Cap 3 - Rayanne em O Garoto da Moto (spin-off)
Eu devia ter uns quinze pra dezesseis anos quando o Thiago apareceu na minha vida.
Estava na porta do colégio numa tarde de quarta-feira, esperando a Paula terminar a aula de reforço de matemática. Fiquei lá encostada no muro de fora, de short jeans e blusa de alcinha, olhando o movimento da rua. Foi quando escutei o barulho de uma moto freando perto da calçada — uma Honda CB500 azul com espelho quebrado do lado esquerdo. O cara em cima dela tirou o capacete, sacudiu o cabelo pro lado, e foi aí que eu vi: dezoito anos, moreno, cabelo escuro ondulado, braços de quem trabalha com as mãos e um sorrisinho no canto da boca como se ele soubesse exatamente o efeito que causava.
Ele veio pegar a irmã mais nova. A garota pulou na garupa e foram embora. Mas antes de ligar o motor, ele me olhou. Não um olhar de curiosidade. Um olhar de quem já decidiu alguma coisa.
Abaixei os olhos e fingi que não tinha visto nada. Mas a minha calcinha contou outra história. Rsrs.
— Rayanne, vamos embora! — a Paula apareceu com a mochila, toda suada. — Você tá bem?
— Tô ótima — respondi. — Vamos.
O Cass era um menino bonitinho. Aquele era outra história.
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Ele se chamava Thiago. Fiquei sabendo pelo nome porque a irmã dele andava na mesma escola que a gente. Me aproximei dela na semana seguinte com o papo mais casual do mundo. Em três dias já sabia tudo: dezoito anos, colégio terminado no ano anterior, trabalhava na oficina mecânica do pai. E estava solteiro.
Rsrs.
A primeira vez que falamos de verdade foi numa praça perto da escola. Ele apareceu com um amigo, de regata preta e mão ainda manchada de graxa de oficina. Veio direto na minha direção.
— Você é a que fica esperando na porta todo dia de quarta, né? — disse sem rodeio.
— Depende de quem quer saber — respondi, sustentando o olhar.
Ele deu aquele sorrisinho de canto e sentou na mureta do meu lado como se a gente já se conhecesse há anos. Ficamos conversando quase duas horas. Ele não tinha aquela afobação de menino que eu conhecia tão bem — aquela pressa de impressionar que o Cass tinha quando ficava nervoso perto de mim. O Thiago falava devagar, me olhava nos olhos enquanto eu falava, tinha aquele jeito de homem que sabe o que quer e não precisa correr.
Fui pra casa com o estômago revirado de um jeito que eu não sabia direito nomear.
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Em duas semanas a gente já estava trocando bilhetinhos pela irmã dele. Não tinha celular pra todo mundo naquela época, funcionava assim mesmo. Ele escrevia com letra torta, mas o que dizia era sempre direto.
*"Você é diferente de qualquer menina que conheci."*
*"Você vai sair comigo no sábado?"*
Fui. Claro que fui.
Não contei pra ninguém em casa. Painho era daquele tipo de pai que preferia não saber. A Paula... bem, a Paula eu deixei fora disso por razão simples: ela era grudada em mim e contava tudo pra mainha de olho fechado.
No sábado, disse que ia dormir na casa de uma amiga. Painho perguntou o endereço, inventei um qualquer e fui.
Thiago me esperava na praça com a moto. Me deu o capacete sem nem perguntar — só encostou na minha cabeça e apertou a tira no queixo, cuidadoso. Aquilo me desarmou de um jeito que eu não esperava de mim mesma.
Fomos numa lanchonete afastada. Na volta, ele parou a moto a duas quadras de casa pra não arriscar. Fiquei na garupa olhando pro pescoço dele um segundo.
— Semana que vem? — ele perguntou, sem se virar.
— Semana que vem — confirmei.
Fui pra casa sorrindo pra calçada vazia feito uma boba. Nunca tinha feito isso por causa de ninguém.
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O namoro foi sendo construído assim, nas frestas que a gente encontrava. Praça, lanchonete, uma tarde escondida na garagem da oficina dele quando o pai tinha saído mais cedo. Foi nessa tarde da garagem que a gente se beijou de verdade pela primeira vez.
Estávamos os dois sentados num banco velho de madeira encostado na parede de concreto, com aquele cheiro forte de óleo e metal no ar. Ele tinha lavado as mãos mas os dedos ainda tinham aquela coloração escura nas frestas. A gente ficou um bom tempo conversando com os ombros colados, sem nenhuma pressa. Até que ele parou no meio de uma frase, virou o rosto pra mim e me olhou por uns três segundos.
Aí me beijou.
Mas foi diferente de tudo que eu conhecia. Sem afobação, sem aquela fome desesperada de menino querendo provar alguma coisa. Devagar, com a mão passando pela minha bochecha, como se ele tivesse todo o tempo do mundo. Quando a gente parou, eu estava com o coração na garganta e a respiração curta.
— Boa — ele falou baixinho, com aquele sorrisinho.
— Boa? — repeti, ainda meio atordoada.
— Você beija bem.
Dei uma risada sem jeito que não era minha cara nenhuma. Rsrs.
Mas os segredos sempre vazam.
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Foi a Paula que entregou. Até hoje não sei se foi acidente ou escolha.
Era um domingo de almoço em família. Eu estava tirando a mesa, a Paula jogava conversa com mainha na cozinha. E de repente ela falou numa voz de quem não quer nada:
— Mainha, aquela amiga que a Ray foi dormir umas três vezes esse mês... como é o nome dela mesmo?
Me virei devagar no corredor segurando dois pratos. Olhei pra cara dela pela janela da cozinha. Ela fingia que olhava pra pia, mas eu conhecia aquele sorriso microscopicamente satisfeito no canto do lábio dela. A sonsa sabia exatamente o que estava fazendo.
Naquela tarde painho soube tudo. A briga foi feia. Ele não levantou a mão — nunca levantou —, mas a voz dele pesava mais que qualquer tapa. Falou que menino de dezoito anos não ronda menina de dezesseis por bondade. Que mecânico de oficina não tem futuro. Que eu ia estragar minha vida.
Fui pro quarto sem comer. A Paula ficou quietinha na outra cama, fingindo que estudava.
— Por que você fez isso? — perguntei no escuro.
Ela demorou um segundo.
— Eu não fiz nada. Só perguntei o nome de uma amiga.
Virei pra parede.
Entendi naquela hora uma coisa: a Paula estava com ciúme. Não do Thiago. Desde que eu tinha sumido das noites no muro com o Cass, ela tinha ficado diferente — mais quieta, mais grudada em mainha, mais observadora. Aquela entrega na hora do almoço não foi descuido. Foi a irmãzinha geniosa querendo me botar de volta no quintal onde ela podia me ter por perto. Guardei isso pra mim. Esse assunto ficaria pra depois.
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Painho proibiu. Claro. Mas proibição sempre foi combustível pra mim.
Continuei vendo o Thiago, só com mais cuidado. E foi numa tarde do começo de 2006, com o calor do verão no pico, que aconteceu.
A mãe dele tinha viajado pro interior. O pai estava na oficina. A irmã tinha ido dormir na casa de uma amiga — combinação arranjada entre a gente, claro. A casa estava vazia a tarde toda.
Disse que ia estudar na biblioteca. Painho acenou sem perguntar.
Cheguei às duas da tarde. Ele abriu a porta de camiseta e bermuda, descalço, com aquele jeito calmo de sempre. A casa cheirava a café passado. Ele tinha colocado um som baixinho na sala.
Ficamos sentados no sofá conversando por uns vinte minutos. Mas a tensão estava lá debaixo de tudo — aquela pressão no ar que a gente sente quando sabe que vai acontecer alguma coisa e os dois estão esperando o momento certo sem precisar falar.
Quando ele virou o rosto pra mim, não tinha mais nada pra conversar.
O beijo foi devagar, as mãos dele no meu rosto. Eu, que sempre conduzi tudo, me vi simplesmente deixando acontecer. Era estranho não ser eu no controle. Mas era bom. Muito bom.
Fomos pro quarto dele sem pressa. Ele fechou a janela com veneziana e o quarto ficou meio na penumbra, o calor ainda pesado no ar. Fiquei em pé na beira da cama enquanto ele levantava a minha blusa de alcinha bem devagar por cima da cabeça. Olhou pra mim um segundo — o sutiã de renda bege, a cintura, os meus peitos —, e deu aquele sorrisinho.
— Você é bonita demais — falou, como se fosse algo simples de constatar.
Quis dizer alguma coisa safada, alguma resposta na ponta da língua como eu sempre tinha. Mas não saiu nada. Rsrs.
Ele me deitou na cama com cuidado. Desceu beijos pelo meu pescoço, pela clavícula, pelos meus peitos. Tirou meu sutiã com uma mão só — prático esse Thiago, rsrs — e colocou a boca no meu bico. Gemi sem querer. Aquilo foi direto pro meio das minhas pernas.
Quando ele desceu a mão pelo meu short e encostou os dedos na minha calcinha, eu já estava completamente encharcada. Ele esfregou por cima primeiro, devagar, com aquele controle que me enlouquecia, até que eu segurei o pulso dele e empurrei mais.
— Vai lá, não fica me atentando — falei ofegante.
Ele riu baixinho, afastou a calcinha de lado e passou o dedo lentamente pela minha fenda. Eu mordi o lábio pra não gemer alto demais. Era a primeira vez que um homem de verdade tocava lá, e a diferença pra tudo que eu já tinha feito antes era absurda. Ele sabia o que estava fazendo, mexia no lugar certo com a pressão certa, e em dois minutos eu já estava com as pernas tremendo.
— Thiago... — chamei.
— Já — ele respondeu, como se tivesse lido meu pensamento.
Tirou a bermuda e a cueca. Foi a primeira vez que vi um pau de homem de verdade, adulto. Era bem maior do que eu estava acostumada a imaginar. Senti um aperto misturado de vontade e ansiedade.
Ele pegou uma camisinha da gaveta da mesinha de cabeceira — preparado, rsrs —, colocou com calma, e se posicionou em cima de mim. Ficou me olhando por um segundo.
— Se quiser parar, fala — disse.
— Não vou querer parar — respondi.
Ele foi devagar. Entrou um pouco e parou, esperando eu me acostumar. Entrou mais um pouco e parou de novo. Doeu sim, uma dor aguda e apertada que me fez fechar os olhos e segurar o lençol com as duas mãos. Mas ele não apressou nada — ficou parado, me beijando o rosto e o pescoço, esperando eu relaxar.
Quando a dor foi cedendo, a sensação que ficou no lugar foi uma coisa que eu não tinha palavra pra descrever. Aquela quentura dentro de mim, o peso dele, a fricção quando ele começou a se mover devagarzinho. Era cheio. Era intenso. Era uma coisa completamente diferente de tudo que eu achava que sabia sobre sexo.
Ele foi aumentando o ritmo conforme eu relaxava, e lá pela metade eu já estava com as pernas enroladas na cintura dele puxando pra dentro, gemendo sem nenhuma cerimônia. Ele socava com uma cadência certa, firme, olhando pra minha cara o tempo todo.
— Tá bom? — ele perguntou uma vez, ofegante.
— Não para — foi tudo que eu consegui falar.
Quando eu gozei foi uma surpresa total. Aquela contração toda de dentro pra fora que me deixou com os dedos cravados nos ombros dele e uma vontade de gritar que segurei mordendo o lábio. Logo depois ele também gozou, com um gemido rouco e aquele espasmo que eu já conhecia bem pelo lado de fora mas nunca tinha sentido assim, com ele dentro de mim.
Ficamos deitados por um tempo sem falar nada. Ele ainda com a mão na minha cintura, o ar parado e quente do quarto, o som longe da rua lá fora.
Não senti aquela vontade de dar uma piscadinha e sair falando "vai ficar querendo, bobinho" não. Senti vontade de ficar. De não me mover. De guardar aquilo por um minuto antes de o mundo entrar de volta.
Rsrs. Eu mesma não me reconheci.
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Na semana da Copa do Mundo, o Thiago me chamou pra assistir o Brasil contra a França na casa dele. Fui, claro.
Enquanto eu estava lá no sofá dele com o guaraná gelado e o Brasil levando dois gols, o Cass estava dois quarteirões atrás deixando a Paula pintar a cara dele de verde e amarelo na calçada da nossa rua. Cada um no seu mundo.
A gente perdeu a Copa naquele dia. Mas eu nem liguei muito. Tinha outras coisas na cabeça. Rsrs.
Alguma coisa tinha mudado em mim depois daquela tarde no quarto do Thiago. Eu ainda era a mesma Rayanne por fora — direta, sem frescura, sem pedir licença pra ninguém. Mas por dentro tinha entrado uma coisa nova. Tinha provado algo diferente e agora sabia que existia. E o que a gente estava começando a construir ali, juntos, tinha um gosto que não sai.
Até a próxima!
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