Tenho que admitir. Eu sou um garoto de sorte.
A cidade ainda não decidiu se vai acordar de verdade. As ruas que atravesso com a minha leve corrida estão banhadas por uma luz dourada bonita e tem poucos carros no asfalto. Mesmo ainda bem cedo, o sol queima suavemente o topo dos meus ombros de fora depois que arranquei a camiseta e pendurei no cós do meu short curto.
Já era a terceira volta no quarteirão. Corro sem presa e sinto minha espiração compassada, o vento brinca com meus cabelos dourados, o calor aquece minhas bochechas e deixa uma mancha avermelhada, sorrio para o meu reflexo quando diminuo a velocidade diante de uma vitrine. Tem pãezinhos frescos nela.
A imagem de um homem muito maior se aproxima e chama atenção tanto quanto os produtos frescos. Ele também sorri quando avista a oferta e fala sem precisar parar, enquanto passa por mim.
“Tentador, não acha?”
Quarta volta. O sol aparecendo no vão entre dois prédios, mais carros surgem cortando o asfalto, um senhor caminha com seu cachorro delicado e eu preciso desviar, senhoras conversam numa esquina estratégica. Avisto quando meu parceiro de corrida dobra a esquina e sua imagem novamente é atraente. Ombros muito mais largos que os meus para fora da retarda, short na altura dos joelhos com certo volume em movimento na altura da virilha, rosto quadrado, barba por fazer, cabelos tão dourados quanto os meus.
“Muito tentador mesmo” respondi, me referindo aos pães frescos sendo colocados na mesma vitrine onde nos cruzamos.
“Nem falei do pão, gatinho” o loiro flertou olhando para trás, sem precisar interromper a corrida para isso.
Quinta volta. Ele já dobrou a esquina com um sorriso escancarado nos lábios bonitos. Me excitou a ideia de ocupar aquela boca com a minha, embrenhar meus dedos no cabelo visivelmente macio, sentir o gosto do suor que escorre livre em sua nuca esticada. Alguém abre a cafeteria e coloca flores num balde de metal sobre a mesa, endireita as cadeiras e ele sorri para isso como se fosse um sinal divino. Tudo parece ter sido enfeitado por um Deus brincalhão, mas no meio da corrida passo meus olhos sobre o anel que faz minha mão brilhar e o meu parceiro de corrida percebe.
Existem muitos metros separando nosso encontro. Ele diminui sua corrida, eu desacelero ainda mais os passos. Meu cérebro me leva para a manhã em que meu pai enfiou a coisa reluzindo em meu dedo e sinto um leve arrepio de lembrar do jeito que me comeu na noite do meu aniversário, sempre tirando um minuto para arrastar o bigode na pele macia da minha mão enquanto estendia beijos sobre a peça que escancara nossa relação intrigante.
Uma lembrança perigosa naquele instante. O teor dos meus pensamentos sempre me deixa com tesão.
Da mesma forma sou levado para a madrugada daquele dia. Adormecido, o rosto do meu pai era ainda mais bonito em sono profundo ao meu lado. Foi Caetano, o próprio irmão, quem percebeu isso.
“Quem vê essa carinha tranquila, nem pensa que ele tava agorinha enfiando a pica nesse rabo comigo” falou enquanto nos deitava na cama bem ao lado do homem apagado.
Mesmo tomando cuidado, fizemos o seu corpo balançar um pouquinho e a sua respiração pesada mudou para algo leve, quase imperceptível. Meu tio falava dessa forma porque deitava sobre minhas costas aproveitando da pouca luz no quarto. Já estava nu, assim como eu permaneci todo o tempo até arrancá-lo da sala comigo para o quarto que divido com meu pai.
“Fizemos um belo estrago aqui atrás” ele sussurrou por cima, no meu ouvido.
“Gosta de como ficou?” Perguntei no meio de um gemido ao sentir as pontas dos dedos passeando entre minhas nádegas onde ainda dava para sentir o efeito de duas rolas entrando e saindo dali.
“É claro que gosto. Olha só… Agora mesmo vou fazer um amorzinho bem gostoso com o rombo que meu pau fez nesse cuzinho. Como não vou gostar de abusar do meu sobrinho?”
As palavras sujas e carinhosas preencheram meu ouvido e a minha fantasia quase ao mesmo tempo em que ele foi socando a pica devagarinho, já tão dura como antes, atravessando minha pele quente e úmida. Para o meu tio, fica cada vez mais fácil entrar em mim. Quando ainda era apertado, acostumado apenas a grossura do meu pai, Caetano reclamava da dor que sentia ao me abrir; mas agora, depois de me alargar o suficiente, a pica gigante parece caber perfeitamente dentro de mim.
Entra aos poucos, encaixando melado e grosseiro. O gemido que me arranca é abafado quando abraça meu corpo e cobre minha boca com os dedos.
“Segura a onda, moleque. Vai acordar seu pai bem bem na hora que eu tô botando firme aqui atrás.”
“Então para de maltratar minha bunda desse jeito” respondi como se houvesse a chance de ser atendido.
Força, penetra inteiro, rebola para encaixar e acompanha com um sorriso a respiração do meu pai exatamente ao nosso lado.
“Com licença, mano. Vou botar aqui no seu moleque rapidão” brincou, ousado. “Vai, empina mais essa bunda, ergue um pouquinho. Quero ver você rebolar embaixo de mim, Dudu. Faz isso pra mim?”
Como não? Já era madrugada, a cidade dormindo aos nossos pés, transava com meu tio na mesma cama onde meu pai dormia. Impossível não fazer tudo que esse homem pedia. O corpo enorme e quente cobrindo o meu num ato de puro devaneio e sedução foi o maior dos incentivos. Gemi ainda abafado pela mão cobrindo meu rosto, empinei como podia embaixo dele, senti como encaixa em mim, como me abre e me faz tremer, e rebolei na velocidade certa para não causar um caos em cima do colchão.
Meu pai era um cúmplice silencioso.
Caetano me comeu lento, mas forte. Sempre que gemi mais alto cortando o silêncio do quarto com meu prazer, mais apertava minha boca e socava na medida certa de me destruir com a segurança de um macho de verdade. Às vezes ele mesmo não conseguia segurar o ímpeto e deixava um suspiro se transformar em gemido grosso no meu ouvido, então era meu papel virar o rosto e procurar seus lábios com um beijo molhado, cheio de língua e desejo.
Muitas vezes me beijou grunhindo como uma fera amansada. É tão fácil se apaixonar por isso.
O homem diminui o ritmo do sexo que pratica comigo e por um instante permanece amassando meu corpo, muito menor, sob do seu, muito maior. O suor quente mantém nossas peles grudadas, mas também deixa um rastro de pecado no quarto, e isso é muito melhor que qualquer perfume que ele, ou eu, ou meu pai use. É a perfeita mistura do nosso cheiro.
“Porra, é tão gostoso te comer assim caladinho sentindo o cheiro da minha rola no seu corpo” falou sofrendo nas minhas costas.
“Fode mais, Caetano. Fode mais forte. Quero gozar com seu pau enterrado em mim.”
“Pede pro titio te fazer gozar. Pede pra mim!”
Mais empinado, Caetano teve espaço para abraçar minha cintura e deixar seus dedos grossos na altura da minha virilha melada. Meu pau duro foi agarrado pelo cara, minhas bolas ganharam um carinho e eu gozei gemendo abafado pelo travesseiro contra o meu rosto. Me fazendo gozar, também chegou ao ápice do tesão. O líquido quente dele não saiu de mim, ficou preso dentro do meu corpo sendo batido lá dentro por uma rola animalesca e pulsante com socadas profundas; o meu foi aparado pela mão grandona sanando assim o nosso medo de sujar o lençol da cama.
Nossa respiração pesada, fruto do nosso corpo guiado pelo tesão, não foi capaz de acordar meu pai do seu sono reparador. O rosto adormecido ainda era bonito, suave e calmo. Suado, me estiquei na intenção de beijar devagarinho os lábios entreabertos dele.
“Porra, moleque… Eu amo gozar em você.” Caetano confessou sentindo a porra cremosa dele fazer um ruído molhado quando tira o pau de mim. “Amo ainda mais quando você é um fofo com esse bobão aí.”
“Não fala assim do seu irmão, Caetano. Parece que gosta de humilhar meu pai” repreendi com certo humor no tom.
“Você sabe, meu gostoso.. Eu também amo pegar pesado com esse corninho.”
Nós dois rimos, porque claramente era uma forma de brincar com a gente, mas eu vi Caetano também se esticar na luz baixa do quarto e grudar os lábios na testa do irmão. Deixou um beijo curto com seu jeito viril de atiçar minha excitação.
Com o pensamento de volta aos meus passos na rua, outra vez dei uma conferida sobre a peça reduzindo em meu dedo. O outro homem loiro, agora mais perto de mim, parou e me encarou com um sorriso encantador nos lábios enquanto recuperava o fôlego da sua corrida mais intensa que a minha.
Admiramos as flores sobre a mesa da cafeteria, o entregador chegando com uma caixa nas mãos, as senhoras atravessando a rua ali perto, o sol mais acima de nós, entre prédios.
“Eu vi sua aliança, não quero ser escroto e dar em cima de um rapaz comprometido. É casado?”
Eu ri sozinho.
“Você nunca entenderia, mesmo se eu tentasse explicar bem direitinho.”
“Quer tentar me contar que rolo é esse?” O loiro, com seus ombros bem abertos, o rosto suando leve, o cabelo refletindo a luz do dia, me encarou curioso o meu peito nu.
“Não vou corromper sua cabecinha bonita com a estrutura assustadora do meu relacionamento” respondi.
“Isso é um fora? Espero que não, porque mistérios me deixam excitado.”
Desviei minha atenção para os pães na vitrine. Um croissant pareceu apetitoso. Limpei a testa, passei os ombros para dentro da camiseta vendo no relógio que em poucas horas precisaria estar na faculdade.
“Não é um fora. Você se contenta se eu disser que a gente se encontra por aí?”
“Correndo entre os quarteirões?”
“Acho ótimo” concordei com um sorriso.
Voltei para casa ainda aquecido pela corrida e os cabelos meio úmidos de suor. A manhã ensolarada me fez caminhar devagar e até parar um pouco na porta antes de entrar. Da cozinha vinha um cheiro bom de café recém-passado, pão tostado e ovos mexidos na frigideira.
“Olha só quem resolveu aparecer” o meu pai falou sem tirar os olhos do fogão.
Meu tio, de costas para a bancada, apenas sorriu. Ele ainda estava ali. Esteve ali após a madrugada que passou transando comigo e com meu pai, depois de ser o meu presente de aniversário, e em muitas outras manhãs também. Esteve tão presente que aos poucos algumas das suas peças de roupa foram ganhando espaço no armário do meu pai, ao lado dos seus ternos bonitos, e com a mesma facilidade, algumas de suas cuecas foram parar na minha gaveta. Toalha, escova de dente e o seu shampoo 3 em 1 repousa no banheiro ao lado do meu.
Olhei os dois homens juntos na cozinha. Havia algo de extremamente sensual e amoroso no modo como se organizavam e cuidavam para que eu encontrasse o café pronto sobre a mesa depois da minha corrida. Meu pai usava um calção simples, mas uma camisa em linho de mangas longas dobradas até o cotovelo; já meu tio estava com os cabelos molhados e penteados para trás, um novo jeito de se arrumar que aprendeu na convivência com o irmão. Usava uma calça de algodão folgada no corpo, nada cobrindo o torso. Foi ele quem sorriu e aconselhou.
“Vai tomar banho, Eduardo. O café tá quase pronto, só vou arrumar a mesa e esperar você.”
A ideia era essa. Coloquei o celular sobre o aparador, tirei o tênis e atravessei a sala descalço. Eles deixaram as cortinas da sala abertas e uma brisa fresca atingia meu peito nu depois que tirei a camiseta. Deu tempo de observar como nossos móveis mudaram depois que o tio Caetano passou a dormir mais vezes em nossa casa e fazer dela o seu segundo lar. O sofá foi trocado por um mais espaçoso e mais caro, a mesa é de uma madeira macia em tom médio, as cortinas se estendem até o chão em um tom elegante de algodão cru.
Eu queria tomar um banho, mas a ideia do meu pai era outra. Despejou os ovos mexidos num prato bonito depois de desligar o fogo e caminhou seguro até o meio da sala onde eu estava em pé. Deu pra ver o colchão inchado com as suas passadas lentas combinando com seu olhar safado me devorando por inteiro, da cabeça aos pés.
“Você não vai tomar sem antes me dar uma provinha desse cheiro” sussurrou.
Meu tio sorriu curioso da bancada. Um espectador voraz.
“Mas eu tô pingando suor, pai.”
“É exatamente assim que eu gosto de você, bebê. Adoro quando tá escorrendo suor.”
E sem segredos entre nós três, apertou meu queixo com os dedos firmes da mão direita me fazendo inclinar a cabeça até o pescoço suado até virar alvo fácil da sua atenção pervertida. Ao mesmo tempo tateou os dedos da mão esquerda pela minha barriga, descendo para além do cós do short curto. Quando a língua pegajosa escorregou na pele do meu pescoço provando a maior quantidade possível de suor, a outra mão foi parar direto dentro da minha cueca, totalmente enfiada entre o pau amolecido e o saco amassado. Bagunçou ali, brincando com o suor da minha virilha, e trouxe a mão de novo para a altura do nosso rosto.
“Deixa eu ver como a piroca do meu filho fica depois de uma corridinha.” Falou como se fosse normal esse tipo de desejo.
Primeiro cheirou as pontas dos dedos, experimentando meu perfume úmido, quente e suado. Já tinha perdido a conta de quantas vezes vi o homem fazer isso. Depois com um sorriso maligno nos lábios foi esfregando cada um deles na língua exposta, brincando de ultrapassar os limites.
“Eu não podia tomar café da manhã antes de sentir seu gosto, filho.” Confessou com a boca colada na minha.
“E como eu tô aí embaixo?” Quase gemi.
“Como sempre. Cheiroso, uma delícia, pronto pra ganhar uma mamada.”
“Sua boca não cansa de tomar meu leite, pai?”
De repente minhas mãos estavam grudadas nele, ao longo das costas, por baixo do tecido gostoso da camisa cara. Nosso corpo parecia dançar calminho, um ritmo só nosso. Ele sorria com o lábios entreabertos quase como o pedido para um beijo demorado.
“Eu nunca vou cansar do seu gosto. Agora vai tomar banho, seu tio tá com fome. Olha a cara do safado.”
Encostado na bancada, Caetano nos admirava da cozinha com a mão totalmente enfiada na calça. Não se masturbava plenamente ainda, só estimulava o pau já duro. Eu tive que rir. Beijei meus dois homens em despedida para o banheiro redecorado.
Tomei um banho rápido, vesti uma camiseta branca e uma calça confortável e voltei à cozinha com o rosto ainda fresco, cheirando a sabonete. Beijei o topo da cabeça dos meus dois homens que me esperavam sedentos na mesa já posta com frutas cortadas, ovos mexidos, pão, manteiga, café e um pequeno bule de leite. Meu pai servia as xícaras enquanto o tio reclamava, com bastante convicção, que alguém havia comprado o pão errado.
Me sentei exatamente entre os dois. Sem surpresas, ganhei um carinho na coxa de cada homem. Eles já não conseguem ficar longe de mim por muito tempo.
Por alguns minutos falamos de coisas pequenas. A corrida, o tempo, uma notícia qualquer, o que faríamos mais tarde. Meu tio contou uma história que já havia contado outras vezes, e o meu pai riu antes mesmo de chegar ao final, porque conhecia a história tão bem quanto ele. Tomei um gole do meu café com leite antes de ir para a faculdade e assisti os homens serem o que são: irmãos, meus amantes.
Essa é minha nova rotina. Não é nada extraordinário, aliás. É apenas uma manhã em que eu posso voltar pra casa e encontrar dois homens safados me esperando. Tenho que admitir: sou um garoto de sorte.
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Comentários (1)
Coroa: Muita sorte mesmo, além de uma família abençoada com esses dois machos gostosos ainda tem os admiradores na rua. Deu até inveja.
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