Aula de reforço para uma crentinha safada
Eu sou um número. Não é força de expressão: é o que eu sou. Vinte e cinco anos, engenheiro, sexta-feira à noite resolvendo derivada por prazer. Não tenho carro bonito nem abdômen definido. Tenho uma mesa, uma lousa de vidro e a calma de quem nunca precisou competir por nada.
Foi por isso que Dona Marlene bateu na minha porta.
— Ô vizinho, você que mexe com essas coisas de conta, né? A Larissa tá péssima em matemática. Você dá um reforço pra ela? Pago direitinho.
Larissa apareceu atrás da mãe. Dezenove anos, loira, magrinha, cabelo liso até o ombro, um shortinho que devia ter sido aprovado por votação. Sorriu pra mim como quem já sabia o resultado da prova.
— Oi, professor — disse ela.
Dona Marlene era da igreja. Não da igreja light: da igreja que fiscaliza. Culto quarta, culto domingo, saia no joelho, nada de namorado dormindo em casa.
— Terça e quinta, oito da noite — decretou. — E ela volta às dez. Em ponto.
Começou assim. Terminou de outro jeito.
As primeiras aulas foram normais. Ela sentava, resolvia, errava o sinal, eu corrigia. Só que a cada semana o short encolhia um centímetro e a regata ficava um dedo mais fina. Ela se debruçava na mesa pra escrever, e o mundo inteiro ficava de lado.
— Professor, essa questão aqui não tá entrando — ela falou na terceira aula, inclinada sobre o caderno, o quadril pra cima.
— A fórmula é essa.
— Ah, é? — Ela virou o rosto. Estávamos a quinze centímetros. — E se eu errar de novo, você me dá quantos pontos?
— Não tem prova.
— Então você me dá outra coisa.
Na quinta, ela sentou do meu lado. Na terça seguinte, a mão dela caiu no meu joelho e ficou. Eu, que passo a vida calculando, não calculei nada: virei e beijei.
Ela beijou de volta como quem tinha ensaiado. Depois me empurrou pelo peito, ofegante, e disse:
— Espera. Tem um problema.
— Problema?
— Você sabe que minha mãe me leva no ginecologista, né? — ela falou, séria. — Tipo, de verdade. Ela marca consulta, a doutora examina, e a minha mãe pergunta na minha frente se tá tudo no lugar.
— No lugar.
— O hímen, professor. Ela confere. Se romper, minha mãe sabe. E aí vira interrogatório.
— Então a gente espera o casamento.
— Eu espero nada. — Ela mordeu o lábio. — Tem um jeito de não romper.
Levei dois segundos. Sou bom em números.
— Por trás.
— Por trás — ela confirmou, e ficou vermelha até a orelha. — Isso não conta. A doutora nem olha. Tá tudo no lugar e eu não fico de castigo.
— E você aguenta?
Ela tirou o short antes de responder.
— Vira pra lá e tira a roupa, professor.
Fiquei de joelhos atrás dela no sofá. A bunda dela era pequena, redonda, durinha, branca de quem passa o dia de calça. Passei a mão e ela arrepiou inteira.
— Ai — sussurrou.
— Fala baixo. Sua mãe tá do outro lado dessa parede.
— Eu sei. — Ela riu, nervosa. — Por isso você vai ter que ir devagar, senão ela ouve e sobe aqui pra ver.
— Tem vaselina?
Ela esticou a mão pra bolsa e jogou o potinho em cima da mesa.
— Crente é organizada, professor.
Passei. Ela travou, gemeu baixinho, abriu mais o joelho. Encaixei a ponta e empurrei devagar, centímetro por centímetro, sentindo ela abrir em volta de mim como um nó se desfazendo.
— Ai, ai, ai... — Ela apertou o rosto no encosto do sofá. — Tá... tá entrando tudo?
— Ainda não.
— Quanto falta?
— Metade.
— Senhor... — ela rezou, e eu ri.
— Chama Ele não, que Ele não te avisou disso.
— Cala a boca e continua.
Continuei. Quando entrou até o fim, ela soltou um gemido longo, abafado pela almofada, e ficou parada, tremendo, se acostumando. Apertava em volta de mim a cada respiração.
— Respira — falei no ouvido dela.
— Tô respirando. Tô rezando e respirando.
— Movimento?
— Move. Mas devagar, hein. Devagarinho.
Comecei devagar. Ela foi relaxando, o quadril foi acompanhando, e em dois minutos já não era mais devagar.
— Ah, isso... isso é muito melhor que a aula — ela gemeu.
— Foca na matéria, aluna.
— A matéria tá... — ela perdeu a frase, empurrou a bunda contra mim. — Mais rápido. Mais rápido, mas sem bater.
Segurei o quadril dela com as duas mãos e acelerei. A mesa tremia, o caderno caiu no chão, o abajur balançava na parede. Ela começou a falar sem parar, do jeito que gente nova fala:
— Ah, professor... eu pensei nisso a semana inteira, você sabe? Na aula eu não conseguia nem somar. Você olhando pra mim com aquela cara de quem tava calculando o meu short...
— Tava.
— Eu sabia!
— E agora?
— Agora... — Ela gemeu alto e mordeu a almofada. — Agora tá gostoso demais, ai meu Deus, tá gostoso...
Puxei o cabelo loiro dela pra trás, com jeito, e ela levantou o rosto, boca aberta, olho meio fechado, o pescoço esticado.
— Fala baixo — avisei.
— Não consigo — ela choramingou. — Tá batendo numa coisa aqui dentro que... ah, professor, se você parar agora eu te reprovo.
— Não vou parar.
Ela veio primeiro. Fechou tudo em volta de mim, durinha, e o gemido saiu tão alto que ela mesma tapaou a própria boca com a mão. Eu aguentei mais alguns embalos e gozei dentro, devagar, sentindo cada aperto dela.
Ficamos assim, parados, suados, ela com a testa no encosto do sofá e eu apoiado nas costas dela.
— Acabou? — ela perguntou, sem ar.
— Acabou.
— Ótimo. — Ela se levantou devagar, fazendo careta, e pegou o short. — Eu tô com as pernas tremendo, professor.
— Dez pras dez. Sua mãe já vai bater.
— Cinco minutinhos. Ela bate e você diz que eu tava terminando um exercício.
Deu dez pras dez. Dona Marlene bateu na porta. Larissa abriu, saia reta, cabelo arrumado, cara de aluna aplicada, e ainda me agradeceu na frente da mãe:
— Boa aula, professor. Aprendi muito hoje.
— Aprendeu — eu confirmei, com a maior cara de número do mundo.
Duas semanas depois, ela chegou, jogou a bolsa no sofá e me olhou com aquele sorrisinho.
— Hoje é revisão, professor?
— Revisão de quê?
— Do que a gente aprendeu na última aula. — Ela abriu o potinho de vaselina e deixou em cima da mesa. — Porque eu sou crente, mas eu estudo direitinho.
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