Puteiro de Garimpo - Parte 6 - Exposição
É final de madrugada quando o barulho do motor corta o silêncio pesado do garimpo. Um carro antigo, coberto de lama, para na frente do Barracão das Sombras. Os faróis ainda acesos iluminam a porta principal. Seu Nestor sai de dentro do puteiro ainda de camisa aberta, o revólver na cintura, os olhos enternecidos de sono e cachaça. Dois homens armados descem do carro. Do banco de trás puxam uma jovem.
Ela está nua. As mãos amarradas atrás das costas com corda grossa. O corpo inteiro treme, não só de frio. O cabelo despenteado gruda no rosto molhado de lágrimas e suor. Os olhos estão arregalados, desorientados, cheios de pavor. Marcas vermelhas nos pulsos e nos braços mostram que ela lutou. Há sujeira de estrada nas coxas e nos joelhos. Ela tenta se cobrir com o próprio corpo, mas as amarras não permitem.
Nestor olha para ela como quem confere mercadoria que acabou de chegar.
— Essa é a filha do caloteiro?
Um dos homens acena com a cabeça.
— O pai não pagou, então agora você é minha.
Nestor cospe no chão e faz um gesto curto com a mão.
— Leva pro fundo. Joga junto com as outras, depois a gente vê o preço.
Os homens a empurram para dentro do Barracão. Ela tropeça, quase cai, mas é segurada pelo cabelo e forçada a continuar. Passam pelo salão ainda semiescuro, onde sobram poucos homens bêbados e o cheiro de sexo da noite. A jovem tenta falar, a voz sai quebrada, alta demais:
— Por favor… eu não tenho nada a ver com isso… meu pai… eu não sabia…
Ninguém responde.
A porta dos fundos se abre. Ela é empurrada para dentro do cômodo onde as outras mulheres estão. O impacto faz várias se levantarem. Marisa e Jéssica, ainda deitadas no mesmo colchão, erguem o corpo na hora. Os olhos da recém-chegada encontram os delas por um segundo. O pavor é puro, ainda não misturado com a resignação que as outras já carregam.
Nestor entra logo atrás. Na mão ele traz correntes grossas, dois cadeados pesados e um par de algemas de metal. Sem dizer nada, corta a corda que prende os pulsos da jovem com um estilete. Antes que ela possa reagir, as algemas são fechadas nos pulsos dela, apertadas até a pele ficar branca. Em seguida ele se agacha, passa as correntes em volta dos tornozelos dela e tranca os cadeados com um estalo seco. O peso do metal faz a jovem cambalear.
— Aqui você não corre, ele fala, voz baixa, quase casual. As correntes ficam, as algemas também, por enquanto. Depois a gente vê se você aprende rápido.
A jovem olha para as correntes nos pés, depois para as algemas, depois para as mulheres ao redor. O corpo dela continua tremendo. A voz sai num fio desesperado:
— Eu quero ir embora… por favor… isso é um erro…
Nestor já está virado para a porta. Nem olha para trás.
— Erro foi do seu pai. Agora você paga.
A porta se fecha. O cadeado do lado de fora é travado de novo.
A jovem fica parada no meio do cômodo, nua, algemada, com as correntes arrastando no chão a cada pequeno movimento. As outras mulheres a observam em silêncio. Algumas com pena, outras com o olhar vazio de quem já viu essa cena vezes demais. Marisa e Jéssica não desviam o olhar. Elas sabem exatamente o que aquela menina ainda não sabe.
Que a partir daquele momento, a vida que ela tinha lá fora acabou. E que o Barracão das Sombras acabou de ganhar mais uma.
A jovem continua parada no meio do cômodo, as correntes arrastando levemente no chão cada vez que ela treme. Os olhos vão de um rosto para o outro, desesperados, procurando qualquer sinal de saída. A respiração dela está curta, quase em pânico.
É a mulher das queimaduras quem se mexe primeiro. Levanta-se devagar, aproxima-se com as mãos visíveis, como quem se aproxima de um animal assustado.
— Ei… respira, devagar. Se você continuar gritando ou tentando correr com essas correntes, eles vão ouvir. E se ouvirem, vem castigo extra. Entendeu?
A jovem se engasga com o próprio choro.
— Eu quero ir embora… isso não é comigo… meu pai… eu não fiz nada…
Marisa se levanta também, ainda dolorida, e fala baixo, firme:
— A gente sabe. Todas aqui sabem. Mas agora você está aqui, se fizer barulho, eles vão te machucar mais do que já vão. Fica quieta, senta-se, respira.
Jéssica se aproxima mais devagar, o olhar ainda marcado pela própria dor. Oferece a mão sem tocar.
— Vem. Senta aqui com a gente. Por favor.
A jovem hesita longos segundos. Depois, as pernas desistem e ela se deixa guiar até um colchão livre. As correntes tilintam quando ela se senta. As algemas mantêm os pulsos juntos na frente do corpo. Ela puxa os joelhos contra o peito, tentando se cobrir, e chora em silêncio agora, o corpo inteiro abalado por soluços contidos.
As mulheres formam um círculo solto ao redor dela. Não por carinho vazio, por experiência. Todas sabem que o pânico atrai atenção. E atenção, ali, sempre custa caro.
A mulher das queimaduras se agacha na frente da moça.
— Qual seu nome?
A jovem demora a responder. Quando fala, a voz sai trêmula, quase infantil de tão assustada:
— L… Larissa.
— De onde você veio, Larissa?
— Minas… Minas Gerais. Do interior, uma cidade pequena… perto de Governador Valadares.
Ela engole seco, as lágrimas continuando a descer.
— Meu pai trabalha com gado. Teve dívida… eu nem sabia de verdade. Só ouvia discussão. Ontem à noite… homens entraram em casa. Seguraram minha mãe. Meu pai só ficava olhando pro chão. Eles me arrancaram da cama e me tiraram minha roupa ainda lá. Me amarraram, jogaram numa caminhonete. Eu gritei o caminho inteiro, ninguém parou.
A voz dela falha. Ela aperta mais os joelhos contra o peito.
— Eu nunca… eu nunca fiquei com ninguém. Nunca namorei, nunca beijei de verdade. Nunca tinha ficado nua na frente de outra pessoa… nem na frente da minha mãe depois que cresci. E agora… agora eu tô aqui… assim… e esses homens… eles vão…
Ela não consegue terminar. O choro volta mais forte, mas ainda contido, com medo do barulho.
Jéssica sente o estômago revirar. A história é diferente da dela, mas o fundo é o mesmo. Virgem, enganada, arrancada de uma vida comum e jogada naquele inferno.
Marisa fala baixo, quase junto ao ouvido da menina:
— A gente não vai mentir pra você. Vai doer, vai ser humilhante, vai ter homem, muitos. Mas se você lutar demais na frente deles, eles gostam. Eles castigam mais. Então, quando te chamarem, você respira. Faz o que mandarem, e depois volta pra cá. A gente vai estar aqui.
Larissa olha para as duas, os olhos vermelhos, a voz num fio desesperado:
— Vocês também… foram enganadas?
Marisa só acena com a cabeça. Jéssica responde por elas:
— Todas aqui foram. De um jeito ou de outro.
O cômodo fica em silêncio por um momento. As correntes nos tornozelos de Larissa tilintam quando ela treme de novo. Lá fora, o dia começa a clarear de verdade. Em breve o Barracão vai acordar. E a nova mercadoria já está trancada dentro, ainda com cheiro de estrada e pavor puro, sem saber exatamente o tamanho do que a espera. Mas as outras já sabem. E por isso tentam, do único jeito possível, prepará-la.
Larissa ainda está encolhida no colchão, os joelhos contra o peito, as correntes tilintando cada vez que o corpo treme. As lágrimas não param, mas o choro agora é mais contido, com medo de atrair atenção de fora. A mulher das queimaduras se aproxima um pouco mais e pergunta baixo, direto:
— Quantos anos você tem, Larissa?
A jovem demora a responder. Quando fala, a voz sai pequena, envergonhada, como se a idade fosse mais uma coisa que a expõe:
— Catorze.
Um silêncio curto, pesado, se espalha entre as mulheres, ela é uma menina ainda. Adulta, no corpo, mas menina na idade e na cabeça. Mas ainda tão nova, nova demais para estar ali, nua, algemada, com correntes nos pés, entregue como pagamento de dívida de pai.
Jéssica fecha os olhos por um segundo. Marisa aperta os lábios até ficarem brancos. A mulher das queimaduras balança a cabeça devagar, um gesto amargo.
— Catorze, repete, como se precisasse confirmar. E o Nestor já te trouxe assim… nua, amarrada, com corrente. Sem nem deixar você entender o que está acontecendo.
Outra mulher, mais ao fundo, cospe no chão sem força.
— Esse velho não tem mais nenhum freio. Já vi ele receber menina de vinte e um, vinte e dois… mas do jeito que te trouxeram, Larissa… ele nem fingiu que era outra coisa. Já chegou te tratando como mercadoria pronta.
Larissa aperta mais os joelhos contra o corpo. A voz sai embargada:
— Ele… ele nem falou comigo direito. Só olhou, mandou colocar as correntes e as algemas e me jogou aqui. Eu pedi para ligar para minha mãe. Ele riu, falou que minha mãe agora era o ouro que meu pai não pagou.
Marisa sente um arrepio frio subir pela espinha. Mesmo depois de tudo que já viveu naquele lugar, a frieza com que o Nestor recebe as novas continua chocando. Não havia sequer a farsa do “trabalho”. Nem a mentira do restaurante. Só a dívida, a captura e a corrente.
A mulher das queimaduras passa a mão no rosto, cansada.
— Ele tá cada vez pior. Antes ainda tinha um ou outro intermediário que mentia, que falava em emprego. Agora ele nem perde tempo. Manda buscar, tira a roupa na estrada e já chega algemando. É como se a gente nem fosse gente.
Larissa olha para as mulheres ao redor, os olhos vermelhos, a voz num fio:
— Vocês… todas chegaram assim?
Nenhuma responde na hora. Algumas baixam a cabeça. Outras apenas seguram o próprio olhar. A resposta está no silêncio. Nem todas chegaram exatamente daquele jeito, mas todas chegaram contra a vontade. E todas aprenderam, do jeito mais bruto, que o velho dono do Barracão das Sombras não perde tempo com piedade.
Jéssica estende a mão e toca de leve o braço de Larissa, longe das algemas.
— A gente não vai te abandonar aqui dentro. Mas você precisa entender uma coisa, o Nestor não vai te soltar. E quanto mais você mostrar medo na frente dele, mais ele gosta. Então, quando te chamarem… tenta aguentar. Depois você volta para cá. A gente vai estar aqui.
Larissa balança a cabeça, sem conseguir falar. As correntes nos tornozelos parecem mais pesadas a cada segundo. E pela primeira vez desde que chegou, ela começa a entender que o homem que a trancou ali não é só cruel. É metódico. E não tem pressa nenhuma de terminar o que começou.
O calor da tarde pesa sobre o garimpo como uma tampa de ferro. O ar está parado, úmido, cheirando a lama quente, diesel e suor. Os motores das balsas zumbem ao longe. Foi nesse momento que Seu Nestor manda chamar. A porta dos fundos se abre com violência. Dois homens armados entram no cômodo e gritam:
— Todas de pé! Agora! O velho quer todo mundo lá fora!
As mulheres se levantam em silêncio, elas já conhecem o tom. Larissa tenta se erguer também, mas as correntes nos tornozelos e as algemas nos pulsos dificultam. Um dos homens a puxa pelo braço com força e a arrasta para fora junto com as outras.
No pátio em frente ao Barracão, Nestor espera. Ao lado dele há um triciclo velho de carga, daqueles usados para transportar ferramentas e combustível. No guidão, uma corrente grossa já está pronta. Na mão dele, uma coleira de couro grosso, com argola de metal.
Quando vê Larissa, ele sorri de lado.
— Traz a novata aqui.
Ela é empurrada até ele. Nestor segura o queixo dela com uma mão suja e força o rosto para cima.
— Hoje você vai conhecer o lugar onde vai trabalhar. Todo mundo vai te conhecer também.
Ele abre a coleira e fecha em volta do pescoço dela. O couro aperta. O estalo da fivela ecoa seco. Em seguida prende a corrente na argola da coleira e amarra a outra ponta no triciclo. O comprimento é curto o suficiente para ela ter que ficar perto.
— Anda, ordena. Se cair, eu arrasto.
O motorista do triciclo, um homem magro de chapéu, liga o motor. O triciclo começa a se mover devagar. A corrente estica. Larissa é obrigada a acompanhar. Os pés descalços afundam na lama quente. As correntes dos tornozelos tilintam a cada passo forçado. Os seios balançam. O corpo inteiro fica exposto ao sol e aos olhares.
Atrás dela, Nestor grita para as outras:
— Todas atrás! Em fila! Mãos para trás! Quem atrasar leva chicote!
As mulheres obedecem. Marisa, Jéssica e todas as outras formam uma fila atrás de Larissa. Nuas. Cabeças baixas. Algumas já com o olhar vazio. Outras ainda com resquícios de vergonha. A procissão começa a se mover pelo garimpo.
O triciclo avança pela área principal. Passa perto das balsas, dos barracos de lona, do local onde os homens pesam o ouro, da área de comida. A cada metro, mais trabalhadores param o que estão fazendo. Motores são desligados, conversas morrem. Dezenas de homens se viram para olhar. A cena é clara para todos:
Uma jovem nua, de coleira, sendo puxada por um triciclo, o corpo branco ainda marcado pela estrada e pelo medo. Logo atrás, uma fila inteira de mulheres nuas, andando em silêncio, como um rebanho.
Os comentários começam baixos e depois sobem, sujos, sem nenhum freio:
— Olha a novata…
— Ainda tá com cara de quem nunca chupou pau.
— O Nestor tá exibindo a mercadoria nova.
— Essa daí eu quero logo na primeira noite.
Alguns homens se aproximam da fila. Um tenta apertar o peito de uma das mulheres. Outro passa a mão na bunda de outra. Nestor, que vem andando ao lado da procissão, só observa. Não impede. Faz parte do espetáculo.
Larissa tenta manter a cabeça baixa, mas a corrente a obriga a acompanhar o ritmo do triciclo. Cada vez que o veículo acelera um pouco, ela precisa trotar para não cair. Os seios balançam mais. A respiração fica ofegante, o sol queima a pele clara, o chão quente queima a sola dos pés e os olhos de dezenas de homens queimam o resto.
Atrás dela, Marisa caminha em silêncio, o maxilar travado. Jéssica ao lado da mãe, as lágrimas escorrendo sem ela conseguir segurar. As duas sabem exatamente o que aquela volta pelo garimpo significa, Nestor está marcando território. Está mostrando a todas as mulheres, e a todos os homens quem manda. E está apresentando a novata como carne fresca disponível.
A procissão continua. Pelo meio do acampamento, passando por grupos de garimpeiros que param para assobiar, xingar, apontar. Alguns batem palma, outros já discutem entre si quem vai pagar mais caro pela primeira foda com a menina da coleira.
E Larissa, catorze anos, virgem, nua, algemada, com corrente no pescoço e nos pés, é obrigada a andar na frente de todas, exposta como troféu vivo da crueldade daquele lugar.
O Barracão das Sombras nunca tinha sido tão claro sobre o que era. E o velho dono, andando ao lado do triciclo com um sorriso satisfeito, garante que ninguém ali esqueça.
O triciclo avança para a parte mais movimentada do garimpo. Ali o barulho é maior, homens carregam baldes de cascalho, outros pesam ouro em balanças improvisadas, outros bebem cachaça embaixo de lonas. Quando a procissão aparece, Larissa na frente, nua, de coleira, sendo puxada, e atrás dela a fila inteira de mulheres peladas, o trabalho para quase por completo.
Os insultos começam altos e não param mais.
— Olha a fila de puta!
— Essa novata ainda nem abriu as pernas e já tá sendo passeada igual cadela!
— A loirinha ali atrás eu já gozei dentro três vezes!
— Essa baixinha de coxa grossa… olha o jeito que anda. Parece que tá pedindo pra ser montada!
— Nestor tá fazendo desfile de carne hoje, caralho!
Alguns homens se aproximam da fila. Um cospe perto dos pés de uma das mulheres. Outro estende a mão e aperta o peito de quem passa mais perto. Riem, comentam o cheiro, o corpo, o que pretendem fazer quando a noite chegar. A procissão é obrigada a continuar andando no meio daquilo tudo, devagar, exposta, enquanto a corrente no pescoço de Larissa tilinta e as correntes dos tornozelos dela arrastam na lama.
Foi nesse trecho mais denso que uma delas quebra. É a baixinha de coxas grossas, sempre quieta, olhar distante, quase nunca fala. Desde que chegou ao Barracão, meses atrás, ela carrega no rosto a expressão de quem já desistiu por dentro. Mas naquele momento, no meio dos xingamentos e das mãos que tentam tocar, algo estala.
Sem avisar, ela sai da fila e corre. Corre desajeitada, nua, os seios balançando, as coxas grossas batendo uma na outra, os pés descalços escorregando na lama. Não tem direção clara, só corre. Para longe do triciclo, para longe de Nestor, para qualquer lugar que não seja aquele.
O grito de Nestor corta o ar:
— Pega essa puta!
Dois homens armados saem atrás dela na hora. A perseguição é curta. A baixinha não tem fôlego, não tem sapato, não tem força. Ela escorrega num trecho de barro mole, cai de joelhos, tenta se levantar e é alcançada. Um dos homens a agarra pelo cabelo e a puxa para trás com violência. O outro segura um braço e torce. Ela grita, esperneia, tenta morder. Levam um tapa forte no rosto, depois outro. O nariz dela começa a sangrar.
Arrastam a mulher de volta até a procissão. Nestor manda o triciclo parar. A fila inteira é obrigada a ficar parada, assistindo. Larissa, ainda presa pela coleira, respira ofegante, os olhos arregalados. Marisa e Jéssica observam em silêncio, o estômago fechado.
Nestor se aproxima da baixinha, que agora está de joelhos na lama, o cabelo preso na mão do homem que a capturou. Ele olha para ela com desprezo calmo.
— Achou que ia pra onde, sua vagabunda?
Ela não responde. Só cospe sangue no chão.
Nestor acena com a cabeça. Um dos homens segura os braços dela para trás. O outro tira o cinto. As chicotadas começam ali mesmo, na frente de todo o garimpo. O couro estala nas costas, nas nádegas, nas coxas, a baixinha grita a cada golpe. Marcas vermelhas surgem rápido. Depois de várias chicotadas, Nestor manda parar.
— Amarra ela na traseira do triciclo, pelos pulsos. Ela vai ser puxada o resto do caminho.
Os homens obedecem. Amarram os pulsos da baixinha na parte de trás do triciclo, forçando-a a ficar de quatro, os braços esticados para frente. Quando o veículo recomeça a andar, ela é obrigada a engatinhar atrás, nua, as coxas grossas sujas de lama, as marcas do cinto ainda vermelhas, o rosto sangrando.
A procissão continua.
Agora com Larissa sendo puxada pela coleira na frente e a baixinha engatinhando amarrada atrás, enquanto as outras mulheres andam em fila no meio, ouvindo os insultos que só aumentaram depois da tentativa de fuga.
O recado de Nestor fica claro para todas, correr não adianta. E o preço de tentar é pago na frente de todo mundo.
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