#Assédio #Estupro #Sado #Voyeur

Puteiro de Garimpo - Parte 15 - Escravidão

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AnãoJediManco

O nome dela é Rebeca.
Trinta e um anos. Cicatriz antiga no ventre, de um parto que não vingou anos antes de chegar ao Barracão. Sempre foi uma das mais quietas. Trabalhava quando mandavam, engolia o que tinham que engolir, raramente falava nos fundos. Acreditava que, se ficasse invisível o suficiente, o pior passaria por cima dela e pegaria outra.
Até Marisa apontar. Desde o momento em que o nome dela saiu da boca da mãe da loirinha, algo se quebrou dentro de Rebeca. Não foi só medo, foi ódio. Ódio puro, concentrado, direcionado. Ódio de Marisa por ter escolhido. Ódio de si mesma por ter sido escolhida. Ódio de Nestor, do Barracão, dos homens, da vida que a trouxe até ali. O ódio é a única coisa que ainda tem energia de manhã, quando a acordam antes do sol forte e mandam para o garimpo.
O trabalho é exatamente o que Nestor prometeu, braçal, nua, enquanto houver luz.
Ela carrega baldes de cascalho até as balsas. A ida é pesada, a volta é pior, porque o corpo já está tremendo. Cava quando mandam cavar, empurra carroça improvisada quando falta homem. O sol da Amazônia não perdoa. Em poucas horas a pele fica vermelha, depois começa a queimar de verdade. O suor escorre pelos seios, pela barriga, pela cicatriz, escorre entre as nádegas e pelas coxas. A lama gruda nos pés, sobe pelas canelas, seca e racha.
O cansaço chega cedo e não vai embora. Não é o cansaço de uma noite mal dormida. É o cansaço que desce até o osso. Os braços doem de um jeito profundo, as costas queimam, as mãos, que já não estavam boas, ficam esfoladas e rachadas. Quando para pôr alguns minutos, o corpo inteiro treme. Às vezes a visão escurece. Ela aprende rápido a não desmaiar na frente dos homens. Desmaiar significa chute, ou coisa muito pior.
A humilhação é constante e grátis. Ela trabalha nua no meio de dezenas de homens. Não há como se cobrir, não há como esconder o peito quando carrega o balde. Não há como impedir que olhem para baixo quando ela se curva para pegar mais cascalho. Os comentários vêm o dia inteiro:
— Olha a substituta.
— A mãe da loirinha escolheu bem. Essa ainda aguenta.
— Quando acabar o dia eu quero essa boceta.
— Trabalha mais rápido, puta. Tá achando que é passeio?
Alguns apertam quando ela passa perto demais. Outros cospe perto dos pés dela. Um homem chega a mijar na lama em que ela está ajoelhada, só para ver se ela reclama. Ela não reclama, só continua. O medo anda junto com o ódio.
Medo de não aguentar os sete dias, medo de cair e não conseguir levantar, medo de que, no fim da semana, Nestor decida que ela prestou tão bem no garimpo que pode continuar ali. Medo de olhar para Marisa quando tudo acabar e não conseguir esconder o que sente. Porque Rebeca já sabe, quando as duas se encontrarem de novo nos fundos, o ódio vai estar estampado no rosto dela, e parte dela quer que esteja.
À noite, quando finalmente a mandam de volta, ela quase não consegue andar. Chega nos fundos suja de lama, suor e poeira, as mãos sangrando, a pele queimada de sol. Come o que dão, bebe o que tem. Deita-se no colchão e fica olhando o teto escuro, o corpo inteiro latejando. Dentro da cabeça, a mesma frase se repete. Foi ela que apontou, foi ela. E Rebeca carrega esse ódio como se fosse a única coisa que ainda a mantém de pé sob o sol do dia seguinte.
Os dias de Rebeca no garimpo se arrastam iguais e cada vez piores. Ela acorda ainda no escuro, já doendo, e é empurrada para a área de trabalho antes do sol esquentar de verdade. Nua, sempre nua. A lama sobe até a canela assim que ela dá os primeiros passos. Em poucas horas o corpo inteiro está coberto, braços, peito, barriga, coxas, rosto. O suor risca caminhos claros na sujeira. O cansaço vem cedo e se instala fundo, nos músculos, nas juntas, atrás dos olhos.
O trabalho pesado nunca vem sozinho. Quando ela demora para encher um balde, ou quando a força nos braços falha e o cascalho cai, a punição é imediata. Um dos homens pega um cipó fino e flexível e desfere chicotadas nas coxas e nas nádegas. O estalo é seco, uma dor quente e rápida, as marcas incham em minutos. Se o atraso é maior, trocam o cipó pelo chicote de couro velho. Aí a dor fica mais funda, mais demorada. Rebeca aprende a não gritar alto demais. Gritar atrai mais atenção, atenção significa mais chicote e mais castigo. E o pior acontece várias vezes ao dia.
Não existe horário protegido. No meio da lama, enquanto ela está de joelhos tentando juntar o que caiu do balde, um homem se aproxima, abre a calça e a usa ali mesmo. Às vezes é rápido, enfia, goza, sai. Outras vezes é demorado e bruto. Empurram o rosto dela na lama enquanto metem. Seguram os pulsos atrás das costas, um deles usa o cabo de uma pá para abrir a boca dela antes de enfiar o pau. Outro, irritado porque ela está “mole demais” de tanto cansaço, desfere tapas no rosto até a boca sangrar e só então continua.
Eles não se contentam só com o corpo. Usam as ferramentas do trabalho para tornar tudo mais difícil e mais humilhante. Um dia amarram os pulsos dela com arame fino na alça do balde, obrigando-a a carregar o peso daquele jeito, os dedos inchando. Outro dia forçam um pedaço de mangueira grossa no cu dela e mandam continuar trabalhando com o objeto dentro, cada passo uma dor nova. Tem homem que esfrega terra e cascalho na boceta dela “pra ela aprender a não demorar”. Tem homem que faz ela engatinhar puxando uma corda amarrada nos próprios seios, só para o resto do grupo rir. A humilhação vira rotina.
Rebeca para de reagir com expressão. O rosto fica vazio, o ódio, esse, continua vivo e quieto dentro do peito. Cada chicoteada, cada estupro na lama, cada vez que usam uma ferramenta no corpo dela, o ódio contra Marisa cresce um pouco mais. Foi ela que apontou, foi ela que preferiu o pau de arara com a filha e mandou outra no lugar. Rebeca carrega essa frase junto com os baldes, junto com a lama, junto com a porra que escorre pelas coxas enquanto ela tenta voltar a encher o próximo volume de cascalho.
No fim de cada dia ela quase não anda. Chega aos fundos arrastando as pernas, o corpo inteiro marcado de chicote, lama, arranhões e residual de homens. Ela tem fome, sede, bebe o que dão. Deita e fecha os olhos sabendo que amanhã começa tudo de novo. E ainda faltam dias, intermináveis dias em que o sol não perdoa, e os homens também não.
O sétimo dia de Rebeca no garimpo amanhece igual aos outros, só que o corpo dela já não é o mesmo. Ela está irreconhecível. Magra demais em poucos dias, a pele queimada de sol em várias camadas, rachada nos ombros e no nariz, os olhos fundos, os lábios partidos, as mãos são dois pedaços de carne esfolada e suja. A cada passo a lama parece mais pesada. No meio da manhã, o cansaço passa de qualquer limite suportável, ela sente o calor escorrer pelas pernas e só depois percebe que se mijou em pé, sem conseguir segurar. Ninguém comenta, só riem e mandam continuar.
O dia inteiro é uma sequência de baldes, chicote quando demora, e homens que a usam na lama sempre que têm vontade. Quando o sol finalmente começa a baixar, Rebeca acha que acabou. As pernas não seguram mais. O corpo inteiro treme de cansaço. Ela quase chora de alívio só de imaginar o colchão sujo dos fundos.
É então que um dos capangas de Nestor aparece.
— Ainda não terminou. Castigo extra do último dia, vem que você vai descobrir agora.
Eles a levam até uma escavadeira parada na beira da área de trabalho. A concha está elevada, a uns dois metros do chão. Dois homens sobem, amarram cordas grossas em volta da base dos seios de Rebeca, bem apertado, e prendem as pontas na concha. Depois a erguem.
O que acontece quando o peso do corpo inteiro passa a ser sustentado só pelos peitos é uma dor que ela nunca tinha sentido.
Não é uma dor aguda e rápida. É uma dor profunda, de tecido sendo puxado além do limite, de pele e gordura e glândula suportando um peso que não foram feitos para carregar. Os seios esticam para baixo de um jeito grotesco, alongados, roxos na base onde a corda aperta. A cada respiração a dor lateja. A cada mínimo balanço a sensação é de que a carne vai rasgar. Os mamilos apontam para baixo, distendidos. Em poucos minutos os olhos de Rebeca enchem de lágrimas que ela não consegue mais segurar. A respiração vira ofegante. O pânico sobe junto com a dor, medo de que a pele realmente se rompa, medo de desmaiar e o peso ficar ainda pior, medo de que a corda escorregue e arranque tudo.
Eles a deixam ali.
Lá embaixo, os homens acendem o fogo. Começam a assar carne, abrem cachaça. O cheiro do churrasco sobe forte, misturado com fumaça e gordura queimada. Rebeca, pendurada pelos peitos, com fome de dias, sente o estômago revirar de dor e de desejo ao mesmo tempo. A saliva corre na boca, e ódio também.
Ela fica olhando. Os homens comem, bebem, riem, apontam para cima de vez em quando.
— Olha a puta pendurada.
— Se os peitos rasgarem a gente avisa.
— Cheiro de carne tá bom, né, sua vagabunda?
A dor só aumenta com o tempo. Os seios ficam mais roxos. A corda parece mais apertada. Cada minuto que passa é uma eternidade de peso concentrado em dois pontos do corpo. Rebeca tenta ficar o mais imóvel possível, porque qualquer movimento piora tudo. Mesmo assim o corpo balança leve com a respiração. E cada balanço é uma facada.
A noite avança, o fogo ilumina o rosto dela de baixo para cima, distorcido de dor. Ela não pede mais para descer. Já entendeu que não adianta. Só fica ali, pendurada pelos peitos, com fome, com sede, com a bexiga falhando de novo, com o ódio queimando mais forte que a dor. O ódio de Marisa, ódio de ter sido escolhida, de ainda estar viva para sentir tudo isso.
Lá embaixo o churrasco continua. Lá em cima, Rebeca balança leve na escuridão, sustentada apenas pela carne dos próprios seios, esperando a madrugada e o momento em que finalmente cortem as cordas. Se ainda houver seios o bastante para cortar.

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