão de brutalizar. Primeiro deu tapa. Um tapa aberto em cada nádega, e depois em cima, na lombar, e depois na bunda de novo, até ficar vermelho e arder. Edu gemia de dor e o Navalha batia de novo e mandava contar. Cinco tapas, depois dez, depois perdia a conta. A bunda do Edu virou duas coisas vermelhas e quentes, e o Navalha enfiou o pau naquele vermelho ardido, e cada estocada reacendia a dor dos tapas. Edu chorou de verdade, lágrima de dor, e o Navalha lambia a lágrima da cara dele e cuspia na boca.
Depois o Navalha puxou o Edu pelo cabelo e sentou ele de novo, e chamou o Preto. O Preto deitou no colchão e o Edu montou nele, e o pau de vinte e sete do Preto entrou até o talo, batendo no fundo. E aí o Navalha apareceu atrás e encostou na entrada já ocupada.
— Abre. Vai entrar os dois.
O Edu já sabia, e mesmo assim não estava pronto. O Navalha empurrou devagar e o cuzinho esticou além do possível e o pau dele entrou ao lado do do Preto. Dois dentro. O corpo do Edu virou uma coisa apertada e cheia, dois paus roçando um no outro por dentro, e o Preto por baixo empurrando pra cima e o Navalha por cima socando pra baixo, e Edu no meio, prensado, sem ar. A dupla penetração de novo, mas dessa vez mais brutal, mais rápida, porque os dois estavam com raiva de tesão. O Navalha segurava os ombros do Edu pra ele não fugir e o Preto segurava os quadris, e o Edu não tinha pra onde ir, só receber. Gozaram quase juntos, os dois, e o Edu sentiu a porra dobrada subir por dentro e transbordar, escorrendo pela base do pau dele, pelas bolas, gotejando no colchão. Quando saíram, o cuzinho ficou aberto como um soco, piscando, vazando.
O Gu, que tinha ficado olhando, veio então e fez uma coisa que Edu não esperava. Ele ficou de pé, enfiou o pau na boca do Edu de quatro, e mijou. Na garganta. Não na cara, não no corpo — dentro da boca, e o Edu teve que beber, engolir no meio da chupada, o mijo quente descendo pela garganta dele junto com o pau. Gu mijou muito, e Edu bebeu tudo, engolindo entre engasgos, e quando acabou o Gu tirou o pau e um resto de mijo escorreu pelo queixo, e o Edu lambeu.
Aí veio o Cimento, o mais velho, o mais dotado. Ele não tinha pressa nenhuma. Deitou o Edu de barriga pra cima, pernas pra cima, e enfiou aquele pau enorme devagar, centímetro por centímetro, olhando na cara do Edu a cada avanço. Edu sentiu o pau dele subir pelo corpo, empurrando tudo por dentro, até bater num ponto lá no fundo que fez ele gemer um gemido que não era dele, um gemido de bicho. O Cimento chegou até o talo e ficou parado, sentindo, e depois começou a foder com um ritmo pesado, de homem velho e forte, cada estocada afundando o Edu no colchão. E fez a coisa: enfiou dois dedos no cuzinho do Edu junto com o próprio pau. Pau e dois dedos. O Edu gritou e o Cimento mandou ele calar e enfiou mais fundo os dedos, abrindo, esticando mais ainda. Gozou dentro e ficou um tempo parado com o pau dentro, o dedo ainda lá, sentindo.
Depois foi o Muro. O Muro não falava. O Muro só pegou o Edu pelo tornozelo e arrastou ele pelo cimento até a parede, e o Edu sentiu o chão frio raspando a pele. O Muro prensou ele contra a parede, de costas, levantou uma perna dele até quase a altura do próprio ombro — o Edu nunca tinha sido dobrado tanto — e enfiou. E aí o Edu entendeu por que ele se chamava Muro. O Muro fodia com o corpo todo, os ombros, o peito, prensando, esmagando, o Edu espremido entre o corpo dele e o cimento, sem espaço pra respirar, sem espaço pra gemer, só o som do Muro grunhindo no ouvido. Edu ficou sem ar de verdade ali, a cabeça leve, as beiradas da vista escurecendo, e o Muro não deixou ele escorregar pra baixo pra respirar, segurou a perna dele lá em cima e socou mais. Gozou dentro, grunhindo, e soltou o Edu escorrer pela parede até o chão.
O Alemão veio então e deu a surra final. Ele pegou o Edu já mole, já mole e aberto e vazando, e simplesmente enfiou, sem esquentar. E o pau do Alemão era o maior de todos. Edu sentiu como se estivesse sendo aberto de novo, do zero, como se as horas anteriores não tivessem contado. O Alemão fodia falando coisas em alemão no ouvido dele, e o Edu não entendia nada e isso o deixava mais entregue, mais coisa, mais buraco. O Alemão socava e a cada soco um estalo molhado, e a barriga dele batendo na bunda do Edu com um barulho de carne, e o Edu já sem forças pra gemer, só abrindo a boca num som rouco. Gozou dentro e enfiou até o fundo pra deixar tudo lá, e saiu devagar só pra ver o Edu estremecer.
O Pardo e o Mão Grande pegaram ele juntos no fim, os dois num ritmo só, um na frente outro atrás, o Pardo na boca e o Mão Grande no cu, e o Mão Grande usava aquelas mãos-pás pra segurar a bunda do Edu e abrir, e o Pardo usava a mão pra segurar a cabeça e enfiar até o fundo, e Edu virou um tubo, um cano, entrada e saída, sem nada no meio além de carne aberta. Os dois gozaram juntos, o Pardo na garganta e o Mão Grande no cu, e o Edu engoliu um e sentiu o outro escorrer pra fora, e ficou ali, no chão, entre os dois, sem se mexer, ofegando.
E aí o Touro voltou. Porque era a vez dele de novo, e ninguém tinha combinado ordem nenhuma, e Edu já tinha perdido a conta de quantas gozadas tinham passado dentro dele. O Touro pegou ele de quatro e abriu a fila outra vez, e os dez passaram de novo, e Edu só contava mentalmente pra não enlouquecer. No terceiro da segunda rodada, ele perdeu a conta. No quinto, parou de tentar. No oitavo, parou de gemer. No décimo, estava só recebendo, mole, aberto, vazando, o cuzinho um buraco vermelho que não fechava mais, piscando sozinho no ar, esperando o próximo que nunca vinha.
Foi quando o Gu bateu palma e mandou todo mundo parar. Edu ficou de quatro no cimento, tremendo, sem entender, e o Gu apontou pro barril com o pão e o bolo.
— Agora come.
E aí veio a parte que o Edu mais temia e mais queria. O Touro pegou o pão, tirou o pau ainda melado e apertou em cima do pão, ordenhando o que sobrava, e um fio de porra caiu no pão e foi absorvido. Passou pro Muro, que fez o mesmo, com mais calma, e depois o Trator, o Navalha, o Cimento, o Pardo, o Bode, o Mão Grande, o Preto e o Alemão, cada um passando o pão de mão em mão e torcendo o pau em cima até a última gota. Quando o pão voltou pro Gu, estava encharcado de leite de dez homens, brilhando, e o Gu partiu um pedaço e enfiou na boca do Edu.
— Mastiga. E engole com calma. Esse é o teu jantar.
Edu mastigou. O pão mole, salgado de porra, e cada mordida tinha o gosto da noite inteira, o gosto de todos os dez, gosto de tudo que passou dentro dele. Depois veio o bolo. O mesmo ritual, o mesmo pão de mão em mão, o bolo de fubá amassado e coberto de leite de dez caras, e o Edu comeu o bolo inteiro, com a mão, com a boca, lambendo os dedos e a palma, e os caras riam e batiam na barriga dele como quem elogia cachorro que comeu bem.
E por fim o copo. O Gu pegou o copo de vidro vazio e colocou no meio do círculo.
— Cospe.
E um por um, os dez cuspiram no copo. Cuspe grosso, cuspe fino, cuspe com catarro, cuspe com ranho, cada um depositando a própria baba naquele copo, e o Navalha ainda assoou o nariz ali dentro, e o Bode soltou um catarro grosso do fundo da garganta que fez barulho ao cair, e o Preto cuspiu com força, e o Cimento cuspiu devagar, e quando terminou o copo estava mais de meio cheio de cuspe, ranho e catarro de dez homens misturados, uma coisa espessa, morna, translúcida e nojenta.
O Gu levantou o copo e entregou pro Edu.
— Bebe. Tudo. Sem careta.
Edu pegou o copo com as duas mãos e bebeu. Foi pior do que ele imaginava, porque o troço era grosso, e descia devagar, e tinha pedaços, e o gosto era salgado e amargo e quente e de gente, gosto de boca de homem, gosto de dez bocas de uma vez. Ele engoliu em quatro goladas, o catarro do Bode descendo por último e ficando preso na garganta um instante, e depois tossiu e engoliu de novo, e virou o copo pra mostrar que não tinha sobrado nada.
E aí faltava o mijo. Mas dessa vez, como o combinado era outro, não foi no corpo. O Gu levou o Edu até o ralo do canto e deitou ele de barriga pra cima, e chamou os que ainda tinham bexiga. Eles formaram fila de novo, e um por um mijaram na boca do Edu, e o Edu bebeu, engolindo direto, sem deixar escorrer, e cada um tinha um gosto e um jato diferente, e o Edu bebeu de todos até a barriga ficar cheia e quente. E quando o último acabou, o Alemão, o Gu fez o Edu ficar de quatro e mijou no cu dele, um jato forte direto no buraco aberto, e o Edu sentiu o mijo entrar e ficar, e o Gu mandou ele apertar e segurar. Edu segurou o mijo de um homem dentro do cu, e o Gu riu e disse:
— Agora solta devagar.
E Edu soltou, e o mijo escorreu pelo cuzinho aberto junto com a porra de dez homens, uma coisa só, e ele ficou ali de quatro, cheio e vazio ao mesmo tempo, sem ar, sem forças, sem nome.
O Gu deixou ele no chão e olhou o relógio. Tinha passado três horas. Edu tinha perdido a conta das gozadas, tinha perdido a voz, tinha a bunda vermelha dos tapas, tinha o cuzinho aberto que não fechava, tinha o gosto de porra, pão, bolo, cuspe e mijo na boca, e tinha o corpo inteiro doendo de um jeito que ele sabia que ia durar dias.
O Gu se agachou do lado dele e perguntou, baixinho, só pra ele:
— Quer parar?
Edu pensou. Pensou na dor, no ar que faltava, no cuzinho aberto. E balançou a cabeça que não.
O Gu riu.
— Então vira de novo.
E Edu virou de quatro no cimento frio, sozinho no meio de dez homens que já estavam se ajeitando pra segunda noite, e ficou ali esperando o primeiro, com a boca aberta e o cuzinho piscando, porque era isso que ele era, e era isso que ele queria ser, o buraco da vez, o que não respira, o que come o próprio trabalho, o que bebe a boca dos homens — e amanhã tinha de novo.
E virou de quatro, e não teve nem um segundo de silêncio. O Preto já estava atrás, agachado, com as duas mãos abertas em cima das nádegas vermelhas do Edu, e antes de enfiar, apertou, espremeu, abriu os dois lados como quem abre uma fruta, e ficou olhando o cuzinho piscando no ar, vazio, vermelho, vazando porra antiga. Cuspiu dentro, três vezes, grossas, e empurrou com os dedos pra lubrificar. Depois enfiou a cabeça do pau e parou.
— Olha como tá aberto. Caberia a mão.
O Mão Grande ouviu e veio. Meteu quatro dedos de uma vez, aquelas mãos-pás, e o Edu arregalou os olhos porque quatro dedos daquela mão era mais que a mão fechada de um homem normal. O Mão Grande abriu os dedos lá dentro, em leque, esticando as paredes, e o Edu sentiu o próprio corpo virar borracha. Depois tirou a mão e enfiou o pau junto com o do Preto. Outra dupla. Outra vez o Edu sendo aberto além do que achava possível, dois paus roçando um no outro por dentro dele, o Preto por baixo empurrando pra cima, o Mão Grande por cima socando pra baixo, e a mão de pá do Mão Grande segurando a bunda do Edu aberta pra caber os dois melhor. Gozaram juntos, e o Edu sentiu a porra dobrada transbordar e escorrer pela parte de dentro das coxas, descendo até o joelho, pingando no cimento.
Aí o Touro pegou ele pelo cabelo e levantou a cabeça dele, e sentou o pau na boca sem aviso, e começou a foder a garganta com o Edu ainda de quatro, ainda sendo fodido por dentro, e agora com o pau do Touro na boca também. Três buracos usados ao mesmo tempo, e o Edu sem conseguir respirar pelo nariz porque o nariz esmagava contra a barriga do Touro. Ficou assim um tempo que ele não conseguiu medir. Quando o Touro saiu, o Edu puxou ar com um som rouco e o ar entrou fino, porque a garganta já estava arranhada das horas anteriores.
O Navalha voltou com os tapas. Dessa vez não foi na bunda, foi na cara. Tapa leve, aberto, de mão cheia, na bochecha do Edu, e o Edu gemia mais de surpresa que de dor. Dois, três, quatro tapas, cada um virando o rosto dele pro lado, e o Navalha mandou ele agradecer. Edu tentou falar "obrigado" e saiu um fio de voz. O Navalha gostou da voz arranhada e bateu de novo, e depois pegou ele pelos dois lados do maxilar, com as duas mãos, e cuspiu na boca dele bem devagar, e o Edu engoliu o cuspe sem tirar os olhos dos dele.
O Bode veio por trás então e fez uma coisa nova. Deitou no chão, de barriga pra cima, e puxou o Edu pra sentar em cima do rosto dele. Edu sentou, e o Bode começou a chupar o cuzinho aberto do Edu, enfiando a língua no buraco vazando porra, bebendo o que escorria, o nariz grande dele enterrado no meio, o hálito de bicho subindo, e o Edu sentado no rosto de um homem, com as mãos no chão pra não cair, e o Bode segurando os quadris dele pra ele não fugir, e lambendo, chupando, enfiando a língua até o fundo, misturando o próprio cuspe com a porra dos outros e engolindo. Edu gozou ali, sentado no rosto do Bode, sem tocar no pau, e o Bode bebeu a porra dele também, e depois empurrou ele pro lado e enfiou o pau, sem limpar nada, usando o cuzinho que ele mesmo tinha acabado de lamber.
O Trator e o Pardo pegaram ele juntos de novo, mas dessa vez invertidos: o Pardo embaixo, no colchão, o Edu montado nele de costas, e o Trator na frente, na boca. E o Trator segurava a cabeça do Edu com as duas mãos e socava a garganta num ritmo de metrônomo, enquanto o Pardo por baixo bombava pra cima com as mãos espalmadas na bunda vermelha do Edu, apertando os pontos que doíam dos tapas. Edu ficou entre os dois, o corpo todo atravessado, e em algum momento ele desligou, a cabeça vazia, os olhos abertos sem ver, só o corpo funcionando no automático, recebendo de cima e de baixo. Foi o primeiro desligamento da noite. O Gu percebeu e fez sinal pra ninguém parar.
Quando Edu voltou a si, estava no chão, de lado, e alguém tinha enfiado dois dedos nele de novo, sem pressa, só mantendo aberto, e era o Cimento, que ficou ali sentado ao lado, dedo dentro, olhando o Edu, esperando ele voltar. Quando viu os olhos do Edu focarem, o Cimento sorriu de leve, tirou os dedos, e enfiou o pau devagar, centímetro por centímetro, do jeito dele, sem pressa nenhuma, como quem sabe que tem a noite toda. E dessa vez ele fodeu por muito tempo, um ritmo pesado e constante, de homem velho e forte, sem acelerar, afundando o Edu no colchão a cada estocada, e falando baixinho que o Edu era bom, que o Edu aguentava bem, que o Edu era o melhor buraco que já tinha passado por ali. Edu sentiu as lágrimas subirem de cansaço e de tesão ao mesmo tempo, e chorou quieto enquanto o Cimento o fodia, e o Cimento limpou as lágrimas com o polegar e continuou.
O Muro fez de novo a coisa da parede. Levou o Edu até o cimento frio, prensou ele de costas, levantou uma perna até o ombro e enfiou, e o Edu ficou espremido entre o corpo do Muro e a parede, sem espaço pra respirar, sem espaço pra gemer, o som do Muro grunhindo no ouvido dele. E o Muro dessa vez fez pior: tirou o peso dos ombros de cima só o suficiente pra deixar o Edu puxar meia golfada, e quando o Edu puxou, o Muro socou mais fundo e prensou de novo, roubando o ar que ele tinha acabado de conseguir. Fez isso várias vezes, um jogo de roubar o ar, e o Edu aprendeu a puxar rápido porque sabia que ia perder logo, e cada estocada funda no meio da respiração roubada fazia a cabeça dele ficar leve e gostosa. O Muro gozou dentro grunhindo e soltou o Edu escorrer pela parede.
O Alemão pegou ele no chão, já mole, já mole e aberto e vazando, e fez o que sabia fazer. Virou o Edu de bruços, prensou o rosto dele contra o cimento com uma mão na nuca, e enfiou por trás, e fodeu com o corpo todo, o peso de cima, o Edu com a cara amassada no chão sem poder levantar a cabeça, a bochecha raspando no cimento a cada estocada, o Alemão falando em alemão no ouvido dele, e o Edu sem entender nada e por isso mais entregue. Socou fundo e rápido, do jeito bruto dele, e gozou dentro e enfiou até o fundo pra deixar tudo lá, e só soltou a nuca do Edu quando já tinha terminado, e o Edu levantou a cabeça devagar, com a marca do cimento na bochecha.
A segunda rodada terminou ali. Edu estava de bruços no chão, o rosto no cimento, a bunda pra cima, o cuzinho aberto que não fechava, piscando sozinho, vazando uma coisa branca e morna que escorria até o joelho. Ele não tinha voz. Não tinha ar. Não tinha nome. Tinha só o corpo, que continuava funcionando, que continuava respondendo, que continuava querendo.
O Gu deixou passar uns minutos. Depois bateu palma de novo e disse uma frase que fez o Edu sentir medo e fome ao mesmo tempo:
— Agora é a rodada de verdade. Sem contar. Cada um até acabar a bexiga e a bolsa.
E virou fila. Só que dessa vez sem ordem, sem ritmo, sem pausa, cada um que terminava já chamava o próximo, e o Edu foi passando de mão em mão, de pau em pau, de boca em cu, sem saber mais onde começava um e terminava outro. O Touro, o Muro, o Trator, o Navalha, o Cimento, o Pardo, o Bode, o Mão Grande, o Preto, o Alemão, e depois de novo, e de novo, e o Edu só contava as gozadas até perder a conta no meio e desistir. Em algum momento ele gozou de novo, seco, sem porra quase, só o espasmo, e ninguém parou por causa disso.
Foi o Gu que fechou a noite. Ele esperou todos terminarem, esperou o galpão ficar quieto, esperou o Edu ficar sozinho no meio do chão. Depois foi até ele, virou ele de barriga pra cima, e fez a última coisa. Deitou o Edu de costas, montou em cima do pau dele, e cavalgou. Usou o pau do Edu como brinquedo, sem se importar com o prazer do Edu, descendo e subindo, apertando, e o Edu embaixo, esmagado, o pau dele sendo ordenhado pelo cuzinho do Gu, sem que ele tivesse força pra acompanhar. O Gu gozou sentado, sem parar de cavalgar, e depois ficou lá, parado, quente, sentindo o Edu pulsar embaixo. E o Edu gozou por último, um gozo fraco, seco, sem porra, só o corpo se contraindo, e ficou mole, mole de vez, os braços abertos no cimento.
O Gu levantou, se vestiu, e olhou os outros. Os dez já estavam se ajeitando, puxando a cueca, pegando as chaves. E aí o Gu fez a última coisa da noite. Pegou o copo de vidro, o mesmo, e colocou no meio do círculo outra vez, e os dez cuspiram de novo, ranho e catarro e cuspe, um por um, e o copo encheu de novo, e o Gu entregou pro Edu, que estava deitado, sem forças pra sentar.
— Bebe deitado mesmo.
Edu levantou a cabeça só o suficiente e bebeu o copo inteiro deitado, o líquido grosso descendo pela garganta arranhada, o catarro preso na boca, e ele engoliu tudo, sem careta, e deitou a cabeça de volta no cimento. E aí o Gu pegou o pão que tinha sobrado, o pedaço que ninguém comeu, e passou por todos os dez de novo, e o pão voltou encharcado, e o Gu enfiou na boca do Edu, que mastigou deitado, devagar, com o gosto de porra e cuspe misturados na boca, e engoliu.
Depois o Gu apagou a luz do galpão. E os dez foram embora, um por um, passando pela porta, e cada um, ao sair, dava um tapa leve na bunda do Edu, ou puxava o cabelo dele de leve, ou cuspia nele uma última vez, e o Edu recebia cada despedida sem abrir os olhos, porque era isso que ele queria, ser tocado até o último segundo, até a porta fechar, até ficar sozinho.
O Gu foi o último. Antes de sair, se agachou do lado dele e perguntou, baixinho:
— Aguenta dormir aqui?
Edu abriu os olhos. Olhou o galpão vazio, o colchão no canto, o ralo, o barril. E balançou a cabeça que sim.
O Gu assentiu, jogou um cobertor sujo em cima dele, apagou a lâmpada pendurada, e fechou o portão por fora. O som do metal batendo ecoou no galpão e depois foi silêncio. Silêncio de verdade, pela primeira vez em quatro horas.
Edu ficou deitado no cimento frio, enrolado no cobertor que cheirava a oficina e a homem, o corpo todo doendo, a bunda ardendo, a garganta arranhada, o cuzinho aberto que ia demorar pra fechar, a barriga cheia de porra, pão, bolo, cuspe e mijo. Ele fechou os olhos e sentiu cada parte do corpo, uma por uma, como quem confere o que sobrou depois de uma surra. Sobrou tudo. Doeu tudo. E ele sorriu no escuro, sozinho, no galpão de uma oficina, aos vinte e três anos, no chão de cimento de um lugar que nem era dele, e pensou que amanhã tinha de novo, e depois de amanhã também, e que era isso que ele era e era isso que ele queria ser: o buraco da vez, o que não respira, o que come o próprio trabalho, o que bebe a boca dos homens. E dormiu ali, no cimento, com o cheiro dos dez ainda no corpo, sonhando que a fila já tinha começado e que o primeiro já estava enfiando.
De manhã, o Gu voltou, abriu o portão e encontrou ele acordado, de quatro, com a bunda ainda pra cima, esperando. Não falou nada. Só tirou o pau da cueca, caminhou até o Edu, encostou, e enfiou, sem bom dia, sem café, sem pergunta. E o Edu gemeu baixinho, com a voz que ainda tinha, e recebeu, e assim começou o dia, como tinha term

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Comentários (1)

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  • Antônio: Conto sujo garoto porco

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