Cap 5 - Rayanne em Festa da Faculdade
Três anos morando com o Thiago naquele quartinho em cima da oficina mecânica me ensinaram muita coisa sobre a vida.
Aprendi a dividir aluguel, a fazer arroz soltinho numa panela amassada, a dormir com o barulho de compressor de ar ligando às sete da manhã e, acima de tudo, aprendi que um homem trabalhador e de pegada firme pode ser um porto seguro maravilhoso pra uma garota de 16 anos que fugiu de casa sem nada no bolso. O Thiago nunca me deixou faltar nada. Trabalhava de segunda a sábado com as mãos pretas de graxa, me buscava onde eu estivesse na sua CB500 e me comia na cama com um carinho e uma fome que me faziam esquecer qualquer problema de família.
Só que tem um detalhe que ninguém te conta quando você junta as trouxas tão nova: a gente cresce. E às vezes a gente cresce prum lado que não cabe mais no mesmo teto. Rsrs.
Quando completei 19 anos, prestei vestibular e passei pra Geografia na Universidade Federal.
Foi um choque. Pro Thiago, aquilo era um troféu bonito pra colocar na estante — ele comemorou, comprou cerveja, me pegou no colo rindo alto —, mas no fundo ele não tinha a menor ideia do furacão que estava por vir. Eu saí daquele mundinho fechado de bairro operário e caí de cabeça no campus universitário: prédios velhos cheios de grafite, corredores cheirando a cigarro e café passado, debates intermináveis sobre política, sociedade e liberdade, pessoas do país inteiro e uma juventude que pensava anos-luz à frente de qualquer coisa que eu já tivesse visto.
Aos poucos, a distância entre a gente foi virando um abismo.
Eu chegava em casa querendo falar sobre um livro novo que tinha lido, sobre uma discussão acalorada na aula de geopolítica, sobre o mundo lá fora. E o Thiago me olhava cansado, deitado no sofá assistindo ao jornal, com os pés pra cima:
— É, pretinha... bonito isso aí. Mas no fim das contas o que bota comida na mesa é chave de fenda e motor retificado.
Aquilo não era por maldade, era só a realidade dele. Mas aquilo ia me sufocando aos poucos. Para piorar, ele começou a estranhar minhas roupas novas — as saias longas com fenda, as blusas mais despojadas —, começou a reclamar que eu passava muito tempo na biblioteca e passou a fechar a cara toda vez que meu celular tocava com mensagem da turma da faculdade. Aquele homem seguro de 18 anos que tinha me resgatado de moto agora parecia inseguro, desconfiado de que o mundo acadêmico estava roubando a mulher dele.
E estava mesmo. Rsrs.
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A gota d'água começou numa sexta-feira de maio, dia da lendária festa de recepção dos calouros na república *Quilombo*, um casarão antigo de dois andares com quintal enorme que a galera de humanas alugava perto do campus.
O Thiago não quis ir.
— Festa de faculdade, Rayanne? Cheia de playboy de cabelo lambido fumando maconha e falando merda? Tenho mais o que fazer. Amanhã tenho que abrir a oficina cedo pra mexer no cabeçote de uma Falcon. Fica aí comigo, a gente pede uma pizza, abre umas cervejas e depois eu te dou aquele trato na cama.
Olhei pra ele encostado no batente da cozinha, com a bermuda surrada e a chave de fenda na mão. Dois anos atrás aquela proposta seria o paraíso pra mim. Mas naquela noite de sexta-feira, aquilo me soou como uma prisão com grade dourada.
— Eu vou, Thiago. É a festa do meu curso, sou da comissão de organização. Não posso deixar o pessoal na mão.
Ele fechou a cara, jogou a chave na pia com um estalo seco de metal:
— Vai lá então. Mas volta de táxi antes das duas da manhã. Não quero você na rua com essa gente até de madrugada.
Não respondi. Apenas peguei minha bolsa. Eu não recebia ordens de painho aos 16 anos, e com certeza absoluta não ia receber ordens de namorado aos 19.
Coloquei uma saia preta rodada com abertura lateral que mostrava quase a coxa inteira quando eu andava, uma blusinha vermelha de alcinha bem decotada — meus peitos já estavam no auge, fartos e empinados de quem treinava — e uma sandália rasteira confortável. Prendi o cabelo preto num coque meio frouxo, passei batom vinho e saí de casa sentindo o ar fresco da noite me arrepiar a pele.
Quando cheguei na república, o som de reggae e samba-rock já estava tremendo as janelas de madeira. O quintal estava apinhado de gente: fogueira acesa no chão de terra, barril de chope artesanal, fumaça perfumada subindo pro céu estrelado e rodinhas de conversa animadas por todos os cantos. Pessoas se beijando na penumbra sem pudor nenhum, meninos com meninos, meninas com meninas, todo mundo rindo alto. Aquele lugar respirava uma liberdade que fazia meu estômago dar cambalhotas de euforia.
Peguei um copo de cerveja gelada na bancada e fui pra perto da caixa de som. Foi aí que ela apareceu.
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Eu já tinha visto a Carol pelos corredores do Instituto de Biociências. Ela era aluna do terceiro ano de Bioquímica, dois anos mais velha que eu, e tinha uma fama que corria solta: inteligente pra caralho, brilhante nas bancadas de laboratório e com uma postura tão segura e magnética que chamava atenção de qualquer um que passasse por ela. Além do mais, a Carol sempre foi lésbica assumida e convicta: nunca teve relacionamento com nenhum rapaz na vida, não dava a menor moral pros marmanjos do campus que ficavam babando por ela e não fazia a menor questão de disfarçar quem era.
A Carol não era daquelas meninas meigas e arrumadinhas feito a Paula, nem tinha a minha pegada de mulherona curvilínea que parava o trânsito com a bunda empinada. Ela era morena clara, magra, de ombros retos, cabelos escuros cortados num chanel moderno que batia no queixo, olhos amendoados muito expressivos e uma boca desenhada que parecia estar sempre rindo de um segredo que só ela sabia. Vestia uma camisa de botão azul marinho com as mangas dobradas e dois botões abertos no peito, bermuda de sarja e um coturno surrado.
Ela estava encostada na mureta de tijolos do quintal, fumando um cigarro de palha devagarzinho. Quando nossos olhares se cruzaram no meio da fumaça, ela não desviou. Sustentou. Olhou bem no fundo dos meus olhos, deu uma tragada lenta e soltou a fumaça de lado com um sorrisinho de canto que me fez arrepiar a nuca inteira.
Nunca na minha vida uma mulher tinha me olhado daquele jeito.
De homem eu entendia tudo: sabia quando o cara olhava pro meu peito, quando olhava pra minha bunda, quando estava duro fingindo que não estava. Era previsível, era direto, era carnal. Mas o olhar da Carol era diferente: era como se ela estivesse desnudando a minha alma, como se soubesse exatamente toda a inquietação que estava presa dentro de mim.
Aproximei com meu copo na mão, bancando a segura de sempre:
— Fumar cigarro de palha em festa de reggae é quase um clichê, veterana.
Ela riu baixinho. Uma risada rouca, deliciosa de ouvir.
— E caloura bonita de saia vermelha e copo de cerveja barata encarando veterana é o quê, Rayanne?
Meu coração deu um salto. Ela sabia o meu nome.
— É curiosidade — respondi, encostando na mureta do lado dela, perto o suficiente pra sentir o cheiro dela: tabaco suave, lavanda e cerveja fresca. — Falaram muito de você no DA essa semana.
— Falaram mal, espero. As pessoas certas sempre falam mal de mim.
Ficamos conversando ali por quase duas horas. A festa continuava fervendo ao redor, a música mudava, as pessoas passavam gritando, mas pra mim o mundo tinha se estreitado num raio de dois metros em volta daquela mulher. A Carol falava com uma paixão que me hipnotizava: falava de química celular, de como as reações do corpo e os hormônios explicavam coisas que os outros achavam que era magia, e de como a vida era curta demais pra gente se prender a roteiro pronto de família tradicional.
A cada risada dela, ela dava um toque casual no meu braço. Depois colocou a mão na minha cintura pra gente desviar de um rapaz bêbado que tropeçou perto da mureta. Quando os dedos longos e macios dela encostaram na minha pele nua da cintura, por baixo da fenda da blusa, um choque elétrico desceu queimando direto pro meio das minhas pernas.
Minha calcinha encharcou no mesmo segundo. Rsrs. Aquilo era novidade absoluta pra mim.
— Você bebeu demais, caloura. Vamos lá pra dentro pegar uma água — ela falou baixinho, perto do meu ouvido. O hálito quente dela bateu no meu lóbulo e fez minhas pernas amolecerem.
— Vamos — foi tudo que consegui dizer.
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Ela não me levou pra cozinha. Me levou escada acima, pelo corredor escuro do casarão onde a música chegava abafada. Abriu a porta de um quarto no final do corredor — o quarto dela na república —, entrou e bateu a porta, passando a tranca de ferro.
A penumbra tomou conta. Só entrava a luz amarela do poste da rua pela janela de veneziana entreaberta.
Fiquei parada no meio do quarto, com o coração batendo na garganta. A imagem do Thiago no quartinho da oficina veio na minha cabeça por um milésimo de segundo — o namorado fiel, o homem da moto —, mas a eletricidade que estava no ar daquele quarto apagou qualquer resquício de culpa. Eu queria aquilo. Queria com cada poro do meu corpo.
A Carol deu dois passos na minha direção, sem pressa nenhuma. Segurou meu queixo com a mão esquerda, levantou meu rosto e me encarou com aqueles olhos amendoados brilhando na penumbra:
— Você já beijou uma mulher, Rayanne?
— Nunca — confessei com a voz trêmula, pela primeira vez na vida me sentindo desarmada e inexperiente.
— Então relaxa a boca. Deixa comigo.
O beijo não teve nada a ver com beijo de homem. Homem beija com urgência, com força, puxando o ar feito quem vai disputar território. O beijo da Carol foi um veludo quente: os lábios dela eram inacreditavelmente macios, doces, molhados. Ela explorou meus lábios com a ponta da língua devagarzinho, saboreando cada pedaço da minha boca, deslizando entre os meus dentes com uma calma e uma técnica que me fizeram soltar um gemido rouco e puxar o pescoço dela pra mais perto com as duas mãos.
Gente... que delícia absurda! Rsrs. Eu nunca imaginei que uma boca feminina pudesse ter tanto gosto e tanto calor!
Ela desceu as mãos pelas minhas costas, desabotoou o sutiã de renda com uma facilidade impressionante e ergueu minha blusinha de alcinha, deixando meus dois peitos grandes e empinados completamente livres no ar fresco do quarto. A Carol recuou um passo, olhou pra mim com os olhos famintos e passou as duas palmas das mãos nos meus seios, massageando em círculos enquanto eu jogava a cabeça pra trás, arfando.
— Meu Deus, você é gostosa demais, Rayanne... olha esses peitos...
Ela abaixou a cabeça e colocou a boca direto no meu bico esquerdo, sugando com firmeza enquanto a língua dela dançava ao redor da aréola arrepiada. Minhas mãos foram direto pro cabelo curto dela, puxando pra mais perto. A sensação era insana: a suavidade da pele dela, o carinho certeiro onde nenhum homem tinha paciência de ficar por muito tempo.
Ela me conduziu devagar até a cama de solteiro encostada na parede. Me deitou de costas e ajoelhou entre as minhas pernas abertas.
Com as duas mãos, a Carol puxou a minha saia preta até a cintura e engatou os polegares na minha calcinha vermelha, puxando devagar pelas minhas coxas. Quando ela viu a minha fenda exposta, brilhando na penumbra, ela deu um sorrisinho de lado que quase me matou de tesão.
— Encharcada, caloura. Você tava querendo isso tanto quanto eu.
— Carol... por favor... — eu nem sabia o que estava pedindo, só sabia que meu corpo estava em chamas.
Ela não perdeu tempo. Abriu minhas pernas com delicadeza, apoiou as minhas coxas nos ombros magros dela e desceu o rosto direto pro meio de mim.
A primeira lambida dela no meu clitóris me fez arquear a coluna inteira do colchão. Soltei um grito abafado:
— PUTA QUE PARIU!
Era perfeito demais. A língua da Carol sabia exatamente a pressão, o ritmo, o ponto onde tudo queimava. Ela não tinha pressa nenhuma: lambia de baixo pra cima, sugava o meu botãozinho com a boca quente enquanto enfiava dois dedos longos dentro da minha buceta, bombeando num ritmo compassado que me tirava completamente a respiração.
O barulho molhado ecoava no quarto pequeno. Eu rebolava sem controle contra a boca dela, fincando os dedos nos lençóis, com a boca aberta babando de prazer. Eu nunca tinha gozado daquele jeito: com homem o gozo era uma pancada violenta, mas com ela foi uma onda profunda, que começou lá no fundo do meu útero, se espalhou pelas minhas coxas em tremores incontroláveis e me fez espirrar líquido quente enquanto gritava o nome dela:
— CAROL! CARALHO, CAROL! TÔ GOZANDO!
Ela não parou. Continuou sugando o meu clitóris com ternura durante todo o espasmo, engolindo tudo o que eu tinha, até que meu corpo relaxou completamente na cama, tremendo dos pés à cabeça, com o peito subindo e descendo desgovernado.
A Carol subiu por cima de mim, com a boca toda molhada do meu gosto, e me deu um beijo longo, misturando a saliva dela com o meu próprio mel. Eu me senti a mulher mais viva da face da Terra.
Depois disso, foi a minha vez. Puxei a camisa de botão dela, abri a bermuda e a fiz deitar de costas. Me enfiei no meio das pernas dela com toda a fome que eu tinha guardada. Queria provar do mesmo veneno. Descobri cada cantinho da buceta dela com a minha língua, com o meu dedo, escutando ela gemer baixinho com as mãos cravadas na minha nuca até que ela gozou tremendo o quadril todo contra a minha cara.
A gente ficou deitada naquela cama estreita por horas, nuas, suadas, fumando o resto do cigarro dela e olhando pro teto sem pressa nenhuma de voltar pro mundo real.
Ali, deitada com a cabeça no peito da Carol, eu soube: o Thiago pertencia ao meu passado.
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Voltei pro quartinho da oficina às sete da manhã de sábado, num táxi da praça.
O portão de ferro da oficina já estava aberto. O compressor de ar estava ligado, fazendo aquele barulho ensurdecedor. O Thiago estava debaixo de um carro, de macacão azul manchado de óleo. Quando ele escutou o barulho dos meus passos na escada de ferro, ele saiu debaixo do carro, enxugou as mãos num pano imundo e subiu atrás de mim.
Entrou no quarto com a cara fechada, os olhos pesados de quem tinha passado a noite em claro me esperando:
— Que porra de hora é essa, Rayanne? Onde você tava?
Olhei em volta pro quarto pequeno: a cama onde eu tinha perdido a virgindade anal, a mesinha com a cafeteira velha, as roupas dele jogadas no cesto. Senti um aperto fundo no peito, uma gratidão sincera por tudo o que aquele rapaz tinha feito por mim quando ninguém mais me quis. Mas eu não ia mentir pra ele. Eu nunca fui mulher de fingimento.
— Tava na festa, Thiago. E depois fui pro quarto de uma pessoa.
Ele arregalou os olhos. A cor sumiu do rosto moreno dele:
— Como é que é? Você tá me dizendo que me traiu com um daqueles moleques de faculdade?
— Não foi com moleque nenhum — respondi com a voz firme, calma, olhando bem nos olhos dele. — Foi com uma mulher. Mas isso nem importa mais. O que importa é que a gente acabou aqui, Thiago.
O Thiago ficou mudo. Olhou pra mim como se não estivesse me reconhecendo. Deu um soco na porta do armário com tanta força que a madeira estalou, a voz dele saindo embargada de raiva e mágoa:
— Três anos, Rayanne! Três anos que eu te dei teto, comida, respeito, fechei a porta da minha família pra ficar contigo! E você joga tudo no lixo por causa de vidinha de faculdade?!
Cheguei perto dele, tentei colocar a mão no braço dele, mas ele recuou com nojo.
— Eu nunca vou esquecer o que você fez por mim, Thiago. De verdade. Você foi o meu primeiro homem, me ensinou a ser livre. Mas a minha vida mudou. Eu não caibo mais aqui dentro dessa oficina. Se eu ficar com você por comodismo, vou te trair de novo e a gente vai se odiar. É melhor parar enquanto ainda existe respeito.
Ele virou as costas pra mim, com a cabeça baixa, os ombros largos tremendo de raiva contida:
— Pega as tuas coisas e some daqui antes que eu perca a minha cabeça.
Não discuti. Peguei a mesma mochila grande que eu tinha usado três anos atrás pra fugir da casa de painho. Enfiei minhas roupas, meus livros da faculdade, meus cadernos e meus perfumes. Deixei a cópia da chave na mesinha de centro.
Desci a escada de ferro sem olhar pra trás.
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Naquela mesma tarde, dei entrada no pedido de moradia estudantil e consegui uma vaga no alojamento público da universidade — um quarto compartilhado simples, com beliche e escrivaninha de madeira, que ficava dentro do campus.
A Carol queria que eu fosse morar com ela na república de cara. Me chamou, disse que tinha espaço, que a gente podia viver juntas. Mas eu recusei com um beijo na boca e uma piscadinha de canto.
— Calma, veterana. Rsrs. Acabei de me livrar de uma coleira, não vou botar outra agora no pescoço. A gente se vê nas aulas e se pega nos fins de semana.
Eu tinha 19 anos, morava dentro da faculdade pública, tinha descoberto o prazer de beijar e foder mulheres, e o mundo inteiro estava aberto na minha frente feito uma estrada sem placa de pare.
O Thiago ficou no passado com a sua oficina e a sua moto azul. Mas a vida... a vida estava apenas começando a esquentar.
Até a próxima, queridos!
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Comentários (2)
Eróticobam: Que raba linda
Responder↴ • uid:1coc9naw8yp5CassDS: Fala seus safados e safadas, lembrem de comentar!
Responder↴ • uid:1donb320ytrw