Cap 7 - Rayanne em Churrasco com as Amigas (spin-off)
Aos vinte e seis anos, a vida finalmente parou de parecer uma fuga desesperada e começou a ter cara de conquista.
Eu já estava formada há quase quatro anos, dava aulas de Geografia num colégio particular excelente e tinha alcançado uma independência financeira que deixava qualquer sombra do meu passado pra trás. O meu corpo também tinha mudado: a menininha audaciosa de dezesseis anos e a universitária desgovernada dos vinte deram lugar a uma mulher feita, com vinte e seis anos nas costas, coxas grossas e torneadas pelo treino pesado de musculação, cintura fina e peitos fartos que sustentavam qualquer decote sem pedir licença pra ninguém. Eu sabia o poder que tinha quando entrava numa sala. Rsrs.
E o melhor de tudo: eu não estava sozinha nessa caminhada.
Eu e a Carol já estávamos morando juntas há cinco anos. Tínhamos alugado uma casa espaçosa com um quintal murado e um terraço delicioso nos fundos, perfeito pra reunir os amigos, colocar um som e esquecer que o resto do mundo existia. A nossa relação tinha atingido aquele nível de solidez que pouca gente consegue entender: zero cobrança infantil, zero ciúme burro. A Carol, com aquele jeito calmo e centrado de bioquímica respeitada no laboratório de análises, era o meu equilíbrio na terra. Ela me conhecia pelo olhar; sabia quando eu estava irritada com a rotina da escola, sabia a hora exata de me puxar pelo braço pra cama e, acima de tudo, confiava em mim de olhos fechados.
Até a poeira da minha família, que durante anos parecia uma ferida aberta e purulenta, tinha começado a baixar.
Minha mãe tinha voltado a falar comigo pelo telefone. No começo foram ligações tímidas, com receio de painho escutar na sala, perguntando se eu estava me alimentando direito e se a profissão de professora dava pra pagar o aluguel. Com o tempo, as conversas foram ficando mais leves e afetuosas. Mainha percebeu que eu não tinha virado "uma perdida", como eles tanto profetizavam quando eu fugi de moto aos dezesseis; viu que eu era uma mulher respeitada, independente e que cuidava da minha própria vida. Painho continuava com aquele orgulho bruto do interior, mas o silêncio dele já não me machucava mais.
E sobre a Paula? Mainha me contou numa tarde de domingo que minha irmã tinha terminado a faculdade, arrumado um emprego numa multinacional e se mudado de mala e cuia pro exterior. Morava agora na Europa, postando fotos com casaco de neve e posando de santa cosmopolita. A rivalidade venenosa que quase destruiu a minha adolescência tinha ficado a milhares de quilômetros de distância, do outro lado do oceano Atlântico. Ela que fosse ser feliz bem longe de mim.
A minha vida era aqui. E naquele sábado de primavera ensolarado, o meu único foco era um churrasco que a gente tinha planejado no nosso terraço.
O plano inicial era juntar uma galera maior. A Micaela, uma amiga querida de longa data, acabou mandando mensagem logo cedo se desculpando: o namorado dela, o Fernando — aquele rapaz da área de TI que trabalhava numa empresa grande da cidade —, tinha sido escalado pra um plantão urgente de servidores no fim de semana, e ela acabou viajando pro interior com a sogra. A Roberta e a Bianca, outro casal de amigas que sempre colava com a gente, também não conseguiram ir porque a Bianca tinha virado a noite no pronto-socorro e estava imprestável na cama.
Ou seja: o que era pra ser um churrasco de dez pessoas virou um encontro intimista de quatro. Nós duas, a Flávia e a Lis.
E quer saber? Ficou foi perfeito.
A Flávia e a Lis namoravam há quase três anos e eram as nossas companhias favoritas de rolê. A Flávia tinha vinte e sete anos, era arquiteta, alta, de cabelos castanhos claros que caíam em ondas pelos ombros, uma boca cheia que vivia desenhada com gloss e uma risada expansiva que dominava o ambiente. Já a Lis tinha vinte e cinco, era designer gráfica, baixinha, morena jambo, com a barriga chapada coberta de tatuagens delicadas, quadris redondos e um olhar silencioso, felino, que observava tudo por baixo dos cílios compridos.
As duas tinham uma química vulcânica juntas. E já fazia alguns meses que, entre uma taça de vinho na sala e uma cerveja no barzinho, o ar entre os nossos dois casais ficava elétrico. Não precisava ser nenhum gênio pra perceber: a Flávia secava as minhas pernas quando eu usava vestido curto, a Lis ficava mordendo os lábios quando a Carol explicava coisas de laboratório com aquela voz rouca de veterana, e eu e a Carol, quando ficávamos sozinhas na cama depois desses encontros, sempre acabávamos nos pegando imaginando como seria ter aquelas duas despidas sob as nossas mãos.
Era um desejo maduro, conversado entre mim e a Carol com a maior naturalidade do mundo. A gente não tinha amarras; a gente tinha tesão e segurança de sobra.
Às duas da tarde o sol já estava estalando sobre o terraço.
A Carol estava na churrasqueira, de regata preta, bermuda de sarja e um copo de cerveja artesanal na mão, cuidando da picanha e do queijo coalho com a calma cirúrgica de quem faz titulação em laboratório. Eu tinha preparado uma jarra generosa de caipirinha de maracujá com hortelã e vodca de primeira, vestindo um biquíni cortininha preto minúsculo por baixo de um short jeans desfiado que quase não cobria as polpas da minha bunda.
A Flávia e a Lis chegaram trazendo cerveja gelada e uma caixa de som portátil tocando uma mistura deliciosa de bossa nova moderna e indie pop. A Flávia usava um maiô verde-esmeralda cavado nas costas e uma canga amarrada na cintura; a Lis estava de biquíni vermelho, com as tatuagens da costela reluzindo sob o protetor solar.
— Meu Deus, Rayanne, essa casa de vocês é um refúgio da perdição — a Flávia soltou logo na entrada, me dando dois beijinhos no rosto e descendo as mãos pelas minhas costas nuas, demorando os dedos bem na linha da minha cintura. O toque dela era macio e ligeiramente ousado.
— A perdição quem faz são os convidados, Flavinha — respondi no mesmo tom, piscando pra ela e entregando um copo cheio da caipirinha.
A Lis foi direto cumprimentar a Carol na churrasqueira. Ficou encostada na bancada de mármore, bem perto dela, apoiando o cotovelo e inclinando o corpo pra frente de um jeito que deixava o decote do biquíni vermelho bem à vista da Carol. A Carol não se fez de rogada: deu um gole na cerveja, sustentou o olhar penetrante da Lis e ofereceu um pedaço de queijo coalho tostado com mel direto na ponta do garfo.
A Lis abriu a boca devagarzinho, saboreou o queijo fechando os olhos e limpou uma gotinha de mel no canto do lábio com a ponta do indicador, olhando pra Carol com pura audácia:
— Essa bioquímica tem as mãos abençoadas...
— Você ainda não viu nada — a Carol respondeu, com aquele sorriso de lado que sempre foi a perdição da mulherada.
O calor da tarde foi subindo, e o álcool foi fazendo o trabalho dele.
Depois de comer, fomos as quatro pra ducha fria que ficava encostada no muro do quintal, sob a sombra de um pé de mangueira carregado. A água da ducha caía forte, lavando o suor da pele e grudando os tecidos nos nossos corpos. Eu tirei o short jeans e fiquei só com a calcinha do biquíni cortininha preto. O tecido molhado colou nas curvas da minha bunda e delineou a fenda da minha virilha de um jeito que fez a Flávia engolir em seco enquanto tomava uma chuveirada na minha frente.
— Caralho, Rayanne... você malha essa bunda todo dia, não é possível — a Flávia falou, passando a mão pelo próprio cabelo molhado e dando um passo na minha direção debaixo d'água.
— Três vezes por semana de agachamento pesado, meu bem — respondi rindo, jogando a cabeça pra trás debaixo da ducha. A água escorria pelos meus seios empinados, fazendo os bicos endurecerem no mesmo instante sob o tecido do biquíni.
A Flávia não resistiu. Ela estendeu as duas mãos molhadas e espalmou nas minhas ancas, descendo devagar até a lateral das minhas coxas grossas. Eu não recuei um milímetro. Olhei pro lado da mureta e vi a Carol e a Lis: a Lis estava ensaboando os ombros da Carol com uma esponja macia, com o corpo da Carol colado nas costas dela, as duas rindo baixinho numa intimidade que já não tinha mais volta.
A Carol olhou na minha direção através da névoa de água da ducha. Deu um aceno quase imperceptível com a cabeça e um sorrisinho cúmplice.
Era a senha.
— O sol tá esquentando demais aqui fora... — sussurrei no ouvido da Flávia, sentindo o perfume adocicado da pele molhada dela misturado com o maracujá da caipirinha. — Que tal a gente entrar pro ar-condicionado da sala?
— Eu já estava achando que você nunca ia convidar — a Flávia respondeu, colando a boca quente na curva do meu pescoço e me dando uma mordidinha leve que me fez arfar na hora.
Entramos as quatro pela porta de vidro do terraço. Fechamos as cortinas grossas da sala, ligamos o split no talo e jogamos dois edredons acolchoados e uma montanha de almofadas no centro do tapete felpudo. A sala virou um casulo de penumbra fresca, iluminada apenas pelas frestas de sol que escapavam nas bordas das cortinas e pelo som ambiente que continuava tocando baixo na caixa de som.
A Flávia nem esperou ninguém se sentar. Puxou a canga da cintura, desfez o laço do maiô nas costas e deixou a peça escorregar pelas pernas. Ela tinha um corpo esguio e elegante, com peitos empinados de mamilos rosados e uma cintura desenhada. Ela me puxou pela cintura com as duas mãos e me prensou no chão macio de edredons, caindo por cima de mim.
A boca da Flávia encontrou a minha numa fome que parecia acumulada há meses. Ela beijava com calma, usando a língua quente pra contornar a minha boca antes de mergulhar fundo, gemendo baixinho na minha garganta. Eu passei as mãos pelas costas lisas dela, arranhando de leve com as unhas compridas, sentindo o calor do corpo dela incendiar o meu.
Do nosso lado, a Carol e a Lis já tinham entrado em combustão completa.
A Lis tinha arrancado a regata da Carol e estava de joelhos na frente dela, puxando os cabelos curtos da Carol com uma das mãos enquanto a beijava de língua com uma agressividade deliciosa. A Carol, sempre cirúrgica e segura, desceu as mãos até a calcinha vermelha da Lis e arrancou a peça num puxão só, abrindo as pernas da morena em cima das almofadas. Quando a Carol enfiou dois dedos longos direto na buceta da Lis, a baixinha deu um grito abafado, jogou o quadril pra cima e cravou as unhas nos ombros da Carol, tremendo dos pés à cabeça.
— Meu Deus, Carol... enfia mais... caralho, você é muito rápida... — a Lis gemia alto, enquanto a Carol mantinha um ritmo constante de vaivém, olhando nos olhos dela com aquela frieza gostosa de quem sabe exatamente onde acertar.
A Flávia, vendo a namorada gemer daquele jeito, perdeu completamente o juízo. Ela desceu a boca pelo meu queixo, mordiscou meus mamilos por cima do biquíni molhado até rasgar o lacinho com as próprias mãos, expondo meus peitos grandes no ar frio da sala. A boca dela engoliu meu seio inteiro, sugando com uma pressão que mandava choques elétricos direto pro meio das minhas pernas. Minha buceta já estava encharcada, babando de tesão.
— Deita de costas, Ray... deixa eu ver essa loucura de perto — a Flávia pediu com a voz rouca, afastando o biquíni das minhas pernas e abrindo minhas coxas.
Quando ela viu a minha fenda exposta, brilhando de lubrificação natural no meio da penumbra, a Flávia não teve cerimônia nenhuma. Enterrou a cara na minha virilha.
A língua da Flávia era larga, quente e incansável. Ela começou lambendo desde a entrada do meu ânus até a pontinha do meu clitóris, fazendo um rastro de fogo que me fez cravar os calcanhares no chão e arquear o quadril com força. Ao mesmo tempo, a Lis, que ainda estava recebendo os dedos da Carol, se arrastou pelo colchão e deitou por cima do meu peito, me dando a boca dela molhada de saliva e gemidos pra eu beijar.
Eu estava no paraíso. Rsrs.
Com a boca ocupada na língua da Lis e as mãos agarradas na cintura fina dela, eu sentia a Flávia chupando o meu botão com uma avidez do caralho lá embaixo. A Flávia segurou minhas nádegas com força, puxando a minha bunda contra o rosto dela, enfiando a ponta da língua pra dentro do meu buraquinho enquanto usava os polegares pra abrir meus grandes lábios. Eu não aguentei cinco minutos daquela tortura gostosa: um tremor violento começou nas minhas coxas, o meu útero se contraiu inteiro e eu gozei uma cachoeira na boca da Flávia, gemendo contra a boca da Lis com as unhas enterradas nas costas dela.
— PUTA QUE PARIU! — gritei baixinho, com a visão rodando de tanto prazer.
A Flávia lambeu até o último pingo do meu gozo, ergueu o rosto com a boca reluzindo e sorriu de orelha a orelha, com cara de quem tinha vencido na vida.
Mas o rolê estava longe de terminar. A Carol não deixava ninguém sair ilesa.
A minha mulher puxou a Flávia pelas pernas, virou a arquiteta de quatro no meio das almofadas com a bunda empinada na nossa direção e se posicionou atrás dela. A Flávia tinha uma bunda branquinha e arrebitada, com a bucetinha raspada e ensopada que pulsava no ar. A Carol olhou pra mim por cima do ombro da Flávia:
— Vem cá, Ray. Ajuda aqui.
Eu engatinhei até o lado da Flávia. Segurei no queixo dela, virando o rosto dela pro meu pra beijar a boca dela com gosto do meu próprio mel, enquanto a Carol se ajoelhava atrás da arquiteta. A Carol cuspiu na própria mão, lubrificou os dedos compridos e empurrou dois dedos bem fundo na buceta da Flávia, enquanto com a outra mão começava a massagear o clitóris dela em círculos rápidos.
A Flávia começou a rebolar pra trás no ritmo da Carol, gemendo desesperada na minha boca:
— Carol... caralho... enfia mais fundo... tá gostoso demais, porra!
A Lis, vendo a namorada receber aquela massagem da Carol, não aguentou ficar só olhando. Deitou de costas na minha frente, abriu bem as pernas tatuadas e me puxou pelo cabelo:
— Rayanne... me come também, pelo amor de Deus... não aguento mais esperar!
Eu caí de boca na Lis. A buceta da morena tinha um gosto forte e maravilhoso, temperado de suor e tesão. Enfiei a minha língua com força dentro dela, imitando o ritmo de pistão que a Carol estava fazendo na Flávia. As quatro estávamos completamente entrelaçadas no tapete da sala: eu chupando a Lis com voracidade, a Lis se contorcendo e gemendo com as mãos na minha cabeça, a Flávia gemendo na minha orelha enquanto a Carol fodia a boceta dela com três dedos firmes e lambia as costas suadas da arquiteta.
A sala virou uma orquestra de suspiros, tapas na carne, cheiro de suor misturado com essência de maracujá e o barulho estalado e molhado de quatro mulheres gozando sem pudor nenhum.
A Flávia gozou primeiro, com um grito que ecoou pelo apartamento, travando as pernas e empurrando a bunda com força contra a mão da Carol até amolecer feito gelatina. Poucos segundos depois, a Lis apertou as pernas em volta das minhas têmporas, arqueou a coluna inteira do chão e derramou um jato quente de líquido direto na minha língua, tremendo num orgasmo tão longo que eu precisei segurar as coxas dela pra ela não ter cãibra.
Quando as duas amoleceram, completamente exaustas e arfando no tapete, eu e a Carol nos olhamos.
A Carol estava sentada nos calcanhares, com a respiração ofegante, o cabelo castanho bagunçado na testa e as mãos brilhando de lubrificação. Eu me arrastei pelo chão, sentei no colo dela de frente, encostando a minha buceta molhada na dela, e colei a minha testa na dela.
A Carol segurou o meu rosto com as duas mãos, me deu um beijo profundo, cheio de afeto e de cumplicidade bruta, e sussurrou no meu ouvido com aquela voz rouca que sempre me desmontava:
— Você é a mulher mais gostosa desse mundo, sabia?
— Eu sei, veterana — respondi rindo, mordendo o lábio inferior dela. — E você tem a melhor pegada dessa cidade.
Nos deitamos ali mesmo, as quatro jogadas nos edredons, entrelaçadas feito um ninho de pernas, braços e cabelos bagunçados.
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O fim de tarde caiu devagarzinho pela janela da sala, tingindo as cortinas de laranja e dourado.
Abrimos uma garrafa de espumante gelado que a Carol guardava na adega. Ficamos bebendo deitadas peladas, rindo das histórias da faculdade, comentando sobre o trabalho e planejando a próxima viagem que íamos fazer juntas pra praia. Não havia o menor traço de constrangimento no ar; havia apenas a leveza absoluta de quatro mulheres maduras, donas do próprio corpo e do próprio destino, que sabiam desfrutar da vida sem ter que pedir permissão a homem nenhum.
Ali, recostada no peito firme da Carol com a mão descansando na coxa morna da Lis e a Flávia acariciando meus cabelos, eu me senti invencível.
A garota que um dia pulou o muro de casa aos treze anos pra beijar o vizinho atrás da caixa d'água tinha percorrido uma estrada longa, cheia de curvas e poeira. Eu tinha me libertado dos fantasmas da família, tinha mandado a mediocridade pros quintos dos infernos e tinha construído um lar onde o amor e a liberdade andavam de mãos dadas.
O mundo podia continuar pegando fogo lá fora. Mas no nosso quintal, a chama que ardia era só a do nosso próprio prazer.
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